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Por ANTONIO OZAÍ DA SILVA
Docente
na Universidade Estadual de Maringá (UEM), membro do Núcleo
de Estudos Sobre Ideologia e Lutas Sociais (NEILS – PUC/SP),
do Conselho Editorial da Revista Margem Esquerda e Doutor
em Educação pela Universidade de São Paulo
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Para não dizer que não falei das
flores...
Antonio Ozaí da Silva
Estes dias, ouvindo a música de Geraldo
Vandré, recordei os velhos tempos – e parece que foi
há
tanto tempo!
As recordações têm o efeito do saudosismo.
Então, percebemos
o passar do tempo. Mas tudo isso poderia apenas representar um
instantâneo na corrida pela vida – pois o tempo não pára – se
não fosse o fato desta lembrança vincular-se à percepção como os
jovens de hoje, e outros não tão jovens, concebem a democracia. Esta, após as diversas eleições
que tivemos nestes anos, se rotinizou, restringindo-se
ao ato de votar. Aliás, como é próprio do projeto liberal e da
maneira como este concebe a cidadania.
As novas gerações tendem a não
valorizar a Política e nem a democracia. Eles não têm a experiência
das lutas pelas liberdades democráticas e estão mais predispostos a
adotar uma postura individualista e apática ou a construírem um
aparato conceitual doutrinário que desconhece a própria história dos
embates dos movimentos sociais pela democracia, ainda que restrita
ao seu aspecto liberalizante. A riqueza destes movimentos é,
novamente reduzida a um certo determinismo amparado numa concepção
que se pretende classista, no sentido marxista; é em essência
determinista e maniqueísta. Isto é ainda mais preocupante se
levarmos em consideração a tradição autoritária da esquerda, a qual
tende a ser revalorizada em nome de uma postura pretensamente revolucionária.
Política e política
Pertenço a uma geração que aprendeu a
fazer política na igreja, nos sindicatos, nos movimentos sociais e,
também, nos núcleos do Partido dos Trabalhadores. Aprendemos a
desconfiar das organizações burocráticas, mas também a disputar o
poder e as benesses do pertencimento ao aparato burocrático – os
quais se tornam cada vez mais atraentes na proporção do seu
desenvolvimento; aprendemos a desconfiar da institucionalidade
burguesa, da política eleitoralista e parlamentar e também dos
limites da gestão do Estado; mas também aprendemos a disputar a
política burguesa, a jogar o jogo e, na verdade, muitos da
nossa geração se adaptarão bem aos corredores e ambientes das
instituições políticas.
Aprendemos e erramos muito. Não
obstante, a Política fazia sentido. Acreditávamos que poderíamos
mudar a nossa vida e o Brasil – e muitos mudaram apenas as suas
vidas e hoje é difícil nos reconhecermos em certos companheiros
daquela caminhada. Um outro mundo era realmente possível. Dizíamos
que fazíamos política com ‘P’ maiúsculo, isto é, a política
em prol do bem-comum, contra as injustiças e as desigualdades
sociais. Para além dos mesquinhos interesses particularistas,
dedicávamos nossas vidas à comunidade, à uma causa que
considerávamos justa. Tínhamos um sonho e sonhávamos juntos, o que o
fazia potencialmente real!
Mas também tínhamos os nossos interesses
imediatistas. E uma das características da militância política nesta
fase é que ela dizia respeito ao nosso cotidiano e, simultaneamente,
não se restringia a este. Acreditávamos que construíamos a nova
sociedade, o novo homem, a nova mulher, desde o momento presente. A
utopia da sociedade justa e igualitária se concretizava a partir das
pequenas conquistas, das coisas mais simples.
