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Por
RUDÁ RICCI
Sociólogo,
Doutor em Ciências Sociais, professor da PUC-Minas e coordenador
do Instituto Cultiva. É
consultor do Unafisco, do programa Educação Fiscal da Receita
Federal, do Programa Cidadão Nota Dez e da EMATER-MG. Autor de
“Terra de Ninguém” (Editora Unicamp) e co-autor de “A Participação
em São Paulo” (Editora Unesp) |
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A Noite de São
Bartolomeu ou quando a força é maior que a astúcia
Uma
das versões mais conhecidas a respeito da origem d´O Príncipe é a da
tentativa, ainda que fracassada, de Maquiavel revelar à família
Médice sua sabedoria política, o que supostamente conduziria ao seu
retorno à função de cônsul. Esta versão é contestada por muitos
cientistas políticos que percebem nesta obra uma ironia fina de um
republicano convicto. O fato é que não há registros de que alguém da
família Médice, além de Caterina, tenha lido com atenção esta obra
que se tornaria um clássico da ciência política moderna. O jogo
político que Catarina liderou na Noite de São Bartolomeu, em 1572,
conferiu, para alguns desavisados, a noção de maquiavelismo como
traição ou ação política perniciosa. Maquiavel, entretanto, afirmava
que a astúcia deveria anunciar a força, sem revelá-la por completo.
Esta habilidade é que acabou redefinindo o conceito de virtú,
para além da virilidade. Distanciava-se dos romanos clássicos para
quem Fortuna seria conquistada pelo guerreiro mais viril. Para
Maquiavel, a conquista de Fortuna se dava pela sedução, pelo
convencimento.
Outro autor italiano provocou o mesmo
impacto na compreensão da prática política ao reconverter o conceito
de hegemonia. Gramsci traduz hegemonia, aproximando-se da tradição
aberta por Maquiavel, como convencimento e sedução. Afasta-se,
assim, do conceito quase que exclusivamente bélico que Lênin
conferiu à hegemonia. A capacidade de leitura das intenções, do
imaginário e do pensamento da sociedade eram tão caros à Gramsci
como elemento da construção da hegemonia que, ainda no cárcere,
solicitava almanaques, textos e folhetins populares para ler, na
ânsia de entender o processo de construção de valores e crenças dos
trabalhadores italianos. Assim, descobriu que qualquer processo de
transformação político e social passava por uma certa aliança entre
comunistas e católicos italianos.
O longo e tortuoso Século XX gerou uma
produção teórica da ciência política que oscilou entre a elaboração
de sistemas de controle social – que pudessem garantir a absorção
institucional dos conflitos e tensões entre interesses distintos – e
a valorização do movimento constante de dissensos e consensos
políticos como constitutivos do equilíbrio instável da democracia.
Esta última vertente produziu um aggiornamento do pensamento
de Maquiavel e revitalizou as intuições de Gramsci. A democracia não
se resume à um bem universal, mas ao movimento social e político que
procura acolher o dissenso, o mais amplo possível, produzindo uma
grande arena de negociação política, instável mas claramente
orientada pela crítica aos controles burocráticos da vida social
(que já aparecem na crise do período entre as duas grandes guerras e
que se reproduziu com mais intensidade em maio de 68, nunca deixando
de pautar as tentativas de inovação da institucionalidade pública
moderna).
A imagem pública de Lula, que o projeta
nacionalmente na vida política do país a partir da campanha de 1989,
alimentou-se deste élan inovador, que acolhia amplas massas
que se sentiam alijadas da produção política do país. Era a versão
tupiniquim da crítica ao tradicionalismo e burocratismo da política.
