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Por
JUCIREMA QUINTEIRO Professora
doutora do Centro de Ciências da Educação da Universidade
Federal de Santa Catarina e coordenadora do Grupo de Estudos e
Pesquisa sobre Infância, Educação e Escola GEPIEE |
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A
participação da criança como Tema Transversal do Currículo: um
desafio nas séries iniciais
Este
trabalho apresenta algumas reflexões e resultados de um projeto de
pesquisa que integra um convênio estabelecido entre duas
universidades, uma situada no Brasil e outra em Portugal, pautado no
tema transversal Ética/direitos sociais das crianças e
caracterizado por um intercâmbio cultural entre estudantes. Tal
projeto busca investigar, as possibilidades da participação da
criança nas suas dimensões política e pedagógica, nos primeiros
anos do ensino fundamental, a partir da análise das práticas
educativas realizadas e sua articulação com as representações
sobre os direitos sociais das crianças, visando tornar a escola um
espaço privilegiado da infância, nos nossos tempos. A metodologia
adotada para a orientação deste projeto é a investigação
participativa, num formato de estudo de caso, que acompanha e cria
as condições para que a participação da criança possa se
realizar. Teoricamente, tal projeto inspira-se nas perspectivas da
chamada Sociologia da Infância, na Psicologia Histórico Cultural e
nas teorias da Pedagogia Progressista. Dentre os resultados obtidos,
até o momento, enfatiza-se que, entre conformismos e resistências,
a participação da criança, estudante da escola pública, tem
caminhado par e passo com a do adulto, professor.
1.
Introdução
Na
realidade, tal projeto encontra-se em desenvolvimento desde 2000,
pautado na idéia da escola como lugar privilegiado da infância e
envolve 243 crianças matriculadas nas primeiras séries do ensino
fundamental e 20 professores de duas escolas localizadas na cidade
de Florianópolis/Brasil, sendo uma de caráter público e outra
associativo. Ressalta-se que o princípio da indissociabilidade
entre as atividades de pesquisa, ensino e extensão universitária
orienta o trabalho da equipe de pesquisadores brasileiros,
especialmente, a formação de professores da e na escola.
Todas
as ações aí desenvolvidas apresentam-se articuladas e
estruturadas a partir do: projeto
de ensino que visa contribuir na formação universitária do
professor e se realiza por meio do Estágio Docente nas Séries
Iniciais do Ensino Fundamental, tendo como estratégia didático-metodológica
veicular os direitos sociais constantes no ECA (Estatuto da Criança
e do Adolescente) junto as próprias crianças, e, ainda, discutir
sobre as forças que o negam e as formas de lutar pelos mesmos,
visando desenvolver sua capacidade de expressão, reflexão e crítica
mediante a difícil, porém, necessária articulação entre o
ensinar e o brincar no interior da escola. projetos
de pesquisa: um busca investigar as condições, possibilidades
e potencialidades da participação da criança nos primeiros anos
do ensino fundamental, tendo como objetivo específico a análise
das práticas educativas, entendidas como realizações interativas
- parcialmente convergentes e parcialmente conflituais – de crianças
e adultos e sua articulação com a construção de representações
sobre os direitos das crianças e com o exercício de práticas políticas
participativas no âmbito escolar. O outro, encontra-se vinculado a
este e busca conhecer "O que pensam, sentem, dizem, desenham e
escrevem as crianças" sobre as questões que lhe dizem
respeito na Contemporaneidade.
Finalmente, o projeto de
extensão, caracteriza-se por um Programa de Formação
Continuada junto aos professores que atuam (inicialmente do pré-escolar
até a oitava séries e a partir de 2004) de primeira a quarta séries,
e tem como objetivo a elaboração do Projeto Político Pedagógico
da escola pautado na promoção dos direitos sociais, mediante
participação direta dos sujeitos na construção de uma escola que
respeita a criança e a sua infância. Todas as ações
desenvolvidas têm como diretrizes fundamentais a participação
ativa de crianças e adultos, a democratização das relações de
poder e a humanização dos espaços e tempos escolares, favorecendo
seu uso pelos sujeitos aí envolvidos e, principalmente, a melhoria
da qualidade do ensino.
Certamente,
o fenômeno da participação da criança na escola, não é novo!
Constitui-se uma das mais reivindicadas dimensões do discurso pedagógico
da Modernidade. No entanto, o respeito à criança e à sua
participação na escola está longe de ser uma realidade contemporânea
mundial e nacional, já que a tomada de decisões por parte dos
estudantes no nível das políticas educacionais ou no nível da
organização pedagógica, não tem apoio explícito, tampouco,
encontra-se contemplado na cultura da escola.
