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Por AKIRA
KIBI
Akira
Kibi é médico na cidade de Kobe, ao sul de Tóquio. Ele é um
ardente pacifista, admirador da natureza, e participante da vida
da sua comunidade na cidadezinha de Suita. É membro de vários fóruns
na região de Osaka em que se discutem maneiras de avançar a
causa da paz e da compreensão entre os povos. Já foi premiado várias
vezes em concursos de discursos bilingües regionais e nacionais,
e viaja a outros países sempre que tem a oportunidade, para
conhecer de perto as pessoas, e saber quais são os seus problemas
e sonhos. |
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Uma
brisa de Hiroshima
[Tradução
de Eva P. Bueno]
Uma
brisa suave refrescou meu rosto e meu pescoço e me fez sentir-me
bem. Eu estava em pé por um momento, ao sol, no verão de 2002,
suando e lendo um juramento esculpido numa pedra no Parque Memorial
da Paz de Hiroshima.
A inscrição dizia:
Nunca
mais Hiroshima, nunca mais Nagasaki. Nunca mais repetiremos a
Loucura
de trazer tal sofrimento a qualquer povo deste planeta.
Então,
por favor,
Descansem
em paz.
Nesta
inscrição não havia nenhuma menção de repugnância ou de vingança.
A mensagem é clara: “Nunca mais Hiroshima, nunca mais Nagasaki
veremos em qualquer nação deste planeta enquanto houver
humanidade”. Infelizmente, a frase “Lembrem-se de Pearl Harbor”
foi repetida em um sentido diferente quando houve a crise de onze de
setembro, enquanto que a frase “Nunca mais Hiroshima, nunca mais
Nagasaki”, não é repetida suficientemente no mundo nos últimos
60 anos. Há um grande contraste entre “Lembrem-se de X”, e
“Nunca mais Y”. quando expressados como uma determinação do
povo enlutado quando este povo faz uma oração por aqueles que
pereceram em uma tragédia humana.
Da vingança à tolerância
mútua para a coexistência
Depois
do onze de setembro, o único país com o status de “super power”
neste planeta, e as nações aliadas, incluindo o Japão, parecem
ter resolvido realmente tomar medidas retaliatórias de vingança
contra este poder rival sem face definida que fez o ataque.
Entretanto, a vingança não conserta o estrago já feito. Deve
haver outra maneira de alcançar-se esta meta extraordinária de
restaurar a paz ao mundo.
Vejamos
alguns exemplos do Japão. A vingança tinha sido por um longo tempo
a norma social e era tomada mesmo como um ato honrado até a metade
dos anos de 1800, o fim do período Tokugawa. Mas mesmo muito antes
desta época, o conhecidíssimo e muito aplaudido drama de vingança,
“Chuu-shin-gura”, houve um outro episódio menos conhecido no
Japão, no qual o pai assassinado proibiu ao seu filho vingá-lo, e,
ao invés disto, pediu ao filho que começasse sua busca espiritual
para a salvação do pai, do assassino, e do próprio filho no
futuro. O filho era Sei-Shi-Maru, mais tarde conhecido pelo nome de
Hounen, o fundador de Jodo (Terra Pura) – a seita do Budismo
iniciada no século XII. Ele encontrou a maneira de falar com o povo
do seu tempo – o período Kamakura – sem se importar com a situação
social das pessoas, ou os seus nomes, ou as suas capacidades mentais
de atingir a iluminação. Ele ensinou que qualquer pessoa pode
atingir a iluminação através de Nembutsu, desde que a pessoa
responda à chamada mais alta do universo: o juramento de Amidha
Buddha de salvar toda a humanidade, sem exceção.
Ainda
antes, no século I, Jesus Cristo ensinou aos seus seguidores que,
ao invés de buscar vingança, quem tivesse sido esbofeteado na face
direita, deveria oferecer a face esquerda. E no século XX o
falecido presidente John F. Kennedy fez um discurso aos formandos da
American University em 1963 no qual ele disse, “A paz mundial,
assim como a paz da comunidade, não requer que os homens amem seus
vizinhos; ela requer que eles vivam juntos em tolerância mútua”.
