Gestão do Conhecimento:
Sobre a Importância da Extração da Informação
“It is of the highest importance,
in the art of detection, to be able to recognise out of a number
of facts which are incidental and which are vital...”
Sherlock
Holmes
Gestão
do conhecimento tem três pilares ou três C’s que
compreendem Consultar, Compartilhar e Colaborar. Vale ressaltar que Criar (que poderia ser pensado como o quarto C) está contido
nos pilares Compartilhar e Colaborar, desde que para compartilhar e/ou colaborar é necessário
que ocorra antes a criação. Esses três pilares atuam de maneira
transversal, exigindo a atuação em três dimensões: Ferramentas (ou mecanismos), Cultura e Capital Humano. Aqui, neste artigo, abordo principalmente a criação e
processo de consulta ou, se preferir, busca da informação.
Note
que um dos principais ‘combustíveis’ para a criatividade
é a imaginação. Trata-se de um aspecto intrínseco ao ser
humano que lhe possibilita trabalhar e combinar idéias e fatos
conhecidos a fim de gerar novas idéias. A imaginação permite o
indivíduo formar idéias abstratas e está intimamente associado
à capacidade de criação. Pergunte a si próprio: Qual a
principal característica do ser humano? Aquela que o diferencia
de todos os outros animais e o distingue da mais ‘inteligente’
de todas as máquinas. Se respondeu curiosidade, busca por informação,
busca por conhecimento acertou. Esta característica intrínseca
ao ser humano é essencial aos profissionais da informação e a
cada dia constitui elemento estratégico às empresas que precisam
incrementar a desempenho corporativo e consolidar um diferencial
no mercado. Não se trata de um desejo, mas de uma necessidade
empresarial.
Dentro
desse contexto, observa-se que dispor de mecanismos que facilitem
o acesso a informação constitui um aspecto chave nas empresas.
Artefatos de informação que compreendem todo o conjunto de
informações que a empresa detém precisam estar acessíveis e
integrados de modo a minimizar qualquer esforço para sua obtenção.
Quão mais rápido os profissionais de uma organização consegue
acessar as informações que necessitam para realização de suas
atividades, maior será sua produtividade, além de poder implicar
em novas oportunidades de negócios.
Toda
informação é um bem dinâmico e possui um valor associado.
Nesse sentido, um mecanismo de extração de informação é um
elemento de suma importância de qualquer sistema de gestão de
conhecimento. Tal mecanismo trabalha em conjunto com ferramentas
de organização e recuperação de informações, constituindo
assim numa forma de encontrar o artefato desejado.
A
Figura 1 ilustra esse processo.
Figura
1 – Contextualização do processo de extração da informação.
Perceba
que a extração da informação (EI) compreende um conjunto de técnicas,
i.e.: segmentação, classificação, associação e agrupamento.
Adicionalmente,
EI requer um conjunto de tarefas que leva em consideração:
 |
Grau de formatação
|
 |
Largura da cobertura desejada
|
 |
Complexidade
|
 |
Registros simples e múltiplos
|
Neste
contexto, é possível desenvolver ou adquirir uma ferramenta de
extração de informações para extrair informação útil de
fontes diversas e formatos heterogêneos, bem como convertê-las
para um formato padrão.
É
importante observar que um fator crítico para o sucesso de
empresas é sua habilidade de manipular e utilizar toda informação
disponível. Cabe destacar que um diferencial é alcançado quando
existe a capacidade de prover informação de maneira contínua e
customizada num curto intervalo de tempo, i.e., poucos minutos.
Isto permite uma instituição assegurar o uso de informações não
controladas. Além disso, a instituição pode prover diferentes níveis
de informações, dependendo das necessidades do usuário. Para
tanto, torna-se necessário um mecanismo de autenticação e
controle de acesso. Isto requer uma política de acesso que vai
definir quais atores (i.e. papéis) terao acesso a conjuntos específicos
de artefatos de informação.
Aliado
a isso, tem-se a necessidade de compartilhar o entendimento (ou
consciência organizacional), criar conhecimento e prover suporte
à colaboração que resultará em transformar informação em
vantagem operacional para empresa. Além disso, há uma constante
necessidade em transformar dados em informação, exigindo-se
conhecimento para tal.
Na
ilustração da Figura 2, observa-se
que a gestão faz uso da tecnologia da informação no suporte a
criação e compartilhamento de conhecimento, possibilitando
tomada de decisão de forma eficiente e segura. Esta necessidade
tem se tornado num desafio devido ao crescimento contínuo do
volume de informações, tanto interno quanto externo às
empresas. Além disso, grande parte das empresas atua de forma
centrada no conhecimento, com seus funcionários necessitando ter
acesso a uma ampla variedade de informações.

Figura
2 – Transformação de dados em informações e conhecimento.
