Por ABEL SIDNEY DE SOUZA

Graduado em Ciências Sociais (UFRJ) e Administração de Empresas (UFF). Especialista em Metodologia do Ensino Superior (UNIR) e Mestrando em Ciências da Educação (ULHT). Professor da UNIRON.

 

A ética universal de Paulo Freire: 

leituras, inquietações e trilhas a percorrer

 

Resumo: Este artigo discute o conceito de ética universal de Paulo Freire nas múltiplas dimensões e abordagens que este conceito e tema comporta.  Seguindo as linhas de uma tradição ensaísta o autor tece argumentações, levanta indagações, aponta caminhos, deixando assim em aberto as trilhas que ainda se deve percorrer para se compreender em toda a sua justeza os condicionamentos ético-morais presentes na obra e na vida do educador Paulo Freire.

Palavras-chave: ética, moral, educação, emancipação.

 

Paulo FreireIntrodução

A multifacetada obra de Paulo Freire trata também de questões ético-morais, ponto. E estas questões (também outras) devem ser debatidas e apreendidas dentro da constelação de seus conceitos, do contexto de seu pensamento complexo e que esteve sempre em construção e passível de análise dentro do seu inscrever-se histórico (Scocuglia, 2001)

A atualidade do pensamento freireano, tão pouco estudado e compreendido, nos deixa seguros o bastante para afirmar da sempre necessária retomada das suas discussões – muitas apenas entrevistas, esboçadas, mas presente com todo o vigor no seu pensamento-ação.

O tema que estamos abordando tem sido estudado e debatido, de forma intermitente e sob diversas abordagens. Um dos autores que mais tem tratado do mesmo é Kholberg, ainda que com um foco mais estreito e preciso: o desenvolvimento ético-moral, com repercussões tanto no campo da psicologia, quanto da pedagogia. A abordagem kholbergiana é a cognitivo-estruturalista, que surge como contraponto a duas outras abordagens correntes e contemporâneas: o relativismo ético e a “moral das virtudes” (Canastra, 2003). Desde então, com o renascimento do debate e da investigação neste campo, surgem outras abordagens como a do enfoque narrativo, de Bolívar. (idem, ibidem), entre outras tantas, que não cabe neste exíguo espaço abordar.

Nas suas últimas obras, notadamente em Pedagogia da Autonomia e Pedagogia da Indignação, Freire de modo incisivo esboça os traços daquilo que ele mesmo nomeou de ética universal.

Esta constância da inquietação ética de Paulo Freire suscitou em Calado (2003) a afirmação corajosa de que ele levava “tão a sério a questão ética, a ponto de, em última instância (já que uma se acha ligada à outra, mas não são a mesma coisa) preferi-la à dimensão política”.

Em um mundo marcado pelas malvadezas de uma ética do mercado, denunciadas por Freire; pelas violências de toda sorte, é necessário retomar esta temática, que não somente interessa aos pedagogos, mas a todos os cidadãos preocupados com uma ação-intervenção no mundo que resgate a eticidade, a boniteza, a dignidade de homens e mulheres (parafraseando Freire, com a devida licença).

É, pois, o propósito deste artigo a análise do que se pode conceber como um esboço de construção, infelizmente inacabada – a ética universal de Paulo Freire.

Leituras, inquietações e delimitação do tema

Li, numa dessas tentativas de aproximação com os clássicos da nossa literatura, o prefácio de Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos. Escrito pelo general e historiador Nelson Werneck Sodré, este preâmbulo traça com todo vigor o retrato moral[1] do "velho Graça". Ele não poupa palavras para descrevê-lo. E destaca, em meio às análises propriamente literárias, os traços do seu caráter - a sua generosidade de espírito, sua lucidez e integridade moral. Em um trecho ele afirma ser Graciliano Ramos "Grande artista e homem lúcido e equilibrado". Noutra parte ele comenta sobre a gratidão que todos os de sua geração lhe devem “por ter permanecido puro e íntegro, como homem e como artista, não só diante da adversidade, que lhe foi tenaz e constante, como diante do sucesso”. Referindo-se ao valor desta sua obra máxima, Sodré sintetiza: “Suas memórias representam, assim, a derradeira oferta de um espírito sereno e justo”.Por fim, ele considera como características que exaltariam a própria consciência humana a “honradez, a serenidade, o equilíbrio”, próprios do autor de São Bernardo.

