Por JOÃO ALBERTO DA COSTA PINTO

Departamento de História da Universidade Federal de Goiás (UFG)

 

 

Breves Reflexões que Proponho à Comunidade Acadêmica e aos Membros do Conselho Universitário da UNESP

 

Aproveito este espaço para fazer algumas reflexões destinadas sobretudo à comunidade acadêmica e aos membros do Conselho Universitário da UNESP. O objetivo deste artigo é propor que seja revista e colocada em pauta na próxima reunião do Conselho a questão da recente expulsão de sete estudantes do curso de História da UNESP – Franca.

Os fatos estão admiravelmente descritos e analisados pelos artigos que os professores João Bernardo e Nildo Viana publicam nesta edição, seria um truísmo meu insistir em os descrever novamente. Endosso a argumentação neles apresentada (ainda que pudesse fazer algumas distinções pontuais), insistindo, porém, na conveniência de a comunidade acadêmica da UNESP, espalhada nos seus vários "campi", interceder junto ao Conselho Universitário de maneira a que na próxima reunião do mesmo, com os fatos da expulsão em pauta, e pelo princípio democrático da livre expressão artística, sejam revistas e cassadas as expulsões dos estudantes.

Nesta ocasião, pode felizmente contar-se com a presença entre o corpo docente da UNESP dos professores Alberto Aggio (Franca) e António Carlos Mazzeo (Marília), que com tanto brilhantismo têm colaborado para as lutas democráticas, não só no espaço acadêmico como em outras manifestações públicas, fazendo-o através do seu trabalho intelectual em inúmeros artigos e livros. Recordando as trajetórias exemplares de democratas radicais que são, parece-me natural que eles envidem publicamente os seus esforços, intercedendo junto ao Conselho Universitário contra a sumária expulsão dos estudantes. Claro que é possível discordar das práticas do ato estudantil contra o Reitor e que levou o mesmo a sancionar-lhes a expulsão, mas, pergunto: por acaso o que estava em questão naquela manifestação – a falência das condições físicas do prédio do "campus" de Franca (e tem razão João Bernardo, só quem lá esteve é que pode perceber a real dimensão do imperativo "fascista" da arquitetura panóptica do velho claustro) – não seria um motivo "justo" para o ato, e não seria de fato justa a reação se considerássemos a humilhação, a impotência e o isolamento dos estudantes diante do descalabro que descrevem? A sumária expulsão daqueles que se sentem humilhados pelas práticas institucionais, não importando aqui o ato em si, basta para que se resolvam os problemas da Universidade em questão? Qual foi a discussão na comunidade acadêmica sobre os motivos do ato estudantil? A expulsão física em si é uma alternativa democrática?

Os alunos expulsos freqüentavam o curso de História e citam que no seu ato praticavam uma política de subversão (qualquer estudante de História sabe que a prática subversiva é sempre uma prática política, ainda mais a se considerar a reatividade à humilhação imposta pelas práticas de exploração do capitalismo – a história do capitalismo oferece uma infinidade de exemplos de práticas políticas subversivas, principalmente da arte subversiva, considerando como arte subversiva não apenas aquilo que comumente se vislumbra, uma pichação aqui outra acolá, etc.). Ora, os professores bem sabem que a cólera estudantil que provoca atos de reação como o acontecido, fazem-se diante da situação de humilhação que quase sempre atinge proporções intangíveis no que se refere aos quadrantes formais da política de esquerda de resistência anti-capitalista. Será possível que os professores e a comunidade estudantil da UNESP não estejam a perceber o ato político dos estudantes naquela ocasião? Bastam-lhes as expulsões? Calam-se diante das expulsões? Não seria este o caso de se colocar de uma vez por todas, a toda a comunidade estudantil espalhada nos vários "campi" da UNESP o sem número de problemas de infra-estrutura da instituição, sem falar nas péssimas condições salariais? Ao obstar as expulsões dos estudantes, não seria a hora de apresentar à sociedade o vilipêndio da lupemproletarização do trabalho intelectual na Universidade brasileira?

Afinal, diante das inúmeras práticas de resistência e de subversão que a história da exploração capitalista promoveu, há hoje algum sentido democrático na expulsão de estudantes por causa de uma manifestação estético-política subversiva? Basta expulsar? Acho que todos temos uma palavra a dizer.

 

Clique e cadastre-se para receber os informes mensais da Revista Espaço Acadêmico 

 

 

clique e acesse todos os artigos publicados...

http://www.espacoacademico.com.br - Copyright © 2001-2005 - Todos os direitos reservados