Como
resultado desse cenário, as empresas têm investido em TI num
esforço para gerenciar a sobrecarga de informações e minerar o
conhecimento lá existente de modo a promover um diferencial
competitivo. Duas tecnologias que têm recebido esforços de
P&D compreendem: Business Intelligence (BI) e Knowledge
Management (KM) ou gestão do conhecimento.
Ao
longo da última década, a tecnologia de BI tem feito uso de data
warehousing e OLAP (On-Line Analytical Processing). Data
warehousing compreende uma abordagem sistemática para coleta de
dados de negócios relevantes num único repositório, o qual pode
ser analisado e apresentado para subsidiar tomada de decisões de
negócios. Grandes data warehouses podem acomodar dezenas de
terabytes de dados enquanto que os data marts (data marts são
modelados como um cubo OLAP, i.e. um modelo multidimensional) estão
situados na faixa de 10 a 100 gigabytes.
Por
outro lado, a gestão do conhecimento (KM) compreende ciência
comportamental organizacional, colaboração, gestão de conteúdo
e outras tecnologias, podendo ser utilizada no gerenciamento e análise
de informação não estruturada. A gestão do conhecimento é uma
abordagem integrada e sistemática de identificar, gerenciar e
compartilhar todos os artefatos de informação de uma empresa.
Isto inclui bancos de dados, documentos, procedimentos e políticas.
Também, podemos considerar todo conteúdo como código e experiência,
mantida por profissionais de uma instituição. Perceba que KM
engloba tornar a informação e experiência coletiva de uma
instituição disponível ao gestor de conhecimento e sua equipe
de apoio (profissionais do conhecimento), os quais são
encarregados de utilizar adequada e sabiamente o conhecimento.
Esse ciclo da informação fomenta o processo de aperfeiçoamento
de uma instituição, estimula a colaboração e faz as pessoas
continuamente melhorarem a forma que realizam seu trabalho.
Nesse
sentido, observa-se que conhecimento de negócios que podem ser
encontrados em grandes massas de informações não estruturadas.
Considera-se ainda que a informação não estruturada pode ser
empregada na observação de eventos (tendências e/ou anomalias)
nos dados de uma variedade de aplicações. Cabe salientar que a
gestão de conhecimento pode ser utilizada para buscar, organizar
e extrair informação de múltiplas fontes. Note que há uma tendência
de unificar os esforços de BI e KM, onde se pode ter análise de
dados e texto ocorrendo de maneira indistinta.
Adicionalmente,
a ênfase em KM leva em conta os dados estruturados e os dados não
estruturados. O segundo compõe mais de 70% das necessidades de
informações e aproximadamente 75% das informações existentes
no mundo atualmente é composta de dados não estruturados.
Perceba que aqui se tem um dos principais, se não o principal
problema de TI, isto é lidar com dados não estruturados ou extrair
informações
de um ‘mar’ de dados. Uma panorâmica das principais
tecnologias envolvidas nesse processo é apresentada na Tabela 1.
|
Setor
Comercial
|
Setor
de Pesquisa
|
|
Busca
na Web
|
Base
de conhecimento
|
|
Mineração
de dados
|
Agentes
inteligentes
|
|
Bibliotecas
digitais
|
Descoberta
do conhecimento
|
|
Busca
inteligente
|
Compartilhamento
do conhecimento
|
|
Integração
organizacional
|
Aprendizado
baseado em padrões
|
|
Gestão
do conhecimento
|
Formação
do conhecimento
|
|
Repositórios
de objetos
|
Raciocínio
avançado
|
Tabela
1 – Panorâmica das tecnologias de extração da informação.
Para
finalizar, cabe destacar que a necessidade atual das empresas em
dispor de mecanismos de gestão do conhecimento implica no suporte
de mecanismos de busca, classificação e associação de informações,
permitindo a ‘extração’ da informação. Nesse sentido, uma
possível solução é aplicar o processo de mineração de padrões
à extração de informação. Note que a grande quantidade de
informações disponíveis nas bases de dados das instituições e
Internet tem tornado os mecanismos de extração de informação
importantes. Uma das questões decorrentes desse fato é a
necessidade de utilizar técnicas de extração em conformidade
com o conteúdo. Como solução, pode-se treinar os dados
existentes a fim de produzir regras de extração de informação.
Entretanto, essa opção requer significativo esforço e tempo.
Uma outra alternativa faz uso da habilidade de realizar a mineração
de padrões, a qual extrai padrões de bases de dados ou mesmo
sites da Web e, melhor ainda, não requer qualquer intervenção
humana.
(Sugestão:
Complemente o entendimento sobre gestão do conhecimento lendo o artigo Os Três Pilares da
Gestão do Conhecimento disponível em http://www.espacoacademico.com.br/058/58silvafilho.htm
)