Nanotecnologia
e a política de Ciência e Tecnologia
Os
rumos e diretrizes da política de ciência e tecnologia não
podem ser analisados e determinados como fatos isolados de seu
contexto histórico e social mais amplo devendo ser inseridos no
rol dos múltiplos desafios das sociedades contemporâneas.
Após
meio século de diagnósticos e análises que ressaltam a
fragilidade e inoperância do sistema nacional de C&T,
volta-se a indagar: o progresso técnico seria a resposta aos
problemas que afligem a nossa sociedade?
Verifica-se
a mercantilização dos conhecimentos científicos e tecnológicos
em nome de maior produtividade e competitividade, ou seja, de
maiores lucros. Omite-se,
propositadamente, que ao longo da História da vida humana, os
valores de cooperação e solidariedade foram fundamentais para a
sobrevivência da espécie. A
ênfase na competição como norma geral e suprema do
comportamento humano leva ao darwinismo social e relega a preocupação
com o próximo ao segundo plano.
Nesse
contexto, convém lembrar o famoso triângulo de Jorge Sabato
sobre as relações viciadas entre governo (financiador),
universidades e institutos de pesquisa (produtores de conhecimento
e de tecnologia) e o setor produtivo (consumidor do know-how).
Segundo Sabato, nos países de desenvolvimento
“tardio”, os governos não financiam em escala suficiente; as
universidades produzem conhecimentos, sob forma de teses, para as
bibliotecas; e as empresas preferem importar, adaptar ou copiar
tecnologias, mesmo quando obrigadas a pagar royalties.
Apesar
de esforços visando aproximar a pesquisa científica com o setor
produtivo, poucas modificações houve neste relacionamento, mesmo
decorridos mais de trinta anos desde a constatação do cientista
argentino.
Não
pode haver dúvidas quanto aos impactos de inovações tecnológicas
na vida social, econômica e cultural.
Gostaríamos de deixar bem claro que não questionamos a
necessidade de P&D nas sociedades contemporâneas, mas à
condição que sejam ambientalmente seguros, socialmente benéficos
e eticamente aceitáveis.
A
partir da segunda metade do século XX, fomos inundados por ondas
ininterruptas de inovações desde a Revolução Verde, na
agricultura; a microeletrônica, na indústria e serviços; a
biotecnologia e engenharia genética; a energia nuclear e, mais
recentemente, a nanotecnologia.
Todas
invadiram os cenários científico e empresarial com promessas de
imensas vantagens e, também, com os riscos e ameaças inerentes
ao seu uso nas áreas da agricultura, medicina, indústria e,
inevitavelmente, no setor militar.
Assim,
levantam-se questões sobre o controle: quem deve monitorar,
regular e fiscalizar as aplicações de novas tecnologias e
decidir sobre a alocação de recursos em projetos de P&D?
As
respostas a essas questões cruciais não se encontram nas novas
tecnologias, nem na criação de órgãos burocráticos
supostamente gerenciados e controlados pelos respectivos governos.
Desde
as primeiras décadas do século passado, assistimos a um processo
contínuo de privatização de setores públicos, ganhando ascendência
– segundo advertiu o presidente Eisenhower já em 1951 – o
famigerado complexo industrial-militar e acadêmico como instância
superior e decisiva nas políticas do governo norte americano..
Os
desafios da transformação social em direção a uma sociedade
mais justa e solidária devem ser analisados à luz dos fracassos
de soluções “milagrosas” oferecidas pelos porta-vozes da ciência
e tecnologia.
Contrariamente
ao discurso oficial apoiado pela maioria dos cientistas, não
existe uma correlação positiva comprovada entre os avanços nas
pesquisas científicas e tecnológicas e a posição do país em
termos de indicadores sociais, ambientais e de bem-estar coletivo.
Apesar de uma razoável infra-estrutura e produção científicas,
o Brasil permanece atrás de vários países com menor
desenvolvimento em pesquisa científica e tecnológica.