Este homem que amargou injustamente a prisão, sem razão que a justificasse, a não ser o rigor e a honestidade de homem público foi, como todos sabemos, funcionário da Instrução Pública de Alagoas. Ao seu modo, sem comungar com as cordialidades e jeitos próprios do brasileiro, cultivou um rigor ético que assombrava os seus contemporâneos, ainda mais quando se referia às suas lidas com as coisas públicas.  Eis-nos, pois, diante dele e do seu prefaciador, de homens idealistas e cumpridores de seus deveres, cujas biografias são um atestado de bons serviços prestados ao país e à boa moral.

Tratando-se ou não de uma exceção em meio aos seus pares, os traços morais, o caráter ou as virtudes deste grande escritor nos chama a atenção. Sua ação como intelectual, aliás, se aproxima do que Rouanet define como sendo um “intelectual universalista”[2] (Freitag, 1999) e esta definição de intelectual se aproxima do papel que também cabe ao educador, sujeito ético inserido no mundo em busca e com vocação a ser mais, conforme o pensamento freireano. Inserido no mundo, como ser inacabado e não determinado, cabe ao educador fazer-se a si mesmo, na relação e comunhão com o outro, ao mesmo tempo em que se propõe a construir com este  o seu próprio “si mesmo”. E como tão bem aponta Calado (2003)

pelo trabalho transformador de si, do mundo e da história, em direção aos utópicos rumos da Liberdade, também cuida de tornar o seu cotidiano um mostruário do seu projeto, empenhando-se em que suas práticas sejam capazes de sinalizar o tipo de sociedade e de mundo que se acham comprometidos em construir.

O que nos inquieta é saber como forjar, pois, um homem com inegáveis qualidades morais, como o Graciliano Ramos. Por certo, não surgem homens assim, por obra do mero acaso. Qual o papel das instituições socializadoras primárias – família, escola, religião – neste processo? Em que forjas se moldam, utilizando-nos da metáfora do ferro[3] de João Cabral de Melo Neto, tais caracteres? Que artistas e que materiais são necessários para a composição destes personagens? Os professores tomariam como objeto-sujeito da formação ético-moral a si mesmos, os seus alunos ou a ambos, em um processo simultâneo e complementar? Como, pois, construir este sujeito ético de que fala o próprio Paulo Freire? Como ele se situa na relação professor-aluno-mundo?

O conceito de Ética Universal

Postura ética e competência profissional são conciliáveis, indissociáveis e mesmo o mercado exige que estes elementos se entrelacem, pois que a ética do mercado[4], já citada, entende não ser mais possível fragmentar o homem sem que paguemos, por conta disso, pesados tributos...

De que ética, afinal, trata Freire, em seus últimos escritos; mais propriamente, que podemos compreender como sendo a sua ética universal?

Taylor, filósofo e professor de Ciência da Educação na Universidade de Rennes 2, na França, em palestra intitulada A Ética Universal e a Noção de Valor, nos ajuda a situar o objeto de debate nos seguintes termos (Taylor, 2003):

Qualquer discussão sobre ética e valores precisa ser situada em algum lugar entre a condição coletiva de vida e a condição de cada indivíduo, entre o que é universal e o que é particular ao indivíduo, entre o passado e o futuro, entre o que deriva do intelecto e da compreensão (Vernunft e Verstand de Kant) e o que se origina no sentimento e na percepção.