Lula, neste sentido, sempre foi um personagem e um discurso maior
que a pessoa. Sua eleição, em 2002, arrebatou movimentos sociais e
segmentos da sociedade que se sentiam anistiados, incluídos nos
círculos e escaninhos do processo decisório do país. Por este
motivo, o sentimento de perplexidade dos primeiros meses de governo
Lula era vencido por uma esperança irracional de movimentos sociais
e organizações populares, na crença que os primeiros passos seriam
mesmo tímidos. Assim, o problema crucial e central da gestão Lula
nunca foi propriamente a sua leitura econômica, mas sua leitura
política, das tarefas políticas e históricas que este governo
carrega. E é aí que parece residir o fulcro da avaliação dos dois
anos de seu governo: entender as raízes de um afastamento gradual da
promessa que o lulismo havia construído ao longo de duas décadas. A
hipótese que procuro defender nesta análise é que, assim como
Catarina, o governo Lula equivocou-se ao ler Maquiavel.
O deslocamento das alianças
cotidianas
Desde o primeiro momento, a marca do
governo Lula foi o pragmatismo, a ação tática em detrimento de um
projeto estratégico para o país. Com efeito, nos primeiros meses de
governo, dirigentes petistas de peso revelavam em encontros
reservados que o calendário de Lula passava pelas eleições
municipais de 2004. A primeira fase de governo, portanto, era
pautada pela governabilidade política, ampliação da base de apoio e
garantia de estabilidade econômica, o que consolidaria a liderança
nacional de Lula e a vitória eleitoral que se avizinhava.
Quatro iniciativas foram fundamentais
neste intento, nem sempre se revelando satisfatórias:
a) A conquista dos mercados. A
Carta ao Povo Brasileiro (de junho de 2002) e a incorporação da
Agenda Perdida (elaborada por economistas da PUC-RJ e FGV-RJ, em sua
maioria) criaram uma nítida linha de continuidade em relação à
política econômica do governo FHC. O controle inflacionário, o
equilíbrio das contas públicas e o cumprimento dos compromissos
financeiros abriram a perspectiva de uma série de reformas
microeconômicas que tinham como declarado objetivo a conquista dos
principais agentes do mercado nacional e internacional. A queda de
pontuação do risco-país (Embi+) foi repetidamente destacada pelo
governo federal como trunfo nacional e demonstração do acerto da
política monetária restritiva. Seria a chancela do mercado. A
conquista dos mercados foi compreendida pelo governo Lula como
condição básica da governabilidade.
b) A composição dos ministérios.
O primeiro ministério de Lula foi composto a partir de uma
estratégia de alto risco: os cargos do primeiro escalão foram
fragmentados em múltiplos apoios e forças políticas. Ao agruparmos
os ministérios por áreas (econômica, social, articulação política,
infraestrutura, justiça e segurança), percebemos que o campo da
articulação política mereceu controle direto do Presidente,
envolvendo cinco petistas da cota e da confiança pessoal de Lula
(entre eles, Luiz Gushiken, Luiz Dulci e José Dirceu). Esta
predileção revela a prioridade na construção da engenharia política
de sustentação do governo. As áreas de infraestrutura, justiça,
segurança e social não mereceram grande controle político por parte
do “núcleo duro” de governo. Os ministérios envolvidos (Defesa,
Justiça, Transporte, Cultura, Esporte, entre outros) foram entregues
a quadros técnicos, personalidades e/ou membros de partidos aliados.
Apenas um nome figurava como de restrita confiança de Lula: José
Graziano da Silva, coordenador do Programa Fome Zero. A área
econômica, por sua vez, foi entregue aos setores empresarias de
grande envergadura, coordenados por Antônio Palocci. O que chamava a
atenção neste primeiro ministério é que nenhum dos empresários
convocados tinha relação com os segmentos empresariais mais
progressistas (como o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas –
GIFE -, Instituto Ethos ou oposição empresarial à direção da FIESP),
ou mesmo vínculos com as plataformas das lideranças dos pequenos e
microempresários, segmento empresarial que Lula buscou ampliar desde
as eleições de 1994. Esta composição sinalizava, enfim, que as
alianças políticas históricas do Partido dos Trabalhadores
(movimentos sociais, pastorais sociais, organizações populares,
organizações não-governamentais) estavam alijadas a poucos
ministérios (como o Ministério do Meio Ambiente, Secretaria Nacional
de Pesca, Ministério do Desenvolvimento Agrário e parte do Fome
Zero).
