|
Por
IZAC DE O. B. BONFIM* & MARCOS J. C. FREITAG**
*
Docente na UFPR – Universidade Federal
do Paraná (Depto de Turismo)
**
Docente e Coordenador ISG – Instituto Sui
Generis Pós-Graduação |
|
Educação
em Turismo: Conhecimento Crítico versus Técnica
Desde
que a sociedade se reconhece como tal, são crescentes as transformações
sociais, políticas e econômicas; contudo, desde a década de 60 o
Brasil, em particular, vem vivenciando transformações mais
profundas e aceleradas. Com o advento da abertura econômica
iniciada no governo ditatorial militar da década de 60 e
incrementada, principalmente, pelos governos Fernando Collor de
Mello e Fernando Henrique Cardoso, todos os setores da economia
tornaram-se mais competitivos e passaram a exigir trabalhadores com
habilidades e competências melhor desenvolvidas e cientes da
necessidade de educação continuada. Assim, a necessidade de
ingresso e de permanência no mercado de trabalho gerado pela
economia formal, incentivou jovens, a permanecerem nos bancos
escolares por mais tempo e a adultos a retornarem a estes mesmos
bancos. Contudo, a estrutura educacional pública e gratuita não
foi capaz de absorver a crescente demanda.
Desde
início da década de 80, a academia e a mídia destacavam que por
força do processo de globalização econômica, a realidade
mundial, tanto nos países subdesenvolvidos, em desenvolvimento e
nos desenvolvidos sofreriam transformações em virtude da rápida
evolução tecnológica e dos meios de informação e comunicação.
Este processo de globalização econômica que passou a ser visto
como uma nova ordem mundial destacou a necessidade de reestruturação
dos meios produtivos, em virtude da ampliação da abertura econômica,
o que gerou elevação das desigualdades entre países e regiões As
regiões com elevado sistema produtivo e níveis de competitividade
global se destacaram, entretanto vários locais não conseguiram
acompanhar esta ´nova ordem´; pois a competição do mercado
globalizado exigiu e exige detenção de tecnologias de ponta e
profissionais dotados de competências e habilidades para
utiliza-las. Isto acabou por gerar um crescimento significativo na
procura por profissionais com níveis cada vez mais elevados de
escolarização e de qualificação profissional.
A
educação pública e gratuita no Brasil acabou por se tornar um
desafio a governantes, independente da região geográfica ou do
poder aquisitivo da população. Não que o problema seja novo;
afinal, uma breve revisão na história da Educação Superior
brasileira apontará que o caos no setor sempre se fez presente.
Como forma de amenizar os problemas, tanto o governo militar da década
de 60, com o seu projeto “Brasil, Grande Potência” , como na
política neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, fora incentivada
a expansão da Educação Superior privada, como forma de atender a
demanda.
Não
é possível afirmar que o Brasil não possua recursos financeiros
para a Educação Superior, o que ocorre é que a legislação
vigente, elaborada a partir de políticas públicas delineadas pelos
tentáculos do Banco Mundial (Fundo Monetário Internacional –
FMI, Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento –
BIRD, Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID etc) que
financiam as ações de implementação destas mesmas políticas públicas,
exige que os investimentos mais significativos sejam destinados à
Educação Básica, prioritariamente o Ensino Fundamental, para o
qual existe inclusive um fundo próprio, o FUNDEF – Fundo de
Desenvolvimento do Ensino Fundamental.
A
legislação vigente atribui como prioridade para o Brasil a Educação
Básica, responsabilizando os governos municipais para com o ônus
da Educação Infantil e do Ensino Fundamental e os governos
estaduais para com o ônus do Ensino Médio. Não há responsabilização
de governo algum para com a Educação Superior no tocante aos
investimentos. Este ponto é crucial na compreensão dos movimentos
sociais que clamam por Educação Superior pública e gratuita; também,
é fundamental na compreensão dos motivos de críticas veementes
aos radicais que responsabilizam o governo federal pelo não
investimento no setor. Faz-se necessário compreender a legislação
educacional brasileira, à luz das políticas públicas setoriais
para que seja possível emitir opinião sobre a situação.