Cresce
o fosso tecnológico entre os países do primeiro mundo e os
“emergentes”, mesmo com as vantagens obtidas mediante a dominação
e incorporação de produtos e processos da microeletrônica e da
biotecnologia que alteram a divisão internacional tradicional de
trabalho. A nova geografia econômica aponta para a transferência
de indústrias mais poluentes e
intensivas em energia para os países “emergentes”,
enquanto as novas indústrias, com menor consumo de energia e
menos trabalho intensivas acumulam novas vantagens.
A
carência de infra-estrutura, a baixa qualificação da mão-de-obra
e a falta de respostas adequadas do sistema de C&T tendem a
agravar o atraso criado pela abertura descontrolada dos mercados,
o enfraquecimento e eventual alienação de empresas estratégicas
nacionais, o que transfere também os centros decisórios sobre
prioridades e metas de desenvolvimento para o exterior.
Apesar
de todo o clamor pelo desenvolvimento de uma nanotecnologia
nacional (sic!) os produtos e processos inovadores eventualmente
baseados em nanopartículas não constituem garantia ou mesmo
condição suficiente para o desenvolvimento da sociedade. Somente
quando acompanhada por mudanças nas relações sociais, econômicas
e culturais, a nova tecnologia poderá beneficiar a toda a população.
Não
podemos ignorar o embate que atualmente está sendo travado entre
as tendências políticas e econômicas que favorecem a concentração
de poder e o autoritarismo em todas as esferas da vida social e,
no lado oposto, a tendência à democratização, autogestão e
participação de todos os cidadãos nos processos decisórios.
As
respostas aos desafios do desenvolvimento encontram-se na
capacidade de auto-organização e autogestão da sociedade,
dispensando a tutela e a intermediação de tecnocratas e políticos
profissionais invariavelmente atraídos e cooptados pelas
estruturas de poder e as vantagens de enriquecimento e
“status” que elas oferecem.
Os
desafios e o combate às políticas neoliberais, do crescimento
perverso, do desemprego e da perda de identidade individual e
coletiva serão travados na arena política, no choque entre
filosofias e práticas de ações concretas.
A
nanotecnologia está sendo apontada como a mais recente das inovações
tecnológicas, no rastro da Revolução Verde, da microeletrônica
e da biotecnologia que, supostamente, iriam resolver os problemas
da parcela mais pobre e marginalizada da humanidade.
Mas,
no mundo da concentração de capital e do poder político e
militar, a democracia e os direitos humanos estão sendo cada vez
mais “escanteados”, sobretudo nos países pobres cujas populações
acabam sendo desestabilizadas e excluídas pelos lances
especulativos que ocorrem nos mercados de commodities,
invadidos e subvertidos por inovações tecnológicas. Tal como
nos ciclos anteriores, a substituição de matérias-primas
tradicionais – cobre, alumínio, ferro-liga, borracha e algodão
– por nanoestruturas infinitamente mais leves e resistentes,
tende a afetar as receitas das exportações e, consequentemente,
os padrões de vida dos que trabalham na lavoura, nas minas ou nas
indústrias tradicionais.
Não
é por acaso que a maioria desses produtores concentra-se nos países
“emergentes” – Índia, Indonésia, Brasil, Tailândia e países
africanos – cujas populações sofrem os impactos negativos –
desemprego, deslocamento de indústrias, especulação nos
mercados globais – da recente onda de inovações tecnológicas.
Amplia-se e aprofunda-se assim o eterno fosso entre os que “têm”
e aqueles que “não têm” e nunca terão, enquanto perdurarem
as condições estruturais de produção e consumo do sistema
capitalista.
A
conquista dos benefícios e vantagens decorrentes da introdução
de inovações tecnológicas, inclusive da nanotecnologia, passa
por um projeto nacional que procure resgatar o mercado interno
como centro dinâmico da economia e da sociedade. A reconstrução
far-se-á mediante uma mobilização geral a favor de uma organização
social e política democrática, de participação de todos e
regida pelos princípios dos direitos humanos e da justiça
social.
