Primeiro
de Abril, Páscoa e Primavera
No
dia 1° de abril, comemora-se, na França, o “Peixe de Abril”,
um dia semelhante ao que, no Brasil, chamamos de “Dia da
Mentira”. Essa tradição remonta ao ano de 1564, quando Carlos
IX, rei Francês, resolveu mudar o primeiro dia do ano, que até então
era o 1° de abril (há quem diga que era dia 25 de março), para o
dia 1° de janeiro. Evidentemente, o povo estranhou e os mais idosos
que eram, geralmente, os mais conservadores, resolveram protestar,
continuando a comemorar o dia 1° de abril. Entretanto, como esse não
era mais o primeiro dia oficial do ano, passou a ser uma farsa.
Desta maneira, ficou conhecido o dia da farsa, ou da mentira, por
quase todo o mundo.
Existem
várias teorias para a existência do nome “Peixe de Abril”. Uns
dizem que é devido aos tais tradicionalistas que queriam continuar
a começar o ano com a primavera e, ao saírem em protesto
festejando o tal dia, acabaram ganhando uma chuva de peixes pelas
costas. Outros afirmam que deve-se à proibição da pesca durante
esse mês, no século XVI, por causa do período de reprodução,
fazendo com que algumas pessoas, para zombarem dos pescadores,
jogassem harengues - peixe de água salgada, nos rios gritando
fortemente : “- Peixe de abril!”. Existem os que crêem que
seja por causa do mês coincidir com o final da quaresma, período
de abstinência para os cristãos que substituem a carne pelo peixe.
Há, ainda, quem diga que o nome esta ligado ao zodíaco, porque a
lua sai do signo zodiacal de peixes no inicio de abril.
O
que sabemos é que o tal Peixe de Abril (Piscavrilii zygotus) existe
de verdade e é uma espécie em extinção, foi descoberto
recentemente nos Estados Unidos. Segundo o Centre de Documentation sur l’Origine du Poisson d’Avril –
CEDOPA (Centro de Documentação sobre a Origem do Peixe de Abril),
o primeiro da espécie teria aparecido no dia 07 de novembro de 2000
(Seria esta informação uma mentira? Um verdadeiro Peixe de Abril,
peixe de mentira?).
Por
toda a França, inclusive nas escolas, a tradição é mantida. O
dia é de colar peixes recortados em papéis nas costas dos
companheiros, alguns podem conter inscrições como “chute-me”,
“beije-me”, etc. Mesmo os professores entram no espírito
animado da data, apesar da rigorosidade das escolas francesas. Não
são mentiras, como no Brasil, mas brincadeiras, na maior parte das
vezes, sadias. Tradições devem ser mantidas, eis a palavra de
ordem!
A
Páscoa, que é a Festa após a quaresma, também esta ligada à
primavera, símbolo de vida e de ressurreição. A tradição cristã
é mantida, não com tanta ênfase como na América do Sul. Há
muitos que não crêem e que limitam-se a oferecer alguns ovos de
chocolates às crianças. Contudo, elas, as crianças em geral, são
parte integrante do tradicionalismo. São elas que acreditam que os
sinos partem a Roma durante a quaresma e por isso não tocam, vão
recolher-se com o Santo Papa, retornando no domingo de Páscoa. Mas
o que elas mais gostam nesta história é que, durante a viagem de
volta, os sinos vão jogando chocolates que caem por toda parte. E
divertido vê-los procurar, nos jardins, os ovos escondidos pelos
adultos.
Como
o clima, normalmente, ajuda, os aperitivos do almoço de Páscoa são
feitos, em sua maioria, nos jardins ou nas sacadas. As famílias se
reúnem, na medida do possível e, de maneira geral, o almoço é
regado de bons pratos, onde o patê de fígado de ganso é,
comumente, servido como entrada.
Além
disso, na segunda-feira é feriado, e não se diz “Domingo de Páscoa”,
mas “Segunda de Páscoa”, apesar de não haver uma comemoração
especial nesse dia. Missas são celebradas somente no domingo,
relembrando a Ressurreição de Jesus.
Os
símbolos pascais estão ligados à fertilidade, à vida, ao
feminino. Oferecer ovos é uma tradição bem anterior ao
cristianismo. O ovo é, sem dúvida, o mais velho e universal símbolo
de vida e renascimento. Oferecê-los, na Páscoa, é um costume
ligado à quaresma : no século IV, a igreja proibiu o consumo
de ovos durante o período penitencial de quarenta dias fazendo com
que uma grande quantidade deles fosse obtida durante esse época.
Para que os aproveitassem, as crianças saiam distribuindo-os
durante os últimos dias da quaresma e, sobretudo, na véspera
pascal que ficou conhecida como “sábado dos ovos”. No domingo,
o almoço era à base de omeletes.
Desde
o século XII, em diversos países europeus, o povo costumava trocar
simples ovos bentos. Os nobres logo aderiram ao hábito, mas
encomendavam-nos aos artistas para que os
decorassem com pinturas
delicadas, esmaltes ou pedras preciosas. Colocar uma surpresa dentro
deles foi uma criação do século XVI. Luis XIV fazia benzer
solenemente inúmeras cestas de ovos dourados, no dia de Páscoa, e
os oferecia em seguida. Foi, somente, no século XVII, na França,
que se decidiu esvaziar seu conteúdo para recheá-lo com chocolate,
surgindo, por conseqüência, os nossos conhecidos ovos de
chocolates.
Outro
símbolo importante é o coelho, também ligado à fertilidade,
pois, na primavera, eles estão em plena forma para reprodução.
Existem inúmeras interpretações, todas associadas à essa estação
do ano, pois é a estação da época no norte. Estão sempre
ligadas à fertilidade, reprodução, vida nova, início e promessa
de renascimento após a morte (morte, inclusive, da natureza durante
o longo inverno). Até mesmo, alguns caixões e túmulos portam a
forma oval lembrando, além do ovo, os casulos, tendo as borboleta
como símbolo da alma que voa, mas, por outro lado, símbolo
primaveril.
A
água e a terra também estão inclusas nesta simbologia. Dois
elementos femininos e origem de todas as coisas. A água não é
somente associada ao cristianismo (água da páscoa), mas antes
disso, já era um símbolo ligado à água da primavera, do mês de
abril, e numa aproximação mais pertinente à nossa cultura: o símbolo
da água do nascimento, o líquido amniótico e, na visão cristã,
a água do batismo. Além disso, a água é tida como agente de
conhecimento ou de ressurreição. A terra, por sua vez, será
sempre a mãe, o feminino que produz e acolhe.
Símbolos,
tradições, culturas, essências, tudo isso se mistura nessas
comemorações que são freqüentes em quase todo o mundo. Dados que
nos fazem entender os grandes mitos do presente associados ao
primeiro de abril e à Páscoa, vividos de uma forma ou de outra,
por toda a cultura ocidental. Não devemos, portanto, esquecer que
após meses de frio, inverno, ausência de vida na natureza, a
primavera vem dar um colorido especial aos moradores de países onde
pouco se vê o sol e, essas festas são comemoradas num espírito
alegre e esperança de renovação.
Fonte :
www.marseamer.fr
www.lescale.net
www.joyeuse-fete.com
http://radio-canada.ca
http://ango.chez-alice.fr