Sem
adotar postura cordata ou de concordância com o atual quadro; mas,
adotando postura crítica e fundamentada, considera-se que o
‘sonho’ de uma Educação Pública gratuita e com elevados padrões
de qualidade só tornar-se-á possível mediante três reformas:
Reforma das Políticas Públicas para a Educação, Reforma da
Legislação Educacional e Reforma da Educação Superior
(equivocadamente chamada de Reforma Universitária). Entende-se que
sem políticas públicas claras, sem incorporação da Educação
Superior pública como direito de todo cidadão e dever do Estado e
sem a reforma na estrutura administrativa e pedagógica da Educação
Superior, pouco poderá ser feito. Entende-se que as atuais políticas
de cotas, de bolsas ou de formas alternativas de financiamento
estudantil são um verdadeiro engodo governamental, não
contribuindo significativamente para o acesso à Educação Superior
nas instituições públicas e gratuitas.
As
estatísticas educacionais, sobretudo as emanadas dos órgãos públicos,
apontam um crescimento vertiginoso da Educação Superior privada no
Brasil, como uma resposta às demandas da sociedade e ao não
compromisso governamental para com a realidade. Não se defende que
a Educação Superior deva ser atividade de oferta única e
exclusiva governamental; mas, que este deva ser, para além de
legislador, o seu regulador, como forma de evitar os descalabros
pedagógicos e profissionais que são vistos desde a década de 60 e
que se acentuam na última década.
Se
por um lado existe uma pressão crescente da economia formal por
trabalhadores com elevada escolarização e com pleno
desenvolvimento de competências e habilidades para o exercício
profissional; a preocupação governamental com a elevação dos índices
educacionais brasileiros, que refletem no IDH – Índice de
Desenvolvimento Humano e interferem na obtenção de recursos
financeiros junto à organismos internacionais; e, os baixos
investimentos públicos em Educação Superior; por outro, existe
uma demanda crescente na relação candidato/vaga nas instituições
públicas e gratuitas de Educação Superior e uma expansão
descontrolada na oferta de cursos/vagas nas instituições privadas.
Se
o poder público, seja na esfera Federal, seja na Estadual ou
Municipal em virtude de problemas financeiros e de infra-estrutura,
não consegue absorver todos os estudantes que buscam a Educação
Superior gratuita; a iniciativa privada o faz. Nesta relação
procura/oferta surgiram empresários dispostos a investir em Educação
Superior. Esses investimentos vêm de acordo com o pensamento de que
“a Educação Superior é um dos negócios mais lucrativos do país”
(CATANI & OLIVEIRA, 2000, p. 65).
Novamente
reafirma-se que, aqui, não se está defendendo a Educação
Superior como atividade exclusiva do poder público; mas, que este
deve ser seu regulador. Essa transferência de responsabilidades, se
assim pode-se denominar, público-privado na Educação Superior
levou à abertura de um grande número de instituições, cursos e
vagas sem planejamento. Assim, tem se assistido a verdadeiros
‘horrores pedagógicos’ na Educação Superior. Conforme
Sguissardi (2000, p. 23) “no âmbito das IES privadas, as mesmas
enfrentam entre si uma competição empresarial que se aprofunda no
setor” e vence aquela que oferece melhores condições pedagógicas,
apesar de que várias estão conseguindo sobreviver apesar dos altos
índices de inadimplência e vagas ociosas. Como nos outros setores
da economia, sem usar-se da ‘futurologia’, as tendências são
de profissionalização das IES ou de criação de processos de fusão/incorporação.
Teoricamente
as IES privadas (particulares, confessionais, filantrópicas e
comunitárias) deveriam oferecer estrutura humana, física,
administrativa e pedagógica com padrões superiores às IES públicas
(federais, estaduais e municipais); contudo, como em qualquer negócio,
proliferam instituições de qualidade duvidosa e estrutura para lá
de crítica. Diante da ‘lei da oferta e da procura’, a disputa
entre as IES privadas por alunos tem gerado a criação de todos os
tipos de ‘invenções’ pedagógicas possíveis, que passam de
Processo Seletivo simplificado à oferta de cursos presenciais em
tempo reduzidíssimo e com atividades letivas esporádicas.
Claro
que o sistema educacional brasileiro como um todo padece; mas, a
Educação Superior se aproxima do estado vegetativo. A título de
exemplificação, hoje é possível um brasileiro semi-alfabetizado
sair de sua condição de baixa escolarização e tornar-se docente
na Educação Superior em tempo inferior a três anos. É um cálculo
perverso; mas, real. Uma pessoa sem escolarização poderá
encontrar com relativa facilidade nos classificados de jornais ou em
panfletos distribuídos nos semáforos e esquinas, anúncio de
escolas de Educação Básica, credenciadas pelo poder público, que
oferecem Ensino Fundamental (1ª a 8ª séries) e Ensino Médio (1ª
a 3ª séries) em 90 (noventa) dias, sem a necessidade de participar
de atividades presenciais (o que é uma contravenção na EAD).
