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Negação do Paraíso Celestial e a Luta
pela Emancipação do Trabalho:
A Busca do Reino da Liberdade
Ensaio Sociológico Sobre o Fenômeno do
Lazer em “Karl Marx e Paul Lafargue”
É por essa razão que
afirmamos que o prazer é o início e o fim de uma vida feliz. Com
efeito, nós o identificamos como o bem primeiro e inerente ao ser
humano, em razão dele praticamos toda escolha e toda recusa, e a ele
chegamos escolhendo todo bem de acordo com a distinção entre prazer
e dor. (Epicuro, p.37. Carta sobre a felicidade ).
Na sociedade comunista,
porém, onde cada indivíduo pode aperfeiçoar-se no campo que lhe
aprouver, não tendo por isso uma esfera de atividade exclusiva,
fazer hoje uma coisa, amanhã outra, caçar de manhã, pescar à tarde,
pastorear a noite, fazer crítica depois da refeição, e tudo isto a
meu bel-prazer, sem por isso me tornar exclusivamente caçador,
pescador ou crítico. (Karl Marx, p.41. A Ideologia Alemã ).
Mas para que tenha
consciência de sua força, é preciso que o proletariado pisoteie os
preconceitos da moral cristã, econômica e livre-pensadora: é preciso
que volte a seus instintos naturais, que proclame os Direitos à
preguiça, mil vezes mais nobres e mais sagrados que os tísicos
Direitos do Homem, arquitetados pelos advogados metafísicos da
revolução burguesa. É preciso que ele se obrigue a não trabalhar
mais que três horas por dia, não fazendo mais nada, só festejando,
pelo resto do dia e da noite. (Paul Lafargue. O Direito à
Preguiça, p.84.).
ESCLARECIMENTO
A elaboração deste pequeno texto de reflexão, só foi
possível em decorrência da existência do esforço constante e
pioneiro de incansáveis professores, pesquisadores e estudiosos
brasileiros, que se debruçaram durante anos em preocupações
epistemológicas para compreender o fenômeno turístico. Realizando
investigações e publicando trabalhos de cunho teórico qualitativo e
quantitativo, que permitiram a formação de um arcabouço axiomático e
técnico no interior das instituições de ensino e centros de
pesquisa. A eles, os quais tivemos a oportunidade de conviver
profissionalmente, alimentando brilhantes debates acadêmicos, em que
o respeito à harmonia em saber aceitar posições diferentes, bem
como, a sinceridade em apontar e aceitar limites mútuos, foram os
marcos dessas discussões.
Os estudos produzidos no campo do
turismo no Brasil apresentam um elevado grau de comprometimento com
a realidade sócio-econômica, projetando nosso país no conjunto do
continente Latino Americano, no campo do estudo do turismo. A esses
pesquisadores devemos imensa gratidão, mesmo que muitas vezes,
discordássemos teoricamente de suas interpretações ou reiniciássemos
inúmeras discussões, suas contribuições foram fundamentais.
Gostaria de agradecer de modo especial
ao meu eterno orientador e amigo professor Mário Carlos Beni, por
iniciar-me no estudo do turismo no começo da década de 1970 e pelo
respeito a mim depositado em todos esses anos, dando-me os
ensinamentos básicos do mundo do turismo e conselhos referentes a
minha formação. Autor de um clássico da ciência do turismo: "Análise
Estrutural do Turismo", livro básico, mas complexo que demonstra
a seriedade e capacidade da inteligência nacional no estudo do
turismo no Brasil.
Ao meu amigo professor Luiz Gonzaga
Godoi Trigo o qual tive mais tempo para varias discussões, em que as
ponderações no campo da ciência e da organização sindical dos
turismólogos, foram conversas assaz proveitosas. Autor de vários
livros de extrema seriedade temática que se tornaram fundamentais
para o estudo do turismo no Brasil, dentre eles destaca-se em
especial a obra "A sociedade pós-industrial e o profissional em
turismo”. Exemplo de intelectual sério, cuja capacidade
cognitiva, discursiva e literária na defesa de posições alimenta a
prontidão de qualquer público.
A amiga e querida professora Marlene
Matias, a qual convivi diretamente na luta pela regulamentação da
profissão nos momentos de euforia e tristeza. Nas humilhações que
tivemos de passar, quando os curiosos do turismo desconsideravam os
estudantes e turismólogos. Foi à única de nosso grupo de militantes
da ABBTUR/SP que escreveu um livro quase autobiográfico, chamado "Turismo:
Formação e profissionalismo - 30 anos de história”. Por que
autobiográfico? Porque, todos que o lêem (do grupo de fundadores da
ABBTUR) sentem-se co-participantes daqueles fatos.
A minha mais que querida amiga Maria
José Giaretta que sempre me auxiliou e soube com ética defender o
turismólogo enquanto profissional competente. Por ser um ícone do
turismo no Brasil se tornou referência no meio acadêmica e lutadora
dos seus pares. Amiga exemplar sofremos juntos grandes derrotas e
tivemos infindáveis alegrias, mas nunca deixamos de lutar em prol da
categoria.
A cara amiga professora Mirian Rejowski,
umas das primeiras pesquisadoras a realizar um estudo extremamente
sério e de ponta tanto no campo da quantificação como na de
qualificação da produção científica em turismo existente no Brasil.
Seu livro insubstituível "Pesquisa acadêmica em turismo no Brasil
(1975 - 1992): configuração e sistematização documental” surgem
como, um livro obrigatório para aqueles que querem ingressar no
campo da docência.
A professora Marília Gomes dos Reis
Ansarah, que aprendi a admirar por sua produção acadêmica seria e
extremamente útil na elaboração de projetos e cursos de turismo. Sua
experiência como especialista do SeSu-MEC, tornou-a conhecida por
sua qualidade técnica e profissional. Um de seus livros, segundo
minha opinião de enorme contribuição para o turismo é "Formação e
Capacitação do Profissional em Turismo e Hotelaria: Reflexões e
Cadastro das Instituições Educacionais do Brasil”.
