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Por
CELUY ROBERTA HUNDZINSKI DAMÁSIO
Doutoranda
no Institut Catholique de Paris e Université Marne-la-Vallée
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Esperança de vida entre a França o
Brasil
Cada
vez mais, os demógrafos estão interessados em saber se há e qual é o
limite biológico da vida humana. Muito variável segundo o país,
clima, alimentação, etc., tem havido uma alta na França, onde a
esperança de vida chega aos 80 anos; sendo 76,7 para os homens e
83,8 para as mulheres. Nos últimos dois anos, houve uma alta de dez
meses, consideravelmente mais do que a tendência dos últimos
cinqüenta anos onde o aumento era de seis meses a cada dois anos.
No verão de 2003, o excesso de
temperatura provocou muitas mortes antecipadas de idosos, mas ao
contrário do que se esperava, a estimativa de vida aumentou. Segundo
o demógrafo Gilles Pison, o efeito deu-se por causa dos maiores
cuidados que os idosos receberam a partir de tal acontecimento.
Pois, em dois anos, o risco de morte de pessoas idosas abaixou de 10
a 15% para cada idade, esse número é considerado enorme no país.
Após a Segunda Guerra mundial, o limite
de idade era de 75 anos. No início dos anos 80, as Nações Unidas
estimaram um teto de 85 anos, que foi ultrapassado pelos japoneses.
Os franceses, agora, estão a caminho de atingi-lo. O aumento tem
sido linear. As francesas, nos anos 1960-1965, contavam com um teto
de 78,9 anos, e em 2000-2005 de 83,5. O Japão teve uma progressão
ainda mais rápida: no mesmo período, as japonesas passaram de 71,7 a
85,3 anos.
De acordo com estudos realizados pelo
demógrafo James Vauple, diretor do Instituto Max-Planck de pesquisa
demográfica em Rostock, na Alemanha, os recordes em vários países
europeus têm aumentado consideravelmente. Deve-se levar em conta que
as causas de mortalidade por doenças infecciosas e respiratórias,
que atingiam adultos e idosos, diminuíram largamente a partir dos
anos 1950. Em seguida, foram as doenças cardiovasculares que
decresceram nos anos 1980. Apesar de serem julgadas absurdas durante
algum tempo, hoje, acredita-se que essas causas são plausíveis.
Para o futuro, aspira-se que os
centenários, em número de 15.000 hoje, chegue a centenas de
milhares, visando, além disso, o progresso de super-centenários (110
anos ou mais).
Por outro lado, o brasileiro, com menos
tempo de vida, contenta-se com o aumento de esperança de vida que de
1980 a 2002 foi de 13,6%. Em 1970 essa estimação era de 31,4 anos,
em 1980 de 56,8, em 1991 de 63,3. Segundo o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística - IBGE, a expectativa de vida, pela primeira
vez na história, ultrapassou 70 anos, alcançando 71,1 anos, sendo
74,9 para as mulheres e 67,3 para os homens.
A diferença entre homens e mulheres
(7,6) deve-se ao grande número de mortes violentas,
caracteristicamente masculinas, na faixa dos 15 aos 35 anos. A queda
da mortalidade infantil contribuiu para o aumento de tempo de vida,
mas vários fatores, como a fome, a tensão por fatores econômicos,
violência, qualidade de vida, privação de lazeres, deficiência na
área da saúde, etc. colocam o Brasil no 88° lugar em tempo máximo de
vida entre os 192 países pesquisados pela ONU.
Com o maior índice de depressão da
Europa, os franceses ainda estão muito à frente dos brasileiros com
toda sua “alegria de viver”. As aparências, também enganam, pois, de
maneira geral, comparando-se pele, cabelo e comportamento, a
população do país de Vinícius de Moraes aparenta ser mais jovem do
que a do país de Charles Aznavour. Talvez, devamos considerar que ao
contrário do calor, o frio conserva, independentemente do aspecto.
Viver bem é o que realmente importa, mas
será que os brasileiros têm as condições necessárias (política,
social, saúde…) para fazê-lo? Quando o país poderá atingir um lugar
melhor na escala mundial? Em meio a tantas riquezas naturais,
culturais e outras, porque não se resolvem muitos desses problemas
que impedem a longetividade? São perguntas que muitos nem ousam
fazer, mas que fica no coração de cada brasileiro, mesmo que esse
coração pare mais cedo de bater. |
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