Por ANTÔNIO MENDES DA SILVA FILHO

Doutor em Ciência da Computação

 

 

Gestão do Conhecimento:  

Sobre a Importância da Extração da Informação

 

“It is of the highest importance, in the art of detection, to be able to recognise out of a number of facts which are incidental and which are vital...”  Sherlock Holmes

 

Gestão do conhecimento tem três pilares ou três C’s que compreendem Consultar, Compartilhar e Colaborar. Vale ressaltar que Criar (que poderia ser pensado como o quarto C) está contido nos pilares Compartilhar e Colaborar, desde que para compartilhar e/ou colaborar é necessário que ocorra antes a criação. Esses três pilares atuam de maneira transversal, exigindo a atuação em três dimensões: Ferramentas (ou mecanismos), Cultura e Capital Humano. Aqui, neste artigo, abordo principalmente a criação e processo de consulta ou, se preferir, busca da informação.

Note que um dos principais ‘combustíveis’ para a criatividade é a imaginação. Trata-se de um aspecto intrínseco ao ser humano que lhe possibilita trabalhar e combinar idéias e fatos conhecidos a fim de gerar novas idéias. A imaginação permite o indivíduo formar idéias abstratas e está intimamente associado à capacidade de criação. Pergunte a si próprio: Qual a principal característica do ser humano? Aquela que o diferencia de todos os outros animais e o distingue da mais ‘inteligente’ de todas as máquinas. Se respondeu curiosidade, busca por informação, busca por conhecimento acertou. Esta característica intrínseca ao ser humano é essencial aos profissionais da informação e a cada dia constitui elemento estratégico às empresas que precisam incrementar a desempenho corporativo e consolidar um diferencial no mercado. Não se trata de um desejo, mas de uma necessidade empresarial.

Dentro desse contexto, observa-se que dispor de mecanismos que facilitem o acesso a informação constitui um aspecto chave nas empresas. Artefatos de informação que compreendem todo o conjunto de informações que a empresa detém precisam estar acessíveis e integrados de modo a minimizar qualquer esforço para sua obtenção. Quão mais rápido os profissionais de uma organização consegue acessar as informações que necessitam para realização de suas atividades, maior será sua produtividade, além de poder implicar em novas oportunidades de negócios.

Toda informação é um bem dinâmico e possui um valor associado. Nesse sentido, um mecanismo de extração de informação é um elemento de suma importância de qualquer sistema de gestão de conhecimento. Tal mecanismo trabalha em conjunto com ferramentas de organização e recuperação de informações, constituindo assim numa forma de encontrar o artefato desejado. A Figura 1 ilustra esse processo.

Figura 1 – Contextualização do processo de extração da informação.

Perceba que a extração da informação (EI) compreende um conjunto de técnicas, i.e.: segmentação, classificação, associação e agrupamento.

Adicionalmente, EI requer um conjunto de tarefas que leva em consideração:

Grau de formatação

Largura da cobertura desejada

Complexidade

Registros simples e múltiplos

Neste contexto, é possível desenvolver ou adquirir uma ferramenta de extração de informações para extrair informação útil de fontes diversas e formatos heterogêneos, bem como convertê-las para um formato padrão.

É importante observar que um fator crítico para o sucesso de empresas é sua habilidade de manipular e utilizar toda informação disponível. Cabe destacar que um diferencial é alcançado quando existe a capacidade de prover informação de maneira contínua e customizada num curto intervalo de tempo, i.e., poucos minutos. Isto permite uma instituição assegurar o uso de informações não controladas. Além disso, a instituição pode prover diferentes níveis de informações, dependendo das necessidades do usuário. Para tanto, torna-se necessário um mecanismo de autenticação e controle de acesso. Isto requer uma política de acesso que vai definir quais atores (i.e. papéis) terao acesso a conjuntos específicos de artefatos de informação.

Aliado a isso, tem-se a necessidade de compartilhar o entendimento (ou consciência organizacional), criar conhecimento e prover suporte à colaboração que resultará em transformar informação em vantagem operacional para empresa. Além disso, há uma constante necessidade em transformar dados em informação, exigindo-se conhecimento para tal.

Na ilustração da Figura 2, observa-se que a gestão faz uso da tecnologia da informação no suporte a criação e compartilhamento de conhecimento, possibilitando tomada de decisão de forma eficiente e segura. Esta necessidade tem se tornado num desafio devido ao crescimento contínuo do volume de informações, tanto interno quanto externo às empresas. Além disso, grande parte das empresas atua de forma centrada no conhecimento, com seus funcionários necessitando ter acesso a uma ampla variedade de informações.