Seria
possível prever e, se for necessário, também evitar os impactos
negativos da introdução da nanotecnologia?
Estudos
pioneiros de grupos de cientistas nos países da União Européia
e no Canadá apontam para os riscos em potencial da introdução
de nanoprodutos nos mercados, exigindo amplos debates públicos e
conseqüentes medidas regulatórias e fiscalizadoras, para evitar
danos à saúde, ao meio ambiente e ao bem-estar da população.
Trata-se
de organismos ou partículas invisíveis de alta mobilidade
capazes de multiplicarem-se de modo imprevisível. Tal como no
caso da energia nuclear, a maioria dos pesquisadores e tecnólogos
lava as mãos: não competiria a eles a responsabilidade de
prevenir os impactos e evitar os riscos associados à introdução
da nova tecnologia.
Suspeita-se
da toxicidade dessas partículas em escala nano (a bilionésima
parte de um metro), capazes de penetrar e disseminar-se no sistema
imunológico do corpo humano ou animal, afetando mucosas,
membranas e a corrente sanguínea, e atacando órgãos vitais,
tais como o fígado, pulmões, o coração e as artérias.
Uma
minoria de pesquisadores apreensiva com os riscos à saúde, à
segurança e ao meio ambiente, sugere proibir a liberação de
nanopartículas e sua manipulação, acatando o princípio de
precaução até chegar a conhecimentos mais sólidos e
instrumentos de controle mais seguros.
Todas
as boas intenções e resoluções referentes ao monitoramento e
controle das aplicações da nanotecnologia esbarram no obstáculo
praticamente intransponível de sua apropriação e conseqüente
sigilosidade que cerca P&D por parte de grandes empresas e do
setor militar. Os investimentos em P&D estão entre as
despesas industriais mais concentradas no mundo (F.Chesnais,
1995), e servem, prioritariamente, aos projetos militares.
Especialistas
que se debruçam sobre a indústria bélica e projetam os
conflitos futuros vaticinam mudanças radicais na condução de
guerras com armas baseadas em nanotecnologia. Materiais mais
leves, sensores mais precisos e rápidos combinados com
computadores mais eficientes podem levar ao desenvolvimento de
novas armas químicas e biológicas, difíceis de serem detectadas
e combatidas em tempo. Devido a sua característica de
invisibilidade e a capacidade de invadir organismos vivos, as
futuras armas à base de nanotecnologia se tornarão também
instrumentos poderosos na repressão de manifestações populares
e de lutas pela democracia, ao derrubar os manifestantes até
serem detidos pelas forças da “ordem”.
Novas
tecnologias não têm e não terão a capacidade de substituir políticas
públicas visando o bem-estar de todas as camadas da sociedade.
Pretende-se colocar C&T a serviço de toda a população e não
somente das elites e de seus negócios. Entretanto, a experiência
do século XX ensina que a política e gestão das grandes corporações
visam predominantemente o lucro e não o bem-estar da população.
São
essas empresas que investem e usufruem de verbas públicas
alocadas a P&D e assim, se habilitam a definir prioridades e
formas de distribuição dos eventuais benefícios.
Vivemos
um período de ocaso da democracia formal e representativa, um
sistema caracterizado pela cooptação dos supostos representantes
do povo pelos grandes grupos de poder econômico-financeiro e, não
raramente, a corrupção deslavada permeia todas as esferas da
vida política.
Por
isso, cumpre às organizações não governamentais e aos
movimentos sociais abrir um amplo e permanente debate sobre a
nanotecnologia e suas possíveis aplicações e potenciais riscos
à saúde e ao meio ambiente.