Mesmo
em contextos escolares considerados inovadores, orientados pelos
princípios da chamada Pedagogia Ativa, o direito a participação
aparece reconhecido, ainda que de modo tutelado, apenas como um
direito das crianças matriculadas de quinta a oitava séries. Os
estudantes das séries iniciais do Ensino Fundamental, ainda, são
compreendidos como seres incompletos e imaturos, sobretudo, quando
se trata de exercitarem o direito a participação política. Neste
sentido, pode-se afirmar que a participação na escola é
didatizada e, portanto, banalizada, no interior das relações pedagógicas.
Salienta-se
que no Brasil, até o final da década de 80, nenhuma constituição
havia ainda se referido à direitos específicos da criança.
Historicamente, tais direitos aparecem relacionados e justificados
pelo Direito a Família e a Assistência. Neste âmbito, o conceito
de infância divide-se em "criança, para o filho do rico"
e "menor, para o filho do pobre". Não por acaso, somente
a partir da Constituição de 1988, pela primeira vez, se registra
os direitos específicos da criança. Logo depois, o Governo
brasileiro sancionou a Lei N° 8.069 de 13 de Julho de 1990, que
dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA e,
através do Decreto Legislativo N º 28 de 14 de setembro 1990,
aprovou o texto da Convenção sobre os Direitos da Criança - CDC,
adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em novembro de
1989.
Diante
disto, o direito à infância na escola, emerge como objeto desta
pesquisa a partir de um conjunto de observações, estudos e reflexões
a respeito das questões sobre a infância e dos dilemas que
envolvem o processo de democratização do ensino no Brasil que, em
última instância, coloca sobre a criança a responsabilidade pelo
fracasso da escola pública. Tal fenômeno evidencia-se na
"pedagogia da repetência", conseqüência do
autoritarismo que permeia a sociedade brasileira e que na escola
manifesta-se de modo a perseguir a "criança pobre".
A
crença de que a repetência possa ser um instrumento eficaz de
recuperação da aprendizagem, fortemente arraigada entre os
professores das escolas públicas brasileira, tem na prática
provocado uma perda anual de mais de 25% do total de crianças,
alunos matriculados no ensino fundamental. Entretanto, segundo Sérgio
Costa Ribeiro, "a probabilidade de
um aluno repetente ser aprovado é metade da de um aluno novo na série".
Resumidamente, pode-se evidenciar o caráter perverso desta crença,
principalmente, diante das características sócio-econômicos da
criança-multirrepetente que, freqüentemente, mora em casas precárias
e longe da escola. Como afirmou Maria Helena Souza Patto no Colóquio
sobre as Classes de Aceleração, realizado em 08/09/1997, na
PUC/SP, "há, sobretudo, uma profunda inimizade dos professores
por alunos e seus familiares, tidos como responsáveis pelas
dificuldades de ensino-aprendizagem. Responsabilização realizada
também por uma psicologia que naturaliza o social e que tem ido na
mesma direção do preconceito social contra os pobres, vistos como
'coisas" incapazes".(Colóquio sobre Programas de Classes
de Aceleração, 1998, p. 35).
Em
que pesem as razões freqüentemente alegadas pela maioria dos
professores de que os alunos “reprovam” por carências sociais e
"falta de base" e, ainda, de que a reprovação
constitui-se uma "sacudidela" para que o aluno possa se
tornar mais responsável no ano seguinte, o fenômeno da repetência,
neste país, é tão grave que tais justificativas parecem ser
insuficientes. Sabemos que os altos índices de repetência escolar
atingem todos os países periféricos, com incidência maior na América
Latina, sendo o Brasil, o país onde estes se apresentam como os
mais elevados, ao lado da Guatemala, da Bolívia e da Colômbia. Além
disto, os estudos recentes, indicam que a evasão não está,
primordialmente, vinculada às precárias condições de vida das
famílias dos escolares, mas, na maioria das vezes, trata-se de uma
conseqüência das sucessivas reprovações, manifestando-se,
principalmente, pelo abandono do ano letivo, nos últimos meses,
quando o aluno (a) percebe (sente) que não será aprovado.
(QUINTEIRO, 2004:163-164)
Observa-se,
pois, que a crença na repetência está mais associada à
indisciplina, à bagunça, ao não cumprimento das normas escolares,
à falta de higiene dos alunos, a preconceitos e, menos àquelas
vinculadas à aquisição de conhecimento. Isto reforça a tese de
que o fenômeno da repetência é uma "invenção" da
escola e, ao mesmo tempo, reitera a hipótese de que "o
autoritarismo que permeia esta sociedade manifesta-se na escola também
através de certa tendência a cultivar a reprovação, podendo ser
melhor observada - em especial - mediante os chamados Conselhos de
Classes, onde se decide a respeito da aprovação ou reprovação
dos alunos". (Paiva,
et. al., 1998, p.94).
Deste
modo, os objetivos deste trabalho são, por um lado, conhecer a
criança que está no aluno a partir da análise de suas representações
sociais, buscando vê-la e ouví-la a respeito de como pensa e
concebe o mundo e a escola a partir do exercício de práticas políticas
e pedagógicas de caráter participativo. Por outro lado, busca
contribuir no processo de formação do professor, tanto a universitária
como a continuada, objetivando o seu raio de leitura a respeito dos
limites e das possibilidades da escola como lugar da infância, nos
nossos tempos.
