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Por
MARTA TEIXEIRA DO
AMARAL
Docente da
Universidade Estácio de Sá. Diretora do CTA. Mestre em Educação
pela UNIPLI |
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A Dimensão Ambiental na Educação
Brasileira
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RESUMO
O artigo faz um breve apanhado
sobre a questão ambiental e a formação cultural brasileira
relatando alguns fatos históricos pertinentes. Estabelece
alguns novos procedimentos pedagógicos para a inclusão da
Educação Ambiental na escola.
Palavras-chaves: meio ambiente,
educação, cultura. |
A
maneira como se origina e evolui a cultura define o progresso da
educação e das perspectivas ambientais de um povo. Mediante essas
afirmações se faz necessário que antes de abordarmos o cerne da
questão de que tratará esse capítulo, façamos uma breve análise dos
conceitos de cultura e do processo de formação da cultura
brasileira.
O estudo da cultura tem sido uma
preocupação contemporânea. Desvelar os caminhos traçados por
antigas civilizações e conhecer as razões específicas que fizeram
com que os grupos humanos se relacionassem de maneira peculiar e
organizassem diferentemente a vida social dão significado às
relações sociais existentes no presente.
A evolução da humanidade é marcada por
contatos e conflitos entre formas diferentes de organização social,
apropriação e transformação dos recursos naturais e apreensão do
conhecimento. A realidade de cada povo se expressa através da
concepção histórica coletiva do relacionamento de seus indivíduos
com a natureza.
Os fatos históricos contam-nos sobre as
transformações culturais ocorridas no interior das diferentes
sociedades em decorrência dos encontros e conflitos entre os povos.
Dessa maneira, ao falarmos em cultura
estaremos indubitavelmente referindo-nos à humanidade - diferentes
povos, nações, grupos humanos – com toda a sua diversidade, riqueza
de expressão e criatividade.
A partir de uma matriz biológica
idêntica os grupos humanos se multiplicaram e ocuparam as mais
remotas regiões dos continentes.
Nesse movimento, o contato entre grupos humanos foi comum, mas a
intensidade desses contatos definia e determinava seu isolamento ou
incremento. O desenvolvimento dos grupos deu-se mediante ritmos e
modalidades variáveis não obstante a constatação de certas
tendências globais. O aceleramento desses contatos é mais recente e
os grupos isolados vão desaparecendo, à medida que, o planeta tende
a construção de uma civilização mundial (SANTOS, 1994: 10).
Isso explica, por exemplo, as diferentes
práticas no uso do meio ambiente e a variabilidade na transformação
dos recursos naturais disponíveis. É notório que nossos ancestrais
sobreviviam da caça e da pesca e não se fixavam em uma região por
muito tempo. No entanto, alguns grupos inicialmente nômades e
dependentes da coleta, para potencializar a sobrevivência de seus
indivíduos, passaram gradativamente à vida sedentária dando origem
às primeiras vilas e aldeias. A competência da reorganização social
desses grupos e a destreza na criação de novas possibilidades de
adaptação e convívio social com o meio natural definiu e delimitou a
distância do desenvolvimento e da fixação entre os vários
grupamentos (Idem, ibidem: 15).
Percebemos que a formação da cultura e
da história da humanidade esteve combinada com a história natural e
o desenvolvimento dos grupos humanos deu-se através da transformação
do meio. Torna-se relevante realçar que o destino de cada grupo
deveu-se não só às formas de organização social, mas, sobretudo, à
capacidade de superação dos conflitos gerados (Idem, ibidem: 11).
Dessa maneira, pensar em evolução linear das sociedades humanas é
uma idéia ingênua e preconceituosa.
Mas então o que é cultura? A etimologia
da palavra cultura refere-se ao verbo latino colere que
significa cultivar e seu significado original está ligado às
atividades agrícolas de nossos antepassados (Idem, ibidem: 27).
Pensadores romanos antigos ampliaram o sentido da palavra e passaram
a usá-la como sinônimo de refinamento e sofisticação pessoal. No
decorrer da história, vários outros significados foram sendo
atrelados à palavra. Aqui nos interessa o seu sentido mais amplo,
por isso, citaremos duas concepções básicas:
A primeira concepção está, de certa
maneira, vinculada ao conceito dados pelos pensadores romanos,
citados anteriormente. Inicialmente poderíamos entender cultura como
o conjunto dos conhecimentos, das idéias e das crenças e a maneira
com esses elementos apresentam-se na vida social. Na outra
concepção, de caráter mais abrangente, cultura diz respeito a tudo
aquilo que caracteriza e existência social de um povo, nação ou
grupos sociais no interior de uma sociedade, preocupando-se com a
totalidade dessas características e a maneira como tais grupos
concebem e organizam a vida social ou seus aspectos materiais (Idem,
ibidem: 24).
