Os
Três Pilares da Gestão do Conhecimento
“Information
is data endowed with relevance and purpose. Converting data into
information thus require knowledge.” Peter
Drucker
Gestão do conhecimento tem três pilares, ou como
costumo falar três C’s que compreendem Consultar, Compartilhar e Colaborar. Esses três pilares atuam de maneira transversal,
exigindo a atuação em três dimensões: Ferramentas (ou mecanismos), Cultura
e Capital Humano.
Aqui, neste artigo, abordo principalmente a primeira faceta.
Informação
é um bem dinâmico que possui um valor associado. Toda informação
possui um ciclo de vida desde o instante em foi gerada, passando
por sua organização, armazenamento, distribuição e utilização,
até o instante no qual, eventualmente, perde seu valor e pode ser
descartada, quando então se finaliza ciclo. Um fator crítico
para o sucesso de empresas é sua habilidade de manipular e
utilizar todo artefato de informação disponível. De acordo com pesquisa do Gartner Group, “Enterprise
Content Management (ECM) will be one of the key application
software areas during the next five years” [Austin 2005]. Além disso, há uma tendência
das empresas dotarem o ambiente de trabalho de elevado desempenho,
i.e. High-Performance Workplace (HPC), permitindo
os profissionais de informação (PI) explorarem dados,
desenvolverem processos e produtos inovadores, e atenderem a
solicitações e demandas de clientes e fornecedores de modo
eficiente. Este tipo de solução possibilita os PI’s
localizarem de maneira efetiva conteúdo, artefatos e pessoas, bem
como disporem de mecanismos de comunicação e colaboração
efetivos. Aliado a isto está a necessidade de incorporar
mecanismos de integração de aplicações às implementações de
gestão de conhecimento. Nesse sentido, as funcionalidades da gestão
do conhecimento ou KM (Knowledge Management) podem ser providas
por meio de web services numa arquitetura orientada a serviços.
Cabe destacar que um diferencial de gestão
é alcançado quando os gestores de uma empresa dispõe de
mecanismos de acesso à qualquer artefato de informação de
maneira contínua e customizada num curto intervalo de tempo,
assegurando o uso efetivo de informações pertinentes a web
organizacional (sistemas de informação na intranet da organização)
e web global. Além disso, a instituição pode prover diferentes
níveis de acesso e visibilidade às informações, dependendo das
necessidades do usuário e em conformidade com a hierarquia de
acesso a informação da instituição.
Note
que a capacidade de compartilhar o entendimento ou consciência,
criar conhecimento promovendo a aprendizagem organizacional,
e prover suporte à colaboração permite transformar
informação em vantagem operacional para empresa num mercado
competitivo. Nesse sentido, há uma constante preocupação em
transformar dados em informação e conhecimento de modo a
promover um entendimento ou consciência geral de uma instituição,
bem como disponibilizar o resultado deste processo aos gestores
por meio, e.g., de um portal corporativo, permitindo a gestão de
toda informação organizacional, conforme ilustrado na Figura 1.
Figura
1 – Transformação de dados em informações e conhecimento.
Vale ressaltar que a administração de
uma instituição pode fazer uso da tecnologia da informação no
suporte a criação e compartilhamento de conhecimento,
possibilitando tomada de decisão de forma eficiente e segura.
Esta necessidade tem se tornado num desafio devido ao crescimento
contínuo do volume de artefatos de informação. Além disso,
grande parte das empresas atua de forma centrada no conhecimento
com os PI’s necessitando ter acesso a uma ampla variedade de
conteúdo. Essa constante busca por informação se justifica pela
demanda por otimização de recursos e agilidade da gestão. Nesse
sentido, um ambiente de gestão do conhecimento (que inclui
cultura e ferramentas) deve prover suporte às atividades de gestão
do conhecimento de maneira sistemática, além da integração de
aplicações, permitindo identificar, gerenciar e compartilhar
todos os artefatos de informação. Isto inclui bancos de dados,
documentos, procedimentos e políticas, bem como qualquer outro
conteúdo (código, artefato, etc.).