Isto
posto, algumas questões se colocam como orientadoras, tanto das
discussões teórico-metodológicas, quanto daquelas relativas aos
procedimentos didáticos utilizados no estágio: quais são os
elementos constitutivos da relação entre infância e escola? Quais
as finalidades da formação do professor para as séries iniciais?
Qual o "lugar" da infância no currículo escolar e na
formação do professor para as Séries Iniciais? Qual tem sido o
papel da escola pública na construção social da infância? Qual o
sentido da escola para a criança/aluno? É possível ensinar e
brincar sem didatizar o lúdico? Afinal, será que ainda é possível
sonhar com a idéia da infância na escola?
Teoricamente,
tal projeto inspira-se nas perspectivas da chamada Sociologia da Infância,
na Psicologia Histórico Cultural e nas teorias da Pedagogia
Progressista.
2.
A Metodologia e os Procedimentos Utilizados na Pesquisa Junto a
Criança na Escola
No
âmbito da sociologia da infância, o uso de metodologias e
procedimentos de pesquisa clássicos junto as crianças, tem sido
tematizados e problematizados no sentido de buscar adequa-las a este
sujeito emergente na pesquisa educacional e sociológica. As questões,
implicações e dificuldades encontradas neste campo vão desde “o
uso da imagem da criança”, o acesso a criança devido, entre
outros aspectos, ao tempo e espaço rígidos da escola, até, a criação
e adequação de instrumentos e estratégias. A pesquisa junto a
criança exige tempo e espaço mais alargados e criação de vínculos
de confiança e afetividade. A entrevista é um bom exemplo pois
criança não fala o que pensa e sabe a primeira vista ou visita do
pesquisador… (Cf. Quinteiro, 2002:37-42)
Isto
posto, a metodologia adotada é a pesquisa participativa de tipo
etnográfico, caracterizada pela intervenção direta na realidade,
inspirada nos pressupostos presentes, principalmente, em F.
Fernandes (1979 e 1980), Ezpeleta (1986); Sarmento (2000), Marli
André (1995), Sirota (2001) e Montandon (2001), Tragtenberg (1982).
Tal formato metodológico de estudo de caso, vem sendo articulado ao
buscar observar, acompanhar e possibilitar a criação de processos
de participação dos alunos em decisões curriculares que incidem
no planejamento, na organização e no desenvolvimento de atividades
de pesquisa e aprendizagem em temas transversais e, ainda, na avaliação.
Cabe
ressaltar que, no tête-a-tête da pesquisa, o que mais salta aos
olhos é a “resistência” dos adultos/professores em discutir as
questões que emergem das práticas realizadas junto e com as crianças
ou, ainda, comprometer-se com outras questões de natureza
formativa. Nos debates e embates produzidos por tais princípios e
pressupostos travados no interior das relações estabelecidas no
cotidiano escolar o professor demonstra a sua condição de
trabalhador precarizado e penalizado por sucessivos governos
autodenominados de democráticos. Mudar o paradigma do currículo
para recriar a organização e prática pedagógica centrado no
respeito mútuo e reorientar planos e ações escolares – tem sido
um campo de tensões e conflitos.
Constata-se
que a natureza, o nível e o grau de participação das crianças na
escola relacionam-se diretamente às condições materiais e sociais
dos sujeitos que interagem com as crianças. As técnicas e
procedimentos de investigação compreendem o registro (escrito e de
imagem – desenhos e fotografias), a observação participante e
entrevistas semi-estruturadas, individuais e coletivas com as crianças
e adultos das escolas, e, ainda, a produção das crianças no âmbito
das correspondências. A construção de materiais pedagógicos
co-construídos pelas crianças e a produção de um kit pedagógico
sobre pedagogia participativa, constituem-se como produtos comunicáveis
deste projeto.
3.
A Participação da Criança na Escola, Estudante das Séries
Iniciais do Ensino Fundamental
O
Estágio nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, realizado por
meio da Disciplina Prática de Ensino da Escola de Ensino
Fundamental: Séries Iniciais, oferecida aos estudantes do curso de
Pedagogia da Universidade Federal de Santa Catarina, é aqui
concebido como processo de formação pedagógica específico e
campo privilegiado da pesquisa educacional, da pesquisa sobre a infância.
Este projeto em desenvolvimento junto às crianças, estudantes dos
anos iniciais do ensino fundamental, desde o primeiro semestre de
2000, na “Escola do Porto”, é pautado em atividades pedagógicas
que propiciam a "participação da criança no seu próprio
processo formativo" e tem como objetivo fundamental valorizar a
infância no interior da escola pública, assumindo como
pressupostos teórico metodológico o respeito a criança como um
sujeito histórico e de direitos e a escola como um lugar
privilegiado da infância na Contemporaneidade.
