Sent: Wednesday, October 12, 2005 4:03 PM

Olá Ozaí,

é realmente triste perceber o esfacelamento da esquerda no Brasil, a olhos vistos. principalmente ver isso acontecer naquele partido que foi o ideal de muitos de  nós, jovens com ideais políticos germinando em nossas mentes, lá pelo fim dos 70 e início dos anos 80; nós que participávamos com ênfase e pueril alegria dos comícios, das passeatas pelo centro de S.Paulo cantando aquela canção do Vandré "Pra não dizer que não falei das flores", enquanto assistíamos emocionados às pessoas das janelas dos seus apartamentos baterem panelas, voar lenços brancos ou simplesmente aplaudirem o movimento, enquanto a polícia que outrora reprimia qualquer moção pequenina que fosse com truculência, assistia a tudo em silêncio (de autoridade) mas deixando-nos em paz...

Tantos anos de história de lutas jogados pelo ralo por alguns de seus principais representantes da outrora esquerda de nosso país. E no mundo todo, cai o muro das alemanhas, a Coca-cola entra na China, fragmenta-se a União Soviética e a terceira via assume seu lugar na Inglaterra.

Será a nova opção os partidos dissidentes?  Creio ser como você concluiu em seu artigo,  os novos rumos da política permitirão que ousemos em novos ideais e tentemos até conseguirmos acertar, se é que isso é possível, pois como diz o velho chavão:  o poder corrompe.

Abraços,

Geraldo

From: Franklin

To: Ozai@click21.com.br

Cc: wengier etel sara

Sent: Sunday, October 09, 2005 3:06 PM

Subject: Texto em resposta ao artigo Os colonos judeus, a faixa de Gaza e o fanatismo, ou porque o Iluminismo é ainda necessário, do Prof. João Fábio Bertonha

 

Com uma desenvoltura surpreendente, o prof. Bertonha considera que racionalidade é o que ele define como tal.

Além desse pecado, que é capital para um intelectual, e que o último parágrafo, com suas ressalvas, mal consegue atenuar, Bertonha está pouco informado para quem pretende manifestar-se acerca da situação em Gaza.

Como acontece habitualmente com os críticos de Israel, Bertonha abstrai quase toda a história do conflito entre as ditaduras feudais do Oriente Médio e Israel, para deter-se convenientemente no ano de 1970, quando Israel teria "formatado" uma política de "ocupação".

A política "formatada" pelas ditaduras árabes com relação aos judeus, desde quando a região estava sob domínio otomano e britânico, até os dias de hoje, ou seja, uma política genocida, não é mencionada por Bertonha.

Algo muito estranho, visto que as críticas de Bertonha têm como alvo preferencial a religião, e sobretudo a não separação entre religião e estado. Mas se há um exemplo claríssimo da não separação entre estado e religião esse é o dos países muçulmanos, cujas guerras, nada raras, são sempre declaradas "santas" (jihad).

E sobretudo a guerra contra Israel, cuja existência é considerada uma afronta ao Islam.

Mas dessa modalidade de fanatismo, tão evidente,  Bertonha não se ocupa. 

Dois pesos e duas medidas: outro pecado capital para um intelectual.

O fanatismo, para Bertonha, é exclusivamente o dos "colonos" judeus, cuja finalidade, num parágrafo, é descrita como "expulsar", e em outro, "matar" os árabes, sempre em nome de Deus.

Mas os atos terroristas, salvo raríssimas exceções do lado judaico, sempre punidas pelo governo israelense, foram praticados incessantemente pelas milícias terroristas palestinas contra judeus (geralmente civis), com o beneplácito da Liga Árabe e da Autoridade Palestina.

Que os terroristas palestinos e a autoridade palestina, amparados num discurso religioso, considerem que o estado palestino deve estender-se do Jordão ao Mediterrâneo, tampouco recebe a atenção de Bertonha.

Ele pergunta se os judeus podem mostrar uma carta escrita por Deus concedendo-lhes o território em disputa, mas não lhe ocorre perguntar se os muçulmanos  receberam uma escritura de Alá.