As éticas, pois de que trata Taylor em sua instigante reflexão acaba por lançar luz sobre o pensamento freireano e sua particular visão da ética universal. Ao tornar a ética plural (éticas) Taylor quer dar um tratamento polifônico ao tema e para tanto elege duas abordagens distintas para fazê-lo – o da lógica, da distância, da objetividade, configurado no que ele dominou de conhecimento solar; em contraposição ao seu antípoda, face aos limites desta forma de conhecimento, ao conhecimento lunar, marcado por aquilo que é apreensível mas nem sempre nominável, portanto abrindo espaço “para o conhecimento que advém do silêncio, da convivência, da intuição, da poesia, de experiências que não são menos verdadeiras por serem sem palavras”. (idem, ib.)

Em contraposição ao conhecimento solar, verificável, funcional, seguro, imerso nos claros do dia, há o conhecimento lunar, que “emerge da fonte da iluminação refletida e reflexiva”. (idem, ib.)

Para seguirmos de perto o fio de raciocínio de Taylor, principalmente quando se ele aproxima de Paulo Freire e do seu pensamento, transcrevo seus argumentos:

Parte dele [do conhecimento lunar] nos é acessível apenas em certos momentos e sob certas condições. O resto, e talvez sua parte mais ampla, está velado, é inclusive inacessível à visão normal. É aí que estão os reais conhecimentos da intuição, do sofrimento, do contentamento, do instinto. Além das palavras, além do pensamento, na absoluta fragilidade e vulnerabilidade do humano.

Aqui se imbrica o pensamento de Taylor e o de Freire, quando é dito que: “O conhecimento lunar é uma ‘aprendizagem de nossa incompletude’, de nosso inacabamento (...) ‘Nossa conscientização de nosso inacabamento nos faz seres responsáveis, daí a noção de nossa presença no mundo como ética’” (Taylor, 2003).

Por fim, Taylor define a natureza da ética freireana como uma “visão engajada do inacabamento ético” (idem, ib.), que Freire definiu filosófica e poeticamente em Pedagogia da Autonomia nas seguintes palavras (Freire, 1996, p. 64):

... estar no mundo necessariamente significa estar com o mundo e com os outros. Estar no mundo sem fazer história, sem por ela ser feito, sem fazer cultura, sem "tratar" sua própria presença no mundo, sem sonhar, sem cantar, sem musicar, sem pintar, sem cuidar da terra, das águas, sem usar as mãos, sem esculpir, sem filosofar, sem pontos de vista sobre o mundo, sem fazer ciência, ou teologia, sem assombro em face do mistério, sem aprender, sem ensinar, sem idéias de formação, sem politizar não é possível.

As inquietações de caráter ético em Freire, que pressupõem o estabelecimento de “critérios de conduta e de ação” (Calado, 2003), estão integrados, articulados dentro de um conceito de ação do homem no mundo, em que imbricam os conhecimentos solar e lunar da proposição de Taylor, mais a dimensão estética, sempre presente na vida-e-obra freireana.

Leituras sobre a Ética Universal de Paulo Freire

O imenso legado de Freire só não é maior que as múltiplas abordagens que a sua obra tem merecido, nos mais diversos quadrantes do planeta, por pensadores de diversas áreas.

Uma destas abordagens, que foca mais especificamente a ética universal, sem trair a concepção libertadora e os princípios gerais do pensamento freireano, é a que podemos vislumbrar junto à Federação Internacional de Sindicatos de Trabalhadores da Química, Energia, Minas e Indústrias Diversas (2003), que no seu projeto pedagógico e em sua prática educativa toma por base os seguintes quesitos, ipsis litteris:

  • O Respeito pelo saber meu e do outro;

  • A Lealdade;

  • Deve ser isenta de qualquer preconceito;

  • Em momento algum devo julgar;

  •  Deve levar à eliminação da discriminação de sexo, gênero, raça, classe, idade, condição social;

  • Sempre considerar a "Individualidade", a "Diversidade" (Entre: pessoas complexidade social mulher e homem corpo, mente emoção, espiritualidade);

  • Desenvolver com "Simplicidade Humildade";

  • Levar sempre em consideração a LIBERDADE (minha e do outro);

  • Ter sempre como pressuposto a "Ternura e o afeto";

  • Levar a construção de relações de "Solidariedade".