As minhas queridas amigas dos pampas
gaúcho; Marutschka Martini Moesch e Norma Martini Moesch. A
primeira, por ser a primeira hoje, no estudo epistemológico mais
sério existente no país sobre o turismo, possui uma postura crítica
diante do fenômeno turístico e trabalha com uma visão de globalidade
e histórica para pensar uma política de turismo para o Brasil. A
importância de seu livro “A Produção do Saber turístico”, se
deve a explanação teórica que a autora faz no campo da corrente
funcionalista, do existencialismo e do processo de bases marxista da
ressignificação do fenômeno turístico. Deveria ser leitura
obrigatória na graduação e nos cursos de mestrado e doutorado.
A segunda, sua progenitora, minha amiga
primeira, perseguida pelo período da ditadura militar, brilhante
oradora, conquistou a Escola de Comunicações e Artes da Universidade
de São Paulo na década de 70, a qual o autor reencontrou depois de
30 anos.
A amiga professora Maria Ângela Marques
Ambrizzi Bissoli, companheira dos encontros científicos promovidos
pela USP e militante da ABBTUR/SP. Personalidade tranqüila e muito
amiga que escreveu no campo do planejamento e coleta de dados um dos
melhores livros dessa temática. "Planejamento turístico para
municípios de pequeno porte baseado em sistemas de informação”.
As contribuições literárias trouxeram
novos caminhos e instigaram o estudo de outros assuntos para a
ampliação do estudo epistemológico do fenômeno turístico. Nesse
sentido, procurei colaborar para que objeto do turismo fosse
trabalhado também via o materialismo histórico dialético, pois me
parece uma contribuição importante para completarmos o estudo do
fenômeno em todas suas matrizes teóricas.
Além do que, acredito que somente a
polêmica teórica e a defesa de outras matrizes epistemológicas,
permitem a compreensão do objeto e o avanço da ciência. Em que a
civilidade acadêmica deve ser a sinalização mais profunda de
propiciar espaços para a convivência das diversas visões teóricas,
no seu exercício de expressar-se, elevando o turismo para o patamar
de uma compreensão ontológica.
Aos muitos outros amigos, pesquisadores
e profissionais que não estão aqui relacionados esclareço que não
foi esquecimento ou qualquer problema ideológico. Mas sim, optamos
em comentar somente aqueles que possuem livros publicados,
infelizmente esse se constituí um crivo extremamente injusto, pois
os não mencionados possuem excelentes teses defendidas, mas não
publicadas.
Quero deixar registrado, que isso me
atormentou profundamente durante o trajeto deste trabalho, mas tive
que optar por esse caminho, por ser o mais próximo da academia, na
esperança de que o mesmo se torne objeto de estudo das várias
ciências no interior das Universidades e centros de pesquisas.
Finalizo dedicando este texto a todos
meus pares, que hoje estão lecionando, coordenando, pesquisando e
atuando profissionalmente nas inúmeras áreas do turismo. Agradeço em
particular a todos aqueles que discordam de minhas posições
teóricas, mas que sempre souberam respeitá-las no plano das idéias,
isso demonstra atitude intelectual madura no meio acadêmico e
respeito total para com a ciência do turismo. È nessa perspectiva de
discussão, entendimento e produção científica que as diferenças
ideológicas devem conviver e produzir novos conhecimentos unindo
cada vez mais todos aqueles que pensam seriamente o turismo.
Aviso aos meus amigos e companheiros de
profissão turismólogos e sociólogos que resolvi me dedicar ao estudo
do fenômeno turístico, por entender que há um a imensa lacuna deste
assunto analisada via o materialismo histórico dialético.
Devo parte desta descoberta ao meu grato
e estimado amigo, professor e pesquisador Luiz Gonzaga Godói Trigo,
filósofo e turismólogo que deixou uma tradição de produção literária
importante e sempre me instigou no embate acadêmico com respeito,
dignidade e com sua preciosa capacidade intelectual de constantes
ponderações.
Como sociólogo, não poderia deixar de
agradecer a um outro grande amigo e respeitado cientista social
Walter de Alencar Praxedes, companheiro também perseguido por ser
marxista dentro da academia, que me incentivou a escrever sobre
turismo. A ele devo horas de conselhos e de momentos difíceis que
juntos enfrentamos com dignidade e ética profissional.
Comentários
de Paul Lafargue e Karl Marx no Campo do Tempo Livre
Bases Teóricas Deste Estudo
Pode parecer a uma parte dos estudiosos
do lazer e do turismo que a leitura das obras de Karl Marx e de Paul
Lafargue não possuam nenhuma relação com o estudo do fenômeno
turístico, constituindo-se em algo ainda distante e estranho para a
maioria dos pesquisadores no campo das ciências sociais. Mas as
mesmas em sua essência sinalizam uma antiga discussão sobre o mundo
do trabalho e do não trabalho, temática discutida pelo
movimento socialista mundial como sinônimo de tempo livre, ócio,
preguiça e lazer.
A primeira preocupação de Marx foi
destacar para o mundo as condições de exploração contidas no
interior do modo de produção capitalista e a continuidade do
desenvolvimento da história por meio da luta de classes, ou seja,
uma sucessiva mudança nas relações econômicas e políticas, para a
construção da dinâmica histórica da humanidade. Destacando a
acelerada diminuição do tempo de não trabalho na qual o
trabalhador está sujeito, entendendo que cada modo de produção
destroem a si mesmo, segundo seu esgotamento histórico, pois nenhum
sistema é eterno, apesar de sua imensa força material e ideológica.