Assim, se ele iniciar seus estudos no mês de abril/05 em junho/05
estará apto a participar de um processo seletivo para ingresso na
Educação Superior. Diante do elevado número de instituições/cursos/vagas
o mesmo poderá fazer a opção por uma que adote o sistema de seleção
por ‘Análise do Histórico Escolar’ ou por ‘Provas
Simplificadas’, tendo a certeza de sua aprovação. Poderá o
futuro ‘acadêmico’ optar por um curso que tenha duração de
dois anos e não ofereça atividades regulares (no Sul e no Sudeste
do Brasil é possível encontrar, por exemplo, o Curso Superior de
Graduação Tecnológica em Turismo e Hospitalidade, com Habilitação
em Gastronomia, onde a carga horária é integralizada em dois anos
com aulas dois turnos por semana e atividades domiciliares nos
demais períodos, não sendo considerado curso via EAD – Educação
a Distância); desta forma, em Julho/07 o mesmo terá colado grau e
poderá continuar seus estudos em nível avançado.
Esta
não é uma situação fictícia e é facilmente encontrada nas
diversas áreas profissionais, inclusive no Turismo. Como outros
cursos da área de Ciências Sociais Aplicadas, a Educação
Superior em Turismo também assiste ao seu crescimento desordenado.
Segundo um levantamento realizado pelo site www.turismologia.com.br,
existem 723 cursos de Turismo em funcionamento no Brasil; sem
contar, os que estão aguardando autorização de funcionamento, os
que foram criados recentemente por instituições credenciadas como
universidades e centros universitários (que não dependem de
autorização de funcionamento emitida pelo poder público, dada a
sua autonomia) e os que estão sendo lançados via EAD, com a oferta
de milhares de vagas simultâneas.
Essa
explosão dos cursos de graduação (Tecnologia ou Bacharelado) em
Turismo é preocupante, sobretudo pelo fato do Brasil ser carente em
docentes com titulação acadêmica compatível. Conforme dados
disponibilizados pela CAPES (www.capes.gov.br) no Brasil existem
apenas 4 programas de pós-graduação stricto sensu em nível
de Mestrado devidamente reconhecidos, e nenhum Doutorado; assim, o
corpo docente dos cursos de Turismo acaba sendo constituído por
docentes com diferentes formações e, às vezes, com pouca experiência
e vivência na área. Isto faz com que exista significativa
dificuldade em realizar interação entre a teoria e prática, onde
novos saberes gerados nas empresas demoram a ser incorporado nos
processos de ensino-aprendizagem da academia.
A
proliferação dos cursos de Turismo deu-se com grande apelo de
marketing, destacando a sua importância na área de prestação de
serviços, que é o segmento econômico em franco crescimento, como
uma atividade do setor terciário geradora de emprego e renda.
Sabe-se que o setor está em franco crescimento, conforme aponta a
própria OMT - Organização
Mundial do Turismo ao divulgar que em 2004 houve um crescimento de
10% em relação a 2003, e que o setor está empregando 10% da força
de trabalho mundial. Também,
sabe-se que o Brasil tem tudo para ser um grande pólo de turismo;
pois, o Plano Nacional de Turismo do governo federal prevê aumentar
o número atual de visitantes estrangeiros de 4 milhões para 9 milhões,
gerando US$ 8 bilhões até 2007; isto significa criar um adicional
de 1,2 milhão de postos de trabalho no setor.
Para
atender a esta demanda são necessários muitos cursos superiores de
Turismo; mas, se existem 723 cursos no Brasil, onde reside o
problema de não assimilação desse profissional pelo mercado de
trabalho? O empresariado brasileiro não reconhece as aptidões do
profissional? Para atuar na área não se faz necessária uma graduação
específica? Inexiste uma identidade para o profissional de turismo?
As IES que oferecem o curso de Turismo possuem baixa qualidade? Ou,
a Educação Superior em Turismo não é capaz de atender as
demandas científicas e técnicas que a economia, o mercado e a
sociedade como um todo exigem?
