Epifania
e Carnaval: a tradição na França!
No
início do ano, temos duas comemorações interessantes na França
que, apesar de as conhecermos no Brasil, apresentam-se de maneira
diferente: a festa de Reis e o Carnaval.
Do
dia de Natal até o dia 06 de janeiro, dia dos santos Reis, podemos
nos deparar, em alguns pontos do território brasileiro, com a
“Folia de Reis”, um grupo de homens fantasiados e mascarados que
saem, de casa em casa, tocando e cantando músicas, normalmente,
religiosas para arrecadarem “prendas”. Simbolizam, assim, os três
Reis Magos que peregrinaram, levando presentes, até o local do
nascimento de Jesus Cristo. A
Folia de Reis é uma festa religiosa de origem portuguesa, com a
principal finalidade de divertir o povo, que chegou ao Brasil no século
XVIII.
Na
França, pela época da Epifania, é costume as pessoas se reunirem
para comerem a “gallette” de Reis, espécie de torta de
massa folheada que é confeccionada somente nessa época do ano e
que contém, escondido em seu interior, uma estatueta, geralmente,
de porcelana; a pessoa que a encontra é coroado o rei ou rainha da
festa. A lenda conta que a idéia dessa estatueta nasceu por causa
do anel escondido dentro do bolo, no conto Pele de Asno, de
Charles Perrault.
Tal
tradição, de origens pagãs e romana era, inicialmente, conhecida
como “saturnais”,
onde o costume era de oferecer um bolo aos amigos.
Somente
no século XII, tornou-se a festa de reis porque o bolo era
oferecido ao seu senhor.
No século XVI, a Igreja Católica condenou-a, bem como Luís XIV,
que a via como uma festa de crime contra a majestade. Entretanto, em
1801 a prática foi aceita e restabelecida pela Concordata, sendo o
dia 06 de janeiro estipulado para a Epifania. A partir de então, o
sentido passou a ser a comemoração da visita dos três Reis Magos
ao menino Jesus.
Quanto
ao carnaval, pode ser um pouco difícil, para os sul-americanos,
imaginar a festa no inverno, mas ela acontece na França, sem
feriado para todos, mas com duas semanas de repouso para as escolas.
Apesar
de ser uma festa pagã está ligada ao calendário cristão, onde o
ponto culminante é a “terça-feira gorda”, pois as pessoas,
antecedendo ao
período
da quaresma dedicavam-se aos excessos que lhes seriam proibidos em
seguida, pelo período de quarenta dias. Nesse dia, a tradição
pede para que se queime o rei momo, ou seja, o rei do carnaval.
Ao
contrário dos brasileiros, os franceses festejam com muita roupa,
evidentemente! As fantasias são as mais variadas, contando com máscaras
ou pinturas nas faces. As crianças nas escolas gostam desse
divertimento e, quase todas as escolas primárias, dedicam um dia
para a folia. Há concursos de fantasias e algumas cidades têm
características diferentes das outras.
Os
três carnavais mais famosos do país são o de Dunkerque, no norte,
o de Limoux e o de Nice, no sul. O de Dunkerque começou por volta
dos anos 1550 e tem como mito a figura de Reuze, um gigante que
seria, originariamente, a representação de
Allowyn, chefe militar originário da Escandinávia. Ninguém pode
confirmar essa teoria. Entretanto, a partir de 1750, começaram a
aparecer documentos dizendo que esse gigante, era casado e tinha
filhos. E, até hoje, enormes bonecos desfilam durante o carnaval
pelas principais ruas da cidade.
Em
Limoux, os fantasiados interagem com os espectadores, numa comédia
improvisada, comumente em língua occitana. É considerado um
carnaval de excessos, de transgressões, com vinho, obscenidades, sátiras,
pierrôs multicolores em estilo veneziano; o encontro de Dionísio
com Gargantua, do mundo greco-romano com o gaulês. Essa festa dura
duas semanas.
A
arte da atualidade e da sátira é o que caracteriza o carnaval de
Nice. Sua Majestade, o Carnaval, é levado até a praça de Masséna,
na “Velha Nice”, por estudantes da cidade, que o queimam na última
noite, em uma fogueira instalada no mar, ou na praia. Há uma
batalha de flores vista como uma versão sublimada da desordem
carnavalesca. As flores, as fontes econômicas locais e os produtos
emblemáticos são a singularidade desse carnaval, tornando-o célebre.
Já
ouvi muitos brasileiros dizerem que os carnavais em França não têm
graça. Eu diria que eles são “diferentes” dos nossos, e o
diferente nem sempre agrada de imediato. Não podemos pensar em
encontrar num lugar, exatamente igual, o que temos em outro,
distante. Se assim fosse, não haveria a diversidade cultural, o que
é ficção.
Quanto
à comemoração da Epifania, normalmente, agrada, se é possível
esquecer o regime. Contudo, o que deve interessar, perante essas
comemorações, é o lado tradicional, onde é importante estimular
a aceitação das diferenças, a integração cultural e a visão
cosmopolita. Não nos deixemos levar por meras aparências, mas
busquemos nos aprofundar no que, realmente, tem valor em cada ato.
Fonte:
www.brasilfolclore.hpg.ig.com.br
www.doctissimo.fr
www.vivat.be
www.bpi.fr
http://lesamisdureuze.free.fr