A segunda preocupação de Marx, que não
esta descolada da primeira, são suas idéias sobre a ciência, postura
que se tornou elemento unificador do marxismo no mundo, permitindo o
surgimento de críticas contundentes ao pensamento idealista,
fenomenológico e existencialista. Que possibilitou para nós a
construção de um novo patamar epistemológico sinalizando o fenômeno
turístico como uma ciência que já incorpora uma sustentação de base
axiológica.
O pensamento de Karl Marx em que a
militância, ou seja, a luta de classe é tida como elemento composto
de "formas moventes e movidas da própria matéria: formas do existir,
determinações da existência" (LUKÁCS, 1978, p. 3) são modificadores
da realidade, só podendo existir, quando o pensamento racional
governa o descobrir do concreto. Essa é a práxis que movimenta a
relação histórica sujeito e objeto, permitindo o desenvolvimento da
análise ontológica do ser.
Com esse pensar, a contribuição de Karl
Marx para o estudo do lazer, está distribuído em toda a sua obra de
forma esparsa e não seqüencial, pois o autor não se debruçou
diretamente nas questões do lazer e turismo. Porém, o estudo do modo
de produção capitalista, desenvolvido por ele, continua atual e
extremamente útil na busca das determinações que explicam o lazer e
o turismo na sociedade contemporânea. Nesse caso destacaremos o
estudo que estamos realizando das obras de Marx, buscando detectar
em sua literatura possíveis referências que poderiam se aproximar do
lazer e turismo.
Cabe ressaltar que pensar o fenômeno do
turismo via a visão marxista, alimenta uma outra linha de pesquisa e
torna o objeto de estudo completo em sua dimensão teórica. Abrindo
um campo novo na pesquisa nessa área, tornando o elemento turismo
preocupação de ponta no estudo das ciências. Entretanto, produz
também, de forma imediata uma rejeição contrária no interior da
academia, pois os idealistas armam-se dos bastões da sabedoria do
neoliberalismo.
Escolher trabalhar o fenômeno do turismo
nessa envergadura, oportuniza uma discussão em que a ciência e a
militância se cruzam em uma práxis objetiva e subjetiva de um
concreto pensado em favor de uma ontologia voltada ao estudo do
indivíduo.
Com escritos inteligentes referentes a
um cotidiano rico de realismo e dramaticidade e responsável pelo
surgimento do socialismo francês, Paul Lafargue cubano nascido em
Santiago de Cuba em 1842, foi para a cidade de Bordéus na França em
1851, onde ingressou na faculdade de medicina. Militante da Primeira
Internacional escreveu sobre a sociedade burguesa, denunciando a
exploração da classe trabalhadora com a arte de uma ironia
extremamente realista e de fácil penetração entre os operários.
Lafargue estabelece como argumentos de
denúncia para relatar as condições do trabalho no modo de produção
capitalista, mostrando a força da ideologia do capital para com os
operários, produzindo o trabalho alienado e a super exploração.
Nesse sentido, faremos um "detour" pelas
principais obras de Karl Marx e aos escritos de Paul Lafargue,
sinalizando as suas referências ao tempo livre e tempo de não
trabalho. Consideramos esse feito extremamente difícil e inédito,
porém, decidimos enfrentar esses desafios iniciais, esperando que
outros pesquisadores continuem essa tarefa.
Preliminares
O desenvolvimento
histórico da humanidade explica-se pelas mais diferentes formas de
como os homens organizam-se para garantir a sobrevivência, sua
relação planifica-se e recompõe-se no conjunto das atividades de
"Homo Faber", em que o homem e o meio interagem na luta pela
existência. Essa dialética da vida social explicita-se em atos
teleológicos
iniciando toda e qualquer relação humana, desenvolvendo a
racionalidade entre os homens conforme o desenvolvimento dos modos
de produção, como reitera Marx:
A consciência é, pois um produto social
e continuará a sê-lo enquanto houver homens. A consciência é, antes
de tudo, a consciência do meio sensível imediato e de uma
relação limitada com outras pessoas e outras coisas situadas fora do
indivíduo que toma consciência;...
Esse processo de
"Homo Faber" sinaliza-o como elemento que só pode ser compreendido
pelo mundo do trabalho, pois transforma o meio e recompõe o próprio
ser humano no interior de sua práxis social cotidiana. Explicar a
humanidade é objetivar a prática do trabalho como mediador da ação
entre os homens, entendendo que a capacidade dada pela razão é o
elemento que potencializa nossa direção para a construção do reino
da liberdade.
Segundo o pensador
marxiano Georg Lukács um dos mais inteligentes e éticos pensadores
das obras de Karl Marx, afirma:
Precisamente essa ligação do reino da
liberdade com sua base sócio-material, com o reino econômico da
necessidade, mostra como a liberdade do gênero humano seja o
resultado de sua própria atividade. A liberdade, bem como, sua
possibilidade, não é algo dado por natureza, não é um dom do "alto"
e nem sequer uma parte integrante - de origem misteriosa - do ser
humano.
Explicar o mundo via
o trabalho foi tarefa árdua de pensadores como Karl Marx e Paul
Lafargue, pois a eles devemos essa ousadia numa época em que a
lógica dada era baseada na visão do censo-comum em que a construção
do real era puro fetichismo. A eles devemos as reflexões que levaram
a sociedade a pensar e exigir o direito ao tempo livre, ócio e lazer
como conquistas sociais universais dos trabalhadores.
A luta militante e
teórica desses homens obrigou o mundo a auscultar os interesses da
classe operária, pois as armas intelectuais a eles fornecidos por
Karl Marx e Paul Lafargue mudaram os rumos da história da
humanidade, trazendo a tona à reflexão crítica como lema da mudança.
O mundo em sua
dinâmica motora alimentada por meio da luta de classes ganhará
tonalidades científicas com esses pensadores, que colocaram a
racionalidade como elemento direto do pensar, trabalhando o ser em
sua plenitude antológica:
1.