A
sabedoria do pai de Honen, da qual nós japoneses deveríamos sempre
ter orgulho, parece ter estado sempre presente na história da
humanidade, como uma corrente subterrânea, um desejo não
manifestado pelo povo, desde o tempo de Jesus Cristo até a meado do
século XX. Pelo menos isto pode ser dito: em toda a história da
humanidade, a vingança não foi a única maneira universal ou
honrada de salvar um povo da tragédia. Muito pelo contrário,
medidas de retaliação trazem mais ódio do que salvam as pessoas
afetadas, e a vingança provoca correntes de violência incontrolável.
E precisamos lembrar o simples fato de que a vingança jamais traz
de volta os que se foram. Também é importante recordar que a
vingança geralmente é aplicada contra gente que não teve nada a
ver com os atos que provocam a vingança, e assim, mais dano é
causado a outras pessoas inocentes. O melhor que podemos fazer num
tempo de uma colossal tragédia é não repetir a mesma tragédia,
como diz o juramento de Hiroshima.
O
discurso de John F. Kennedy foi feito depois de uma valiosa lição
para a humanidade, a crise dos mísseis em Cuba, em que a sobrevivência
– não só dos dois superpoderes e suas nações aliadas, mas também
daqueles que se mantiveram neutros – teve prioridade, ao invés de
um confronto aberto para determinar que lado teria mais poder no
mundo. A sorte já tinha sido lançada na ocasião desta crise, mas
ainda havia tempo, e felizmente para nós todos, naquele momento a
escolha foi de viver em tolerância e co-existência além de crenças
e ideologias nacionais.
A
questão agora é como trazer de volta ao mundo de hoje esta mesma
capacidade de pensar com a cabeça fria.
O que Hiroshima simboliza
Eu
nasci em 1947, dois anos depois do bombardeio atômico das duas
cidades no Japão, que foram a primeira e única experiência que a
humanidade deve do estrago que esta arma pode causar. Mas quanto
tempo as memórias da tragédia duraram? Muito antes de 2002, as
pessoas começaram a falar do desgaste da memória de Hiroshima com
o seu significado monumental para a humanidade. Alguns líderes
descuidados deste país começaram a falar que o Japão deve
armar-se com armas nucleares e fazer pesquisa conjunta com os
Estados Unidos para desenvolver armas nucleares portáteis. Tal
atitude e tais planos são uma dupla traição contra este país. A
primeira traição é contra o povo de Hiroshima e Nagasaki, que
lutaram tanto para sobreviver à desgraça de que foram vítimas, e
que assumiram o dever de apelar ao mundo pela paz e pelo banimento
das armas nucleares. A segunda traição é contra o próprio povo
de todo o Japão, que sofreu tanto com a guerra, e depois juntamente
com as duas citadas que tiveram a infelicidade de serem bombardeadas
atomicamente.
Se
o Japão fosse usar, ou ameaçasse usar armas nucleares, tal fato
colocaria a sociedade global em uma espiral de reciprocidade de uso
de violência nuclear para defender o interesse ou orgulho de cada
nação. Eu senti a urgência de ficar em pé no lugar central – o
ponto zero – do bombardeio em Hiroshima, aos 55 anos de idade, e
sentir o significado daquele lugar, em pessoa. Este ano Hiroshima
comemora os 60 anos deste desastre feito por mãos humanas. Nós
precisamos continuar revisitando o que Hiroshima significa. O museu
construído no lugar do bombardeio nos ajuda a refrescar a memória.
A
visão da completa devastação, a sua magnitude colossal mostrada
em posters, objetos ou fragmentos em exposição fazem ao visitante
lembrar daqueles que pereceram. Eu me senti tomado de forte emoção.
Aí se encontram marmitas transformadas em bronze, uniformes e
bolsas escolares em pedaços, e os inumeráveis objetos desfigurados
que tinham sido usados ou carregados por aqueles que morreram na
explosão. Homens, mulheres, meninos, meninas, avós, tios, tias,
amigos, todos morreram, não importando se eram civis ou militares,
japoneses ou estrangeiros. Há um enorme poster mostrando as milhas
e milhas de destroços que parecem um tapete de cinzas cobrindo as
colinas e serpenteando até chegar às montanhas ao fundo.