Outra sinalização que a composição
ministerial revelava era o destaque aos representantes políticos do
centro-sul do país. Na composição ministerial, Lula prestigiou
desproporcionalmente, em especial, Distrito Federal, Rio Grande do
Sul e São Paulo. Distrito Federal angariou 6,7% das nomeações
ministeriais (segundo análise de Octavio Amorim Neto, intitulada “A
governabilidade sob a presidência de Lula”), mas o peso de sua
bancada na Câmara Federal era de apenas 1,2%; Rio Grande do Sul,
angariou 16,7% dos cargos, mas seu peso na Câmara era de 6,3%; São
Paulo conquistou 30% dos cargos, mas seu peso legislativo era de
12,6%. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e
Distrito Federal, somados, perfazem 72% dos cargos ministeriais. Os
Estados menos representados no governo federal concentraram-se na
região nordeste, em especial, Maranhão, Paraíba, Pará, Pernambuco e
Piauí, cujas bancadas federais são muito superiores à participação
no governo federal.
c) O núcleo duro. O controle
político desde sempre foi uma marca do governo Lula. Esta parece uma
transposição da experiência sindical metalúrgica e das organizações
de esquerda clássicas. O “núcleo duro” do governo, assim denominado
pela sua pouca porosidade política, foi composta por José Dirceu,
Antônio Palocci, Luiz Dulci e Luiz Gushiken, além de Lula. Pelas
características pessoais e pelo destaque público que as pastas que
controlavam ganharam, Palocci e José Dirceu promoveram uma disputa
surda e invisível nos bastidores do governo. Os dois ministros
procuraram influenciar a área social logo no primeiro semestre de
2003. Palocci formulou, através da Secretaria Nacional de Política
Econômica, um importante documento em que sugeria a focalização das
políticas sociais. Este documento mereceu duras críticas de
economistas petistas da envergadura de Maria Conceição Tavares e
Márcio Pochmann. Simultaneamente, José Dirceu procurou compor uma
assessoria especial da área social na Casa Civil, tendo como
principal técnica a ex-esposa do prefeito Celso Daniel, coordenador
da campanha de Lula até seu assassinato. José Dirceu avançou sobre
áreas importantes da área social (como foi o caso de uma importante
composição no Ministério da Educação) e procurou liderar as críticas
da base petista à política monetária restritiva do Ministério da
Fazenda e do Banco Central. O Caso Waldomiro, entretanto, foi um
duro golpe à sua liderança, ameaçando-o tanto que resultou na perda
dos poderes de negociação direta da área política para Aldo Rebelo.
Outro revés à trajetória de José Dirceu no governo foi a nomeação de
Patrus Ananias para a coordenação da área social e, posteriormente,
a demissão de Ana Fonseca, principal técnica e coordenadora das
políticas de transferência de renda do governo federal. A partir de
então, José Dirceu procurou combinar a crítica à política econômica
às articulações no interior do Congresso Nacional, objetivando minar
a performance de Aldo Rebelo. As dificuldades de controle da base
parlamentar de apoio ao governo em votações importantes no Congresso
Nacional e a vitória de Severino Cavalcanti na Câmara Federal deram
o fôlego necessário para José Dirceu retornar ao centro das
articulações palacianas.
Luiz Dulci procurou articular um caminho
inverso ao coordenar as audiências públicas para elaboração do Plano
Plurianual (PPA), realizadas ao longo do país, ainda em 2003.