A desconfiança, e mesmo o repúdio, da
política com ‘p’ minúsculo, ou seja, a política institucional
dos políticos profissionais, não resultava na negação da Política,
mas sim na busca de meios e procedimentos geradores de uma nova
política, liberta dos condicionantes da política liberal que
restringe a democracia à fórmula de “cada cabeça um voto”. Porém,
para os homens e mulheres comuns que se descobriram enquanto
sujeitos da sua própria história no agir político, as discussões
teóricas nem sempre eram o mais importante. Queríamos a democracia e
esta significava tanto o direito de eleger nossos representantes,
quanto a possibilidade de praticá-la nos diferentes espaços em que
convivíamos (comunidades eclesiais de base, pastorais, reuniões e
assembléias sindicais, nas reuniões dos núcleos do partido, etc.).
Com o tempo aprendemos que a política
expressa os diversos interesses sociais, isto é, seu fundamento é a
desigualdade na base da sociedade. Nestas condições, os objetivos da
política são tantos quanto os interesses em conflito e a Política
com ‘P’ maiúsculo, isto é, a luta pelo bem comum, se restringe à uma filosofia política
prescritiva. Em outras palavras, o bem comum é uma abstração
que não resiste à realidade social desigual. O Estado surge então
como o agente universalizante daquilo que nos tornam iguais: os
direitos políticos. Somos iguais perante a lei, cidadãos numa
relação verticalizada perante o Estado; detentores de determinados
direitos, em especial o direito de votar. Mas esta igualdade é
jurídica e formal; ela coexiste com a desigualdade real traduzida
pela política em conflitos sociais e lutas de classes.
Democracia
Porém, aprendemos que mesmo a democracia
liberal, restrita às eleições e ao direito de voto, tinha que ser
uma conquista. Dessa forma, aprendemos a valorizar a democracia. É
verdade que naquela época também haviam os companheiros que nos
criticavam por considerarem esses anseios democráticos como ilusões
burguesas; estes vinham de uma tradição que adjetivava
a democracia e tendiam a instrumentalizá-la. De qualquer maneira,
nas condições da ditadura militar, mesmo eles se viam diante do
dilema de lutarem pelas liberdades democráticas de caráter burguês.
Eles, é claro, concebiam este momento como um passo para o objetivo
estratégico maior, a construção da sociedade comunista.
Este é, na verdade, um debate antigo. Há
muito que as forças da esquerda convivem com o paradoxo de respeitar
a legalidade burguesa instituída e,
simultaneamente, elaborar a crítica ácida às instituições burguesas
que materializam o aparato político, jurídico e ideológico. No
dialeto esquerdista, esta contradição se expressa na necessária
participação na ordem burguesa – por exemplo, a adesão ao ‘canto
de sereia’ do Parlamento burguês – e, ao mesmo tempo, a crítica
ao status quo.
Este dilema remonta ao surgimento dos
partidos de massas na Europa do século XIX: a social-democracia. Era
um tempo em que a participação nas instituições políticas
capitalistas era concebida de forma crítica, mesmo entre os que
decidiram participar. Os críticos mais ferrenhos, que adotaram
posturas absenteístas, apontaram os riscos de cooptação e adaptação
à ordem vigente: os revolucionários transformam-se em reformistas e,
estes, reduzem sua prática política ao gerenciamento do capitalismo
– uma espécie de melhorismo.
Nas condições russas, sem qualquer
tradição democrática representativa, a superação da democracia
liberal burguesa assumiu um viés autoritário: controle estatal
da vida social, econômica e política; atrofia da sociedade civil; e,
burocratização da organização partidária, dos conselhos e do Estado.
Formou-se uma nova situação onde os burocratas falavam em nome dos
trabalhadores, para melhor controlá-los. Eis a democracia, sem
qualquer das suas adjetivações, pisoteada em nome da democracia (não
por acaso, muitos destes países se autodenominavam democracias
populares e/ou intentavam nos fazer crer que a ditadura do
proletariado era o regime mais democrático possível, e não a
ditadura do partido e da burocracia dirigente sobre os trabalhadores
e a sociedade civil).