Diante
disso, faz-se necessário, também, redirecionar, não só a
organização do ensino universitário, como também a formação
continuada de professores no sentido de considerar a criança na
perspectiva proposta.
Assim
sendo, definiu-se como temas mobilizadores das atividades pedagógicas
e de formação política: o "Mutirão para a construção do
Parquinho" e as "Eleições Municipais para Prefeito da
Cidade de Florianópolis-2004". Visando qualificar a participação
das crianças, buscou-se diagnosticar o grau e o nível de apropriação
simbólica das mesmas, tendo por base as seguintes questões: o que
a criança sabe sobre tais temas? Como ela participa (vem
participando) destes processos de socialização? Afinal, o que ela
pensa sobre estes processos políticos e sociais e quem elegeria
para prefeito se pudesse votar.
Um
outro desafio posto pela pesquisa – a fim de fazer emergir a
participação das crianças na escola e, ainda, analisar as
representações sociais destes sujeitos – estava em estabelecer
uma correspondência, um intercâmbio internacional entre Brasil /
Portugal. Assim, foram desencadeadas inúmeras ações que
abrangeram desde encontros, estudos entre professores das escolas
envolvidas, professores e estudantes universitários, até a formulação
e realização de projetos de ensino que contemplaram, não apenas
os conteúdos específicos da língua portuguesa, mas principalmente
a situação-problema apresentada: como realizar um intercâmbio
cultural configurado fundamentalmente pela participação efetiva
das crianças?
Para
a realização dessas atividades foram desencadeadas as seguintes ações:
-
Leituras
e debates sobre a bibliografia de apoio;
-
Levantamento
da bibliografia sobre: literatura infantil, livros didáticos
referentes principalmente ao ensino dos direitos humanos e das
crianças; documentos oficiais e legislação a respeito do
ensino fundamental e dos direitos da criança; dissertações e
teses; textos teóricos; filmes; artigos de jornais etc;
-
Observação
participativa na escola pelas estudantes universitárias visando
as relações entre infância e escola a partir do ver, ouvir,
indagar e registrar, imagens e falas das crianças com objetivo
de conceber e definir projetos de ensino, junto às crianças;
-
O
pleito eleitoral de 2004 foi utilizado como mais um mecanismo de
participação das crianças na escola. Foi desencadeado um
processo de eleição para Prefeito da Cidade pelas próprias
crianças, com a orientação e acompanhamento dos adultos
envolvidos no projeto. Tais situações tiveram a participação
efetiva das crianças em todas as etapas do processo de eleição,
desde a busca de conhecimento sobre as propostas de cada
candidato, a elaboração do título de eleitor, a confecção
das cédulas, a composição da mesa de votação, até a
orientação aos eleitores e fiscalização da votação. Cada
criança assumiu a função definida e destinada coletivamente,
com o apoio de urnas, eletrônicas e convencionais, cedidas pelo
Tribunal Regional Eleitoral. A apuração dos votos foi
realizada pelas estagiárias e crianças envolvidas e o
resultado final afixado no mural da escola. Também foi feita
uma avaliação junto aos participantes do pleito, com destaque
para a opinião das crianças.
-
Participação
na elaboração e realização das atividades referentes à
Semana da Criança, que, dentre outras atividades, abrangeu:
visita das crianças da primeira série à “Escola do Riso”;
realização de um Pic-nic coletivo e brincadeiras em uma área
pública próxima à “Escola do Porto”; apresentação de
atividades musicais por parte das crianças, denominada de
“Show de Talentos”.
-
Docência
em sala de aula com tema central A construção do Parquinho na
Escola do Porto! A temática foi desenvolvida a partir de um
"Dossiê Pedagógico",
tendo como objetivos apresentar para as crianças uma
retrospectiva do projeto de ensino Os direitos sociais das crianças
como estratégia didático-metodológica realizado ao longo de
seis anos na “Escola do Porto”, buscando avaliar o nível e
grau de apropriação simbólica das crianças acerca da sua
constituição como sujeito histórico e, também, contribuir no
processo de elaboração, planejamento e decisões que envolvam
a sua própria formação humana. Assim, por meio de um projeto
de ensino coletivo, que garantisse as especificidades de cada
turma e série, deu-se destaque à participação das crianças,
tanto no processo de eleição dos brinquedos para “o
parquinho”, como na elaboração de suas produções simbólicas.
Tendo por base tais produções, foi elaborado um projeto
arquitetônico que contemplou, na medida das exigências de
segurança, o que foi proposto pelas crianças. Este mesmo
projeto foi amplamente discutido pelas crianças, pais,
professores e estagiárias.
-
Elaboração
de um relatório de estágio e de um texto analítico sobre o
processo de formação realizado.
-
Comunicação
dos resultados obtidos no estágio através da participação
das estudantes e professoras no Seminário Cadê a criança que
está no aluno?, promovido pelo Centro de Ciências da Educação
da Universidade Federal de Santa Catarina, em dezembro de 2004.