Junto
com a definição de estratégias de uso dos conhecimentos gerados
sobre a nova tecnologia, devemos propugnar por uma moratória no
desenvolvimento de novos produtos e processos e de sua
comercialização, até a elaboração de protocolos de laboratórios
de pesquisa e de normas reguladoras estabelecidas por medidas
legais, a fim de proteger trabalhadores e consumidores.
A
comercialização em curso de produtos cosméticos, alimentícios,
protetores solares, tecidos e outros, à base de nanotecnologia,
deve ser postergada até que se verifique e se certifique que são
inofensivos para o público. Entretanto, não basta limitar os
debates e eventuais proscrições aos riscos ambientais e de saúde
da nanotecnologia. É fundamental também o debate sobre a questão
de patentes e assim, dos rumos das atuais e futuras invenções e
suas aplicações em processos e produtos de nanotecnologia.
Afinal,
continua aberta a questão “quem decidirá e quem controlará”
os caminhos da nanotecnologia e de outras tecnologias, com imenso
potencial de fazer o bem ou causar desastres para o convívio
humano.
Quais
as ações a serem conduzidas para induzir o engajamento público
da população nas questões referentes ao desenvolvimento de
nanotecnologia? Existem precedentes importantes de campanhas sobre
transgênicos, células-tronco e energia nuclear cujas lições
devem ser revistas e incorporadas, particularmente, no que se
refere à divulgação, mobilização e conscientização, tanto
dos pesquisadores quanto da opinião pública sobre a relevância
dos problemas associados à introdução de nanotecnologia no meio
ambiente natural e humano. Caso contrário, existem riscos de se
assistir à introdução totalmente descontrolada de novos
processos e produtos.
A
formação de redes de organizações da sociedade para monitorar
e avaliar os rumos de desenvolvimento da nanotecnologia é
indispensável para proteger sobretudo os menos preparados e
informados, diante as incertezas e riscos associados ao
desenvolvimento da nanotecnologia. Cabe ao poder público a tarefa
de orientar e regulamentar, tanto a pesquisa quanto o
desenvolvimento e o uso comercial dos novos processos e produtos.
Face à preponderância do setor público no financiamento de
P&D, cabe a pergunta “quem aproveita os resultados” e
abrir as instituições para que a sociedade participe na avaliação
e na definição de estratégias de pesquisa e no uso dos
conhecimentos gerados.
Mapeando
os potenciais benefícios e impactos, as intervenções
orientadoras e reguladoras do poder público tornarão todos os
processos de inovação mais racionais, transparentes e democráticos.
Não
se trata de assunto meramente técnico-operacional e as decisões
não se referem apenas à esfera de política de ciência e
tecnologia. Necessitamos de um novo paradigma de funcionamento das
instituições, envolvendo todos os atores sociais em processos
decisórios democráticos.
Será
difícil, complexo e demorado o processo de engajamento e de
conscientização da população em assuntos e temas aparentemente
distantes ou pouco relevantes para seu dia-a-dia. As propostas e
recomendações só vingarão quando estiverem inseridas e
relacionadas com o processo geral de democratização da
sociedade. Para estimular o envolvimento público na dinâmica
democrática, o papel fundamental da mídia é analisar e avaliar
os projetos, sob o enfoque de “quem controla”? “a quem
serve” e quais os custos/benefícios e custos/oportunidades?
Será
um longo processo de aprendizado para todos os atores sociais que
irão inteirar-se gradualmente das questões centrais do
desenvolvimento científico e tecnológico, atualmente restritas a
um círculo muito pequeno de especialistas, não representativo da
ampla gama de atores sociais, desde empresas, sindicatos e outras
associações da sociedade civil.
As
questões se estendem desde a inserção social de P&D até a
própria organização das atividades de pesquisa. A penetração
do modo de produção industrial nas atividades de pesquisa tem
conduzido à organização de equipes interdisciplinares e à análise
de sistemas como referencial básico e indispensável. A
interdisciplinaridade nos remete à colaboração entre diversas
áreas do saber em projetos que envolvam tanto as diferentes
disciplinas acadêmicas como as práticas não-científicas de
diversos atores sociais.