Como se pode perceber, as virtudes que são exigidas ao ato de ensinar e aprender não são poucas. E como propõe Freire (1996, p. 17) deve-se lutar por uma “ética inseparável da prática educativa”. E esta luta se manifestará na prática diária; para tanto é necessário “testemunhá-la, vivaz, aos educandos em nossas relações com eles” (idem, ibid.). A nossa práxis educativa, em sua incessante e dialógica interação saber-prática, teoria-ação, não deve senão aspirar à plenitude e à inteireza de todos os seus contornos, planuras e saliências, de todos os seus aspectos, incluso aqui o ético-moral; de nossa inserção e presença no mundo do outro e com o outro.

Por outro lado e para evidenciar as múltiplas dimensões que a tarefa docente nos convida e impõe, Freire afirma ser inerente ao papel do educador “não apenas ensinar os conteúdos mas também ensinar a pensar certo” (op. cit., pg. 29). Este pensar certo, por sua vez remete a uma busca de leitura da realidade que deve permanecer vinculada à pureza, à rigorosidade ética e deve ser também geradora de boniteza, logo tem uma dimensão estética e criadora. Lógica, ética e estética, desta forma, se entrelaçam, indissociáveis no contexto mais amplo das concepções singulares do pensamento freireano.

Homens probos – evocações e indagações

Os comunistas da velha geração tinham preocupações claras com o caráter, com as virtudes, como bem expressa Hobsbawm (2002, pg. 182) ao referir-se aos operários ingleses, com os quais conviveu mais diretamente durante a Segunda Guerra:

Em linhas gerais durante o tempo em que estive com os sapadores convivi com operários (...) e com isso adquiri uma admiração permanente (...) por sua inteireza, sua desconfiança em relação a mentiras, seu sentimento de classe, camaradagem e ajuda mútua. Eram pessoas boas. Sei que os comunistas devem acreditar nas virtudes do proletariado, mas senti-me aliviado por constatar isso na prática, tanto quanto na teoria.

Ainda às voltas com os comunistas históricos há também um caso que merece ser citado, narrado por Buñuel, cineasta espanhol, em Meu Último Suspiro, obra autobiográfica. Em resumo o diretor de Um Cão Andaluz viaja de trem durante toda uma noite em companhia de uma bela camarada do Partido e evocando o comportamento moral que seria esperado de um bom comunista teria ele renunciado a qualquer forma de sedução...

Os velhos comunistas tinham lá os seus credos e práticas, que remetiam, fosse nas leituras ou nas ações práticas, à construção permanente de sujeitos éticos, tais como os descritos.

É de se indagar se não devemos acreditar nas influências e virtualidades do embasamento ético-moral que deve permear as ações pedagógicas, na relação professor-aluno; se não devíamos investir mais tempo, coração e inteligência para desvendar como se trama, se tece, se constrói este ator pedagógico (o educador), que à semelhança dos atores em cena do Teatro do Oprimido de Augusto Boal, vive e convive em contextos de permanentes questões e dilemas ético-morais, de conflitos que somente o criar e o recriar constante de rumos e trajetórias novos permitem solucionar; que tal como ainda Boal propõe no seu teatro situações-limites, problemas, conflitos, resolvem-se não apenas acionando os dispositivos da razão, mas antes se colocando por inteiro, íntegro, nas questões a solucionar, para amorosamente se buscar o fim provisório, a superação do conflito momentâneo, o desfazer dos nós, para que a trama das relações possa continuamente ser tecida.