Se
num primeiro momento coube enfrentar junto as estagiárias e crianças
as dificuldades de natureza metodológica sentidas no intercâmbio
cultural entre Brasil e Portugal, no segundo, coube dar continuidade
ao processo participativo mediante a escolha, pelos próprios
professores da escola, de um dos projetos de ensino acima citados e
exercitar na prática, de modo coerente e sistemático, a coerência
nos princípios da participação direta como estratégia de
instruir e instigar as crianças para a realização dos seus
direitos e necessidades na escola, com ênfase numa das mais antigas
reivindicações das crianças expressa na “construção de um
parquinho na escola”.
Todas
as 243 crianças envolvidas nesta pesquisa são estudantes de 1ª a
4ª séries do Ensino Fundamental – crianças marcadas
historicamente por sua época; socialmente por sua estrutura
familiar, etnia, religião, classe social, gênero; que, recorrendo
às suas experiências e mostrando apropriação dos conhecimentos
ali postos, produzem cultura na medida em que re-constroem
significados, dão significação e expressam-se de forma autônoma
e autoral, além de serem consumidoras críticas da cultura
circundante. Por meio de intensa pluralidade de linguagens, a criança
não só apresenta sua visão de mundo, mas a materializa. Ela
produz cultura porque estabelece relações em seu processo de
produzir-se humana, isto é, a produção de sua própria existência
desencadeia a produção cultural da criança. É com esta criança
– alguém diferente de nós, professores-pesquisadores-adultos –
que estabelecemos trocas, ouvimos, falamos, aprendemos e ensinamos.
Para
compreender as relações entre criança/escola, criança/ensino é
preciso entender, basicamente, que estas se alicerçam na apropriação
– a criança é alguém que se apropria da cultura e, assim, esta
passa a “fazer parte dela”, ao mesmo tempo em que passa a ter
também possibilidades de produção cultural. De acordo com
Leontiev (1978, p.180), a apropriação “é processo pelo qual o
homem atinge no seu desenvolvimento o que é atingido, no animal,
pela hereditariedade, isto é, a encarnação nas propriedades do
indivíduo das aquisições do desenvolvimento da espécie”.
Portanto, ao se apropriar da experiência humana das gerações
passadas, à criança se abre um leque de possibilidades de humanização
jamais vistas. (Cf. Quinteiro, J. et. al, 2005:09)
Fundamentalmente,
sob a dimensão pedagógica da participação, a criança deixa de
ser simplesmente destinatária do conhecimento, já que é a
participação que possibilita dar significação à sua
aprendizagem. A partir daí, dão-se todos os desdobramentos das
culturas da infância – compostas por formas diferentes, processos
diversos de construção de significados, por meios variados de
utilização da linguagem, no sentido alargado da cultura.
As
crianças apreendem com muita facilidade os ensinamentos e não
esquecem, cobram permanentemente a coerência dos adultos
professores, pesquisadores e estagiárias. Os ensinamentos de noções
e conceitos sobre os direitos sociais destinados a educação, ao
respeito mútuo, a uma escola “boa e prazerosa”, ao brincar
etc., ao longo destes seis anos, levaram as crianças a planejarem e
organizarem uma variedade de ações traduzidas numa acirrada
reivindicação pela “construção de um parquinho na escola”.
No âmbito do projeto, isto acabou transformando-se numa dívida
social e ética para com estas crianças.
Faz-se
necessário inovar, reinventar e renovar pedagogicamente a escola de
Ensino Fundamental de forma a romper com algumas estruturas
disciplinadoras e homogeneizantes que dificultam a participação
como categoria real de partilha de poder entre adulto/ criança.
3.1.
Rever a formação universitária e continuada do professor é uma
exigência…
Para
a equipe de pesquisadores do PIAP, o grande desafio é realmente,
retomar a cada novo ano as várias atividades em desenvolvimento nas
escolas, enfrentando as dificuldades já conhecidas, especialmente
na escola pública, como a rotatividade dos professores temporários,
a dificuldade de conquistar um espaço no calendário oficial da
Secretaria Estadual de Educação para a formação pedagógica dos
professores e as dificuldades das professoras em adequar seus
planejamentos de ensino aos pressupostos de uma escola progressista,
como escreveu Snyders. Assim, as atividades propostas buscaram
oportunizar condições para a reflexão e superação destas
dificuldades, com objetivos de privilegiar a discussão sobre os
quatro aspectos definidos como prioritários nas reuniões de formação
e pesquisa: a natureza da participação das crianças no seu próprio
processo formativo; a humanização dos espaços e tempos escolares,
as chamadas dificuldades de aprendizagem das crianças e o
planejamento participativo das atividades de ensino, estudos e
atividades escolares em geral.