É
comum no setor de Turismo deparar-se com empresários que não são
estudiosos da área; mas, empreendedores, não possuindo o
conhecimento teórico e a leitura crítica da realidade exigida;
assim, fazem do Turismo apenas uma atividade prestadora de serviços
ao mercado capitalista, sem qualquer dimensão e responsabilidade
social ampla. Para MOESCH (2000, p.21) “o turismo é um fenômeno
com conseqüências culturais, sociais, políticas, comunicacionais,
que deve ser estudado... ou seja, não somente do ponto de vista
mercadológico, mas também nas preocupações sociológicas,
antropológicas, geográficas etc”.
Nas
propostas pedagógicas e composições curriculares dos cursos de
Turismo no Brasil, é possível encontrar um ‘leque’ de
disciplinas das áreas de Ciências Humanas e de Ciências Sociais
Aplicadas que proporcionam conhecimentos gerais; mas, poucos são os
cursos que oferecem programas teóricos e práticos envolvendo a
relação intrínseca destas disciplinas e conhecimentos gerais com
as necessidades do mercado; e, mesmo como instrumentalização para
a reflexão crítica sobre a estrutura e o funcionamento deste mesmo
mercado.
Os
acadêmicos dos cursos superiores de Turismo esperam uma formação
técnica que lhes garanta empregabilidade; no entanto é durante o
curso que os mesmos descobrem que a realidade é outra, sendo que
por um lado a área de atuação profissional é mais ampla do que o
inicialmente vislumbrado e que a formação oferecida pela academia
resulta no profissional ‘especialista em generalidades’, nem bem
a ciência e nem bem a técnica. Por sua vez, o mercado de trabalho
informa que as composições curriculares dos cursos de Turismo não
condizem com a realidade, e que os profissionais oriundos dessa
formação não estão capacitados para ocupar as vagas abertas pelo
trade turístico.
Este
quadro gera uma profunda insatisfação que acaba por levar a uma
grande evasão nos cursos superiores de Turismo. Diante do fato, as
IES buscam alternativas para incluir a técnica/prática dentro de
seus currículos, seja através de cursos de extensão ou aperfeiçoamento,
seja levando para seu interior aqueles que ‘estão no mercado’
ou que ‘fazem o mercado’ do Turismo.
Contudo,
crê-se que a academia não é o lugar meramente da técnica. A técnica
deveria ser reservada aos cursos técnicos profissionalizantes.
Segundo TINEU (2002, p.1) ”as IES que oferecem o curso de Turismo,
deveriam visar o pensamento crítico e analítico da atividade turística
proporcionando ao aluno uma visão sistêmica e holística, a qual
formaria profissionais para atuar de forma multidisciplinar e
interdisciplinar”. Existe claramente uma diferença entre a
atividade técnica do Turismo e a pesquisa cientifica a respeito do
fenômeno turístico; pois,
trabalhar
ou ser profissional de turismo é desempenhar alguma função dentro
dos vários componentes da oferta turística, prestando serviços
para equipamentos turísticos, ou fazendo parte da superestrutura
jurídica administrativa responsável pelo planejamento, execução
e controle da dita oferta, pela criação de atrativos ou pela
utilização dos existentes, sejam eles naturais ou culturais. Já
estudar turismo é lançar um olhar, a partir de alguma disciplina
específica, sobre o fenômeno turístico e suas implicações, as
relações entre o turista e a população visitada, os impactos da
chegada de contingentes de não residentes no meio ambiente no seu
sentido amplo, que abrange natureza e cultura (BARRETO, M. &
TOMIO, D. & SGROTT, S. & PIMENTA, J. 2002).
O
professor Mário Carlos Beni em entrevista a Revista Você S/A, de
03 de Janeiro de 2005, destaca que “quem se forma em um dos cursos
de Turismo de terceiro grau, não quer se sujeitar a trabalhar como
recepcionista ou mensageiro” ou seja, o que o mercado procura é
inversamente proporcional à resposta da educação superior em
Turismo. Para se ter uma idéia desta questão, SAADI (2003, p.20)
aponta que:
o
curso da UFMG tem uma orientação diferente dos demais. Estamos
voltados para uma formação mais reflexiva, mais na linha de
pesquisa. Temos preocupação em preparar os alunos para pensar a
organização espacial da sociedade, para serem capazes de fazer um
planejamento turístico mediante a pesquisa local e regional. Temos
que permitir ao aluno pensar o turismo de forma diferente, ampla e
profunda. Tal como o turismo deve ser pensado, pois abrange todas as
áreas do conhecimento; envolve tudo o que uma pessoa precisa para
viver, tudo o que necessário para a organização de uma cidade.
