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Por
JOSÉ MARIO ANGELI
Prof.
de Filosofia Política da UEL e Doutor pela Pontificia Università
Sancto Thomas d´Aquinate, Roma, Italia, com a tese "Questão
meridional e americanismo e fordismo de Gramsci" |
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E
agora PT?
Vivencia-se,
a partir do X Encontro do PT, a sua deteriorização. Reiteradas
vezes a tradição escolástica predominou reafirmando no discurso
interno, seja mais a esquerda ou mais a direita, que a crise vivida
era de comportamento dos indivíduos
e não da ideologia, propriamente dita, do Partido. O que
nesses anos tem-se assistido é um processo desestruturante que corrói,
à vista de todos, os fundamentos políticos da militância.
Quando
se formou o Partido, herdou-se um capital político formado nas
comunidades de base, no movimento sindical e nos dissidentes das
organizações de esquerda, aglutinados ao redor do movimento de São
Bernardo, essa energia que estava dispersa. A palavra de ordem
naquele momento era que “o movimento social vitaliza o Partido”,
assim era inconcebível que o militante não tivesse um vínculo com
o movimento social, pois ele impulsiona extrai a vitalidade necessária
para o Partido.
Acontece
que o Partido mudou e a sociedade em que ele atua também mudou. O
movimento social se esgotou e o destino incantuou os militantes, não
promovendo as transformações desejadas, mesmo tendo acesso ao
poder maior, com a chegada de Lula à presidência da República, o
abandono de projeto e práticas generosas deu lugar aos apetites
mesquinhos. Parte da militância vagou impotente e aderiu
marginalmente às campanhas eleitorais. Quando a “carta aos
brasileiros” traduz de forma sutil a adesão ao plano das
elites, à esquerda, comprometida com um projeto nada seu, restava
agarrar-se ao poder.
Em
um Partido construído com ideais, a combinação de impotência e
de poder, foi fatal. O Partido democrático e socialista sucumbiu,
foi remetido para um terreno mítico, distante onde, para se chegar
devia-se passar pelo lodaçal dos profissionais da política mais
abjeta.
Qual
teria sido o erro? Um deles parece não ter tido aberto suas contas
e de seus candidatos, de ter pedido aos demais candidatos que
fizessem o mesmo para que a opinião pública conhecesse os
financiadores de cada candidato do Partido. Ora, porque isto não
aconteceu? Porque a cúpula do Partido seguia o mesmo exemplo
instituído na sociedade pelos outros partidos, de deixarem as
contas na escuridão, quanto menos se sabem, tanto melhor. Então,
parece que a cúpula do Partido não é inocente quanto não fez
essa prática administrativa, mas muito menos o sistema de poder que
governa o Partido, com apoio das bases, do grupo hegemônico. Boa
parte do que resta delas está cooptada, até porque grandes ambições
alimentam pequenas ambições, empregos mais altos geram empregos
para quem está embaixo.
Assim,
formou-se uma rede de interesses materiais e de poder impermeável
ao debate de idéias, transformando em caricaturas. O problema agora
se agrava com a crise que se instaurou na cúpula partidária.
Chegam a falar de refundação do Partido. Isto é,
resgatar os antigos valores.
A
saída da cúpula partidária não garante que ela deixará de
gerenciar o condomínio de ambições que perpassa o Partido. Este
que incorporou um contingente enorme no interior do Partido, sem se
quer saber das origens dessas pessoas, seus compromissos éticos e
políticos, alguns profundamente duvidosos, além do mais essa geração
que se beneficiou do poder, se quer lutou e já foi derrotada.
A
impressão que se tem é que o PT poderá permanecer cambaleante
enquanto muitos irão embora sem levar uma visão de mundo que os
ajude a viver com dignidade e esperança. Não há solução para a
crise do PT sem passar por uma solução moral, que é a recuperação
da ética da militância, e por uma solução política que o
restabelecimento de uma visão de mundo compartilhada, que devolva
os fundamentos comuns: expurgar os indícios de corrupção,
retornar ao trabalho de base e de formação política, abraçar as
razões e os princípios que nortearam a fundação do Partido.
Lamentavelmente,
o grupo majoritário não soube construir uma hegemonia ou a oposição
interna fez “vistas grossas” a tudo aquilo que aconteceu
no Partido, se isto for verdadeiro será muito difícil “recomeçar”,
até porque isto implica também no dever do governo de recomeçar,
isto é uma mudança de rota apresentando mesmo que tardiamente um
projeto para o país. Estaria
ele disposto a fazer isso?
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