Contudo, esta experiência foi frustrada e abortada ainda no final
desse ano, causando grande irritação de entidades ambientalistas,
além da Associação Brasileira de ONGs (ABONG). A manobra inicial, se
vitoriosa, poderia abrir um canal concreto de participação de
segmentos organizados da sociedade civil, no processo decisório e de
condução das diretrizes de governo. No momento, Dulci procura
desobstruir o diálogo do governo federal com formadores de opinião
diretamente vinculados aos movimentos sociais e sociedade civil
organizada.
Luiz Gushiken, por seu turno, foi
ampliando seu poder na área de comunicação social, gradativamente.
Todos conflitos internos desta área foram vencidos pelo ministro,
como no caso do choque com Ricardo Kotsho, amigo pessoal do
Presidente.
O fato é que o núcleo duro não conseguiu
criar objetivamente uma coordenação unificada de governo e, muitas
vezes, o centralismo excessivo da gestão propiciou disputas
intestinas.
Esta, talvez, seja a expressão mais
visível da leitura equivocada de Maquiavel pelo governo Lula. O
diplomata florentino procurou esclarecer justamente as armadilhas
que a Corte constrói ao redor do Príncipe, criando uma nuvem de
fumaça que o impede de se relacionar mais diretamente com a fonte
real de seu poder. Lula, contudo, foi paulatinamente se afastando
das forças sociais que poderíamos denominar de sua fonte de “energia
moral”. Da perplexidade inicial, essas forças passam lentamente ao
sentimento de desconfiança.
d) A relação com governadores como
interlocutores privilegiados. A primeira reforma tributária e a
recomposição do mapa político do país conferiu aos governadores um
status privilegiado nas negociações iniciais do governo Lula.
Esta relação privilegiada foi se alterando ao longo do tempo. Após a
composição do primeiro ministério, Lula anunciou reuniões periódicas
(chegou a afirmar que seriam mensais) com os governadores. O
governador mineiro Aécio Neves foi, naquele momento, o mais
festejado. Houve várias sinalizações, como a entrevista de Tarso
Genro para a revista Primeira Leitura, que indicavam que esta
predileção tinha por objetivo redefinir o controle político do PSDB,
principal adversário do PT a partir da eleição de Lula e da
crescente polarização entre os dois partidos no cenário nacional
(que se confirmaria nas eleições municipais de 2004). De Minas
Gerais partiria um acordo com o governo federal que
“despaulistizaria” o PSDB, enfraquecendo as lideranças de José Serra
e Fernando Henrique Cardoso. O Caso Waldomiro e as eleições de 2004
redesenharam esta estratégia. O PSDB paulista foi o maior vitorioso
entre os tucanos e o governador Aécio Neves sofreu muitas derrotas
em cidades-pólo de seu Estado. O PT, por sua vez, se interiorizou e
aumentou sua influência em cidades médias, perdendo cidades de
destaque nacional, como São Paulo e Porto Alegre. A nova alteração
do mapa político e as disputas palacianas que ocorreram no período
desorientaram a ação governamental e deslocaram lentamente o eixo
das negociações do governo para o Congresso Nacional. A partir daí,
o varejo das negociações desarticularam ainda mais a capacidade de
controle político, respingando na anunciada reforma ministerial. A
fragilidade do governo Lula esteve sempre associada ao excessivo
centralismo na condução das decisões estratégicas e no reduzido
campo de negociação – e de interlocução – através do qual o governo
se movimentou. Esteve, assim, cerceado e limitado pela sua própria
engenharia política.
O deslocamento das alianças que alçaram
o lulismo ao governo federal torna-o um reflexo de si mesmo e corrói
sua fonte de legitimação. É de se esperar que Lula seja obrigado a
reatar seus vínculos sociais a partir de sua habilidade retórica,
pelos truques de linguagem, analogias e forte apelo publicitário.
Suas armas, enfim, são outras, passados dois anos de governo.