Defende-se
uma estratégia de formação capaz de ampliar e complexificar a visão
de mundo, de criança e de infância do professor e demais
trabalhadores da escola. Busca-se superar aquela visão centrada
unicamente nos aspectos técnico-instrumentais, no livro didático,
no exercício mecânico ou no utilitarismo do conhecimento escolar.
O desafio é grande na medida em que a formação deve ter como
base, não somente a trajetória de vida do professor, mas também,
suas necessidades, anseios e dúvidas e, ao mesmo tempo, não trazer
respostas prontas, externas, modas e modelos a serem copiados,
encarando “o passado” como “uma roupa que não nos cabe
mais”. Trata-se de incorporar novas possibilidades e superar os
limites do senso comum, sem jogá-lo fora. Considerando o cotidiano
e deixando de ser imediatista e servil, a formação passa a ser
entendida numa perspectiva mais alargada: um professor com experiências
mais variadas, plural, terá, também, maior possibilidade de
oferecer / favorecer experiências diversas às crianças com as
quais convive.
Assim,
a formação de professores neste projeto vem sendo prioritariamente
focada nas discussões acerca das relações entre educação, infância,
escola e arte, sempre buscando construir bases para uma cultura
escolar renovada, não monológica. A estruturação geral tem se
dado em torno dos conceitos de tempo, espaço, cultura, identidade,
autonomia e participação, em diálogo, com os pressupostos teóricos
da Sociologia, História, Psicologia, Pedagogia e Arte.
3.2.
A participação dos pais e comunidade é uma necessidade…
Vale
ressaltar que a natureza da participação dos pais na “Escola do
Porto” possui características bastante singulares e, portanto,
distintas das da “Escola do Riso”, devido principalmente à
configuração histórica de ambas. Os encontros com os pais das
crianças dessas escolas têm sido pedagógicos e esclarecedores
sobre as possibilidades e dificuldades encontradas nas relações
existentes entre educação, infância e escola, e particularmente,
sobre a relação escola e família.
No
que se refere à “construção do parquinho” na “Escola do
Porto”, os pais mostraram-se interessados e motivados a colaborar
com a proposta do projeto, já que tanto a maioria dos adultos que
trabalham nessa escola como as autoridades governamentais não vêm
tomando atitudes efetivas na direção da defesa dos direitos e
propostas das crianças. Entretanto, tal processo de "construção
do parquinho" parece indicar elementos que permitem entender os
mundos sociais e culturais destas crianças. Dentre as questões que
vimos observando, duas saltam a vista: por que a escola demora tanto
tempo para construir um parquinho, demandado legitimamente por
estudantes e pais? Como responder as perguntas colocadas pelas crianças
diante da demora da “construção do parquinho”?
Sinteticamente,
os dados empíricos desta pesquisa indicam, até o momento, que o
verbo participar, tal qual na sociedade, parece não estar sendo
conjugado de modo efetivo na escola, pois, participar neste contexto
parece ser o oposto de “ficar parado”. Participar limita-se a
“mexer-se com bons modos” – levantar o dedo para perguntar,
para ir ao banheiro, ir ao quadro, ajudar a professora, obedecer as
regras etc. Neste sentido, a escola escancara seu potencial de
reprodutora da ideologia dominante quando imprime na cultura da escola a lei do “manda quem pode, obedece quem tem
juízo”. Assim, a participação da criança ainda requer,
sobretudo, uma mudança tanto estrutural como cultural da escola.
4.
O Direito à Infância na Escola: Análise Preliminar
A
participação da criança na escola exige não apenas uma revisão
radical dos pressupostos filosóficos e ideológicos que orientam
esta organização social, mas também, requer uma análise da criança
concreta; para considerar a complexidade de sua ação, bem como
suas representações como um sujeito histórico e de direitos, que,
ao se socializar, apropria-se do conhecimento e valores existentes,
ao mesmo tempo em que os reinterpreta materializando-os
culturalmente.
Ciente
de que o fenômeno do fracasso escolar não é uma conseqüência
necessária da democratização e, de que o nível de riqueza social
e sua distribuição são determinantes da escola e do
aproveitamento que podemos ter desta, é que acredito na função
histórica da escola, na sua potencialidade emancipadora.
Considerando o proposto e principalmente as expectativas
manifestadas pelas crianças, estudantes do ensino fundamental,
faz-se necessário mudar a escola tanto na sua essência quanto na
sua aparência, abordando tal fenômeno sob outros parâmetros.
Um
primeiro, exige uma ética que valorize os aspectos sociais e políticos
da relação infância e escola, pois, "educar e ensinar, é
colocar alguém em presença de certos elementos da cultura a fim de
que ele deles se nutra, que ele os incorpore à sua substância, que
ele construa a sua identidade intelectual e pessoal em função
deles". Ora, tal projeto repousa necessariamente sobre uma
concepção seletiva e normativa da cultura, no sentido de
"mundo humanamente construído, mundo das instituições e dos
signos no qual, desde a origem, se banha todo indivíduo". (Forquin,
1993, p.167-168)
Neste
sentido, a escola é também, "um mundo social, que tem suas
características e vida próprias, seus ritmos e seus ritos, sua
linguagem, seu imaginário, seus modos próprios de regulação e de
transgressão, seu regime próprio de produção e gestão de símbolos.
