Resoluções
de Ano Novo
- uma nova “caixa de
surpresas” para o ano que se inicia
No
mês de janeiro do ano da graça de 2005, publiquei o ensaio “Sete
previsões
imprevidentes”, apresentado como uma “caixa de surpresas”
para o novo ano, cujas apostas provocadoras e visivelmente
exageradas eram, resumidamente, as seguintes:
1.
O governo decreta sua conversão ao capitalismo;
2.
O Estado decide retirar-se parcialmente de cena;
3.
Radical inversão das políticas sociais;
4.
Concentração de recursos na educação fundamental;
5.
Acaba a era Vargas: abolida a Justiça do Trabalho;
6.
Decretado o fim da reforma agrária e
7.
Maior abertura e inserção econômica internacional.
Tive
sorte: nenhuma delas se confirmou, mas não pretendo retomar aqui os
argumentos em “defesa” de cada uma dessas propostas (que podem
ser lidas no link http://www.espacoacademico.com.br/044/44pra.htm).
Como afirmei, eu não pretendia que minhas previsões se
realizassem, mas ao contrário, que elas, justamente, não
ocorressem. Para não ter de competir com os futurólogos oficiais e
outros astrólogos oficiosos, eu dizia preferir “arriscar minha
(baixa, ou inexistente) reputação (nessa área) na previsão de
coisas impossíveis, aquelas que poderiam ser classificadas no gênero
‘surpresas’.”
E
continuava: “Sobre elas não estou disposto a aceitar qualquer
aposta ou, que seja, a menor responsabilidade intelectual por
eventuais fracassos, aliás implícitos e totalmente previsíveis no
meu gênero particular de previsão. Talvez minhas probabilidades de
‘acerto’, estejam aí mesmo, no fracasso completo e definitivo
de previsões tão imprevidentes quanto as que pretendo fazer.” Eu
ainda tomava o cuidado de alertar que, se por acaso alguma de minhas
“surpresas” se materializar na prática, terá sido, como se
alerta nos frontispícios dos romances policiais e em certos filmes,
por pura coincidência, não cabendo nenhuma responsabilidade ao
autor por correspondência involuntária com fatos e personagens da
vida real.
Como
eu antecipava – e acertei em cheio, mas não apostei nada, tanto
por não acreditar em jogos de azar, como por falta de recursos próprios,
mas entendo também que ninguém se disporia a arriscar seus tostões
com previsões tão “imprevidentes” –, nenhuma dessas
“previsões” se realizou. Na verdade, sequer chegamos perto de
sua materialização parcial, o que era totalmente esperado. Já que
a intenção era essa mesma, ficou o exercício no plano puramente
intelectual, sem que, no entanto, eu renegue, no plano das projeções
programáticas e das políticas públicas, nenhuma daquelas colocações
visivelmente exageradas, mas enquadradas numa certa visão do mundo,
que acredito ser a mais condizente para o progresso material e
espiritual deste nosso tão sofrido Brasil.
Pois
bem, o exercício que pretendo propor agora também se encaixa numa
das muitas modalidades do gênero “fantasias de final (ou de começo)
de ano”. De fato, como ocorre por ocasião dessas festividades
anuais, caímos na tentação de persistir ou inovar na previsão
dos próximos doze meses. Para isso, o caminho usual parece ser o de
se armar de algumas doses de coragem, de um pouco de convicção
pessoal e de muita idealização mental para estabelecer, para nós
mesmos, uma série de resoluções prospectivas que, uma vez
escritas no papel, nos comprometemos a cumprir ao longo do ano que
se inicia. Existe muito de auto-ilusão nesse tipo de exercício,
mas não custa nada alimentar um pouco de otimismo quanto à
eventual factibilidade dessas previsões.
Sem
mais delongas, para não cansar meus (parcos) leitores, vejamos
quais resoluções eu poderia estabelecer para mim mesmo nos próximos
doze meses. Se, por um acaso, qualquer uma delas servir igualmente
para outras situações comparáveis, no plano pessoal ou até mesmo
social, alerto desde já que não me cabe qualquer responsabilidade
por essa extensão indevida, não pretendida e não devidamente
contabilizada nas planilhas e projetos que costumo regularmente
fazer para melhorar minha própria vida (e por extensão, talvez por
excesso de otimismo, a de meus amigos e semelhantes neste país
bizarro em que vivemos).