O ser é visto como um
processo histórico, em que formas moventes e movidas da própria
matéria se baseiam em formas de existir e determinações da
existência o homem modifica e é modificado pela sociedade;
2.
A consciência reflete a
realidade o que lhe permite realizar ações para modificá-la e
construir um mundo novo em que a exploração seja coisa do passado. A
força da mudança é dada pelo homem em sua atitude de correspondência
com a base da realidade.
Nesta perspectiva, o
homem possui o poder de idealizar tudo aquilo que pretende realizar,
pois é na consciência que ocorre o papel definitivo e decisivo de
dar respostas à realidade e marcá-la com o timbre de humanidade por
meio do trabalho. Assim, para entender o lazer e ócio temos que
compreender em primeiro lugar o trabalho em sua dimensão plena de
esforço físico e mental aliado à modificação histórica que o mesmo
produz na humanidade.
Interpretando Karl
Marx, para "fazer história" os homens devem satisfazer suas
necessidades mais elementares ter água potável para beber,
saneamento básico, conseguir via o trabalho alimento para saciar sua
fome, possuir um teto ou um pedaço de terra para poder produzir seu
sustento, vestir-se, ter direito à medicina à cultura, educação e
lazer, na verdade ser cidadão do mundo. É justamente nesse momento
que Marx e Engels, afirmam de forma brilhante:
O primeiro facto histórico é, pois a
produção dos meios que permitem satisfazer essas necessidades, a
produção da própria vida material: trata-se de um facto histórico,
de umas condições fundamentais de toda a história, que é necessário,
tanto hoje como há milhares de anos, executar dia a dia, hora a hora
a fim de manter os homens vivos.
Nota-se que o
trabalho se constituí no elemento fundante que produz e reproduz a
humanidade em sua dimensão ontológica, em que o ser é o elemento
mais importante, porque pode ser dono de si e pensar pela razão como
forma oposta ao pensamento místico e religioso. A recuperação da
razão como sinalizador da práxis dos homens torna-o independente e
movimentam a vida segundo os interesses nobres da luta política e
ideológica em uma sociedade em que o trabalho liberte o homem e não
o escravize.
Essa amplitude em
que o homem seja o centro das atenções pode trazer-lhe as armas para
que o mesmo descubra as vias possíveis de atuação que permitam
esgotar ao máximo todas as relações de produção capitalistas no seu
patamar de máximo desenvolvimento. Começando aí a sinalização das
fissuras de sua decadência e aparecimento do verdadeiro socialismo
que ainda não surgiu nem próximo ou longe, como assim afirmam certos
setores da intelectualidade do nosso mundo acadêmico.
A categoria
trabalho, quando entendida, permite que o pensamento científico
desenvolva níveis de alta racionalidade, em que a unidade de decisão
passa do censo - comum para o pensamento científico e as verdades se
tornam às diretrizes do cidadão do mundo, capazes de modificar sua
própria história.
Nesse sentido,
partimos do pressuposto que todo o processo que ocorre entre os
homens é produto de uma atividade que altera o meio social, que se
configura pela atividade trabalho que se constitui no divisor entre
o pensamento místico e histórico. Entender essa diferença significa
pensar a produção da vida dentro dos moldes do "método da economia
política", em que as relações econômicas e políticas explicam a
dinâmica dos homens.
A HISTÓRIA VISTA
PELO MODO DE PRODUÇÃO
O marxista trata,
portanto de <<leis>> da história e da sociedade – da sua
transformação -, mas apenas se refere com prudência e reserva a um
<<determinismo>> econômico ou histórico; sabe (e é um aspecto
importante desta questão) que, indirectamente, está a fazer o elogio
da <<passividade>> perante os factos; ora, a passividade é
incompatível não só com a acção e a prática, mas também com o
verdadeiro conhecimento! Embora tivessem querido por vezes atribuir
essa atitude declaradamente <<determinista>> a Marx e aos marxistas,
não existem na obra de Marx textos que justifiquem.
Esta interpretação.(
Henri, Lefevbre, 1966, p.51)
Não é a consciência
que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência. (A
Ideologia Alemã. Karl, Marx. 1976 p.26 ).
A história da
humanidade, entendida como sendo o conjunto de grupos e classes
sociais que orquestram a história dos homens vivos com objetivo de
satisfazer suas necessidades, só pode ser compreendida no interior
desse processo, em que o cotidiano apresenta problemas de vida e
morte. Soluções necessitam serem encontradas e planos
organizacionais estabelecidos para que possamos entender o
nascimento, crescimento e morte dos diferentes tipos de modo de
produção.
Partindo do pressuposto que a história
dos homens se concretiza no interior da luta de classes, só
poderemos compreender a humanidade entendendo como os homens se
organizam para suprir suas necessidades biológicas e sociais, ou
seja “A primeira condição de toda a história humana é
evidentemente a existência de seres vivos"
.
O afastamento da fase biológica e o avanço no plano social, esse
processo deve ser entendido no campo da racionalidade, em que os
homens passam a acreditar em suas potencialidades plenas dadas pela
razão.
Os homens começam a
se distanciar dos outros animais quando iniciam a produção dos seus
meios de subsistência configurando assim sua produção da vida
material.
Não queremos aqui
travar nenhuma polêmica sobre o a interpretação da história dada por
Karl Marx, mas demonstrar a importância desse autor para o
entendimento do Lazer e do turismo.
Em primeiro lugar,
entendemos que Karl Marx não pode ser considerado culpado por aquilo
que deixou de escrever, como é comum encontrar em algumas
insinuações literárias existentes no interior da academia. Atribuem
a Marx idéias e falas que não são de sua autoria, bem como, eliminam
fatos e explicações do próprio autor, esse é o motivo de existirem
vários marxismos que acabaram distorcendo a própria epistemologia.