E esta cultura da escola (no sentido em que se pode também falar da
cultura da oficina ou da cultura da prisão) não deve ser
confundida tampouco com o que se entende por cultura escolar, que se
pode definir como um conjunto de conteúdos cognitivos e simbólicos
que, selecionados, organizados, normalizados, rotinizados, sob o
efeito de imperativos de didatização, constituem habitualmente o
objeto de uma transmissão deliberada no contexto das escolas".
(Forquin, 1993, p.167) (grifo do autor)
Garantir
o acesso a este direito sobre a cultura escolar impõe uma outra
reflexão a respeito da escola ser ainda, "um lugar específico
(...) pois, somente aqui se obtém respostas a questões que não
seriam jamais colocadas em outros lugares. Aqui a herança da experiência
humana é comunicada sob a forma mais 'universal' possível isto é,
também a menos "concreta" a menos pertinente em relação
às interrogações pontuais, aleatórias ou rotineiras suscitados
pelas situações triviais da vida". (Forquin, 1993, p.169)
(grifo meu).
Tendo
a escola um papel particular e ao mesmo tempo fundamental a
desempenhar na história da sociedade contemporânea,
consequentemente as relações sociais aí estabelecidas, devem ser
também, redefinidas. Nesta perspectiva, um segundo parâmetro
volta-se à superação do tipo de relação de poder que se
estabelece entre a professora e o (a) aluno (a), que vem se
caracterizando por uma cultura responsável pela expulsão de
milhares de crianças, pois, "fundada em mitos, preconceitos, hábitos
rotineiros, segregadores – efim, crenças travestidas de
conhecimentos científicos. É comum no discurso das professoras o
argumento de que as crianças não aprendem porque são pobres,
sujas, desnutridas, imaturas, negros, nordestinos, não aprendem
porque seus pais são analfabetos, alcoólatras, e as mães
trabalham fora". (Moysés e Collares, 1993, p.12).
Este
conjunto de valores e crenças revela o caráter marcadamente ideológico
das representações que a professora tem sobre as crianças, alunos
do ensino fundamental manifestando, entre outros aspectos, uma
concepção idealista e ingênua de criança, que por sua vez
influencia e caracteriza a prática pedagógica.
De
todos os resultados alcançados, talvez o mais contundente tenha
sido a tomada de posição por parte dos professores da escola pública,
numa espécie de reunião de “conselho de classe”, ao avaliarem
as crianças, de optar pelo investimento nestas, respeitando seus próprios
ritmos, encarando as dificuldades vividas durante o ano e,
sobretudo, entendendo que a reprovação, do modo como vinha sendo
praticada e valorizada, torna-se uma forma a mais de discriminação,
segregação e eliminação produzida historicamente e que pode ser
compreendida e superada.
Apesar
das manifestações de resistências, percebeu-se um esforço por
parte de alguns professores em avançar nas discussões e elaboração
do Projeto Político Pedagógico da Escola e de adequar seus planos
de ensino aos objetivos propostos pela pesquisa e demais atividades,
criando mecanismos acessíveis para promover a participação das
crianças na escola.
Destaca-se
que nas duas escolas investigadas, a participação da criança
ganhou destaque no que tange ao planejamento das atividades das
professoras de primeira a quarta séries do Ensino Fundamental,
quando todas assumiram o desafio de planejar exercitar uma Semana da
Criança-2003 de modo diferente do tradicional, elegendo, por meio
do voto direto das próprias crianças, aquilo que seria realizado
na escola.
Em
2004, esta atividade foi avaliada e redimensionada resultando numa
Semana da Criança, em ambas as escolas, planejada com as crianças,
a partir de seus interesses, juntando-os aos interesses das escolas.
Haveria atividades para, com e entre crianças. Foi uma oportunidade
concreta de exercitar a escuta, entendendo que “querer” não é
sinônimo de “ser atendido em seus desejos...”. O verbo negociar
foi conjugado apesar das dificuldades. Conhecer o que querem as
crianças serviu, neste momento, para instrumentalizar as resoluções
tomadas pelos adultos – no futuro, a proposta é ter as crianças,
junto, nas tomadas de decisão. A idéia é que a “Semana da Criança”
seja defendida nestas escolas como espaços privilegiados de
participação de meninos e meninas, dando mais visibilidade a esta
proposição e mais coerência ao projeto em desenvolvimento.