Vejamos
primeiro, resumidamente, minhas promessas, depois eu desenvolvo.
1.
Manter a contabilidade lá de casa em ordem e equilibrada;
2.
Gastar só o que estiver nas minhas possibilidades, sem entrar no
cheque especial;
3.
Escolher bem os amigos, para não se sentir “traído”, depois;
4.
Selecionar melhor os auxiliares da minha quitanda, para o bem de
todos;
5.
Falar sempre a verdade, doa a quem doer, por maior constrangimento
que houver;
6.
Terminar de ler, sem falta, aquele livro do Celso Furtado.
1.
Prometo manter uma contabilidade transparente, veraz e relativamente
equilibrada nas receitas e despesas lá de casa.
Trata-se,
obviamente, de providência essencial ao bom equilíbrio de minha
conta bancária, o que vale também para qualquer outro tipo de
contabilidade corrente, em qualquer instância de minhas atividades
como produtor, arrecadador, provedor de bens e serviços ou mesmo
dispensador de favores, para os meus próprios familiares e outros
eventuais dependentes. Trata-se, obviamente, da primeira condição
para uma vida tranqüila, regida pelos saudáveis princípios da boa
gestão do orçamento (seja ele pessoal, familiar, ou da sua pequena
empresa), com receitas e despesas equilibradas e condizentes com
entradas e saídas efetivas de recursos.
Tenho
plena consciência de que, no ano que se passou, nem sempre me foi
possível assegurar essa transparência e equilíbrio do meu orçamento,
forçado que fui a gastar mais do que o pretendido, tendo sido então
obrigado a recorrer a práticas nem sempre recomendáveis, como
aquela coisa que o distinto público já convencionou chamar de
“recursos não contabilizados” (nem por isso menos reais). O
fato é que esse tipo de prática heterodoxa extrapolou claramente
os limites nos quais eu pensava conter a utilização desses
recursos extra-orçamentários, com o que a contabilidade pessoal
mantida de forma algo precária não refletiu exatamente os fluxos
reais de ativos (e passivos, sobretudo) que transitaram pelas minhas
contas bancárias e pelas diversas carteiras e bolsas que mantenho
para uso do pessoal lá de casa.
Ocorreram,
inclusive, intromissões indevidas de amigos, aliados e pedintes de
modo geral, que sempre alegam que estão gastando em nome das boas
causas, sensibilizando meu coração – de ordinário generoso –
e levando-me a situações de equilíbrio duvidoso e mesmo a um
estado pré-falimentar. O pior de tudo foi ter de recorrer a
expedientes pouco católicos, como a contabilidade paralela ou
pagamentos em dinheiro, que acabam não deixando o devido registro
nas transações financeiras.
Meu
compromisso, portanto, é o de encerrar essas nefastas práticas
contábeis, gastar estritamente o que estiver assegurado por uma
entrada regular de receitas e, para conforto e tranqüilidade dos
parentes, colocar tudo isso à disposição de cada um deles, de
preferência na internet, para que eles possam ter absoluta certeza
de que não mantenho, nem pretendo manter, qualquer contabilidade
paralela ou clandestina. Não sou daqueles que acreditam que
transparência demais é burrice e que todo mundo faz assim mesmo.
Ao contrário: limpidez e veracidade na prestação de contas é
dever de todo chefe de família responsável.
2.
Prometo, em conseqüência,
empreender as obras necessárias à boa manutenção da casa,
reparar o que tiver sido quebrado ou destruído (telhado, piso,
jardim, cômodos) pela ação do tempo ou dos (maus) elementos.
Prometo, também, somente gastar com as despesas correntes aquilo
que estiver estritamente dentro do meu orçamento mensal, sem entrar
no cheque especial, para não ter de pagar juros exorbitantes para
esses verdadeiros gigolôs da poupança alheia, que são os
banqueiros (nacionais e estrangeiros).