A política belicista da autoridade palestina está fartamente documentada em livros escolares oficiais, discursos proferidos em mesquitas, artigos na imprensa e programas de televisão. Deve-se levar em conta que, como acontece habitualmente nas ditaduras, o sistema educacional, o establishment religioso e a mídia são totalmente controlados pelo governo.

Mais ainda, o terrorismo islâmico internacional apóia-se numa doutrina religiosa, cuja finalidade declarada é restabelecer o califado criado pelos sucessores de Maomé há aproximadamente 13 séculos atrás.

Por outro lado, os assentamentos, tanto em Gaza como na Cisjordânia, não foram construídos em terras confiscadas a proprietários palestinos.

E, como se não bastasse, a região chamada Cisjordânia, desde a trégua declarada em 1949, é considerada pela ONU como território em disputa (ou seja, sem soberania definida e portanto sujeito a negociações).

Essas questões legais não são mencionadas no artigo de Bertonha. Seria o caso de perguntar se ele as conhece.

Em acréscimo, cabe reafirmar mais uma vez que se houvesse uma real intenção de paz por parte da ditadura palestina, os assentamentos não precisariam ser destruídos. Se e quando as negociações conduzissem a sacramentar a soberania palestina sobre a Cisjordânia, soberania sujeita evidentemente ao compromisso de respeitar as fronteiras de Israel, os habitantes dos assentamentos tornar-se-iam cidadãos judeus do estado palestino,  assim como há cidadãos árabes israelenses.

Nada a fazer senão constatar mais uma vez que o conflito do Oriente Médio continua a suscitar uma infinidade de análises, geralmente empreendidas com parco (se tanto) conhecimento de causa.

São Paulo, 9 de outubro de 2005

Atenciosamente,

Franklin Winston Goldgrub

Professor titular da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

De: João Fábio Bertonha

Subject: Resposta à Franklin Winston Goldgrub

Data: 10.10.05

 

Prezado Colega

 

Agradeço a sua mensagem, a qual me fez refletir sobre vários aspectos do meu artigo que eu não tinha me dado conta. Acho que realmente não deixei claro que o fanatismo não é só dos colonos de Gaza, mas também dos revolucionários ou guerrilheiros islâmicos. Isso deveria ter sido ressaltado e não o foi. No entanto, talvez valha a pena esclarecer algumas coisas

1) Defini racionalidade de uma forma, é verdade. E baseio meu artigo nessa definição. Pode-se questionar minha definição de racionalidade, mas não vejo motivos para retifica-la. É aquilo que acredito e, portanto, a mantenho.

2) Gostaria de saber de onde o colega se baseia para definir que sou "mal informado" ou "ingênuo" sobre a questão de Gaza ou de Israel. Talvez o colega saiba mais do que eu, é possível, mas isso não significa dizer que sou "mal informado" ou "ingênuo". Isso é uma forma autoritária de debater, que visa mostrar que todos os que não concordam com a sua opinião estão desqualificados para ter as próprias. Será este o caminho?

3) Como já indiquei acima, o colega tem razão ao ressaltar que não destaquei o "outro lado", onde ha fanáticos tão ou mais irracionais do que os critiquei. Mas essa falha, que reconheço (ainda que tenha sido suprida em outros artigos que escrevi), não muda em nada a critica ao fanatismo de parte dos colonos judeus. Ou um fanatismo justifica o outro?

4) Chega a ser engraçado eu ser colocado como critico de Israel. Como já escrevi em muitos artigos, está para existir um admirador maior do povo judeu e do Estado de Israel do que eu, principalmente das suas muitas realizações no campo econômico, na criação de um Estado democrático, etc. Qualquer idéia de destruir o Estado de Israel e todos os esforços de muitos árabes nesse sentido, que conheço bem, são inaceitáveis. O que não significa dizer que Israel não cometeu/comete equívocos. Dizer que acho equivocadas algumas políticas de Israel é uma coisa, dizer que eu "sou contra o Estado de Israel" é outra.

5) Sim, é pura verdade que defendo com unhas e dentes a separação Igreja/Estado. E comemoro a que, ainda, existe em Israel, lamentando que esse caminho ainda esteja tão distante no caso da maior parte do mundo árabe. Talvez seja esta a cerne do artigo.

