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Por
FRANCIS DOV POR
Francis
Dov Por, nascido 1927 na Romênia. Casado com Dra. Scintila de
Almeida Prado.
Desde 1960 na Universidade Hebraica de Jerusalém. Professor emérito
de zoologia, na área de zoologia aquática, biogeografia e evolução.
Presidente Fundador da Sociedade Internacional de Zoologia.
Professor convidado da USP, Depto. de Ecologia Geral, 1981-1997.
Publicou em temática brasileira ou no Brasil:
"Sooretama,
the Atlantic Rain Forest of Brazil"
"The Pantanal of Mato Grosso (Brazil).World's Largest
Wetlands"
"Guia ilustrado do manguezal brasileiro"
"Biomas do Brasil.Uma História Natural ilustrada / Biomes of
Brazil. An
Illustrated Natural History" recém publicado. Pensoft
Publishers
Sofia-Moscow.(em colaboração com Vera Imperatriz Fonseca e
Frederico
Lencioni Neto).
"A evolução progressiva e o lugar do homem na natureza
(Novos Estudos 55)
"O fim do milênio na Terra Santa: reportagem de Jerusalém"
(Novos Estudos,
59).
Sob o pseudônimo Bernard Politzer publicou "Walachian Years
1940-1960"
Balban Press Rehovot, Israel, editado em romeno "O Tinerete
in Romania" ed.
Curtea Veche, Bucharest
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Os
Netos do Romulus -
A história
pouco conhecida dos Romenos
A
gênese e a história do povo Romeno é uma curiosa história de
peculiaridade e de sobrevivência.
Antes
de mais nada, língua Romena é a única língua românica moderna
que sobreviveu na Europa Oriental. Porém, diferente das outras línguas
latinas que são enraizadas quase exclusivamente no léxico e na
gramática românica, a língua romena é uma mistura do românico
com outras línguas, primeiramente com o eslavo, mais também
emprestando muito do turco, do grego e do húngaro. A estranha
sobrevivência desta língua, e do povo que a fala, dentro de um mar
de povos eslávicos apresenta-se como um assunto fascinante, ainda não
esclarecido suficientemente. O fato que uma população de bem mais
de 20 milhões criaram um estado nacional moderno chamado “Romãnia”
é o resultado de uma história política bem diferente da história
de outros povos europeus. Esta não é uma história de guerras heróicas
de independência e de grandeza política e sim da teimosia crônica
e sutil de pastores e de camponeses. Repetidamente, os romenos
tinham que justificar com paciência a sua mera existência como um
povo e como uma entidade política. Faltando documentos históricos,
a origem deste povo pode ser vislumbrada principalmente com os
recursos da lingüística.
Após
duas guerras, o imperador Trajano construiu uma ponte sobre Danúbio
e conquistou em 106 AD a Dácia, um país que correspondeu mais ou
menos com a Romênia ocidental de hoje. A teoria que foram os
colonos romanos os honráveis antepassados dos romenos teve sempre
muito apelo. Acontece que em 270 AD os Romanos já se retiraram da Dácia
por motivos estratégicos. Porém é duvidoso se uma população de
colonos, primeiramente vindos da Síria foram capazes num tempo tão
curto impor a sua língua num povo primitivo de montanhas. Os
Romanos não a impuseram na Bretanha onde ficaram por mais de cinco
séculos. Além de todo, núcleos importantes de sobrevivência da língua
romena situam-se no norte da Romênia que foi sofreu ocupação
romana. A influência da língua Latim não podia ser muito
profunda, sendo que palavras comuns á todas as outras línguas românicas,
tais como "amor", "carus" ou "sposa" têm
origem eslávica no romeno.
Surge
então a questão da identidade dos Dacos colonizados. Este povo
teve um estado, uma força militar já usada para apoiar Pompeu, e
reis conhecidos, tais como o último deles, Decebalus. A capital
deles, Sarmisegetuza, no oeste da Transilvania, virou capital da
província romana. Os antigos autores consideraram os Dacos um ramo
dos pouco-conhecidos Tracos da península balcânica. Existem poucas
palavras no Romeno que podem ser eventualmente identificadas como
dacicas. Estranhamente algumas destas palavras, principalmente
nomeando partes do corpo humano, são parecidas ao albanês, ou o
antigo illyrico. Este estrato lingüístico esta sendo identificado
com os povos pré-helênicos dos Bálcãs.