O segundo conceito exprime a necessidade
de a cultura ser muito mais do que o conhecimento escolar ou o
conteúdo e os valores priorizados pelas sociedades e preservados
através da educação formal. Cultura é antes de tudo humanização. E
define-se como algo muito mais abrangente do que o simples resultado
da ação intelectual do homem. Ela é o próprio modo de ser humano e
distingue-se por uma dupla manifestação: a de processo e a de
produto. Processo por definir a ação contínua e recíproca do homem
no meio e produto por ser resultado dessa ação constituindo os bens
culturais construídos historicamente (ROMANELLI, 1993:20).
A cultura enquanto processo liga-se à
sobrevivência do homem e à preservação da sua condição humana
reescrevendo a sua história. E o produto cultural conquistado
perpetua-se através dos tempos. A continuidade do processo cultural
e a preservação dos bens culturais estão interligadas necessitando
do meio social para existirem. Por essa razão o instrumento que a
cultura utilizará para perpetuar-se será, indubitavelmente, o
processo educativo (Idem, ibidem: 21).
A ação educativa se processará de acordo
com a compreensão que se tem da realidade social em que está
inserido. Dessa maneira, o processo educativo e as trocas culturais
entre os povos serviram para enriquecer e diversificar as inúmeras
culturas existentes. As trocas entre os povos da Antiguidade,
muitas vezes, serviram como fonte de enriquecimento e construção de
símbolos universais como é o caso do sistema numeral indo-arábico
arraigado no nosso cotidiano. Mas nem sempre os contatos entre os
povos favoreciam as culturas em questão ou promoviam o aprimoramento
educacional para o enriquecimento mútuo. Os índios das Américas
tiveram suas culturas aniquiladas e sofreram um processo impolido de
transferência dos padrões culturais europeus. O Novo Mundo foi
obrigado a adotar o transplante dos produtos culturais acabados da
civilização européia (Idem, ibidem: 22). A transferência compulsória
dos padrões europeus de vida determinou o aniquilamento quase total
da cultura indígena.
O Brasil, como parte integrante dessa
estratégia, sofreu em sua construção a mesma transferência cultural.
Como dito no capítulo anterior, a economia colonial brasileira
fundou-se na histórica tríade: latifúndio, mão-de-obra escrava e
poder político patriarcal. A estratificação social favoreceu a
manutenção da estrutura de poder que estava personificada na figura
do dono da terra e, conseqüentemente, na família patriarcal. Foi,
justamente essa instituição que possibilitou a importação dos
pensamentos e das idéias dominantes da cultura medieval européia
para o Brasil (Idem, ibidem: 33) através da educação – personificada
na figura dos padres da Companhia de Jesus - e da imitação do estilo
de vida da Metrópole – costumes trazidos pelos filhos da elite que
saiam do país para estudar fora, principalmente na Universidade de
Coimbra. Provavelmente, não era incomum apreciarem-se nos centros
das primeiras cidades brasileiras, mulheres trajadas sob a mais
requintada e elegante etiqueta européia, portando suntuosos chapéus
e inúmeras anáguas debaixo dos vastos vestidos. Estilo, sem dúvida,
bem diferente do despojamento indígena.
A chegada da Companhia de Jesus por
volta de 1510 e a estratificação social da colônia estabeleceram as
condições favoráveis para a implantação da cultura e do modelo
educacional europeu. Os padres jesuítas ficaram responsáveis pela
catequese dos índios e pela organização escolar nas longínquas
terras brasileiras. É inegável a importância da obra e da missão
jesuíticas no Brasil, no entanto, queremos aludir o aspecto da
transferência cultural pelo processo educativo implantado pelos
padres – professores – jesuítas.