Havia
uma teoria, que foi publicada pela primeira vez no Washington
Post de 8 de agosto de 1945, que o Dr. Harold Jacobson, um dos
membros do Projeto Manhattam, teria dito que nos próximos 75 anos
nenhuma árvore, ou mesmo uma erva daninha cresceria nesta terra de
Hiroshima. Felizmente, seu cálculo foi provado cientificamente
errado. Mas é compreensível que ele tenha feito tal previsão: ao
olhar as fotos de Hiroshima tiradas alguns dias depois da explosão
da bomba eu também tive a impressão que a devastação tinha sido
tão imensa que qualquer um que a tivesse testemunhado teria ficado
impressionado ao ponto de concluir que o que a imagem mostrava era a
destruição daquela terra por um longo tempo.
Devemos
também observar que neste desastre, o ponto zero se expandiu não só
em termos de tamanho, mas também em termos de tempo. As mortes
foram contadas: havia aproximadamente 350.000 pessoas, civis e
militares, na cidade de Hiroshima no momento do bombardeio.
Entretanto, o número de vítimas se espalhou além da destruição
imediata da cidade, com os seus efeitos posteriores, alcançado por
volta de 140.000 mortes até o fim de 1945. Até o ano de 2003, nós
ainda tivemos 87.500 pessoas, descendentes das vítimas originais,
que ainda sofriam os efeitos da bomba. Isto, repito, no ano de 2003,
58 anos depois do momento da explosão.
O
que passou pela mente das pessoas quando Hiroshima e Nagasaki foram
bombardeadas? Eu acho que o bombardeiro foi uma coisa tão enorme
que ultrapassou a dimensão humana, como se fosse um tipo de aviso
à humanidade, sobre a estupidez deste desastre feito pela própria
mão humana. As pessoas ficaram chocadas demais, eu acho, para terem
a chance de entreter qualquer idéia de vingança. O seu desejo mais
genuíno parece ter sido de voltar, depois que elas se recuperaram
desta experiência incrível, e enfatizar que nenhuma nação jamais
teria que passar por
tal catástrofe, por razão alguma. O que estava em jogo, com a
chegada da era nuclear, era a sobrevivência dos seres humanos como
espécie, independentemente de ideais ou filosofia de qualquer grupo
ou nação.
Portanto,
Hiroshima é simbólica não só da devastação da guerra, mas também
da incerteza da sabedoria humana, principalmente da ciência e da
tecnologia. Estes dois indispensáveis pilares do conhecimento
humano, sozinhos, não podem conduzir a humanidade à tolerante
co-existência e à vida integrada ao respeito pela natureza. Nós
precisamos de algo mais que simplesmente a desenfreada ciência e
tecnologia para chegar à sobrevivência das nações e a tornar
significativa a vida
das pessoas. E este algo mais pode ser o respeito pela natureza, ou
uma vontade benevolente no universo, ou um poder de curar: não
importa realmente em quê você acredita, desde que seja aquilo que
nos dá os elementos básicos para a vida e sua continuação.
Naquele
dia quente em Hiroshima em 2002, eu senti que a brisa refrescante
pode ser uma mensageira da Mãe Natureza para mim, assim como para
toda a humanidade, uma maneira de nos fazer lembrar da beleza que
nos circunda e nos sustenta. A brisa também me lembrou que nós
precisamos estar agradecidos pelo apoio que a natureza nos dá a
todos, sem se importar com a nossa cor, nacionalidade, ou preferência
política.
Como chegarmos a uma
coexistência pacífica
Quando
nos confrontamos com um grupo de pessoas e o encaramos como uma
massa indistinguível e não como um grupo de rostos humanos, nós
nos esquecemos que estamos lidando com seres humanos que têm famílias,
parentes, amigos e colegas. Quando houve o ataque de 11 de setembro,
e também o ataque a Hiroshima, Nagasaki ou Okinawa, as pessoas começaram
a fazer o perfil de cada vítima como um ser humano completo. Quando
você visita o Museu Memorial da Paz em Hiroshima, você vê que o
Museu tem textos em várias línguas, incluindo inglês.
Naquele Museu, você sente a realidade, as genuínas chamadas para a
paz e mensagens daqueles que pereceram em Hiroshima. Em outras
palavras, aquelas pessoas não são simplesmente os 140.000 mortos
ou os 87.500 feridos transformados em mera estatística.