Na Alemanha, à época da República de
Weimar, também ficou patente o descompasso entre a política
revolucionária de negação da ordem capitalista e as aspirações
reformistas e nacionalistas dos trabalhadores. Há um desencontro
entre a vanguarda e a massa.
Estes anos marcam a ruptura da tradição
anterior: as polêmicas no seio da esquerda, até então restritas aos
recursos da argumentação racional e da correlação de forças enquanto
arma política, evolui para o uso sistemático da violência física.
Agora, não é mais suficiente destruir a idéia do opositor: é preciso
aniquilá-lo. São os anos do assassinato de Rosa Luxemburgo, do
massacre dos marinheiros de Kronstadt no regime soviético. E o
stalinismo ainda estava em estado germinal.
Com a ascensão de Stalin intensifica-se
o uso da violência, da calúnia, do estímulo à delação: tudo em nome
da legalidade socialista. Companheiros de ontem são torturados,
obrigados a confessarem seus crimes, a se arrependerem. O
stalinismo aprimorou a prática da violência política e da
deduragem e terminou por institucionalizá-la. Aliás, neste ponto, o
marcatismo estadunidense não ficou atrás. O elemento
fundamental em todas estas experiências é a negação da democracia.
Estado e Forma de Governo
A indistinção entre Estado
e Formas de Governo (ou regime político)
também é um fator complicador no debate sobre a democracia. O
primeiro refere-se à relação entre o sistema de poder e a sociedade;
o segundo diz respeito à estrutura de poder e as relações entre os
vários órgãos do poder. Do Estado faz parte todo o aparato
necessário para garantir a coerção e o consenso da sociedade: a
burocracia funcional, o judiciário, o aparelho repressivo e o
governo. O conjunto as instituições que regulam a luta pelo poder,
bem como, o seu exercício configuram o regime político. Em outras
palavras, as Formas de Governos nada mais são do que o modo como se
organiza e se dá a seleção da classe que dirige a sociedade.
Num Estado caracteristicamente
capitalista podemos ter um governo oligárquico, ditatorial ou
democrático. O fato do governo ser democrático ou ditatorial não
modifica a essência do Estado. Vejamos um exemplo: enquanto a
ditadura militar implantada no Brasil em 1964 correspondeu às
necessidades e interesses econômicos da burguesia – e mesmo grande
parte a classe média – poucos foram os ousaram desafiá-la. Parte da
elite brasileira só passou a apoiar a forma democrática de governo
quando o modelo de desenvolvimento econômico militarista deu sinais
de esgotamento e seus interesses econômicos passaram a ser
ameaçados. O mesmo pode-se afirmar em relação à classe média: seu
apoio à oposição democrática cresceu na proporção da crise
econômica.
Democrático ou ditatorial, mantém-se
intactos os mecanismos de controle da sociedade: muda-se a
forma de escolha dos governantes (antes ditada por um colégio
eleitoral indireto; hoje escolhidos pelo povo). Não obstante, as
formas de governo não são indiferentes. Do ponto de vista da garantia
das liberdades individuais, de expressão, de organização etc., os
que mais têm a perder com a supressão da democracia representativa e
liberal é justamente a maioria da população sem poder econômico e,
portanto, sem meios de pressão direta sobre o Estado e o governo.
A
democracia não é uma qualidade intrínseca à elite dominante.
Historicamente as classes economicamente dominantes vêem a ampliação
da democracia como um risco ao seu domínio – se possível, procuram
limitá-la; se não, cooptam os partidos, lideranças e organizações
dos trabalhadores, integrando-as no sistema e tornando-as
co-responsáveis pela estabilidade da ordem social. Aliás, uma
retrospectiva histórica comprovará que a democracia é uma conquista
da maioria da sociedade contra as minorias dirigentes. O paradoxo é
que, do ponto de vista econômico, isto é das condições de vida e de
trabalho da maioria da população, a situação sob o regime
democrático nem sempre expressa melhorias. Isto leva ao próprio
descrédito em relação à política e à democracia.