O
ano que se passou foi pleno de surpresas inesperadas – o que, aliás,
é uma tautologia –, com um irritante crescimento vegetativo
desses gastos correntes, que apenas mantêm o nível do consumo, sem
acrescentar nada ao patrimônio familiar e sem qualquer espaço para
a manutenção do bom estado dos equipamentos ou imóveis sob a
minha guarda. Surgiram, em conseqüência, goteiras insidiosas,
buracos na calçada e erosão quase completa no jardim, sem falar na
pintura descascada, nas janelas quebradas e portas emperradas. As
crianças, sobretudo, reclamaram da falta de sapatos da moda, de
uniforme novo, da necessidade de uma mochila maior. Em alguns meses
tive de entrar no cheque especial, passando a pagar uma exorbitância
ao meu banqueiro ganancioso. Faltou-me, na ocasião, a pachorra de
levantar meu traseiro do sofá da sala, deixar o programa de TV e
perambular pelos botequins financeiros (é isto que parecem nossos
bancos) para ver onde e como seria possível obter juros mais
baratos. Desconfio que tal coisa não exista, e que todo o sistema
funciona como um grande cartel, no qual os banqueiros sempre levam a
melhor sobre os indefesos consumidores e correntistas que somos
todos nós.
O
que faltou, na verdade, foi um pouco de planejamento orçamentário,
um pouco de coragem para segurar a mulher e os filhos que sempre
querem gastar mais do que o permitido pelo meu salário claramente
insuficiente. Eles querem viajar além da conta, ir ao cinema todos
os fins de semana e ao restaurante sempre quando lhes apetecem, sem
procurar saber se os meus recursos permitem esse tipo de exorbitância.
Minha promessa para o novo ano, portanto, é a de controlar o
pessoal lá de casa nas despesas do dia a dia, de maneira a me
permitir manter o estado geral da residência e dos nossos bens duráveis
(alguns já em precário estado de conservação).
O
pessoal lá do bar chama esse tipo de ajuste fiscal de concessão
neoliberal, de regra do consenso de Washington, de submissão ao
pensamento único ou de coisa pior ainda. Mas estou convencido de
que se eu não fizer agora esse tipo de controle, a situação pode
se deteriorar ainda mais, colocando em risco nosso futuro imediato
ou a própria casa que construí com tanto esforço ao longo dos
anos. Acho que não tenho o direito de deixar para os meus filhos e
netos uma situação desse tipo, que iria obrigá-los a um sacrifício
indevido por conta de nossa atual imprevidência. Por isso, só
posso dizer: a hora de apertar os cintos é agora, e só vou gastar
o que for render frutos mais adiante. O resto é conversa de
botequim...
3.
Prometo escolher melhor os amigos e companheiros, de molde a não
ter mais esse sentimento de “traição”, que por vezes me
assalta a mente.
Isso
deve ocorrer com qualquer espírito desprevenido, como é o meu, mas
acho que os últimos meses foram pródigos em matéria de más
surpresas no terreno das relações pessoais. Tenho o hábito de ser
por demais generoso com as pessoas em geral e os aliados em
particular, sempre pensando que aqueles que estão conosco em alguma
empresa qualquer o fazem por motivos nobres, ou pelo menos tão
elevados quanto os meus. Daí essa sensação de traição, a propósito
de eventos obscuros e ainda pouco elucidados que perturbaram a paz lá
de casa e o ambiente de trabalho de modo geral. Pessoas que considerávamos
bem intencionadas e moralmente inatacáveis acabaram traindo minha
confiança e a do meu time de futebol, jogando com táticas escusas
e chegando até a comprar o juiz encarregado da boa ordem no
gramado.
O
resultado foi o que se viu: um lamentável espetáculo de práticas
incertas e não sabidas (pelo menos de mim), acobertado por meses de
sorrisos amarelos e juras de “tudo bem”. Depois que a porta foi
escancarada e o estrago praticado, não adianta alegar quebra de
confiança, pois fui eu mesmo que permiti a entrada dessa gente na
minha sala, chegando mesmo a prometer a um deles ajuda em caso de
necessidade. Pois não é que o pessoal abusou da minha bonomia e
natural generoso? Também agora aprendi: cheque em branco nem para o
cunhado, pois não se sabe o que ele pode aprontar na próxima
esquina. Quando menos esperamos, lá vem traição e o mal está
feito. Como não adianta chorar sobre leite derramado, o jeito mesmo
é prometer a mim mesmo que vou ser mais seletivo na escolha dos
amigos para os churrascos de fins de semana.