Enfim, acho que fui mal compreendido em alguns pontos. Aceito algumas criticas e penso que poderei repensar algumas questões no futuro. Mas, por favor, não venha me colocar no campo dos "anti-Israel" pelo simples fato de não concordar com algumas das suas opiniões.

Saudações

JFB

From: Franklin

To: pletz@yahoogrupos.com.br

Cc: wengier etel sara

Sent: Tuesday, October 11, 2005 12:56 AM

Subject: Resposta de Franklin à resposta de Bertonha

Artigo:  Os colonos judeus, a faixa de Gaza e o fanatismo, ou porque o Iluminismo é ainda necessário

 

Prezado João Fábio,

Quando alguém comenta o conflito entre as ditaduras muçulmanas e Israel (ou um aspecto desse conflito) de maneira a focalizar apenas o fanatismo dos religiosos judeus (no caso, o dos que construíram os assentamentos em Gaza), sem mencionar o quadro geral, ou seja, o fanatismo incomparavelmente maior e sobretudo muito mais letal do mundo muçulmano (caracterizado pela rejeição da existência de Israel e dos judeus, rejeição caracterizada por um terrorismo confessadamente racista ) essa pessoa (ou melhor, esse texto) está, a meu ver, incorrendo no critério "dois pesos e duas medidas".

O critério "dois pesos, duas medidas" é incompatível com a lógica. Portanto, é incompatível com a racionalidade.

Não tenho a menor dúvida de que esse critério prevalece em todo o artigo "Os colonos judeus..."

Mesmo na sua resposta, a asserção de que "do outro lado há fanáticos tão ou mais irracionais do que os que eu critiquei" parece-me incorrer em grave erro por causa do argumento da equivalência (e/ou quase equivalência).

Evidentemente o fanatismo não é monopólio de qualquer povo, etnia, ou religião. Muçulmanos, judeus e cristãos podem ser racistas em qualquer grau que seja, maior ou menor. Mas o importante nesse caso é levar em conta os valores culturais.

O Estado de Israel combate o racismo. A Autoridade Palestina favorece o racismo (de todas as formas possíveis).

Em Israel, os assassinos (de muçulmanos,  judeus, beduínos, drusos, cristãos, esposas, irmãs, maridos, filhos) são julgados e, caso se comprove sua culpa (e no caso de crimes racistas e discriminatórios essa culpa é evidente), são condenados.

No território sob a jurisdição da autoridade palestina os terroristas são chamados de mártires e seus nomes batizam ruas e praças. Pais, maridos e irmãos estão autorizados a matar filhas, esposas e irmãs que forem julgadas "pecaminosas".

E as milícias terroristas lincham "colaboradores". Sem qualquer julgamento prévio. Qualquer desafeto ou comerciante que se nega a pagar as taxas de "proteção" (estilo Máfia) podem ser linchados. E são.

Devemos justificar isso recorrendo ao conceito de especificidade cultural?

O mesmo, mutatis mutandis, acontece em todas as nações muçulmanas.

Escrever sobre Gaza isolando o conflito nessa região do conjunto do problema parece-me de um partidarismo a toda prova.

Em nenhum assentamento de Gaza se preconizou o assassinato de árabes. Os "colonos" que manifestaram individualmente (ou em pequenos grupos) essa atitude foram severamente reprovados pela comunidade e punidos pelo sistema judiciário israelense.

Agora, que mal 8 mil "colonos" fariam a mais de um milhão de palestinos? Por que os assentamentos não poderiam permanecer sob a jurisdição de um estado palestino, assim como 20% da população de Israel é composta por cidadãos árabes, beduínos e drusos?

Quanto à questão de julgá-lo insuficientemente informado:

Deparo freqüentemente com análises em que a história do conflito entre os regimes ditatoriais do Oriente Médio (antes monarquias, agora também teocracias e tiranias militares) e Israel está totalmente ausente.

Em seu texto,  a história do conflito é apresentada a partir de 1970. O que, a meu ver, cria uma perspectiva inteiramente falsa. É como fotografar o agredido no momento de responder à agressão e concluir que ele começou a briga.