A nós cabe
compreender o fenômeno do lazer naquilo que Karl Marx deixou de
legado, portanto começamos pelo entendimento da história como um
processo de construção metodológica em conjunto com a crítica dentro
dos moldes da economia política que ele magistralmente aplicou ao
capitalismo. Essa dinâmica se movimenta por meio da luta de classes
que vai demonstrando a superação das formações econômicas atrasadas
pelas mais desenvolvidas. É aí que devemos buscar em sua formulação
teórica o entendimento de lazer e tempo livre, em sua obra a
"Ideologia Alemã", comenta:
A história não é mais do que a sucessão
das diferentes gerações, cada uma delas explorando os materiais, os
capitais e as forças produtivas que lhes foram transmitidas pelas
gerações precedentes; por esse motivo, cada geração continua, por um
lado, o modo de atividade que lhe foi transmitido, mas em
circunstâncias radicalmente transformadoras e, por outro, modifica
as antigas circunstâncias dedicando-se a uma actividade radicalmente
diferente.
Dentro dessa linha
de pensamento Karl Marx afirma "apenas conhecemos uma ciência, a da
história". Pois a história para ele é um processo que explica as
condições do ser humano segundo o estágio das relações de produção
que está sendo ativada pela luta de classes e segundo Florestan
Fernandes:
A luta de classes não se dá no vácuo. É
preciso determinar os componentes da conjuntura e, em especial
aferir o potencial relativo de luta política de que a classe
operária dispõe, em função das tarefas que lhe são possíveis nos
confrontos econômicos, sociais e políticos com as classes burguesas.
De outro lado, o referido potencial depende também de forças
externas, ou seja, de alianças com outros setores das classes
subalternas, como o "homem semilivre" do campo, da pequena burguesia
e de setores radicais dos vários estratos das classes burguesas.
Com esse
entendimento, o homem produz suas vidas materiais, deixando a marca
de um processo de vida ativo, onde em pontos diversos do planeta há
a presença dele como transformador e que pode determinar os rumos de
sua própria existência. Que só pode ser explicado pela categoria
trabalho, pois esse é o aditivo transformador e revelador de seu
domínio da natureza, como coloca a professora Gizlene Neder, quando
afirma:
... Acreditamos que a demonstração de
como Marx praticou, em seus diversos escritos, o método histórico
calcado na concepção de luta de classes nos revela uma interpretação
da história onde essas mesmas minudências do real são trabalhadas
vivamente, a partir da sua articulação no modo de produção e não
como fragmentos de fenômenos sociais, justapostos, como que por
acaso...
A base material
permite pensar uma sociedade concreta em todas suas faces, na qual
os homens produzem seus meios de subsistência e determinam sua
consciência coletiva, segundo o interesse de classes sociais. Esse
discernimento se explica na sociedade capitalista, onde os homens
desenvolvem atividades individuais e criam a organização social para
a produção, surgindo como resultado os diversos modos de produção
que aparecem na história.
Com o
desenvolvimento das forças matérias da produção, ou seja, os
equipamentos em geral, ferramentas e tecnologia que se relacionam
dialeticamente com as relações de produção, isto é, com os homens no
interior do processo de produção como empregador e empregado, servo,
escravo e assalariado.
Os homens
potencializam a lutas de classes, segundo seus interesses, força
material e ideológica que dispõem, uns para manter o status - quo,
outros para transformar radicalmente a relação de poder. As forças
produtivas determinam as modificações nas relações sociais
estabelecidas, plasmando um tipo de vida social determinado.
Portanto, iniciamos
nossa compreensão mais específica, entendendo que Karl Marx ao
pensar a ciência da história, não o fez como curioso, mas sim,
pensando-a como elemento fundante de sua práxis. Onde a história
ganha significado e explicita-se como viva e rica, em múltiplas
determinações, nesse caso a aridez idealista que ainda comanda nosso
pensar hegeliano, acaba muitas vezes dificultando a apreensão do
pensamento marxiano e do turismo.
O pensamento de Marx
é o que tem de mais atual para compreender a realidade social,
política e econômica de um país, para entendê-lo temos que nos
apropriarmos das premissas que o mesmo especifica. Em primeiro
lugar, para que os homens possam fazer história devemos conseguir
satisfazer todas as nossas necessidades básicas; em segundo lugar o
ato satisfeito ou não gerará novas necessidades sociais e lhe
categoriza-o como mais racional e menos natural; em terceiro lugar a
vida é resultado das relações sociais entre os homens esta em
relação direta com as relações de produção social.
O homem é resultado
de sua atividade concreta e não de interpretações idealistas ou
morais, o ser é resultado de um ato de trabalho que modificou o meio
e a si mesmo. Essa simbiose dá ao homem o titulo de rei da terra,
quando não subjugado por outros homens, razão pela quais poucos
sabem dizer qual a saída para a crise mundial que afeta a existência
humana baseada na dignidade de si e do outro.
Uma coisa podemos
afirmar, nada pode ser entendido se não sinalizarmos quais foram às
formas organizadas que os homens criaram durante a sua história,
para sobreviver. Nesse caso Karl Marx afirma com muita confiança
que:
Os homens têm uma história pelo facto de
serem obrigados a produzir a sua vida e de terem de o fazer
de um determinado modo: esta necessidade é uma conseqüência
da sua organização física; o mesmo acontece com a sua consciência.
As diferentes
divisões de trabalho que vão aparecendo na história marcam a
passagem do ser humano em sua existência. Nesse recorrido o homem
determina as relações entre seus pares, destruindo a igualdade
natural e impondo uma relação de exploração que lhe garante a
dominação econômica e política sobre o outro.