Gradativamente, o objetivo primeiro da
catequese cedeu lugar à missão de educar a elite brasileira conforme
os costumes da Metrópole. De acordo com a minuciosa análise de
Otaíza Romanelli - quando discute a evolução do sistema educacional
brasileiro em seu livro História da Educação no Brasil - os padres
foram os responsáveis por transformar a educação inicial brasileira
em alienada e alienante. Conceitos estes que, muitos
séculos depois, continuam a ser discutidos por estudiosos
brasileiros que se ocupam em estudar a educação brasileira e tentar
transformá-la, mas, sobretudo, tais conceitos são relevantes fontes
de preocupação e temas de debates nos nossos meios acadêmicos
atuais:
[...] Dela estava excluído o povo e
foi graças a ela que o Brasil se tornou, por muito tempo, “um país
da Europa, com os olhos voltados para fora”, impregnado de uma
cultura intelectual transplantada, alienada e alienante. Foi ela, a
educação dada pelos jesuítas, transformada em educação de classe,
com as características que tão bem distinguiam a aristocracia rural
brasileira que atravessou todo o período colonial e imperial e
atingiu o período republicano, sem ter sofrido, em suas bases,
qualquer modificação estrutural, mesmo quando a demanda social de
educação começou a aumentar, atingindo as camadas mais baixas da
população e obrigando a sociedade a ampliar sua oferta escolar
(Idem,ibidem: 35) [...]
A educação da colônia era excludente e
preconceituosa, à medida que, estava voltada para os filhos homens e
não primogênitos dos senhores de engenho, excluindo, assim, toda a
massa de agregados, índios, escravos e mulheres. Aos filhos
primogênitos dos senhores de engenho era concedida uma educação
rudimentar essencial para cuidar dos negócios da fazenda.
O conteúdo programático do ensino da
colônia era a materialização das idéias da Contra-Reforma que se
caracterizava pelo dogmatismo de pensamento, pela reafirmação da
autoridade e pela valorização da Escolástica
como método e filosofia, priorizando as atividades de memorização. O
caráter educacional da época desconsiderava, integralmente, as
atividades ligadas às ciências, às atividades técnicas e artísticas
e o aspecto humanístico da educação. O conteúdo era neutro e
desprovido de significação social, ao passo que, estava
completamente alheio à realidade da vida na colônia. O caráter
educacional do ensino era enciclopedista marcado pela ausência do
espírito crítico, da análise, da pesquisa e da experimentação. A
educação brasileira foi moldada pelo transplante cultural e
educacional europeu que estava de acordo com o espírito da Idade
Média dominada pelo clero e que visava apenas à formação de eruditos
europeus (Idem, ibidem).
O conteudismo, a exclusão e a
neutralidade do ensino educacional brasileiro colonial arrastaram-se
por séculos a fio moldando o caráter e formando os cérebros dos
alunos brasileiros considerados aptos ao privilégio das Letras. O
sistema fechado de educação brasileira pode justificar, em parte, o
descomprometimento com os direitos humanos e ambientais, com a
exclusão social, com a sustentabilidade e com a democracia no
processo de crescimento brasileiro. Pois por inúmeras décadas
praticou-se um ensino sem significação social para seus educandos e
que não teve como preocupação central uma metodologia que abarcasse
as discussões críticas acerca de questões que ultrapassassem os
muros da escola.
Há um consenso entre aqueles que se
aventuram a afirmar que o ensino tradicional não é adequado a nossa
sociedade contemporânea. A tentativa de superar o antigo foi
empreendida por várias outras formas de pensamento que ensaiaram
legitimar-se através da negação do modelo tradicional. Não obstante,
as tentativas apontaram tantas outras lacunas quantas as deixadas
pelo sistema tradicional. Alguns movimentos renovadores também
desfraldaram bandeiras na educação brasileira, ao longo dos anos, na
tentativa de transformação ou adequação do ensino à nossa realidade.
Porém a inadequação do ensino não significa, necessariamente, que
dele nada se aproveite. Não é nossa intenção nesse trabalho,
refutar, a educação tradicional ou incidir na postura simplista de
alegar que tudo o que é tradicional não presta ou não serviu para
educar – reafirmarmos que não é esse o nosso alvo na presente
discussão, antes o de tentar estabelecer ligação entre cultura e
educação na formação do povo brasileiro.
O desenrolar da problemática educacional
brasileira e sua evolução são bastante amplos e não temos, aqui, a
pretensão de analisar ou mesmo decompor os seus desdobramentos. O
breve apanhado que construímos nos parágrafos anteriores foi apenas
pretexto para a discussão que se segue.
A partir da década de 1970 o mundo
experimentou inúmeras mudanças que impeliram a sociedade a inquirir
novos percursos e a buscar diferentes fontes de informação. O
sistema educacional, como parte atuante e integrante da sociedade,
sofreu a pressão dessa nova moção social. O grande desafio a ser
enfrentado, naquele momento, pela educação era refletir sobre seus
objetivos e superar a incompatibilidade da realidade escolar com o
meio social para adequar-se à era da industrialização.