As indagações que suscitam tais evocações nos remetem à questão da formação dos professores, que não pode prescindir de leituras, debates e outros meios de modo a levar adiante o seu fazer pedagógico com rigorosidade, mormente quando se trata da construção coletiva do sujeito ético em convivência e comunhão com os alunos.

A formação dos professores ou “quem educa o educador”?

Na perspectiva da ética universal de Freire, que fundamentos ético-morais os educadores devem tomar como orientadores da sua ação pedagógica, da sua ação no mundo? E se orientado por quaisquer que sejam estes fundamentos, estes atuarão como pré-requisito, como complemento ou como mero ingrediente do seu fazer pedagógico cotidiano?

Na perspectiva que vimos tecendo, a ética como elemento fundante e permeante do ato de educar/educar-se, tangencia também a formação de professores.

Franco (2003) nos afirma que as práticas voltadas à formação dos professores devem permitir que eles possam refletir e produzir tanto os seus saberes como os seus valores. Reflexões epistemológicas e axiológicas em si e por si podem não se fazer indicativo de procura, de avaliação, de diálogo, de construção de bases seguras para uma ação pedagógica emancipatória. Pressupostos outros devem-nos guiar na tessitura destas reflexões, para que os seus frutos sejam produto de um longo processo de diálogo, comunhão, em que não se pode prescindir da humildade, do “respeito pela pessoa e por seu processo de trabalho” conforme Fernandes (2003). Abordando a mesma questão, Fernandes traz à cena o seu conceito de ética relacional, “entendida como relações interpessoais mediadas pelo respeito, humildade e afeto” (idem, ibid.), o que tem se tornado tão necessário e urgente para a convivência, o aprender e o fazer juntos.

Pistas, indicações, trilhas a percorrer

Que Freire não tenha tido tempo de aprofundar as sondas da sua inquietude gnosiológica nas profundezas das questões ético-morais, que se entremostram em sua obra, notadamente nos seus últimos escritos, não é se duvidar; como também seria leviano afirmar que os problemas e casos que tangenciam este tema lhe fossem alheios.

Onde estão as provas desta nossa última assertiva? Na própria vida deste autor, fonte e reflexo de sua rica e multifacetada obra. O seu gosto de viver; a sua busca de comunhão com os homens do seu tempo; o seu desejo de inserir-se nas questões urgentes junto aos tantos atores sociais com os quais conviveu, companheiros seus de trajetória e luta; a sua generosidade em doar-se, humilde, como operário em construção da construção dos tempos novos que ele teimava em anunciar, esperançoso; tudo isso nos remete a um homem e suas virtudes, virtuosidades e virtualidades – um ser que se sabia incompleto, que teimava em ajustar-se coerente ao seu projeto existencial, que exímio artífice de si mesmo, não titubeava em lapidar-se com firmeza e constância, livrando-se das cristalizações das beatitudes contemplativas ou das hipocrisias farisaicas, que tanto prazer lhe dava denunciar.

Como potência, virtualidade, ele buscava o confronto do seu saber e sua prática, indissociáveis e em permanente tensão e diálogo, para buscar a todo instante torná-los mais plenos de boniteza e eticidade, de conteúdos estéticos e ético-morais, de virtudes sim; de virtuosidade, da busca deste aprimorar e aprimorar-se constante, desse lapidar sem fim; de virtualidade, como busca do sempre mais...

Não é possível, dado à exigüidade de tempo, realizarmos no momento a necessária arqueologia das virtudes freireanas. À maneira de um Foucault insone e inquieto, devassaríamos todas as escrituras, vivências, minudências da vida e da obra de Paulo Freire em busca dos traços sim, presentemente marcantes, nítidos de sua ação ético-moral; e é possível que traríamos à luz desde os desenhos ainda rupestres do início do seu itinerário pedagógico, como mostra o imberbe professor de língua portuguesa, que ao ajudar seus alunos a lidar com os mistérios e fascínios da língua já deixa entrever o gosto de viver, de experimentar, de buscar alternativas novas a problemas velhos, até o homem maduro, que do mesmo modo como o jovem professor partejador, socrático, segue na vida construindo junto de tantos companheiros de jornada, dialogicamente, um saber permeado de comunhão amorosa, de doação, de entrega.