Uma
hipótese atraente considera que os dacos falavam mesmo um dialeto
pré-romano. Uma das supostas provas aparece na coluna de Trajano em
Roma que glorifica a vitória sobre os Dacos. Nas imagens
comandantes romanos são apresentados tratando diretamente com os
chefes dacos sem a presença de um intérprete. A figura de um intérprete
aparece sempre nos baixo-relevos romanos que ilustram contato com os
bárbaros. Mais importante é o fato que vários dialetos românicos,
parecidos ao Romeno moderno eram falados pela península balcânica
toda. Os mais numerosos eram e ainda são os Vlakhos ou "Arômenos"
da Macedônia e da Albânia. Outras línguas românicas são
extintas como o Dalmatiano e o Istrio-romeno. Portanto a hipótese
de um núcleo de falantes de um pré-romano na Dácia é também
possível.
Os
Vlakhos (do grego Βλαχοή) eram uma
etnia de pastores, um povo e uma língua identificada com um ramo de
atividade econômica. Obviamente este era uma herança Neolítica,
pré-histórica. Eles praticavam a chamada "transhumáncia”:
passando com os rebanhos o verão nos pastos das montanhas e
descendo nas planícies para passar o inverno. Este movimento rítmico
sazonal alcançava muitas vezes centenas de quilômetros,
constituindo um território habitado por um perene povo seminômade.
Os Vlakhos
eram centrados nas montanhas de Rhodope, os Balkans, os Cárpatos e na baixa Idade Média chegaram até os Besquides da Galícia
e da Moravia. Cedo a área da Romênia atual situada entre os Cárpatos
e o Danúbio recebeu o nome oficial de Valaquia.
Dos
casos em que os Vlakhos alcançaram uma entidade política, o mais
durável foi na área da antiga Dácia, a área que nos interessa
aqui. Esta área é definida pelo baixo Danúbio e seus principais
afluentes, tendo no meio em forma de cunha, o espigão dos Cárpatos.
Foi aqui que ocorreu a mistura dos Dacos, com os remanescentes dos
colonos romanos e com os pastores Vlakhos. Três províncias deste
país são definidas pela topografia: a Transilvania montanhosa
dentro da cunha dos Cárpatos, a Walachia ou Muntenia a ampla planície
entre os Cárpatos e o Danúbio, e a Moldavia ao leste dos Cárpatos,
transcorrida pelos afluentes do Danúbio, o Siret e o Prut. O Danúbio,
segundo maior rio da Europa, não serviu como artéria de comunicação
e de comércio, como outros rios, até tarde no século 18. Sendo
que ninguém podia atravessar os rápidos das “Portas de Ferro”
sem ser agredido, o rio servia somente de fronteira.
Exceto
o curto domínio romano este país que corresponde mais ou menos á
Romênia moderna, ficou por séculos além do "oecumene"
civilizado, uma terra fronteiriça sem dono definido. Seguindo uma
atrás das outras, todas as ondas de povos bárbaros, germânicos ou
turcicos, uns 12 pelo menos, passaram por aí. Seguros nos seus
redutos montanhosos durante os verões cheios de atividade militar,
os pastores Vlakhos sobreviveram, aventurando-se pelas planícies
somente durante os invernos pesados quando as hordas nômades eram
confinadas nos seus acampamentos. De todas esta ondas nômades, em
torno do fim do século nove um povo só, o dos Húngaros e seus
aliados ficou, e se afixou também na Transilvania..
Por
baixo do pano das diferentes etnias nômades ocorreu nos séculos
sete e 8 o avanço irresistível e pacífico dos eslavos. Sem travar
batalhas, sem marcar datas, os eslavos chegaram até o Peloponeso,
nos confins dos Bálcãs. Trata-se de um povo de agricultores que na
futura Romênia estabeleceria uma simbiose duradoura com o povo das
montanhas. Ao longo prazo os eslavos da Valaquia aceitaram o domínio
dos valentes chefes montanheses e assim contribuíram sua parte no léxico
Romeno. As palavras de origem eslava representaram cerca de 43% do léxico
inicial, especialmente designando objetos e práticas agrícolas.