As prioridades de governo e a noite
severina
Numa esclarecedora entrevista à revista
Teoria e Debate,
o ministro Luiz Gushiken apresenta os indicadores eleitos pelo
governo federal para avaliar seu desempenho. Uma passagem de sua
entrevista demonstra a preocupação central do governo Lula no início
de sua gestão:
O país que herdamos era um navio em
movimento com grande possibilidade de se transformar um Titanic. O
Titanic são aqueles indicadores que já estavam postos no debate
público: o risco país, o nível de inflação em estado de explosão, o
déficit público etc. Colocamos esse navio em águas mais tranqüilas
para que pudesse ser dirigido com a calma que merece. E, passados
dois anos, os indicadores econômicos e sociais apresentaram
significativos avanços. Veja, por exemplo, o crescimento do PIB, a
redução da vulnerabilidade externa, a melhor relação dívida
pública/PIB, a recuperação do emprego, a expansão vigorosa dos
programas sociais e uma revolução na área do crédito popular.
A pauta econômica é mais que
predominante, é determinante da ação governamental, segundo podemos
perceber pela passagem acima. Os indicadores do equilíbrio
alcançado, por sua vez, são aqueles do mercado, que nas palavras do
ministro “já estavam postos no debate público”. O pressuposto
intrínseco deste discurso é que a correlação de forças políticas não
se alterou com a eleição de Lula e a pauta da estabilidade já
estaria condicionada. Em seguida, o ministro arrola os frutos da
política econômica restritiva, iniciando por mais alguns indicadores
eleitos pelos agentes financeiros para medida da saúde dos países a
receberem investimentos, seguidos pelos resultados em relação ao
emprego, expansão dos programas sociais e crédito popular. Contudo,
o microcrédito vem apresentando dificuldades de expansão, não
atingindo 10% das metas. Envolve mais o consumo de segmentos muito
específicos da população (como é o caso dos aposentados) e não a
produção. E o caso dos programas sociais não chega a ser uma
“expansão vigorosa”. Estudos do INESC revelam dificuldades de gasto
e coordenação nesta área.
A entrevista é ainda mais elucidativa na
medida em que são apresentados os projetos-símbolo do governo
federal:
-
investimento no conhecimento
científico a partir da criação da Agência de Desenvolvimento
Industrial, distanciando-se das políticas industriais nos moldes
clássicos da estratégia da industrialização pesada e
infraestrutura;
-
política externa, com fortalecimento
do G-20, abertura dos mercados da Ásia, Oriente Médio e África;
-
expansão do microcrédito, inclusão
bancária e digital.
O pressuposto da inclusão, neste caso, é
que ela se faz pelo mercado e não pela política. Aproxima-se do
receituário liberal, onde o Estado aparece como garantidor do
sucesso individual. O governo Lula, assim, altera profundamente a
lógica da cultura política petista.
A política mantém-se refém das
negociações institucionalizadas secularmente em nosso país. Por este
caminho, a vitória de Severino Cavalcanti para a presidência da
Câmara Federal não foi necessariamente um erro de percurso e nem
mesmo um erro. É uma contingência de uma arena política limitada
institucionalmente que se alimenta da quebra de vínculos diretos com
a vida cotidiana dos cidadãos.
O governo Lula fecha-se na Corte e se
torna refém das tradições políticas brasileiras. Um governo cuja
gestão é altamente centralizada, que privilegia interlocutores
institucionalizados, que elabora ações de governo sem consultas
amplas à sociedade, que se orienta pela expansão do acesso aos
mercados sem alterar a lógica de reprodução social.
A política brasileira, enfim, parece ter
perdido uma das suas grandes possibilidades de mudança. Reafirmou-se
como conservadora, marcada pelo apartheid político. O
lulismo, em seu pragmatismo e obsessão tática, reafirmou os antigos
personagens e práticas que povoam o anedotário nacional. Não
conseguiu, por aí, traduzir algumas das importantes inovações
municipais petistas para o âmbito federal. Desarticulou sua agenda
histórica. E rejeitou a ampliação da participação política na
definição dos rumos do país. |
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