Ivo
Tonet
Educação,
Cidadania e Emancipação Humana
Ijuí:
Ed. Unijuí, 2005, 256 p.
Pedidos:
editorapedidos@unijui.tche.br
O
conceito de cidadania tornou-se um termo quase que
indiscriminadamente usado, sinônimo suficiente de posturas
progressistas, de esquerda e emancipatórias. Sem dúvida, ele
carrega uma dimensão importante ao representar a inclusão política
dos homens na esfera da luta por direitos. Contudo, a quantos
coube se perguntar: O que se designa mesmo por cidadania? Qual é
o lócus histórico da sua existência e pertinência? É
realmente um conceito de validade universal? Carrega ele o
horizonte da emancipação humana?
Este
livro de Ivo Tonet, professor do Departamento de Filosofia da
Universidade Federal de Alagoas, toma, em primeiro plano, essas
questões. E, ao fazê-lo, inscreve-se propriamente como uma obra
que estava faltando no Brasil: que elege
como tema central o exame crítico da natureza teórica e
do alcance político-social do conceito de cidadania. Neste
sentido, no seu Prefácio, Marcos Del Roio escreveu que “além
de ser uma obra de Antropologia Filosófica e Filosofia da Educação,
sustentada num conhecimento profundo das obras de Marx e Lukács,
é uma intervenção política no debate em curso no país,
incidindo e contestando com força e veemência alguns dos sensos
comuns gestados nas discussões sobre políticas públicas e,
particularmente, sobre educação”.
O
caráter crítico e polêmico da obra aparece com toda a sua força
nesta passagem do autor, que resume a sua perspectiva: “Formar
para a cidadania ou para a emancipação humana? A resposta da
maioria dos educadores, diríamos da maioria dos intelectuais,
embora com relevantes diferenças, afina-se com a primeira
alternativa. É que a idéia de cidadania já foi incorporada como
sendo simplesmente sinônimo de liberdade. No entanto, por mais méritos
que a cidadania tenha, ela se revela, quando examinada à luz de
sua constituição histórico-ontológica, uma categoria
essencialmente constitutiva da sociabilidade do capital. Deste
modo, formar cidadãos significa formar indivíduos que aceitem
viver dentro da ordem do capital, convencidos de que é a melhor
possível. Porém, a autêntica liberdade humana, a possibilidade
de os indivíduos serem de fato sujeitos da sua história, de
realizarem amplamente as suas múltiplas potencialidades, só é
realizável numa sociedade que tenha superado o capitalismo.
Porque, como diz Marx: no capitalismo, quem é livre é o capital
e não o homem. De modo que uma atividade educativa que pretenda
contribuir para a formação de pessoas efetivamente livres deve
estar norteada pela emancipação humana e não pela cidadania”.