Figura 2 – Transformação de dados em informações e conhecimento.

Como resultado desse cenário, as empresas têm investido em TI num esforço para gerenciar a sobrecarga de informações e minerar o conhecimento lá existente de modo a promover um diferencial competitivo. Duas tecnologias que têm recebido esforços de P&D compreendem: Business Intelligence (BI) e Knowledge Management (KM) ou gestão do conhecimento.

Ao longo da última década, a tecnologia de BI tem feito uso de data warehousing e OLAP (On-Line Analytical Processing). Data warehousing compreende uma abordagem sistemática para coleta de dados de negócios relevantes num único repositório, o qual pode ser analisado e apresentado para subsidiar tomada de decisões de negócios. Grandes data warehouses podem acomodar dezenas de terabytes de dados enquanto que os data marts (data marts são modelados como um cubo OLAP, i.e. um modelo multidimensional) estão situados na faixa de 10 a 100 gigabytes.

Por outro lado, a gestão do conhecimento (KM) compreende ciência comportamental organizacional, colaboração, gestão de conteúdo e outras tecnologias, podendo ser utilizada no gerenciamento e análise de informação não estruturada. A gestão do conhecimento é uma abordagem integrada e sistemática de identificar, gerenciar e compartilhar todos os artefatos de informação de uma empresa. Isto inclui bancos de dados, documentos, procedimentos e políticas. Também, podemos considerar todo conteúdo como código e experiência, mantida por profissionais de uma instituição. Perceba que KM engloba tornar a informação e experiência coletiva de uma instituição disponível ao gestor de conhecimento e sua equipe de apoio (profissionais do conhecimento), os quais são encarregados de utilizar adequada e sabiamente o conhecimento. Esse ciclo da informação fomenta o processo de aperfeiçoamento de uma instituição, estimula a colaboração e faz as pessoas continuamente melhorarem a forma que realizam seu trabalho.

Nesse sentido, observa-se que conhecimento de negócios que podem ser encontrados em grandes massas de informações não estruturadas. Considera-se ainda que a informação não estruturada pode ser empregada na observação de eventos (tendências e/ou anomalias) nos dados de uma variedade de aplicações. Cabe salientar que a gestão de conhecimento pode ser utilizada para buscar, organizar e extrair informação de múltiplas fontes. Note que há uma tendência de unificar os esforços de BI e KM, onde se pode ter análise de dados e texto ocorrendo de maneira indistinta.

Adicionalmente, a ênfase em KM leva em conta os dados estruturados e os dados não estruturados. O segundo compõe mais de 70% das necessidades de informações e aproximadamente 75% das informações existentes no mundo atualmente é composta de dados não estruturados. Perceba que aqui se tem um dos principais, se não o principal problema de TI, isto é lidar com dados não estruturados ou extrair informações de um ‘mar’ de dados. Uma panorâmica das principais tecnologias envolvidas nesse processo é apresentada na Tabela 1.

Setor Comercial

Setor de Pesquisa

Busca na Web

Base de conhecimento

Mineração de dados

Agentes inteligentes

Bibliotecas digitais

Descoberta do conhecimento

Busca inteligente

Compartilhamento do conhecimento

Integração organizacional

Aprendizado baseado em padrões

Gestão do conhecimento

Formação do conhecimento

Repositórios de objetos

Raciocínio avançado

Tabela 1 – Panorâmica das tecnologias de extração da informação.

 

Para finalizar, cabe destacar que a necessidade atual das empresas em dispor de mecanismos de gestão do conhecimento implica no suporte de mecanismos de busca, classificação e associação de informações, permitindo a ‘extração’ da informação. Nesse sentido, uma possível solução é aplicar o processo de mineração de padrões à extração de informação. Note que a grande quantidade de informações disponíveis nas bases de dados das instituições e Internet tem tornado os mecanismos de extração de informação importantes. Uma das questões decorrentes desse fato é a necessidade de utilizar técnicas de extração em conformidade com o conteúdo. Como solução, pode-se treinar os dados existentes a fim de produzir regras de extração de informação. Entretanto, essa opção requer significativo esforço e tempo. Uma outra alternativa faz uso da habilidade de realizar a mineração de padrões, a qual extrai padrões de bases de dados ou mesmo sites da Web e, melhor ainda, não requer qualquer intervenção humana.

(Sugestão: Complemente o entendimento sobre gestão do conhecimento lendo o artigo Os Três Pilares da Gestão do Conhecimento disponível em http://www.espacoacademico.com.br/058/58silvafilho.htm )

 

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