Sem exagero, o turismo envolve tudo o que é preciso para fazer um
país funcionar enquanto nação. Não temos o aspecto técnico
focado em números de crescimento, mas sim, estamos no caminho de
pensar o espaço público, de fazer uma análise espacial e de
pesquisa em turismo científico. Não nos preocupamos com hotelaria,
com comes e bebes, pois isso j existe nas escolas
profissionalizantes. Ao contrário, se os alunos se interessarem em
fazer fora, cursos nessa área, administramos os créditos para que
ele se sinta motivado a eles, já que o nosso tempo, ocupa com a
pesquisa e a reflexão.
Entretanto,
existem educadores e profissionais do setor, que defendem que a
educação em Turismo deve estar aliada ao mercado de trabalho,
associado com a pesquisa científica. Para LOPES (2003, p. 1),
a
educação turística deve basear-se em uma visão empresarial, pois
a atividade baseia-se na prestação de serviços. Cabe aos
educadores conciliar teoria e prática junto aos alunos e aproximar
ao máximo a realidade do mercado, como: aplicação de estudos de
caso, laboratórios, convênios com agências de turismo, hotéis,
companhias aéreas, cursos de intercâmbio,
além de incentivar as pesquisas científicas.
Deste
ponto de vista, não existe nada de errado em buscar uma formação
para o mercado de trabalho; mas, a questão e preocupação são
como isso será feito. Um estudo recentemente elaborado e
apresentado no ENTBL – Encontro Nacional de Turismo de Base Local
pelo pesquisador Marcelo Augusto Mascarenhas, destaca em seu artigo
MERCADO x CIÊNCIA: Quem Será o Vencedor no Turismo, a preocupação
pelo fato das IES privadas deixarem de lado a preocupação com a
pesquisa científica e estarem menosprezando em suas grades
curriculares as disciplinas ricas em conteúdos científicos. Ainda
destaca que, incentivar o desenvolvimento da pesquisa em turismo, é
ponto fundamental para que este possa realmente ser mais bem aceito
como ciência. Ainda, frisa que formar pesquisadores, infelizmente,
não será a proposta da maior parte dos cursos de Turismo, mas então,
quem deve continuar a desenvolver a produção do saber turístico?
Cabe,
aqui, apontar que a pesquisa científica, na estrutura da educação
superior brasileira, é de obrigatoriedade das instituições
credenciadas como ‘universidades’, sendo as demais desobrigadas
à produção do conhecimento; ou seja, as instituições
classificadas como: escolas superiores, institutos de educação,
faculdades isoladas, faculdades integradas, centros de educação
tecnológica e centros universitários, devem se ater à transmissão
do conhecimento.
Na
opinião de alguns educadores e profissionais da área, o ensino da
técnica deve ser realizada nos cursos técnicos e adaptando-se a
realidade regional e local, fazendo com que os projetos pedagógicos
e curriculares sejam dimensionados a uma formação específica,
encontrando sua diferenciação no mercado. Segundo TRIGO (2003,
p.1),
o
Brasil precisa, nessa nova fase da articulação do turismo, de
cursos técnicos e superiores de tecnologia adaptados às diversas
realidades regionais e necessidades do país. Segmentos como turismo
rural, cultural, étnico, esportivo, entretenimento, gastronomia
etc. Precisam de profissionais de nível médio ou tecnológico para
operacionalizar e implantar projetos.
A
exemplo, o Governo do Estado do Paraná, está incentivando o
retorno dos cursos técnicos pela Rede Estadual de Ensino, onde os
estabelecimentos elaboram projetos pedagógicos com as seguintes
configurações: Técnico em Turismo com formação em Guia Regional
(ensino médio subseqüente) ou Técnico em Turismo (ensino
integrado). A malservação da coisa pública aqui se revela
principalmente pela composição curricular destes cursos, que fora
apreciado e criticado por profissionais da área. As mesmas
apresentam disciplinas com conteúdos programáticos que são cópias
fiéis de cursos de graduação. Ao que parece, os cursos técnicos
também terão formação de profissionais generalistas, onde o
ideal é proporcionar atividades operacionais da área, a qual ainda
existem carências de profissionais qualificados.