Quanto
aos que já me fizeram tanto mal, nem sei se adianta agora chamar a
polícia, pois fui de certa forma conivente com essas práticas
pouco recomendáveis, ao dar-lhes guarida em minha casa e conviver
por tantos meses como se todos fossem do meu time. O jeito agora é
esquecer e seguir adiante, mas traidores, nunca mais!
4.
Prometo também escolher, com base unicamente no mérito pessoal e
na sua estrita capacitação técnica e profissional, os meus
assistentes de trabalho, para não dar mais essa impressão de
ineficiência ou de improvisação na gestão da minha pequena
firma.
Uma
micro empresa, uma padaria que seja, não é uma “casa de mãe
Joana”, e ninguém deveria esperar que eu dê emprego na minha
pequena bodega apenas porque o cidadão, que seja o companheiro das
peladas de domingo ou da cervejinha no final da semana, acabou
ficando sem emprego por má sorte na vida ou apostas erradas que fez
na loteria política. Numa quitanda na qual só cabem cinco
vendedores, eu não posso colocar dez, ou mesmo mais, apenas porque
alguns desses amigos ficaram de repente na rua da amargura. Por
isso, não contem comigo para inflar a minha folha de pagamentos
apenas em nome de uma velha amizade: afinal de contas, eu tenho de
zelar pelo bom equilíbrio do botequim. Inclusive porque o fisco não
dá moleza e os acréscimos laborais, com toda essa legislação
generosa que protege o trabalhador, são de lascar: eu praticamente
dobro a minha folha com esses penduricalhos ditos sociais.
E
tem outra coisa, mulher: tem gente que se acostumou mal com os
velhos tempos de mensalão sindical e reluta em enfrentar o batente.
Assistente para mim é para trabalhar, de preferência naquilo em
que seja competente, e por isso eu estou no direito de exigir
diploma do Sesi ou do Senac. Não adianta enrolar, que eu vou ser
implacável: quem não tem competência que não se estabeleça...
5.
Prometo falar a verdade, somente a verdade e apenas a verdade, cada
vez que os vizinhos, amigos e outros moradores da minha rua me
perguntarem sobre os assuntos lá de casa, sobre minhas preferências
no futebol e minhas opiniões políticas ou religiosas, sem esconder
nada de ninguém, mesmo se eu, por acaso, tiver deixado lixo na rua
ou não tiver contribuído para a segurança do bairro, deixando de
pagar a taxa de vizinhança, por exemplo.
Coisa
chata essa de ficar o tempo todo enrolando vizinhos e curiosos com
desculpas esfarrapadas a propósito da quebradeira financeira lá em
casa, ou das freqüentes visitas de cobradores que volta e meia
aparecem pedindo algum dinheiro por esse ou aquele motivo. Como eu não
tenho a cara de pau de ficar mentindo, acabo recorrendo àquela
linguagem empolada dos jornalistas que se borram de medo de ser
processados por afirmações levianas ou indevidas: “o chefe
presumível das supostas malversações na contabilidade suposta da
minha firma, teve a suposição de pretender que eu sabia o que era
suposto saber mas não sabia, nem supunha, mas nunca cheguei a supor
que os meus inimigos iriam descer tão baixo a ponto de levantar
suposições indevidas contra as alegadas práticas, com as quais
agora querem supostamente me assacar.” Não sei o que o meu
conselheiro legal pensa a respeito dessas supostas irregularidades,
mas o fato é que, até agora, não há nenhuma prova que sustente
essas suposições, e não se pode sair por aí condenando ninguém
sem provas cabais. Na verdade, o melhor mesmo seria que os vizinhos
e curiosos parassem de meter o bedelho nas coisas lá de casa, pois
ninguém tem o direito de por a colher torta onde não é chamado.