Acrescidos a esses fatos contemporâneos,
iniciam-se, concomitantemente, eventos sociais internacionais e
nacionais significativos que possibilitaram um avanço epistemológico
concernente às questões civis, sociais e ambientais em nossa
sociedade. Após a realização de conferências mundiais sobre meio
ambiente e direito humano, principalmente a Conferência de Estocolmo
em 1972, novas abordagens sociais foram sendo dadas à relação do
homem com o meio ambiente e às conseqüências de sua transformação.
No entanto esses reflexos sociais
ambientalistas mostraram-se tímidos no âmbito escolar brasileiro.
Segundo Alexandre Pedrini, a Educação Ambiental foi – e está sendo -
prioritariamente realizada nos órgãos ambientais, embora existam
esforços discursivos na área educacional, da ciência e da tecnologia
(PEDRINI, 1998: 37).
Talvez a resistência da inserção da
Educação Ambiental nas práticas escolares deveu-se ao fato da
ausência de uma política prática e efetiva de Educação Ambiental e,
primordialmente, a carência de aspectos ambientais na formação dos
profissionais da educação.
Nas escolas brasileiras, usualmente, as
atividades relacionadas à Educação Ambiental têm facilmente
confundido-se com a disciplina de Biologia ou recebendo o caráter
naturalista de preservação da natureza ou de sensibilização para
problemas ambientais. Em raríssimos momentos tais discussões
aproximam-se ou abordam questões sociais, políticas, econômicas ou
culturais ou debate problemáticas sobre cidadania e direito humano -
temas esses que vêem acoplados às temáticas ambientais. Por isso, a
Educação Ambiental Escolar acaba reduzida às caminhadas por trilhas
ecológicas, às visitas aos parques, as reservas ou aos eco-museus, à
construção de hortas, à promoção de eventos isolados - a comemoração
do dia do meio ambiente, dia da árvore, da água - e à participação
em campanhas preservacionistas - plantio de árvores, adotar
um rio, um parque, etc (CARNEIRO, 1999: 03).
A necessidade de uma reorientação da
educação escolar visando o desenvolvimento sustentável e o
compromisso com a cidadania ambiental implica o intercâmbio das
escolas com as comunidades, promovendo e valorizando suas
organizações culturais, associações de bairros, ONGs... Porque a
Educação Ambiental compreende a dinâmica dos direitos humanos
relativos às condições de vida, que são sempre ambientais e, por
isso, implicam problemas concretos, desde os âmbitos locais aos mais
amplos (Idem, ibidem: 18). Nessa perspectiva se valida a
reorientação das práticas escolares e culturais visando a
sustentabilidade ambiental, sob ótica da interação harmônica da
sociedade com a natureza.
Essa reorientação dos temas escolares
requer uma dinâmica pedagógica interdisciplinar de abordagem
crítico-social e histórica. Essa postura metodológico-pedagógica
estabelece uma nova ética entre o sujeito e o seu meio, à medida
que, a ele também será imputada a responsabilidade da ação,
prevenção e solução de problemas ambientais, bem como, será visto
como parte do meio ambiente e não mais como o dominador dele.
Essa responsabilidade ambiental
compartilhada entre os indivíduos e todas as esferas sociais é que o
prevê a lei nº 3325/99 que instituiu a política de Educação
Ambiental, no Rio de Janeiro, criando o Programa Estadual de
Educação Ambiental. De acordo com ela, a Educação Ambiental
compreende os processos através dos quais o indivíduo e a
coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, atitudes,
habilidades, interesse ativo e competência, voltados para a
conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à
sadia qualidade de vida e a sua sustentabilidade.
A Educação Ambiental na prática
educativa não deverá ser encarada como mais uma disciplina do
currículo ou um tipo especial de educação, mas uma das dimensões que
irá balizar a educação geral. Dessa forma, todos os professores
serão responsáveis por incluir temas ambientais em seus programas e
abordá-los em suas aulas, estabelecendo um vínculo social entre
eles. É, justamente nessa ótica que o Programa da Nações Unidas para
o Meio Ambiente- PNUMA estabelece a Educação Ambiental. Ela deverá,
segundo o PNUMA, será vista como uma dimensão da Educação seja no
nível formal ou não-formal (MINNINI MEDINA, 1994: 51).