O
povo das províncias Danubianas (Valaquia e Moldavia) aceitaram o
rito cristão ortodoxo grego na sua liturgia eslavonica e o alfabeto
cirílico. Este foi uma nova fonte de palavras eslavas na língua
romena. Os donos Húngaros da Transilvania acabaram por aceitar o
catolicismo romano, abrindo assim uma profunda e duradoura separação
entre os dois lados dos Cárpatos.
Ao
longo dos séculos seguintes a Transilvania permaneceu parte do
Sacro Império Alemão enquanto as duas províncias danubianas
ficaram na esfera Bizantina e depois a Otomana.
No
fim do século 13, após a última invasão bárbara, a dos Tártaros,
os Romenos dos dois principados começaram estabelecer os estados da
Valaquia e da Moldavia, dominados por lideres guerreiros chamados
"voevodas". Estes líderes nunca pegaram o título de reis
e foram sempre designados de príncipes. Com a melhora da segurança
nas planícies, as capitais dos principados trocaram as montanhas
por seus lugares abertos e definitivos. Na Valaquia ,de Curtea de
Argeş, para Târgovişte e finalmente para Bucarest. Na
Moldova, de Suceava para Jassy. Os príncipes tomaram parte ativa
nas lutas contra o avanço muçulmano. Assim eles participaram da
Cruzada de Nicopole e também na fatídica batalha em Kossovo Polje
quando os Sérvios foram derrotados pelos turcos.
Da
longa lista de príncipes Romenos somente dois chamaram a atenção
da atualidade internacional: Vlad Dracul (o Diabo) e seu filho Vlad
Ţepeş. Os dois eram famosos pela sua crueldade, e
costumavam empalar as suas vítimas. A história moderna do Conde drácula
baseia-se aparentemente na lembrança destes dois. Aliás, o
castelo de Bran, muito visitado hoje em dia pelos turistas, não é
o castelo do drácula. Ele foi construído pelos habitantes alemães
da Transilvania com a autorização do rei húngaro Ludovic d'Anjou
no século 14. Depois ele foi renovado em estilo kitsch para servir
de castelo de verão para a rainha Elena da Romênia nos anos 30 do
século passado.
Nos
principados danubianos se desenvolveu uma sociedade tipicamente
feudal, com uma classe de latifundiários nobres chamados de "boyars"
e uma classe de camponeses submissos. Mantive-se porém um considerável
numero de gente serrana de homens livres. Estes constituíam o núcleo
dos exércitos locais. Na Transilvania, sob o domínio húngaro, a
população romena foi praticamente escravizada, sem ser reconhecida
como uma "nação" e portanto sem uma representação na
dieta feudal provincial local. Varias rebeliões dos súditos
romenos da Transilvania foram violentamente derrotadas.
Os
principados perderam sua independência no início do século 16, após
a caída de Constantinopla, e viraram vassalos do Império Otomano.
Os príncipes locais permaneceram no poder em troco do pagamento de
um tributo anual pesado. Foi neste período que muitas palavras
turcas entraram no vocabulário romeno. O reino Húngaro por sua
parte foi aniquilado pelos Turcos transformando a Transilvania também
num principado semi-independente, vassalo dos Turcos. Os príncipes
da Transilvania eram Húngaros ou Polacos. Porém num efêmero
acontecimento histórico em 1600, um príncipe da Muntenia, Michael
o Valente, (Mihai Bravul) tomando poder nas três províncias
unidas, se proclamou rei na catedral da histórica capital da
Transilvania, Alba Iulia.
Num
tímido início de renascença no século 17, várias figuras do
alto clero romeno, tais como Coresi, Dosoftei e Miron Costin
imprimiram e publicaram as primeiras crônicas e obras literais em língua
romena ainda que em caracteres cirílicos. Costin proclamou em voz
alta a sua descendência romana: "Noi dela Rim ne tragem!"
(Somos
provenientes de Roma).
No
fim do século 17, a contra-ofensiva do Império Austríaco e a
expansão da Rússia moderna chegaram aos confins dos principados
romenos. O príncipe Cantemir da Moldavia, um personagem erudito,
membro de academias ocidentais, se aliou ao tsar Petro, e teve que
se refugiar na Rússia. Com menos sorte, seu parceiro da Muntenia, o
príncipe Brâncoveanu, levado para Istambul foi enforcado junto com
seus filhos.