A
mensagem que nos foi deixada por aqueles que viveram os horrores de
Hiroshima devem inspirar-nos a fazer o que eles fizeram; nós também
podemos iniciar ações que levarão à mudança real: nós podemos
votar em líderes que têm uma posição clara sobre o armamento
nuclear, e nós podemos organizar ONGs para formar uma rede humana visível que pode trabalhar em
conjunto para criar um mundo sobre o qual Hiroshima nos avisa.
Das
considerações acima, vemos que precisamos de uma rede viável que
mantenha todas as pessoas do mundo em contacto mais direto, de
pessoa a pessoa, e que estas pessoas votem nos líderes que estejam
dispostos a trabalhar em prol da coexistência pacífica das nações
em harmonia com a natureza. O prefeito de Hiroshima, Sr. Akiba, está
fazendo todo o possível para convidar a que pessoas de todo o mundo
venham a Hiroshima, e que formem Fóruns da Paz na rede de cidades
irmãs ou universidades irmãs.
Ele
escreve na sua Declaração da Paz de 2004: “As sementes que
semeamos hoje nascerão em maio de 2005. Na Conferência para Revisão
do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, que vai
ocorrer em Nova Iorque, a Campanha de Emergência para Banir Armas
Nucleares juntará cidades, cidadãos, ONGs de todo o mundo para
trabalhar com nações simpatizantes para a adoção de um programa
de ação que incorpora, como um objetivo inicial, a assinatura em
2010 de uma Convenção de Armas Nucleares, a qual servirá como
base para a eliminação de armas nucleares em 2020.”
Em
todo o mundo, esta Campanha de Emergência está gerando ondas de
apoio. Este fevereiro passado, o Parlamento Europeu passou por
maioria absoluta uma resolução apoiando especificamente a campanha
Prefeitos para a Paz. Na sua assembléia geral em junho, a Conferência
Americana de Prefeitos, representando 1.183 cidades americanas,
passou com unanimidade uma resolução ainda mais forte.
Estou
de acordo com a idéia do prefeito Sr. Akiba, de que os líderes dos
governos locais estão em uma posição mais imediata, pelo menos de
ouvir diretamente as vozes das pessoas, e de assegurar a vida do seu
povo, e, portanto, de serem mais rápidos e mais práticos para
atingir suas metas, mais que os políticos estaduais. A minha sugestão
para as pessoas que querem participar neste esforço, que trabalhem
através dos canais daqueles governos locais para começar a dar
pequenos passos para gerar estes programas de ensino e conscientização
em tantas cidades quantas forem possíveis, no mundo inteiro. Um
primeiro pequeno passo seria dar o nome de Hiroshima ou Nagasaki a
lugares na cidade, tais como ruas, pontes, parques, estações de ônibus,
centros comunitários, enfim, lugares pelos quais as pessoas passam
diariamente.
Uma Hiroshima em cada
cidade
A
fresca brisa de Hiroshima pode soprar em todos os cantos do mundo,
conectando as pessoas com o desejo que Hiroshima representa: a
sobrevivência da raça humana e o respeito pela Natureza. Tal idéia
já tem seguidores: Berlin tem uma rua chamada Hiroshima Strasse, e
a história de como esta cidade recebeu este nome é muito
interessante, e foi contada pelo professor Mizushima da Universidade
de Waseda.
O
Sr. Heinz Schmidt, um professor alemão que visitou o Japão 3 vezes
desde 1965, apresentou o projeto de mudar o nome de um parque perto
de sua casa em Berlin para Parque Hiroshima. Esta tentativa não deu
certo da primeira vez que o Sr. Schmidt tentou em setembro de 1985,
mas ele continuou com sua tentativa por 4 anos e finalmente
conseguiu: o nome de uma ponte e de uma rua que até então tinham o
nome de um almirante nazista (tais nomes nas ruas de Berlin ainda
representam a ordem de Hitler, em 1933, de trocar todos os nomes de
localidades para nomes de militares), foram trocadas para Ponte
Hiroshima e Rua Hiroshima. Este projeto passou na assembléia
municipal de Berlin em abril de 1989, seis meses antes da queda da
muralha que dividia a Alemanha. A rua e a ponte foram oficialmente
recebidas como membros legítimos dos locais de Berlin em setembro
de 1990, o momento em que a mensagem de Hiroshima ganhou
universalidade ao atravessar as fronteiras nacionais. A rua, por
casualidade, conecta a embaixada japonesa e a italiana, resultando
no fato da embaixada japonesa na Alemanha se encontrar no número 6
da Rua Hiroshima.