Considerações
finais
Analisando
os fatos citados, conclui-se que existe uma necessidade de discutir
a questão da educação em turismo, seja ela profissional ou acadêmica,
até pelo fato de que da maneira em que está se inserindo no
mercado, pode acabar desvalorizando ainda mais esse profissional.
Cabe destacar ainda que o profissional da área de turismo
tem seus direitos defendidos apenas pelos fracos sindicatos da
categoria. A profissão ainda não é regulamentada, entretanto
existem projetos em discussão, na cidade de Brasília, mas é
necessário arrumar primeiramente a educação em turismo.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
ANSARAH,
Marília G. R. Formação e Capacitação do Profissional em
Turismo e Hotelaria: reflexões e cadastro das instituições
educacionais do Brasil. São Paulo: Aleph, 2002.
BARRETO,
M & TOMIO, D & SGROTT, S. & PIMENTA, J. A Flexibilização
e Especialização dos Cursos Universitários de Turismo:
prioridade educativa e social. Blumenau: Rev. Divulgação Cultural.
a. 24, n. 77, p. 8-15, mai./ago. 2002.
BISSOLI,
M. Estágio em Turismo e Hotelaria. São Paulo: Aleph, 2002.
CUNHA.
L. A carreira que é um mico. São Paulo: Revista Você S/A,
jan. 2005.
DOCÊNCIA
como planejar a carreira. Turismólogo em Foco, São Paulo,
a. 2, n. 8, p. 19-21, dez. 2003.
FILHO,
J. Turismo: Ciência ou Técnica? Estudos Turísticos, São
Paulo, 01 set 2002. Disponível em: http://estudosturísticos.com.br
> Acesso em 20 mar 2004.
MASCARENHAS,
M. Mercado x Ciência: quem será o vencedor no turismo. Curitiba:
VIII ENTL, 2004.
MOESCH,
M. O fazer-saber turístico: possibilidades e limites de superação.
In. GASTAL, Susana (org). Turismo: 9 propostas para um
saber-fazer. Porto Alegre. 3º ed. Edipucrs, 2002.
LOPES,
L. Ética dos profissionais em turismo – uma realidade a
ser abordada no meio acadêmico. Estudos turísticos, São Paulo, 10
abr 2003. Disponível em: http://estudosturisticos.com.br
> Acesso em 26 nov 2005.
SGUISSARDI,
V. O Desafio da educação superior no Brasil: quais as
perspectivas? In.
SGUISSARDI, V. (org). Educação
Superior – velhos e novos desafios.
São Paulo: Xamã, 2000.
SILVA,
Jr. e SGUISSARDI, V. A educação superior privada no Brasil: novos
traços de identidade. In.
SGUISSARDI, V. (org). Educação
Superior – velhos e novos desafios.
São Paulo: Xamã, 2000.
PR
tem metade das escolas de ensino superior da região sul. Gazeta do
Povo, 07 dez. 2003. Caderno Economia, p.1.
REJOWSKI,
M. Turismo e pesquisa científica. Campinas: Papirus, 1996.
VIEIRA,
A. L. Projeto de Pesquisa e Monografia. O que é? Como se
faz? Normas da ABNT. 2º ed. Revisada. Curitiba: Ed. do Autor, 2003.
TRIGO,
L. G. G. A sociedade pós-industrial e o profissional em turismo.
Campinas: Papirus, 1998.
_____________.
Turismo vai a campo. Estudos Turísticos, São Paulo, 25 oct.
2003. Disponível em: http://estudosturisticos.com.br
> Acesso em 20 mar 2004.
TINEU,
R. Reflexões sobre a problemática do ensino superior de turismo
no Brasil. Estudos Turísticos, São Paulo, 01 oct 2002. Disponível
em: http://estudosturísticos.com.br
> Acesso em 20 mar 2004.
TURISMOLOGIA.
A cada 4 dias 1 curso de turismo é criado no Brasil: educação
ou lucro. Disponível em: http://turismologia.com.br
> Acesso em 20 mar. 2004.
UNIVERSIA
BRASIL. Armadilhas no caminho do diploma. São Paulo: Outubro
2003. Disponível em: http://www.universiabrasil.com.br/materia.jsp.1434
> Acesso em: 14 nov. 2003.
UNIVERSIA
BRASIL. Em busca de recursos para vencer a crise. São Paulo:
Outubro 2003. Disponível em: http://www.universiabrasil.com.br/materia.jsp.1990
> Acesso em: 14 nov. 2003.
|
|

|