Por outro lado, a maioria dos comentários sobre a questão dos assentamentos ignora o fato elementar de que a Cisjordânia não tem a sua soberania definida pela ONU. Portanto, não há nada de ilegal na construção de assentamentos nessa região. Tampouco é ilegal construir em Gaza, desde que não se confisque (roube) a terra de seus proprietários legais.

Qualquer acordo de paz pode fazer com que Israel reconheça a soberania palestina sobre tais regiões, mas com uma contrapartida irrenunciável: que a existência de Israel seja igualmente reconhecida. Ou seja, se Jeová não entregou uma carta de proprietário aos judeus, tampouco Alá assinou uma escritura de posse em favor de seus crentes.

Portanto, o conflito deveria ser resolvido por negociação. Israel demonstrou estar mais do que disposta a tanto. Vide Oslo, Camp David e Taba. Vide a devolução do Sinai em troca de um acordo de paz.

Não reconhecer isto é o mesmo que desprezar totalmente fatos inegáveis. Aí não há qualquer possibilidade de diálogo. Não creio estar sendo autoritário. Apenas peço que a realidade seja respeitada. Senão, não há interlocução possível.

Não se trata de uma questão de interpretação. Trata-se de reconhecer evidências perfeitamente comprováveis.

Nada disso deveria deixar de ser mencionado num artigo que, apesar de ater-se a Gaza, toca numa questão muito mais ampla.

Isso sem contar o que você mesmo reconheceu, isto é, que apenas o fanatismo judeu foi mencionado, apesar da desproporção absoluta entre a atitude de Israel em relação ao mundo muçulmano e a atitude do mundo muçulmano em relação a Israel.

Atenciosamente,

Franklin

From: Mena
To: ozai@click21.com.br
Sent: Saturday, October 08, 2005 11:14 AM
Subject: reconhecimento
 

Quero aqui manifestar meus agradecimentos pela atenção no envio de seus periódicos. Já os recebo a algum tempo, os quais tem sido de grande valia. Sou estudante de Psicologia, e os temas abordados sempre trazem com clareza esclarecimento sobre os mais variados temas. Continuem, para que todos nós possamos ser enriquecidos pelo vosso saber e dedicação.

 

Obrigada.

Filomena de Fátima A. G. Parra.

Sent: Tuesday, September 27, 2005 6:52 PM
Subject: Drama dos Alunos de Física

Olá, professor Ozaí.

Acabei de ler seu artigo Sobre A Vaidade no Campo Acadêmico, publicado na Revista Espaço Acadêmico nº 45. Meu nome é Fábio, sou aluno de Física da Universidade Federal do Amazonas, e gostaria de relatar nossa situação, já que se trata de um problema causado sobretudo por vaidade.

Minha monografia se concentra nos últimos 10 anos do curso de Física no meu Estado, e os resultados estatísticos são alarmantes. A rede pública de ensino em nossa região necessita de algo em torno de mil professores de Física, mas, em 30 anos de existência, a UFAM colocou no mercado algo em torno de 150 graduados na área. Os poucos que graduam não escondem o desejo de se afastarem definitivamente da instituição, em virtude do mau tratamento que tem sido dado aos alunos. Por exemplo, não é incomum que alguns professores cheguem às salas lotadas, no primeiro dia, e digam: "vou logo avisando, dessa sala só vão passar 2 ou 3". Tal atitude tem patrocinado reprovações em massa, com certos docentes apresentando um índice permanente de reprovação em torno de 85%. Eles não escondem o tom de auto-elogio, quando emitem frases como "para passar comigo, o cara tem que ser bom", deixando nítido que os envaidece reprovar os estudantes. Gostaria de poder dizer que são casos isolados, mas a estatística dos boletins de notas e o número de graduados desde 1975 apontam para uma iminente falência do curso.

