Sent: Saturday, January 07, 2006 12:16 PM

Subject: Matéria no Espaço Acadêmico

artigo comentado: Vivendo no túnel – ou o fim dos estereótipos (de Jerusalém comentando o artigo do prof. Henrique Rattner) - por Francis Dov Por

 

Caro Dov,

Li com muito interesse e atenção  o teu  artigo sobre o "túnel"  do Haim Rattner. Acho que muitos dos teus comentários são bastante apropriados, mas acho também  que você ainda não conseguiu remover completamente o véu  que te obscurece a visão.

Em primeiro lugar, você, como a maioria dos demais, se recusa a admitir que o sionismo foi uma epopéia de  realpolitik: quando os primeiros judeus modernos chegaram à Palestina, uma proporção elevadíssima da população, 98 ou 99%  era composta de árabes Palestinos. É claro que esse fato agora é parte da História, e ninguém, muito menos eu, pretende regredir os ponteiros.  Mas o reconhecimento desse fato e de todas as atrocidades cometidas de lá até o presente, seria essencial para nortear uma política mais humana e moral para com os Palestinos. Porque não indenizar seus herdeiros  por todas  as terras e mansões que lhes foram tomadas à força a partir de 1947?

Por que não reconhecer hoje ações tão terríveis  como  a  Peulat Mataté, "Operação Vassoura" cometida poucos meses antes da proclamação do Estado, quando centenas de membros da ocupação judia se alinharam de norte a sul da Galiléia, armados de fuzis e metralhadoras, matando muitos  Palestinos e varrendo os demais para os Países vizinhos ( Veja: Morris, B. "1948 and After, Israel and Palestinians", 2004, RCS Libri, spa, Milano.  Aliás, você certamente já conhece o autor! ). E todas as demais ações horrendas que esse e outros "novos historiadores"  Israelenses  vem denunciando, sem contestação fidedigna. Entre uma população de cerca 600.000 judeus, esse certamente foi um segredo de polichinelo. E no entanto foi muito bem guardado; eu mesmo, embora tenha vivido em Israel por cerca um ano e meio em 1954/55  só vim a saber do fato através do autor! Aliás, o próprio Benni Morris, em entrevista concedida à New Left Review em Maio de 2004, endossa aquela desumana operação e admite que ela foi justificada pela necessidade de limpeza étnica, evocando o assassinato dos índios americanos e a expulsão dos Sudetos  alemães, como exemplos a serem seguidos.  Os  tristes eventos  são  também História, mas Benni Morris  assim como a atitude da maioria da população Israelense, são Presente.  E enquanto essa atitude durar, não poderá haver paz.

Você fala muito em terrorismo, mas alguma vez se deu ao trabalho de definir esse conceito?  Quem era mais "terrorista"  os Maquis, guerrilheiros franceses ou as tropas de ocupação alemãs ?  Os frágeis e incertos mísseis "quassam" ou os assassinatos seletivos Israelenses e a erradicação de Oliveiras?

Felizmente, você reconhece que em matéria de corrupção, Palestinos  e  Israelenses se equiparam. Mas como diria um antigo professos meu, "essas são coisas da vida"!

Quanto ao muro, você já viu algum funcionar na historia ?  Aquele de Jericó ?  Aquele que os Romanos construíram na Inglaterra contra os bárbaros da Escócia ? O muro de Berlim ?Até Tróia foi tomada por um cavalo de pau !

Finalmente, caro Dov, você  escreveu  tua matéria, na qual reconheço tantos méritos, antes do início  da agonia  de Sharon. É claro que Plekhanov tem lá as suas razões, quando surge algum homem certo para o momento certo. Mas o desaparecimento de Sharon, que diga-se de passagem, só comandou a retirada de Gaza em virtude de um raro momento de realpolitik, em virtude de fatores demográficos, para livrar-se de mais de um milhão de Palestinos, não mudará o momento. É cedo para dizer quem ganhará a eleição. Mas seja lá quem for, o improvável Netanihau, o anódino Olmert, o aparentemente simpático Peretz, o dúbio Barack ou Shimon Peres, mesmo se embalsamado, enquanto a velha atitude persistir, tudo continuara no túnel.

Quanto aos novos lideres Palestinos que você cita, como Barghuti, acho que você tem toda a razão.  Tive o prazer de conhece-lo, no Fórum de Porto Alegre em 2001, polemizei com ele em público para aprender que ele tinha razão. É um homem informado, inteligente e lúcido. Mas como você sabe ele está preso numa cadeia Israelense, condenado a prisão perpétua em circunstâncias altamente duvidosas!

Gabriel Bolaffi

Sent: Wednesday, January 11, 2006 12:23 AM
Subject: A sua revista tem qualis

Caro Prof. Antônio Ozaí.

Achei muito interessante o seu artigo "A sua revista tem qualis". Alguns programas de mestrado no interior de São Paulo estavam querendo adotar alguns requisitos para que o mestrando pudesse se qualificar para a defesa, e dentre estes requisitos, estava um número x de artigos publicados em revistas bem rankeadas no qualis. Assim, se não bastasse a exigência do famigerado qualis, ainda estavam exigindo um bom "ranking". Felizmente este tipo de exigência não conseguiu se firmar por muito tempo.

Ainda sobre o qualis, também alimento uma dúvida sobre o item "circulação": Se a revista é eletrônica, publicada na Internet, como pode ter circulação local? Eu mesmo e vários amigos meus lemos a REA de várias localidades muito distantes de Maringá.

Certa vez, ouvi salvo engano do filósofo Renato Janine Ribeiro, que, se Kant tivesse que cumprir todas as exigências que a comunidade acadêmica de hoje impõe, talvez ele não tivesse escrito a "crítica da razão pura".

p.s- Gostaria de dar uma sugestão para a revista. Como ela é eletrônica, não daria para aumentar o número de laudas dos artigos para publicação?

Abraços.
Eduardo Akira Azuma

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