Vinícius de Carvalho Araújo

O Estado da reforma: reflexões sobre a experiência de reforma do Estado em Mato Grosso

Cuiabá, Mato Grosso: Editora: Seplan-MT, 2005

Contato: vcaraujo@terra.com.br

 

O livro analisa a formação de consensos sociais e políticos para a reforma do Estado e de seu aparelho situada no marco da governabilidade democrática. Foi escolhido um estudo de caso sobre a privatização da companhia Centrais Elétricas Mato-grossenses S.A (Cemat), considerada representativa tanto da reforma empreendida pelo Estado de Mato Grosso quanto das dificuldades do setor elétrico em nível nacional, que condicionaram a formação da sua coalizão de sustentação.

No início, é feita uma breve revisão da literatura sobre governabilidade democrática discutindo a sua condição de categoria estratégica, a genealogia do conceito e as três grandes hipóteses de ingovernabilidade presentes no debate político e acadêmico do último quatro do século XX, com as suas respectivas origens, filiações, objetivos e implicações.

São apresentadas as duas gerações de reforma do Estado, identificando seu conteúdo, principais autores, articulação com os movimentos do capitalismo transnacional e os objetivos. A primeira foi denominada de choque político e econômico que se sucedeu à crise do Welfare State nos países centrais e do Estado desenvolvimentista na semiperiferia, voltada para a orientação neoliberal.

A segunda, chamada de terapia institucional, surge dos limites da primeira e do ressurgimento dos aspectos ético-democráticos secundarizados a princípio, reconhecendo que apenas um ideário macroeconômico consubstanciado no "Consenso de Washington" não poderia resolver problemas estruturais e seculares dos países da semiperiferia e periferia. As instituições surgem, portanto, como categoria central e passam a ocupar o primeiro plano dos esforços de reforma do Estado.

Em seguida, é feita uma breve passagem pelo debate sobre as categorias de governabilidade e governança entre os autores brasileiros, destacando seu alinhamento para com as discussões na arena internacional e com a própria situação social e política do país, que passou por uma redemocratização longa e inconclusa e colocou em questão a capacidade das elites civis em ocuparem a Presidência da República sem recurso ao pretorianismo sob qualquer natureza.

A pesquisa faz, com base neste debate, uma proposta de distinção teórico-analítica para as categorias de governabilidade e governança que será utilizada pela pesquisa. Seu referencial metodológico é composto de um problema e mais quatro hipóteses de trabalho. De acordo com a tipologia de Eckstein, trata-se de um estudo de caso da espécie "provas de plausibilidade" no qual, através de uma aplicação iterativa, uma proposição teórica inicial é feita e as conclusões da pesquisa comparadas, permitindo a sua revisão e a comparação em seguida, repetindo-se tal procedimento até que a proposição aproxime-se da realidade empírica e possamos chegar a conclusões com maior capacidade de generalização pela submissão aos testes.

Em seguida, é feita uma descrição da dinâmica político-institucional nos Estados brasileiros por meio do "ultrapresidencialismo estadual", bem como da sua reversão, para que seja possível compreender a formação de consensos para as reformas no nível subnacional.

Se aborda a reforma do Estado e de seu aparelho em Mato Grosso e a privatização da Cemat, situada neste quadro e articulada aos problemas do setor elétrico brasileiro no seu conjunto. Por fim, na conclusão, a validade das hipóteses é verificada e são feitas algumas considerações finais e recomendações nesta agenda de pesquisa.

 

  

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