A desigualdade,
portanto se constituí em um fato criado pelos homens em uma
determinada etapa da humanidade, longos períodos marcaram a
sociedade por sua diferenciada e extrema relação de exploração entre
os homens. Saídas se apresenta em diversos momentos, via a
revolução, da política, do reformista e do assistencialismo.
A luta pela
igualdade, justiça, democracia, direitos humanos vão ser as bases de
todas as políticas existentes, desde as dos países de terceiro a
primeiro mundo. Em todos a lógica da diminuição da injustiça se faz
presente nas plataformas dos partidos, porém as mesmas se explicitam
segundo os interesses da classe dominante e dos costumes daquele
povo.
Assim as atividades
provenientes do não trabalho, vão aparecer sobe diversas e ricas
relações culturais, em que os costumes marcam a força de cada
população, segundo o desenvolvimento das relações de produção. A
base das manifestações populares são expressões culturais que se
apresentam formatadas em diferentes atividades de lazer e turismo.
Para Paul Lafargue,
o trabalho é a fonte de todas as misérias do mundo é nesse campo que
Karl Marx, também expõe sua angustia e aponta de forma racional a
idéia política de ultrapassar o capitalismo, ou seja, nega uma forma
de trabalho angustiante (o capitalismo) e sinaliza o socialismo.
Esse é o caminho para que o homem possa criar um modo de vida em que
ele seja livre e não escravo do trabalho.
A vida lúdica que
contornava o estilo das sociedades "primitivas" se torna o elemento
novamente básico para entender a sociedade socialista, o trabalho é
colocado como beneficio coletivo e não individual. Ë nessa linha que
o socialismo aparece como elemento capaz de tornar o trabalho
prazeroso, pois o homem tem todos suas necessidades garantidas pelo
trabalho coletivo e comunitário.
MODO DE PRODUÇÃO
NA HISTÓRIA: TRABALHO E LAZER
Apenas conhecemos
uma ciência, a da história. Esta pode ser examinada sob dois
aspectos; podemos dividi-la em história da natureza e história dos
homens. Porém, estes dois aspectos não são separáveis: enquanto
existirem homens, a sua história e a da natureza condicionar-se-ão
reciprocamente. A história da natureza, aquilo pelo contrário, é-nos
necessário analisar em pormenor a história dos homens, pois, com
efeito, quase toda a ideologia se reduz a uma falsa concepção dessa
história ou ao puro e simples abstrair dela. A própria ideologia é
somente um dos aspectos dessa história. (Karl Marx. A ideologia
Alemã. P 18. )
A história se
constituiu pelo desenvolvimento dos modos de produção e é dentro
dela que surgem os diferentes estágios material e intelectual de
cada sociedade, pois os homens são resultado da sua forma de
inserção na economia:
O que são coincide, portanto com a sua
produção, isto é, tanto com aquilo que produzem como com a
forma como produzem. Aquilo que os indivíduos são depende,
portanto das condições materiais da sua produção.
A primeira forma de
organização para o trabalho que aparece e na qual os homens se
organizam economicamente, socialmente e culturalmente para poder
produzir e reproduzir a vida é o modo de produção tribal. Os homens
se agrupam em comunidades em que a necessidade do equilíbrio possuiu
uma serie de mecanismos encarregados de manter o status-quo e
garantir a funcionalidade do sistema segundo as regras e tradições
do grupo.
Esse sistema está
preparado para alimentar a perpetuação de suas tradições, valores e
luta para garantir os princípios de solidariedade, cooperação e
integração social. Valores que estão garantidos até o momento em que
a produção de sua existência estiver restrita ao âmbito de seu
espaço familiar, quando o trabalho estiver a serviço da subsistência
do grupo social.
O característico
desse sistema é resultante de um processo natural, onde os homens se
alimentam da caça, pesca, coleta, agricultura rudimentar e criação
de alguns animais. A terra vai se constituir em um elemento
integrado ao homem, como um meio de produção que nasce junto do ser
de forma inseparável, esse processo é possível, pois não há noção de
propriedade e sim de posse. A posse se configura como um ato natural
em que todos têm a apropriação coletiva da terra.
Cada individuo se
comporta como proprietário o poseedor sólo en tanto miembro, member,
de esta comunidad. La apropiación real a través del proceso de
trabajo ocurre bajo estos supuestos, los cuales no los ellos mismos
producto del trabajo, sino que aparecen como los supuestos
naturales o divinos de éste.
A divisão do
trabalho é ainda natural entre o homem e a mulher, isto é, permanece
no interior da família, onde a ajuda é mutua e esta preocupada com a
subsistência imediata. Sem a possibilidade de extrapolar o âmbito
familiar, tudo gira em torno dessa dimensão, o limite esta dado
pelas relações sociais que determinam o locus daquele modo de ser.
O cotidiano da vida,
vai determinar a criação de entidades divinas, pois foi o homem que
criou a religião e não a religião que criou o homem, completa
brilhantemente Marx, afirmando:
O homem que tiver encontrado na
realidade fantasmagórica do céu, onde procurava um super-homem,
apenas o reflexo de si próprio, não se contentará mais com encontrar
só a aparência de si próprio, o não-homem, quando procura e
deve procurar necessariamente a sua verdadeira realidade.
Com a vida pautada
no que modernamente podemos chamar de sustentável, em que o
desperdício e os interesses econômicos e políticos não estão
presentes ainda, pois o seu raio de ação cobre os limites de sua
vida familiar e comunitária. O trabalho só ocorre no campo do
indivíduo junto dos meios de produção, não havendo separação entre
produtor e produto.
A família é o núcleo
que deve ser preservado e se mantém inalterado até o momento em que
as necessidades externas não interfiram, a divisão do trabalho
permanece no interior da referência sexual e as funções são lotadas
para manter a unidade familiar.