Mas, prometo também, em nome do que me é mais sagrado, contar toda
a verdade, doa a quem doer, cortando na própria carne se for
preciso.
Por
outro lado, essa coisa de “taxa de vizinhança” para a segurança
da rua já está me dando nos nervos. Afinal de contas, a gente paga
impostos para o governo para quê? Não é para ter segurança,
justamente? Agora temos de pagar duplamente, para o governo e para a
segurança particular? Essa situação um dia vai ter de acabar, e só
precisamos esperar a próxima eleição...
6.
Prometo terminar de ler aquele livro que comecei dez anos atrás e
que os amigos de biriba vivem cobrando, de um aliado da nossa causa,
o tal “livro fundamental” do Celso Furtado...
Não
passa deste ano: já estou com o livro começado há mais de uma década,
e ainda não consegui passar das primeiras vinte páginas. Depois
que o homem morreu, e prestamos todas aquelas homenagens em função
não apenas da sua naturalidade nordestina mas também pelo fato de
ele ter sido um apoiador da primeira hora das nossas posições,
todo mundo vive me perguntando se eu já terminei de ler o livro
dele, sim, o tal de “Formação Econômica do Brasil”. Cá entre
nós: eu desconfio que se o livro foi escrito há mais de quarenta
anos, quando o Brasil ainda era um país “essencialmente agrícola”,
como então se dizia, ele já não deve mais estar adaptado aos
tempos que correm. Depois, ele vem numa linguagem empolada, que
lembra esses conselheiros econômicos que de vez em quando aparecem
lá em casa, enrolando de forma inútil o que me parece tão claro:
o Brasil não tem mais nenhum problema de desenvolvimento industrial
ou tecnológico, apenas um problema de desenvolvimento social, um
problema de distribuição.
Mas,
eu também desconfio que o “velho” Celso Furtado, com todo o
respeito pela sua memória, tinha ficado parado no tempo. Ele vem de
uma época na qual, ele mesmo dizia isso, a inflação era
“funcional” para a industrialização do Brasil, pois permitia
tirar dinheiro dos que não poupavam e colocá-lo nas mãos dos que
estavam dispostos a investir e fazer o Brasil crescer. Isso podia
ser válido naqueles tempos, e ainda assim eu desconfio que não
devia ser nada bom para o trabalhador, que estava sempre correndo
atrás do seu salário, enquanto a burguesia se refestelava com a
poupança alheia (forçada, claro). Inflação nunca foi boa para
ninguém, só para os que, justamente, se aproveitam do dinheiro
alheio.
Por
isso mesmo, eu nunca compreendi como o Celso Furtado, pouco tempo
antes de falecer – que Deus guarde sua alma –, ainda pregava (e
um monte de gente com ele, sobretudo esses economistas da Unicamp)
que um “pouquinho” de inflação não podia fazer mal, que isso
era a condição necessária do crescimento e da criação de
empregos. Pode até ser, mas desconfio que isso não é bom para o
trabalhador, pois é ele que vai ter de agüentar ver seu salário
diminuído mês a mês, enquanto esse pessoal da Unicamp protege os
seus rendimentos nas contas aplicadas em títulos do governo.
No
que depender de mim, não tem nem “pouquinho”, nem mais inflação,
já que essa coisa é que nem barriga de mulher: não tem meia
gravidez, e uma vez que a inflação começa, fica difícil parar
depois. Sendo assim, nem sei, na verdade, se vou mesmo terminar esse
livro, que além de tudo vem numa linguagem enrolada, um economês
dos mais obscuros, que parece ser “keynesianismo” como eles
chamam. Ele até pode ter sido do Nordeste, mas também passou um
bocado de tempo fora do país e deve ter voltado com algumas idéias
importadas que depois resolveu aplicar aqui. Os brasileiros estão
servindo de cobaias para algum experimento maluco. E, depois de
tudo, acho melhor deixar os economistas mortos em paz, do contrário
eles vão querer continuar governando nossas vidas...
Para
mim, chega de promessas, fico por aqui, pois já tenho coisa demais
para pensar e fazer neste novo ano que se inicia. A única promessa
a mais que faço é que no final do ano eu venho conferir para ver
se a “coisa” andou...