Um outro exemplo clássico que explicita
a distinção entre Estado e Forma de Governo é o caso
chileno. Em 1973, um governo socialista foi eleito dentro das regras
do jogo democrático num Estado capitalista. Os perdedores tentaram,
desde o primeiro momento, impedir a posse do Presidente Allende. Não
conseguiram. Então articularam o golpe militar e derrubaram-no. E
tudo em nome da democracia – basta lembrar que o império moderno,
para muitos iludidos, o ‘baluarte das liberdades democráticas’,
esteve o tempo todo nos bastidores do golpe. Este fato histórico
comprova que uma coisa é o poder, isto é, o controle o Estado e todo
o seu aparato; outra, é o governo.
Em sua essência, todo e qualquer Estado
não pode prescindir da função de controle da sociedade. O recurso à
violência é inerente ao Estado, mesmo ao Estado de Direito
democrático. Aliás, este geralmente é mais eficiente no uso da
repressão – porque, em geral, consegue impor uma áurea democrática.
Para quem apanha dá na mesma: a pancada de um cassetete nas mãos de
um policial sob um governo democrático dói tanto quanto aquela sob
um governo ditatorial; as balas, num e noutro caso, têm o mesmo
efeito.
A diferença, que não é pouca coisa, é
que o ato repressivo repousa
apenas na força; enquanto que no caso democrático, a
repressão encontra legitimidade na própria sociedade. Ou não
será fato que muitos setores sociais aplaudem a repressão aos
sem-terra? Se estes fecham as rodovias como forma de protesto não
faltarão os liberais de última hora que, em nome do sagrado direito
de ir e vir, clamem pela repressão policial e mesmo intervenção do
exército. O mesmo acontece quando os trabalhadores, em luta por suas
reivindicações, paralisam setores essenciais.
Houve um tempo em que o aparato militar
foi usado para recapturar os escravos fugitivos. Nada mais lógico
que, num Estado controlado pelos senhores fazendeiros, estes usassem
seu braço armado para este tipo de serviço. O próprio exército
envergonhou-se do papel de capitão-de-mato.
Jorge Amado, em Os Subterrâneos da
Liberdade, relata-nos a repressão do Estado Novo:
primeiro, com a intervenção na organização sindical; depois as prisões, a tortura
e a morte dos operários. Tudo isto não foi
suficiente para conseguir o principal: forçar os trabalhadores a
carregarem o navio com o café doado pelo governo brasileiro ao
ditador espanhol Franco. Então foi preciso recorrer ao exército.
Mesmo assim houve resistências e soldados foram fuzilados acusados
de desobediência aos superiores. (No caso chileno também podemos
observar, por exemplo no filme Chove sobre Santiago, a
resistência dos soldados ao golpe militar: se a função do exército é
garantir a constituição, então, não poderiam atentar contra um
governo legitimamente eleito. Tiveram o mesmo fim: fuzilamento.)
Em outros tempos, e nossa memória parece
curta, o exército foi chamado para ocupar as ruas, bater e prender
trabalhadores, torturar e fazer desaparecer suas lideranças. Mas
este é um último recurso, só utilizado quando a polícia não dá conta
do recado. O poder político se caracteriza pela coerção, pela
exclusividade do seu uso, o que, em última instância significa
manter a ordem social desigual e os privilégios dos poucos
que controlam o poder econômico. Eis o objetivo essencial da
política: manter a ordem pública interna e externa.
Cidadania
A política institucional é uma
construção histórica. Não é casual a restrição da política às
esferas do Estado, isto é, à participação em suas instituições.