A Conferência de Estocolmo conclamou a
sociedade mundial a uma nova postura ecológica que emerge da
interdependência da relação sociedade-natureza. Os PCNs –
Parâmetros currículos nacionais, compartilham dessa mesma idéia,
desde 1971, ao orientar o ensino através da intervenção dos temas
transversais no currículo escolar do Ensino Fundamental e Médio.
Essa estratégia educacional incentiva que algumas perspectivas
sejam contempladas e analisadas de forma interdisciplinar durante a
educação escolar e em todos os conteúdos disciplinares do currículo.
A consciência de que o meio ambiente é uma responsabilidade vital
coletiva ratifica o pressuposto de que a crise ecológica decorre
fundamentalmente da ação do homem. Portanto, o princípio fundamental
para uma estratégia educativa sustentável deverá considerar a ética
da responsabilidade e isto requer uma nova postura
teórico-metodológica. Para Ordónêz, esta responsabilidade
sócio-ambiental do homem refere-se à vida, à história do homem e a
si mesmo como usuário responsável do ambiente nos diversos contextos
de produção e consumo (ORDÓNÊZ, 1992 apud Idem, ibidem: 18).
De acordo com a professora Sonia
Cordeiro da Universidade Federal do Paraná, a Educação Ambiental
deve ser analisada sob três diferentes prismas: o da ética, o
conceitual e o metodológico. No plano ético os princípios básicos
são: respeito com a vida humana e ambiental – meio ambiente visto
como patrimônio de todos; cidadania para a prática consciente dos
direitos e deveres de todos; solidariedade para colaborar na solução
de problemas e na manutenção da vida com qualidade; justiça,
enquanto cooperação eqüitativa pela integridade dos sistemas
ambientais e pelo desenvolvimento mundial; prudência para a
precaução e a viabilidade ecológica e honestidade como coerência
para a tomada de decisões na gestão da biosfera e nas políticas de
desenvolvimento.
No plano conceitual, segundo ela, o
ponto de partida é a interdependência do homem com a natureza. Nesse
plano as proposições referenciais estabelecem interação, mudança,
auto-regulação e sustentabilidade.
E no plano metodológico, a perspectiva
definidora é a interdisciplinaridade. A proposta metodológica para a
efetivação da Educação Ambiental deve considerar as dimensões
cognitiva, valorativa e de habilidades que em conjunto contribuam
para a diferenciação do ensino. Diante dessa perspectiva, a
professora Maria Cordeiro, descreve alguns princípios norteadores,
quais sejam:
a) o diálogo entre toda a comunidade
escolar e a interação desta com a comunidade externa;
b) a realidade ambiental local como foco
para a problematização e a busca de soluções;
c) a gradualidade de leitura do meio
ambiente, considerando-se os níveis de maturidade cognitiva e
afetivo-valorativa dos educandos;
d) a consideração das condições
diferenciais dos educandos, em termos de sua experiência de vida no
que diz respeito a procedência, local de residência e níveis
cultural e sócio-econômico;
e) a pluralidade cultural de orientação
metodológica na busca criteriosa de procedimentos e objetivos
previstos numa proposta interdisciplinar e a aplicação de
procedimentos ambientalmente eficientes, tais como: trabalhos
de campo, exercícios de resolução de problemas, atividades
laboratoriais (Idem, ibidem: 20-22).
Diante de todas essas proposta,
resta-nos, portanto, o desafio de rever nossos objetivos pessoais,
sociais, educacionais, políticos e ambientais, a fim de, estabelecer
o meio ambiente como patrimônio da humanidade e de valorizar o
aspecto ambiental em todas as suas vertentes, primordialmente na
educação escolar e na cultura popular.
Que a separação histórica do homem e da
natureza seja resgatada para a construção do meio ambiente
sustentável e salutar para as futuras gerações!
A Escolástica representa o último período do pensamento cristão,
que vai do começo do século IX até o fim do século XVI, isto é,
da constituição- do sacro romano império bárbaro, ao fim da
Idade Média, que se assinala geralmente com a descoberta da
América em 1492. Este período do pensamento cristão se designa
com o nome de escolástica, porquanto era a filosofia ensinada
nas escolas da época, pelos mestres, chamados, por isso,
escolásticos. As matérias ensinadas nas escolas medievais eram
representadas pelas chamadas artes liberais, divididas em trívio
- gramática, retórica, dialética - e quadrívio - aritmética,
geometria, astronomia, música. A escolástica surge,
historicamente, do especial desenvolvimento da dialética
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