Os alunos não têm a quem recorrer. Vários dos professores acenam com o doutorado para se manterem impunes, e o reitor da universidade é um professor do departamento de Física que concorda que a reprovação indiscriminada é um mal necessário (na época em que concorria ao 2º mandato, os alunos faziam campanha dizendo "vamos votar nele; é melhor ele ficar lá do que voltar para cá"). Há 3 anos, quando os avaliadores do MEC estavam para chegar na UFAM, houve reuniões dos professores com os alunos para que nada fosse mencionado sobre os índices de reprovação, ou qualquer coisa que pudesse denegrir a imagem do curso. Mesmo assim, alguém teve coragem suficiente para questionar sobre o
assunto quando os avaliadores chegaram. A resposta deles foi decepcionante: "é assim em todo lugar". Eles sequer se deram o trabalho de verificar a reclamação, muito menos olhar os boletins de notas de alguns anos. Ninguém mais se manifestou, com medo de represálias. Os alunos se recusam a participar de abaixo-assinados contra os doutores, e outros minam a iniciativa, dizendo "as coisas sempre foram assim por aqui".

Tornou-se comum, há anos, que turmas de 60 alunos tenham apenas 6 ou 7 aprovados. Ninguém mais consegue perceber que há um problema sério no curso, e aceitam sem questionar a ingênua desculpa de que "falta base aos alunos". A palavra de ordem dos professores tem sido "aluno tem que levar porrada logo no começo, que é para saber se vai agüentar até o final" (essa frase foi, de fato, dita por um doutor do curso, sob os
aplausos do departamento em peso). O resultado tem sido uma evasão alarmante ou o afastamento da instituição logo após a conclusão do curso. O coordenador da Física não concorda com esse tipo de elitismo, mas não pode fazer muito, já que não existe possibilidade de afastar os maus docentes -- todos concursados e doutores. Os alunos têm muito medo, e preferem abandonar a Física para outros cursos. Nos últimos anos, tem ocorrido um êxodo surpreendente de alunos do curso de Física para o curso de Matemática.

Gostaria de pedir permissão para encaminhar ao senhor, no próximo e-mail, um dossiê mais detalhado sobre o que considero ser um caso grave de dilapidação de erário público causado por mera vaidade dos docentes. Ainda nutro esperanças de que alguém se interesse por nossa situação e a torne pública. O Amazonas, exatamente por seu isolamento, é pródigo em situações surreais.

Formo dentro de 1 ano, meu coeficiente escolar é um dos mais altos do curso (9.0), e jamais reprovei em qualquer matéria -- ou seja, ninguém pode dizer que sou apenas um preguiçoso que adora reclamar. Mas penso em abandonar Física logo após a graduação, graças aos anos de incessante desestímulo. Na minha opinião, é degradante o que fazem com os alunos do curso -- nós envelhecemos sem qualquer necessidade dentro da graduação, apenas porque a vaidade dos doutores patrocina uma reprovação excessiva.

Obrigado.

Fábio Prestes de Oliveira

From: Simon Nhuch

To: ozai@click21.com.br

Sent: Sunday, September 25, 2005 3:24 PM

Subject: Sobre 'Política e religião...'


Professor Antonio,

Li com muita atenção o seu artigo 'Política e religião : entre o bem e o mal', assunto que sempre despertou o meu interesse.

Infelizmente a questão da religião é muito pouco abordada pela nossa 'inteligentzia' não sei se por temor, por ser assunto delicado podendo até mesmo abalar algumas alianças políticas, por desconhecimento ou desinteresse, mesmo.

Quanto à questão da relação intrínseca entre religião e violência sugiro-lhe a citação do diálogo entre Deus, Diabo e Jesus Cristo na parte final de O Evangelho Segundo Jesus Cristo de José Saramago onde são citadas as dezenas, centenas de batalhas movidas em nome da religião cristã.

Uma outra questão, á meu ver muito enriquecedora nesse assunto, é a proliferação das igrejas evangélicas - religiões por objetivos - cujo segredo do sucesso é, sem negar os fundamentos da religião, torná-la mais ajustadas ao atual estágio de desenvolvimento das forças econômicas e sociais. Utilizam métodos modernos de marketing e, ao procurar dar uma condição de vida terrena mais positiva aos seus aderentes, conseguem atingir os seus objetivos.

Cordialmente,

Simon Nhuch

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