Intelectuais
e política no Brasil - a experiência do ISEB
Caio Navarro de Toledo (Org.)
Rio de Janeiro: Editora Revan,
2005
264 páginas R$38,00
O
Instituto Superior de Estudos Brasileiros se constituiu numa experiência
cultural inovadora na história política brasileira. O ineditismo
do projeto isebiano constituiu no fato de que intelectuais – em
sua maioria, não-acadêmicos – de várias orientações teóricas
e distintas correntes ideológicas se reuniram não apenas para
debater e refletir sobre os “problemas cruciais da realidade
brasileira”; deliberadamente, visavam também intervir no processo
político do país. Dentre os intelectuais presentes no livro temos
artigos de Candido Mendes de Almeida, Helio Jaguaribe, Joel Rufino
dos Santos, Jorge Miglioli, Nelson Werneck Sodré, Alzira Alves de
Abreu, Alexsandro Eugenio Pereira, Gérard Lebrun, Luiz Carlos
Bresser-Pereira, Edison Bariani Júnior e de Caio Navarro de Toledo,
organizador do livro".
Desde
o segundo governo Vargas até o golpe político de 1964, setores
conservadores, liberais, nacionalistas, socialistas e comunistas –
representados, entre outros, por entidades como FGV, CNI, BNDE,
FIESP, CEPAL além de movimentos sociais, partidos e frentes partidárias
(FPN e CGT) – formulavam publicamente suas propostas e se
mobilizavam politicamente para defender seus projetos sociais e econômicos.
O ISEB representou um desses projetos.
Desde
seus primeiros anos, além da publicação de livros e da realização
de seminários de estudos e debates públicos sobre a economia e a
sociedade brasileiras, o ISEB se notabilizou por oferecer cursos
regulares a oficiais e subalternos das Forças Armadas, empresários,
sindicalistas, parlamentares, funcionários públicos, burocratas e
técnicos governamentais, docentes universitários e do ensino médio,
profissionais liberais, religiosos, estudantes etc. De sua criação
até a sua extinção, o Instituto foi um centro de formação política
e cultural que se orientou pela defesa do desenvolvimento econômico,
da democracia política e pela realização de reformas sociais no
país.
Quando
de sua fundação, o ISEB teve as características de uma grande
frente intelectual e política. Nele conviviam liberais, comunistas,
social-democratas, católicos progressistas (alguns deles, recém
egressos do integralismo) etc. do ângulo das afinidades teóricas,
pode-se afirmar que no Instituto se confrontavam simpatizantes do
marxismo, do existencialismo, da sociologia do conhecimento, da
fenomenologia, do humanismo cristão etc. No entanto, apesar de
expressarem essa multiplicidade de orientações teóricas e políticas,
os isebianos convergiam na convicção de que através do debate e
do confronto das idéias, seria possível formular um projeto ideológico
comum para o Brasil. O nacional-desenvolvimentismo foi concebido
como essa ideologia-síntese capaz de levar o país – através da
ação estatal (planejamento e intervenção econômica) e de ampla
frente política de classes – à superação do atraso econômico-social
e da alienação cultural. Uma nação desenvolvida economicamente e
soberana politicamente estava, assim, no horizonte ideológico de
muitos desses intelectuais.