Para Aristóteles, o cidadão é aquele capaz de governar e ser
governado. A política é, portanto, a atividade própria dos homens
livres e é a condição de proprietários que fundamenta o status de
cidadão. Historicamente a cidadania expressa exclusão política e
social de amplos setores da população. Em vários contextos
históricos, desde a polis grega, as mulheres e os
trabalhadores, por exemplo, não usufruem os direitos políticos;
mesmo a Revolução Francesa, em seus primeiros anos, instituiu uma
cidadania diferenciada pelo critério da poder econômico, criando
duas categorias de cidadãos: os passivos e os ativos; no Brasil
durante anos a maioria da população não pôde exercer o direito de
votar e ser votado; e o sufrágio universal, mesmo em países
considerados desenvolvidos, por muito tempo se limitava ao voto
masculino.
Os lemas da Revolução Francesa,
Liberdade, Igualdade e Fraternidade, foram aprisionados pelo
critério da propriedade, restringindo-se a cidadania política aos
proprietários: a liberdade se metamorfoseou em liberdade de mercado
e a igualdade foi afirmada pela formalidade da lei. A inclusão
política dos trabalhadores e amplas parcelas da população, ou seja,
a cidadania política foi uma conquista, uma imposição das massas às
elites liberais-conservadoras.
Porém, a conquista de direitos civis e
políticos não garantem o usufruto de direitos sociais. Se o Estado
reconhece os direitos políticos, isto é, a inclusão dos
trabalhadores, inclusive dos mais pobres, à qualidade de cidadãos,
escamoteia a desigualdade social real e individualiza os direitos
(assim todos temos o direito de escolher nossos governantes e nisto,
independente da classe social ou do poder econômico, somos iguais).
A democracia representativa não é sinônimo de cidadania social. Vivemos numa democracia sem cidadania social e a apatia
política e a descrédito no regime democrático são efeitos dessa
situação.
Nos anos recentes, em especial a partir
da crescente influência das idéias neo-liberais, a cidadania
política e social foi metamorfoseada em direitos do consumidor: a
qualidade de cidadão é dada pela capacidade de consumir mercadorias.
A cidadania é medida pela quantidade de moedas, limites do cheque
especial e cartão de crédito (ironicamente, a moeda francesa, o
franco, trás gravada a divisa Liberté, Egalité, Fraternité,
ou seja, quando maior a posse de moedas maior a liberdade e mais
igual ele será). Contudo, não se trata de negar a importância da
cidadania, mesmo em sua limitação política liberal, mas de
aprofundá-la. Nesse sentido, ela está sempre em construção;
significa afirmar que os lemas da Revolução Francesa permanecem
atuais e incompletos.
Concluindo...
A linguagem não é neutra. Termos como
democracia e cidadania devem ser estudados considerando-se os
diversos contextos, espaços e práticas históricas. Não é salutar a
desvalorização dos conceitos políticos, e da própria política, sem o
necessário aprofundamento teórico e as considerações de cunho
histórico e social. A afirmação da democracia e da cidadania não
significa, necessariamente, concordância com o pensamento liberal.
Mas este não pode ser simplesmente desconsiderado – até porque nos
fornece argumentos contra os próprios limites do liberalismo e em
relação às experiências de socialismo autoritário. A crítica
que desconsidera as conquistas que marcam a legalidade burguesa e,
ao mesmo tempo, o fracasso do discurso e prática das chamadas
“democracias populares” e/ou “socialismo real”, ou é ingênua ou
sectária. No primeiro caso, o remédio é simples: basta abrir os
olhos, estudar, dialogar, estar aberto a aprender; já no segundo, a
cura é quase improvável. Mas não percamos a esperança e... a
paciência!
As flores murcharam e/ou foram
pisoteadas pelos que hoje perambulam pelos corredores das
instituições do Estado; mas nem tudo foi perdido. A democracia é
como uma planta frágil que precisa ser cuidada. E, a despeito de
tudo, precisamos continuar acreditando que o que plantamos pode
resultar numa primavera mais bela. Esta, com certeza, virá! |
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