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Por PAULO DENISAR FRAGA
Professor
do Departamento de Filosofia e Psicologia da Unijuí - RS |
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Educação
física escolar: reflexão e ação curricular.
Ivan
Livindo de Senna Corrêa & Roque Luiz Moro Ijuí:
Ed. Unijuí, 2004 - 296p. (Coleção
educação física) Pedidos:
editorapedidos@unijui.tche.br
A
expressão estética pode falar pelas idéias. Este livro trata
sobre o currículo na Educação Física Escolar e começa já na
sua capa. Um pé, originalmente esculpido pela natureza, acha-se
como que crucificado à estrutura e, depois, liberto. A idéia que
emana dessa imagem, sugerida pela sensibilidade atenta dos autores,
professores e pensadores da Educação Física, contém a inspiração
de fundo que distingue e organiza esta obra: o currículo
“oficial” (ou realmente existente) crucifica, aprisiona,
estiola, quando deveria contribuir para libertar.
Dialogando
com muitos autores e com as teorias mais representativas da
Pedagogia e da Sociologia crítica do currículo, o livro flui
seguro e paulatino recenseando extensa fundamentação que pavimenta
solo firme a sua crítica aos moldes curriculares da Educação Física
Escolar. Crítica esta que medeia dos trâmites do terreno teórico
para a análise das urdiduras da própria realidade vivida nas
escolas.
De
esforço de escuta atenta de discursos docentes, que revelam facetas
importantes da condição real, desemboca em conquista hermenêutica
crítica que, em meio à unidade dialética entre teoria e prática,
conteúdo e forma, busca extrair, em contrapartida ao universo
criticado, da sua própria experiência e reflexão escolares,
elementos que possam contribuir substantivamente para a valorização
pedagógica da cultura corporal rumo à superação de um currículo
cingido à lógica do esporte de rendimento, paradigma que os
autores denominam “senso comum da Educação Física”.
Não
se trata de negar o valor educativo do esporte, mas de perguntar
qual esporte em qual educação. Os autores sabem que o currículo
escolar não é o principal responsável pela reprodução social.
Nem pela sua transformação substantiva. Conhecem claramente os
efeitos da sociedade regida pela lógica do capital sobre a educação,
e os significados que a Educação Física adquiriu sob tal
determinação.
É
deste lugar que sublinham, contra o conformismo – seja o
irrefletido, o consentido ou o teórico – , que a Educação Física,
no currículo escolar, pode ser repensada como um espaço de disputa
político-social favorável à emancipação do espírito dos
educandos frente às reproduções da dominação que se abatem
sobre a corporeidade (disciplina, autoridade, concorrência,
rendimento, racionalidade técnica, organização burocrática...).
Neste fito, tem o raro mérito de ir desmontando, nos seus
entremeios, coisas que no cotidiano geralmente passam em branco.
Estes
são, por alto, alguns dos traços deste livro, marcado pelo
pensamento do professor Roque Moro que, como um mestre sereno,
despertou, pacienciosa e persistentemente, toda uma geração de
jovens estudantes no ofício do pensamento reflexivo na Educação Física.
Dentre eles, o próprio Ivan Corrêa, cujo vivaz espírito crítico
é sublinhado no prefácio de Silvino Santin a este livro, que
constitui relevante contribuição para a literatura sobre a temática
que elege.
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