A
partir desde episódio pouco conhecido, eu gostaria que nomes tais
como Hiroshima, Nagasaki, Okinawa, Jukei, Dresden, e outros com tal
carga simbólica se espalhassem por tantas partes do mundo quando
possível. Isso inspiraria as pessoas
que se encontrassem em uma rua com um nome tão diferente a pensar
na razão porque tal nome teria sido adotado, e sua pergunta
provavelmente os levaria à idéia daquilo que o nome representa, e
o que aquele lugar significa para a idéia da sobrevivência da
humanidade. Seria também muito bom se, através da consciência do
que o nome significa, as pessoas chegassem a um melhor entendimento
da importância da visibilidade dos indivíduos, e da humanidade
viver em harmonia com a natureza, sem importar a distância dos
lugares que deram origem aos nomes das ruas ou dos outros lugares públicos.
Um saudável respeito pela
natureza
É
maravilhoso que Hiroshima e Nagasaki se levantaram das cinzas do
inferno da guerra, embora alguns cientistas na ocasião do
bombardeio tenham achado que isto seria impossível. As poucos a
natureza reagiu, e seus esforços tiveram o apoio de pessoas que
tentaram restaurar e reabilitar as cidades. Aqui eu concordo com o
Senhor Oe Kenzaburo, escritor e ganhador do Prêmio Nobel de
literatura em 1994, que escreveu uma vez que ele gostaria de chamar
a atenção das pessoas para o exemplo dado pelos filhos daqueles
que sofreram com o bombardeio em Hiroshima: eles mostraram
extraordinária energia e a energia e o desejo de reabilitar os
lugares destruídos pelas bombas. O seu apoio e inspiração têm
sido importantíssimos no esforço de trazer a vida de volta às
duas cidades.
Sim,
nós devemos ver o outro lado de Hiroshima e Nagasaki, a restauração
e a reabilitação que eles conquistaram. Mas não devemos esquecer
que esta restauração não foi conseguida somente através do esforço
humano, mas através dos poderes curativos da natureza, que trouxe
de volta a vegetação, os insetos, os peixes, os pássaros, os
pequenos animais e tudo o mais que tem vida e participa da integração
ecológica. Hiroshima foi destruída em uma fração de segundos e
transformada em solo estéril do qual não se esperava vida alguma
pelos próximos 75 anos; no entanto, quando eu visitei a cidade, 57
anos depois do bombardeio, ela tinha parques verdes para recepcionar
a mim e aos outros visitantes.
Hiroshima
não deve ser lembrada apenas pela nuvem em forma de cogumelo, e
pelos aviões e pela destruição, mas deveria ser lembrada também
com sua imagem de parques verdejantes e brisas frescas, uma valiosa
segunda chance que a Natureza deu à humanidade para começar a
trabalhar em prol da coexistência entre os povos do mundo hoje,
independentemente das suas crenças. Que se torne conhecido que o
desafio do futuro, “Nunca mais Hiroshima” também seja um
momento de gratidão à natureza; em outras palavras, nenhuma
tecnologia no mundo teria levantado as cidades destruídas pela
bomba atômica das suas cinzas. Se não fosse pelo poder além das mãos
humanas, o poder da natureza, Hiroshima e Nagasaki ainda estariam
lutando para se recuperar. Devemos aprender a ouvir uma sabedoria
mais alta que a ciência e a tecnologia.
Conclusão
Começando
pela verdadeira Rua Hiroshima em Berlin, tenhamos mais ruas
Hiroshima no mundo. Juntemos as mãos no movimento de convergir para
todas aquelas ruas e focalizar no desejo do povo hoje. Que “Nunca
mais Hiroshima e nunca mais Nagasaki” sejam as palavras chave
indicando o desejo pela coexistência de toda a humanidade, e pela
rede de indivíduos visíveis, aprendendo a ser tolerantes uns com
os outros, aprendendo a ser conscientes e apreciadores da beleza e
dos poderes curativos da Mãe Natureza, e finalmente, aprendendo o
uso mais inteligente e mais humano do conhecimento humano que a ciência
e a tecnologia podem nos trazer no futuro.
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