É
importante observar a convergência de gestão de conteúdo,
portais e ambientes colaborativos resultantes de um ambiente de
trabalho que requer interatividade centrada em tecnologia. Nesse
sentido, o conhecimento de uma instituição pode ser encontrado
em grandes massas de informações não estruturadas. Considera-se
que a informação não estruturada pode ser empregada para
observação de eventos (tendências / anomalias) nos dados de uma
variedade de aplicações. Aqui, a gestão do conhecimento pode
ser utilizada para buscar, organizar e extrair informação de múltiplas
fontes. Há uma tendência de unificar os esforços de Business
Intelligence(BI) e KM, onde se pode ter análise de dados e texto
ocorrendo de maneira indistinta. A ênfase em KM, contudo, leva em
conta os dados estruturados, bem como os dados não estruturados
que compõem mais de 70% das informações existentes.
É justamente aqui que se tem um dos
principais, se não o principal problema de Tecnologia da Informação
(TI): a necessidade de lidar com dados não estruturados. Dentro
desse contexto, verificas-se que web semântica pode ser empregada
no tratamento de documentos web de modo que conhecimento, ao invés
de dados não estruturados, possa ser acessado e gerenciado de
maneira automática. Web Semântica é considerada como um
mecanismo para prover estrutura e significado a Web, permitindo
sua evolução de uma rede de documentos para uma rede de dados na
qual toda a informação tem um significado bem definido, podendo
ser interpretada e processada por humanos e computadores [Berners-Lee
2005a, Berners-Lee 2005b]. A Web Semântica oferece suporte a uma
arquitetura em que metadados semânticos são usados para
descrever o significado das estruturas da Web atual. No contexto
de web semântica, metadados significam informações compreensíveis
por máquinas sobre recursos da web ou outros objetos. Metadados são
utilizados por agentes para compreender o significado dos recursos
da web e permitir a manipulação destes recursos. Para
proporcionar um modelo de metadados que descreva o contexto da
informação de forma não ambígua ou redundante, torna-se necessário
um vocabulário específico para descrever cada realidade,
adicionado de axiomas que dão significado pretendido às palavras
deste vocabulário, i.e., uma ontologia. As estruturas de organização
da informação para web semântica definem formalmente
relacionamentos entre termos, sendo formados por taxonomia. Vale
ressaltar que a taxonomia é um componente de suma importância
para gestão de artefatos de informação, como relatado pelo
Gartner Group [Caldwell 2003].
Um
aspecto final a ser considerado é a natureza evolutiva dos
artefatos de informações. Nesse sentido, a web semântica pode
ser empregada para fazer o tratamento e manipulação de artefatos
de informação, de modo que conhecimento, ao invés de dados não
estruturados, possa ser acessado e gerenciado de maneira automática.
Perceba que a incorporação de taxonomia tem, adicionalmente,
dois objetivos: (i) criar estruturas reutilizáveis que armazenem
componentes de conteúdo, independente do formato ou local de
armazenamento; (ii) permitir os usuários navegarem essas
estruturas para terem acesso a um subconjunto de interesse.
[Austin
2005] T. Austin et al, Introducing
the High-Performance Workplace: Improving Competitive Advantage
and Employee Impact, Research Report G00127289, Gartner, Inc.,
May 16th, 2005.
[Berners-Lee
2005a] T. Berners-Lee, J. Hendler, and O. Lassila. The
Semantic Web. Scientific American, May 2001. Disponível
em http://www.sciam.com/article.cfm?articleID=00048144-10D2-1C70-84A9809EC588EF21.
Acesso
em 15/06/2005.
[Berners-Lee
2005b] T. Berners-Lee. Semantic
Web Roadmap. World-Wide Web Consortium (W3C), Sept 1998. Disponível
em http://www.w3.org/DesignIssues/Semantic.html.
Acesso
em 15/06/2005.
[Caldwell
2003] F. Caldwell, R. E. Knox and D. Logan, Taxonomies
Generates Return on Investment, Research Report LE-20-9654,
Gartner, Inc., Sept 10th, 2003.