Os
pressupostos dessa abordagem abrangem a incorporação da
complexidade dos conhecimentos científicos com os saberes
tradicionais, não-científicos e a primazia de indagações de
natureza ética, estética e sócio-ambiental.
A
insuficiência do conhecimento fragmentado para tratar da
complexidade existencial requer procedimentos cognitivos sistêmicos,
dialéticos e abertos. Os paradigmas científicos modelam o
pensamento e a ação social e recebem efeitos retroalimentadores
da dinâmica cultural.
Um
retrospecto dos últimos dois séculos mostra que o ritmo e a
intensidade das catástrofes naturais sofreram aceleração
acompanhando a expansão da industrialização e urbanização.
Secas, enchentes, vazamentos de petróleo no mar e acidentes nas
centrais nucleares evidenciam os limites ecológicos do sistema
enquanto o alastramento da fome e do desemprego assinalam seus
limites sociais e econômicos.
Para
estudar e compreender os fenômenos complexos da vida humana e da
natureza é necessário elaborar um modelo conceitual e metodológico
que contemple e destaque as interações entre variáveis
derivadas de diferentes áreas do conhecimento. Este referencial
teórico deve permitir a articulação e integração de
diferentes áreas de conhecimento para levar também a práticas
convergentes.
Em
estudo recente – (publicado na Revista Brasileira de Inovação,
2003 – Simon Schwartzman aponta dois modos diferentes de produção
de conhecimento científico:
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MODO
1 (linear)
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MODO
2 (não linear)
|
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O
conhecimento básico é produzido antes e independentemente
de aplicações
|
O
conhecimento é produzido no contexto das aplicações
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Organização
da pesquisa de forma disciplinar
|
Transdisciplinaridade
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Organizações
de pesquisa homogêneas
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Heterogeneidade
e diversidade organizacional
|
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Compromisso
estrito com o conhecimento: os pesquisadores não se sentem
responsáveis pelas possíveis implicações práticas de
seus trabalhos
|
“accountability”
e reflexividade: os pesquisadores se preocupam e são
responsáveis pelas implicações não-científicas de seu
trabalho
|
Fonte:
Schwartzman, S. (2003) apud Gibbons, Trow, Scott et al. 1994
Os
problemas dos sistemas naturais e sociais transcendem as
fronteiras entre as diferentes disciplinas científicas e para
estudar as interações entre os fenômenos-objeto da análise
torna-se necessário estimular a comunicação e interação de
grupos de pesquisadores nos trabalhos de campo e de gabinete.
A
trajetória presente de nossa sociedade e, por extensão, do
planeta não é sustentável. Mudanças climáticas, crescimento
demográfico, perda da diversidade biológica e cultural e
crescente pobreza e desigualdade tendem a aumentar a
vulnerabilidade da vida humana e do ecossistema planetário.
Necessitamos de uma melhor compreensão das interações complexas
e dinâmicas entre a natureza e a sociedade, muito além das
abordagens convencionais, por causa da não-linearidade,
complexidade e retro-alimentação dos processos observados. Uma
abordagem alternativa enfatizará a necessidade de analisar e
monitorar o comportamento de sistemas auto-organizadores, enquanto
se avaliem os papéis dos diferentes atores sociais, com diversas
e, frequentemente, contraditórias percepções e aspirações. O
método científico tradicional deve ser combinado com novas práticas
de aprendizado social incorporando elementos de ação coletiva,
gestão adaptativa, políticas públicas inovadoras e
experimentais. Cientistas preocupados com o futuro da humanidade
procurarão colaborar com todos os grupos sociais a fim de melhor
compreender como eles elaboram a construção de saberes e as práticas
de comportamento coletivo. O passo seguinte seria a avaliação
das respostas do poder público às pressões crescentes por uma
democracia participativa e pela demanda universal dos Direitos
Humanos.