Neste sentido, a
vida gira em torno da família como unidade produtiva da comunidade,
sendo dela que decorre todo o processo de história da humanidade. As
relações estão delimitadas em decorrência desses espaços econômicos,
sociais e político em que a sociabilidade esta subjugada aos seus
limites.
A categoria trabalho
esta limitada à subsistência, sua função é abastecer as necessidades
da unidade familiar, garantindo-lhe alimentação, abrigo, descanso,
atividades lúdicas e o espaço social. Porém, não podemos esquecer
que esta explica a humanidade, somente pela visão histórica é que
permite entender a vida como produto dos homens, organizados segundo
um determinado modo de produção.
O trabalho
configura-se numa dimensão mais abrangente, sua essência é
constituída de toda atividade humana, capaz de explicar de forma
histórica o desenvolvimento material e racional da humanidade. Com
isso, estamos afirmando que é possível realizar uma leitura do
concreto em decorrência das atividades de trabalho, pois "... as
categorias não são tidas como enunciados sobre algo que é ou que se
torna, mas sim, como formas moventes e movidas da própria matéria:”
formas do existir, determinações da existência “( Lukács. As bases
ontológicas do pensamento e da atividade do homem. P.3 ).
Se o trabalho na
configuração acima detalhada expressa o fundamento de toda a
atividade social, o não trabalho também estará submetido a esse
processo que poderá ser expresso por meio do lazer, do ócio e do
turismo, segundo a visão do materialismo histórico e dialético.
Assim o trabalho é produto humano e não divino nada surge que não
seja resultado da ação teleológica dos homens organizados de formas
diferentes na história da humanidade.
O que irá
diferenciar o animal homem-social do animal é a capacidade que o
mesmo tem de abstração, isto é, de planejar antecipadamente tudo que
irá efetuar. Essa visão racional e teleológica é o que o distancia
do mundo animal natural e aproxima-o da base civilizatória com alto
grau de racionalidade.
Como ser produtor de
riqueza material e intelectual, o mesmo permite que a história
aconteça numa sucessão de fatos, resultado da luta de classe, em que
ele implementa seus códigos. Esse desfilar processual e histórico
apresenta-se por meio de vários sistemas econômico e político.
E cada sistema
explicita padrões de sociabilidade diferentes, que vão retratar a
forma de ser das pessoas, segundo sua integração com o mercado de
trabalho, esse processo é denominado de cultura que se constituí na
base de todo fenômeno turístico.
No "Modo de
Produção" tribal as atividades de trabalho e lazer ocorrem juntas e
estão indissociáveis as produções do lúdico e da subsistência
constituem-se um único bloco. A inexistência do trabalho para o
alheio não permite a produção da mercadoria para a troca, e,
portanto, a separação do trabalho e lazer como categorias distintas
não surge nesse período histórico, pois toda atividade é dirigida à
subsistência do imediato.
O entendimento desse
modo de produção nós auxilia para o estudo do turismo, pois é nesse
período histórico que a noção de equilíbrio e sustentabilidade
aparecem em sua plena dimensão. Porém o mesmo é transplantado para a
atualidade na proposta de atender os interesses do Capital,
desvirtuando seu uso e comprometendo sua natureza.
A ação entre os
homens só pode ser entendida no interior da história, pois é nesse
momento que ele se mostra como esta encaixada dentro do modo de
produção, sua ação é decorrente desse processo em que as leis da
história administram a vida das pessoas, esse papel é próprio da
luta de classes que ocorre no interior das sociedades, em que o
mundo é comandado pela racionalidade.
O segundo "Modo de
Produção" é o comunal em que a presença da mercadoria acaba
sinalizando o inicio de um desequilíbrio aparente no interior
daquela comunidade. A distribuição eqüitativa dos produtos começa a
recorrer aos princípios da desigualdade, a troca reorganiza as
relações sociais, culturais e cotidianas, novos valores aparecem
apensados a mercadoria como o divisor entre as pessoas. Como diria
Karl Marx:
Toda a estrutura social que nela se
baseia, assim como o poder do povo, desagrega-se ulteriormente na
esbata medida em que se desenvolve, principalmente, a propriedade
privada imobiliária.
Mesmo as grandes
manifestações culturais e desportivas dos grandes impérios indígenas
como os Maias, Incas, Astecas e Guarani se constituíam em atividades
para agradecer aos Deuses pela boa caça, coleta, agricultura e pela
troca de mercadoria. O mundo do trabalho, não existe sem o mundo do
não trabalho, isto é, trabalho e lazer são resultado do movimento da
história e ocorrem simultaneamente. Portanto, a diferença e a
desigualdade estão presentes na futura separação entre trabalho e
lazer, pois é a mercadoria que alimenta e aprofunda a desigualdade.
O terceiro "Modo de
Produção" o Feudal de base européia em que os servos da gleba se
constituem na classe verdadeiramente produtora e que alimentam por
séculos essa organização social, em que o pequeno capital acelera a
industria artesanal e aprofunda a oposição entre cidade - campo.
A figura do monarca
atende a uma classe dominante inconclusa e aristocrata que aprofunda
sua visão de mundo religiosa e a utiliza para impor seu estilo de
vida, onde a extensão territorial é necessária para manter a
estrutura política e social, que apesar de parte da historiografia
mundial afirmar que esse largo período histórico foi nefasto e
retardatário o historiador e economista Jurgen Kuczinski afirma que:
"...
cearia inconcebible que un sistema económico como el feudal, que
durante un largo período no señaló ningún gran progreso técnico com
respecto al mundo antiguo, haya podido conservarse, si no hubiera
aportado inmediatamente un progreso muy grande a la liberdad del
hombre y por ende al desarrollo de la liberdad del hombre y por ende
al desarrollo de la iniciativa tendiente al crecimiento de la
producción".