Em
lugar deles, a corte otomana começou leiloar o posto de príncipes
para gregos ricos do bairro de Fanar em Istambul. Estes chamados
Fanariotas tinham além de coletar os pesados tributos devidos aos
donos, cuidar da própria bolsa. . Este foi o nadir da independência
romena. Aconteceu que um príncipe seja desentronado no mesmo ano
por um outro fanariota que ofereceu mais dinheiro pela posição.
Foi nesta época que se espalhou o uso do “bakshish” a bem
conhecida cultura levantina da propina.
Mas
com a chegada dos gregos ricos se desenvolveu na Romênia uma
burguesia citadina e nas capitais, em Bucharest e em Iassy, em torno
das cortes, formaram-se academias de letrados. Em geral uma influência
da cultura européia começou se fazer sentir. Na língua culta de
hoje existem muitas heranças desta influência grega.
Os
principados foram uma das principais bases da guerra de libertação
dos gregos em 1821. A população romena não apoiou este levante.
Até no ano revolucionário de 1848, o tom foi basicamente
anti-grego nas barricadas de Bucharest.
Na
Transilvania , de novo, a evolução foi diferente. Já o humanista
imperador Jose II reconheceu os romenos como uma nação quando
interpelou uma comitiva vinda de Transilvania: “Salve parva Romuli
nepos!” (Salve pobres netos de Romulo). Até hoje, três aldeias
comemoram este gesto: são apelidas Salva, Parva, Romuli e Nepos. A
revolução dos romenos na Transilvania em 1848 culminou com a
declaração de emancipação em Blaj, que dava direitos iguais aos
romenos. Em seguida houve uma participação ativa da população
romena na administração e na vida intelectual Austro-Húngara.
Nos
principados, repetidas ocupações militares russas, decorrentes das
guerras russo-turcas, levaram a uma mudança radical. Os turcos
foram forçados a aceitar de novo os boyars locais como príncipes.
Um deles, Alexandru Ion Cuza, foi eleito nos ambos principados e se
declarou em 1859 “Domn al României”.
Deposto
em 1866 ele foi seguido por um príncipe alemão da casa
Hohenzollern-Sigmaringen, o príncipe Carol I. Mesmo assim, a
independência dos Principados Unidos foi reconhecida e o país
virou um reino somente em 1878, após uma nova derrota turca numa
guerra onde um exército romeno já tinha participação também.
Enquanto
isso, a sorte das grandes concentrações de Vlakhos em Macedônia e
Albânia foi triste. Seguindo um progresso
remarcável, a principal
cidade deles em Moscopoli (Voscopoje) chegou a ter com mais 70,000
habitantes, a segunda maior cidade dos Bálcãs, após Istambul.
Tinham lá escolas, tipografias e até uma academia em língua “Aromena”.Porém
no fim dos anos 1790, Ali Pacha de Janina destruiu e quase nivelou
esta cidade, num típico genocídio balcânico. Em seguida, os Vlakhos
foram submetidos a perseguições, primeiramente pelos
gregos, que continuaram até no século 20. Muitos vlakhos emigraram
para a Romênia, e o remanescente deles hoje são umas dezenas de
milhares.
A
segunda metade do século 19 presenciou um vigoroso desenvolvimento
da cultura nacional romena. Em primeiro lugar, o alfabeto latim foi
aceito. Em segundo lugar os literatos desencadearam uma purificação
da língua. Muitas palavras eslavas foram marginalizadas, e
suplantados com palavras neo-latinas, principalmente provenientes do
Francês e do Italiano. Também a língua simples dos camponeses foi
enriquecida com muitos empréstimos neo-latinos. Em conseqüência,
a proporção das palavras eslavas caiu na língua moderna para um
mero 17% e as palavras latins chegaram a constituir mais de 70% do léxico.
A gramática foi também reconstruída seguindo o exemplo francês.
Com
a abertura do transporte fluvial no Danúbio, a Romênia se integrou
á economia européia, virando principal abastecedor de graus do
continente. Os latifúndios feudais viraram grandes empresas agrícolas
e o resultado foi uma selvagem exploração dos camponeses meiéros.
Em 1907 estourou um grande levante popular, que foi afogado em
sangue. Foi a última guerra de sem-terra da história da Europa.