Na
perspectiva de divulgar alguns aspectos da História do Brasil e,
sobretudo, identificar-se e interagir como parte integrante desta
cultura mais ampla, as professoras da escola pública envolvida, em
2003, decidiram pesquisar e conhecer a cultura portuguesa, em
especial a açoriana, que é a base da colonização no litoral de
Santa Catarina. Assim, diferentes facetas culturais, como artes plásticas,
música, artesanato, moda, arquitetura, culinária, jogos e
brincadeiras foram pesquisados com e pelas crianças, deflagrando um
desfile para a comunidade destas diversas expressões. O resultado
sensibilizou a comunidade, deu visibilidade de que algo diferente
estava acontecendo, e, principalmente, mobilizou as crianças para
uma participação efetiva.
Se
o desfile cultural foi, de forma geral, positivo, o mesmo não
aconteceu com as primeiras correspondências das crianças
brasileiras para as portuguesas. Guardadas as especificidades, tanto
as cartas da “Escola do Porto”, como as da “Escola do Riso”,
a despeito de todas as reflexões realizadas até então com a
equipe sobre arte, alteridade, identidade cultural, autoria etc.,
tiveram suas maiores dificuldades centradas na superação de estereótipos
e preconceitos, assim como na “infantilização estética” das
manifestações das crianças e, sobretudo, na ruptura com o modelo.
Foi muito difícil que as primeiras cartas escritas e enviadas
rompessem com essa lógica tradicional e transbordassem em autoria,
o que nos faz questionar a estratégia utilizada, uma vez que a
correspondência não foi pensada para ser um “evento”, mas
resultado de um processo; a tradução concreta de um projeto de
pesquisa objetivando o estudo comparativo entre duas culturas.
Analisá-las
criticamente, em sua forma e conteúdo, assim como pensar em
diferentes formas de garantir o fluxo de escrita / resposta das
cartas – levando em conta o período letivo desencontrado e o número
desigual de crianças lá e cá – tem sido mais uma questão desta
pesquisa e tem, sobretudo, ajudado a perceber o nível e grau da
participação de meninos e meninas nas escolas envolvidas.
Desse
modo, a efetivação da construção de um Parquinho, a eleição
para Prefeito da Cidade, a atenção nos conteúdos expressos nas
cartas enviadas e recebidas, bem como, na participação da criança
na escola por meio do intercâmbio cultural entre Brasil e Portugal,
vem compondo o eixo do conjunto das atividades realizadas pela
equipe brasileira de pesquisadores e pelas estudantes universitárias
especificamente junto às crianças, professores e pais/comunidade
nas escolas.
Resumidamente,
entre conformismos e resistências, a participação da criança tem
alcançado a medida da do adulto - um trabalhador alienado, que já
perdeu sua alma e identidade de professor entre um governo e outro.
Apesar da aparente indiferença da maioria dos adultos da escola,
permanece o desejo de ver construído um espaço físico adequado
que atenda às necessidades oriundas do processo de formação político,
pedagógico e cultural de todos e, ainda, atender mais uma demanda
legítima da “comunidade” que é a de efetivar o Projeto de
Alfabetização de mães, pais, funcionários e demais pessoas, como
meio de qualificar a sua participação na sociedade e melhorar as
condições de vida das crianças.
5.
Conclusão
Entretanto,
apesar de estarmos investigando junto às escolas e às crianças um
tema transversal existente no currículo brasileiro denominado Ética/Direitos
sociais das crianças, na realidade, atingir os objetivos acima
colocados não têm se mostrado uma tarefa fácil dada a formação
cultural, social e política da sociedade brasileira. Isto
certamente tem reflexo na escola.
Os
resultados obtidos até o momento indicam que a natureza, o nível e
o grau de participação das crianças na escola relacionam-se
diretamente às condições materiais, sociais dos sujeitos que
realizam e desenvolvem relações e interações com as crianças, o
que implica redirecionar, não só a prática pedagógica escolar,
mas também, organização do ensino universitário e a formação
continuada de professores no sentido de considerar a criança como
sujeito histórico e de direitos. Uma vez que o professor é o
agente central na concepção e promoção de estratégias e ações
que possibilitem a participação das crianças nas escolas, tanto a
formação universitária como a continuada é considerada por este
projeto como um investimento na criança e possibilidade de melhoria
de suas condições de trabalho, contribuindo com o enfrentamento e
superação das dificuldades cotidianas.
Finalmente,
a idéia da infância na escola vincula-se a idéia de uma sociedade
justa e democrática orientada por uma educação contra a barbárie
e isto exige uma ética social e uma política educacional que
valorize o professor através de salários justos e dignos, e
principalmente, que ofereça as condições para uma formação crítica
e para trabalhar com a criança enquanto sujeito das relações
sociais concretas - sem preconceitos, sem juízos prévios, nem
manifestações verbais que possam subtrair sua dignidade pessoal.
Reorganizar o tempo e o espaço escolares no sentido não apenas de
garantir o acesso, mas principalmente, transformar a escola em um
lugar agradável, onde a criança goste de ir e permanecer não só
por "dever", mas também, porque encontra-se mobilizado
para participar do seu próprio processo formativo. Este, parece ser
o desafio do presente!
6.
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