Os futuros amantes, arqueólogos da nova geração de pedagogos, tal como sugere Chico Buarque em sua canção, hão de encontrar os vestígios da luz e da sabedoria, do amor e da inteligência, da inquietação e da generosidade que se encontram nítidos e apagados, entremeados de ganga e ouro, de cascalhos e pepitas, deste leito sinuoso, pedregoso, do rio que deixa entrever a trajetória da vida e da obra de Paulo Freire. Por isso não nos afobemos não, pois nada é para já...

 

Referências Bibliográficas

BUÑUEL, Luis. Meu último suspiro. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1982, 364 p.

CALADO, Alder Júlio Ferreira.  Paulo Freire: Sua visão. Disponível em < http://orbita.starmedia.com/variaspalavras/paulofre.htm >. Acesso em 21 abr. 2003.

CANASTRA, Fernando. Uma abordagem narrativa da experiência moral: O relato de uma experiência, em contexto de formação inicial de professores. Disponível em < http://www.campus-oei.org/revista/experiencias33.htm >. Acesso em 26 abr. 2003.

FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE SINDICATOS DE TRABALHADORES DA QUÍMICA, ENERGIA, MINAS E INDÚSTRIAS DIVERSAS – PROJETO BRASIL. Disponível em < http://www.icem.org.br/projeto-genero/2Rel.Brasil.pdf >. Acesso em 15 abr. 2003.

FERNANDES, Cleoni Maria Barboza. Formação do professor universitário: tarefa de quem? Disponível em < http://prograd.ufpr.br/forgrad/formem3o.html >Acesso em 06 abr. 2003.

FRANCO, Idatí Leme. Formação continuada: uma alternativa para o atendimento das necessidades didático-pedagógicas do professor universitário. Disponível em < http://www.uel.br/pessoal/berbel/metodologia_da_problematização/docs/4-15082k2.doc >. Acesso em 20 abr. 2003.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 21ª edição. São Paulo: Paz e Terra, 1996. 165 p.

FREITAG, Barbara. Habermas como intelectual. Revista Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, n.º 138, jul./set. 1999.

HOBSBAWM, Eric. Tempos interessantes: uma vida no século XX.  São Paulo: Companhia das Letras, 2002. 482 p.

MELO NETO, João Cabral de. Crime na calle Relator. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1987. p. 31-2.

RAMOS, Graciliano. Memórias do Cárcere. Rio, São Paulo, Record, 1998. vol. 1. 378 p.

SCOCUGLIA, Afonso Celso. A história das idéias de Paulo Freire e a atual crise de paradigmas. João Pessoa: Ed. Universitária / UFPB, 2001 (3ª edição). 205 p.

 

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[1] Os termos moral e ética neste momento são sinônimos e nos remetem às noções de virtude e caráter, que retratam bem a indiferenciação conceitual que nos propomos neste início de debate.

[2] O intelectual universalista seria, por um lado, aquele cujas ações se pautariam em nome de princípios universais, como o respeito à dignidade humana, em contraposição ao intelectual particularista, que lutaria por causas menores, pontuais. Seria ainda aquele faz uso da “palavra falada ou escrita para protestar, esclarecer e polemizar com colegas e oponentes sobre os mais variados assuntos da atualidade”. (op. cit, 1999).

[3] Leia-se o belíssimo poema O ferrageiro de Carmona (Melo Neto, 1987).

[4] Diniz (2003) em artigo recente da revista Exame afirma que “Nunca esteve tão em moda avaliar o padrão ético de comportamento. Tornou-se comum também, durante os processos de seleção, esboçar situações para detectar a integridade de um executivo”.

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