O
reino romeno do Ferdinand I entrou na Primeira Guerra Mundial, em
1916, depois de muita hesitação, tomando o lado anti-alemão. Após
uma vitoriosa e efêmera ofensiva na Transilvania, o exercito romeno
foi derrotado e quase todo o país caiu sob a ocupação alemã. Em
troco, os aliados ocidentais foram muito generosos com a Romênia,
especialmente depois que tropas romenas ajudaram a derrotar a república
soviética da Hungria em 1919. Pelo tratado de paz de Trianon em
1920, o território da Romênia mais que dobrou, recebendo a
Transilvania e a Bucovina da Austro-Hungária, a Bessarabia da Rússia
e duas províncias da Bulgária. A nova Romênia Grande mostrou-se
uma benção mista. Mesmo após de reunir todos os romenos, eles
chagaram agora de constituir somente 70% da população, com grandes
minorias húngaras, alemães, ucranianos e judeus. Os mais de
500,000 judeus dos territórios novos receberam cidadania romena
somente no fim dos anos 20, após uma forte pressão da parte da
Liga das Nações. A racha cultural entre o povo da Transilvania
ocidentalizada e do Regat levantino foi interiorizada, porém não
foi esta resolvida.
Por
sua parte, os intelectuais romenos contribuíram a cultura francesa.
Basta mencionar alguns nomes do século passado, como a Princesa
Bibesco, Tristan Tzara, Panait Istrati, Eugene Ionesco, George
Enescu e Constantin Brancusi. Outros, emigrantes em Paris, com prévia
simpatia fascista foram Virgil Gheorghiu, Mircea Eliade e Emil
Cioran.
Os
anos 30 do século passado sob o reino do aventureiro Carol II,
foram anos de intenso desenvolvimento capitalista e de muita
modernização na Romênia. O rei tinha que enfrentar um poderoso
movimento popular fascista, a Legião do Arquanjo Micael, chamada
também de Guarda de Ferro. Este movimento fascista teve traços
originais romenos. Era religioso místico, hiper-nacionalista,
anti-semita e anti-burguês, no estilo dos velhos rebeldes
camponeses. O seu anti-semitismo não se baseava na teoria racial, e
era simplesmente um anti-semitismo popular ampliado ao extremo da
crueldade física. Mesmo que o legionarismo conquistou grandes
massas e muitos jovens intelectuais, o rei conseguiu se manter
instaurando com a ajuda dos militares sua própria ditadura real.
Até
o acordo de Munique, Romênia fazia parte com a Iugoslávia e a
Checoslovacia de uma tríplice aliança contra os poderes fascistas.
Nos termos do acordo Riebentrop-Molotov, a Romênia foi obrigada a
devolver Bessarabia para a Rússia soviética e o norte da
Transilvania, com a sua capital Cluj, para os húngaros.
Um
curto e sangrento pogrom pelos legionários que acompanhou uma
tentativa de golpe de estado, foi fracassado pelo exército e o
comandante dele, o Marechal Antonescu instituiu uma ditadura
militar. Enquanto a Romênia entrou na guerra como aliado dos alemães,
os próprios fascistas romenos foram e ficaram encarcerados. Uns dez
anos depois foram liberados pelos próprios comunistas.
A
Romênia recebeu de volta a Bessarabia e mais um pedaço russo, a
Transdnestria quando o seu exército se juntou á ofensiva alemã na
Rússia. Enquanto o exército romeno pagou um preço humano alto, e
contribuiu á derrota dos nazistas, o rei Mihai e o governo
Antonescu iniciaram discussões secretas com os aliados. Em conseqüência,
na noite e 23 agosto 1944, Romênia virou as armas contra os alemães,
num gesto parecido aos Italianos, abrindo caminho para o exercito
vermelho liberar a península Balcânica.
O
Holocausto dos judeus na Romênia teve suas dimensões especificas.
Enquanto os judeus da Transilvania de norte foram entregues pelos
ocupantes húngaros aos nazistas e exterminados. Os judeus da
Transilvania de sul, juntamente com a maioria dos judeus do Regat
sobreviveram pagando por todo dia da suas vidas. Os da Bessarabia,
Bukovina, e partes da Moldavia foram mandados para campos da
Transdnestria “romena”, onde dezenas de milhares morreram.
O
movimento comunista romeno era muito fraco. O único personagem de
âmbito internacional que produz, foi a Ana Pauker. O regime
comunista foi mesmo trazido para Romênia pelos tanques soviéticos,
e foi sempre visto como uma imposição. Os soviéticos praticaram
uma desenfreada exploração dos recursos da Romênia. A vida
cultural ficou estrangulada, e até teve uma tentativa de mudar a
ortografia romena para enfatizar o eslavo o componente latim da língua.
Sob
o regime soviético. A Romênia ganhou de volta a Transilvania de
norte, mas perdeu de novo a Bessarabia. Esta virou a república autônoma
Moldova, e a região se decretou um estado independente após a
queda da União Soviética. Hoje a Moldova é paradoxalmente um
segundo pais de língua romena.
O
regime comunista na Romênia não foi menos repressivo e cruel do
que nos outros países ocupados. Porém na Romênia não houve
grandes processos públicos, com dezenas de velhos comunistas
fuzilados. Num processo bastante suave Nicolaie Ceausescu virou
chefe no fim dos anos 60, e depois ditador único do país. Ele
aproveitou da conjuntura pós-stalinista, enfatizou a independência,
o nacionalismo e o anti-sovietismo, mesmo mantendo-se cuidadosamente
dentro da esfera soviética. Esta figura de déspota oriental
conseguiu com grandes planos e obras faraônicas empolgar uma boa
parte da população. Numa ação tipicamente venal, ele permitiu a
emigração de 300,000 judeus recebendo do exterior pagamento per
capita. Quando foi sumariamente julgado e fuzilado, não se tratou
de um levantamento popular como chegou a se acreditar no ocidente,
mas simplesmente um golpe por uma outra facção comunista.
Os
romenos em suma nunca foram uma nação marcada por grandes e heróicos
levantes populares e nem por épicas guerras de libertação
nacional. Por outro lado, nunca foram fanáticos e regimentados.
Eles sempre combinavam uma política de prudente submissão com um
bem calculado oportunismo,pregando sempre a prioridade da vida. Séculos
de domínio dos senhores otomanos ensinaram a eles de não confiar
nos políticos, sempre corruptos e indignos de confiança. O homem
pequeno tem que sobreviver driblando os governos inconfiáveis.
Neste ele são parecidos com outros irmãos latinos. Mais importante
de tudo, a velha cicatriz dos Cárpatos, que separa dois mundos de
cultura e de pensamento, a Transilvania e o velho Regat, tem que
desaparecer. A importante minoria húngara, de cerca dois milhões,
tem que ser integrada democraticamente.
Portanto
a Romênia é sem duvida o país europeu mais abençoado em riquezas
naturais. Neste velho celeiro da Europa, têm de tudo, do urano até
o petróleo, e de esturjões até os vinhos nobres. Porém o povo
encontra-se hoje em dia empobrecido e apático. Assim como foi
durante toda a história romena, não há de esperar por nenhuma
revolução, nem política e menos ainda econômica. Durante os
“15 anos perdidos” após a queda do Ceauşescu, se
sucederam vários governos da antiga “nomenklatura”
neo-comunista corrupta . Nesta hora, Romênia esta saindo da prostração,
e iniciando um lento progresso pragmático que cedo o tarde vai
leva-la para o seio da Comunidade Européia. Afinal, este é o lugar
natural e merecido por esta nação sofrida e tenaz, um dos mais
antigos povos autóctones da Europa.
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Um
elenco de palavras romenas
Cum
te cheamã?
Bunã
searã! La revedere! Sãnãtate! Nu se poate!
Om,
femeie, muiere , nepot, soacrã
Eu,
tu, meu, tãu, nostru, vostru, lor
Cald,
frig, bun, frumos
Foc,
fum, luminã
Alb,
negru, verde, roºu
Munte.
vale, lac, mare
Lup,
vulpe, urs, cerb, iepure
Vacã,
bou, taur, porc, caprã, gãinã
Lapte,
carne, pâine, fruct
Turmã,
olãrie, armã, barbã
Nota:
O elemento latim e menos manifesto nos verbos romenos.
O
ã e pronunciado como o segundo a em
`Copacabana`
O
º corresponde ao x português
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