Uma produção
cinematográfica que reproduz de forma magistral a contradição do
"Modo de Produção" Feudal e o filme “ O nome da rosa” em que a
miséria intelectual e material processa um movimento histórico
extremamente difícil para entender aquele momento de séculos em que
a entidade religiosa e a representação Papal mantêm o comando
político, econômico e social da sociedade medieval. Esse período é
retratado de forma fiel nesse filme que mostra a necessidade da
humanidade em manter as descobertas científicas, bem como, a
necessidade de escondê-las para proteger os verdadeiros interesses
do mundo religioso.
Esse é um período em
que o misticismo e a razão científica conduzem a sociedade medieval,
que quando ameaçada em sua orientação espiritual, desenvolve os
famosos padrões inquisicionais, o sofrimento deve guiar a sociedade
e servir de salvação para o espírito crítico que questiona as
explicações religiosas do mundo. Esse processo vai se estender às
colônias e chega ao Brasil para punir aqueles que se enriqueceram.
Essa sociedade é
extremamente desigual e a expressão do trabalho e não trabalho está
nitidamente separado em pólos diferentes. A aristocracia em sua vida
de gastos imensos graças à exploração dos servos. É nesse momento
que a sociedade revela as contradições profundas entre a riqueza e a
pobreza e que o trabalho e lazer é resultado da sociedade de
classes.
O TRABALHO COMO
DETERMINAÇÃO ONTOLÓGICA E O FENÔMENO DO LAZER E DO TURISMO
La
naturaleza no construye máquinas, ni locomotoras, ferrocarriles,
electric telegraphs, selfacting mules, etc. éstos son productos de
la industria humana, materiales naturales transformados en órganos
de la voluntad humana sobre la naturaleza o para realizarse en ella.
Son órganos del cerebro humano creados por la mano del hombre,
la potencia objetivada del saber.
(Marx. Grundrisse
1857 - 1858. P.115)
Em primeiro lugar
não podemos entender o fenômeno do turismo e do lazer se não
compreendermos o desenvolvimento do trabalho humano, esse foi o
motivo que nos levou a fazer toda uma preliminar tentando
caracterizar a importância da categoria trabalho, que para George
Lukács;
Em primeiro lugar,
há uma tendência constante no sentido de diminuir o tempo de
trabalho socialmente necessário à reprodução dos homens. Trata-se de
uma tendência geral, que hoje já ninguém contesta.
Em segundo lugar,
esse processo de reprodução tornou-se cada vez mais nitidamente
social. ...
Em terceiro lugar, o desenvolvimento
econômico cria ligações quantitativas e qualitativas cada vez mais
intensas entre as sociedades singulares originariamente pequenas e
autônomas, as quais no início - de modo objetivo e real - compunham
o gênero humano.
O trabalho vai
determinar a necessidade do não trabalho e conseqüentemente será
tipificado em diferentes atividades de lazer e turismo
segundo o desenvolvimento das relações de produção. O mundo do
trabalho acelera o processo de sua própria negação, onde seu tempo
começa a sofrer pressão para que as horas destinadas a ele comecem a
ser diminuída.
O trabalho deixa de
ser visto como castigo e passa a ser cultuado como virtude e
necessidade oriunda do mundo moderno, suas raízes originais voltadas
para a criação espetacular de riqueza, permite pressionar que a
mesma tanto no sistema capitalista como o chamado socialismo,
busquem a diminuição das horas de trabalho. Essa reivindicação
autoriza que a classe trabalhadora seja distribuída em diferentes
extratos dentro da hierarquia, organizando e lutando pelo direito ao
lazer via o turismo.
Essa dialética para
entender o lazer e o turismo, como elemento interligado da atividade
de trabalho, traz a tona uma dinâmica histórica única capaz de
entender o objeto em sua forma ontológica. Nesse sentido;
...A consciência reflete a realidade e,
sobre essa base, torna possíve
intervir nessa realidade para modificá-la, quer-se dizer que a
consciência tem um real poder no plano do ser e não – como se supõe
a partir das supracitadas visões irrealistas - que ela é carente de
força.
Todas as bases da
consciência existentes se constituem em produto da materialidade,
portanto, resultado do pensamento e das atividades dos homens, que
buscam dar respostas para satisfazer suas necessidade, sejam estas
básicas ou secundárias ajuntam- se na sinalização para o "reino da
liberdade", iniciando os homens a adquirirem condições históricas
para poder lutar contra a exploração e afastá-los da falsa
consciência.
Lutar para que ócio
fosse um direito de todos e não um privilégio de alguns, foi à
primeira afronta direta contra a apologia do trabalho dada à
sociedade burguesa. Questionar a salvação pelo trabalho, como moral
burguesa, foi uma provocação à religião do trabalho, feita
diretamente e de forma profunda por Paul Lafargue, que como genro de
Karl Marx compartilhava das idéias do pai de sua mulher.
Quanto ao pensador
Karl Marx a humanidade deve favores, pois foi ele que avançou a
leitura do capitalismo, apontando as bases de sua superação,
discutindo a noção do não trabalho.
Na verdade foram
esses autores que pensaram o direito do não trabalho e que nos
permitiu discutir e aprofundar a necessidade de entender o lazer e
turismo na sociedade contemporânea. Apesar do preconceito que ainda
existe no interior dos centros de estudo sobre o trabalho, nada se
torna tão desagradável do que constatar que certos setores da
academia ainda possuem profundas divergências para assimilar a
"economia do tempo" produzido no interior da economia.
Considerando que a
idéia de trabalho e lazer surgem historicamente unidas, pois o ato
de sobrevivência aparece acoplado pelo lúdico, e que as
manifestações pela sobrevivência vão se fixar inicialmente nos
interesses meramente familiares de subsistência. O trabalho e lazer
se fundem nas atividades culturais e ocultam as possíveis diferenças
sociais que podem existir de forma latente naquele grupo social.
ÓCIO
A palavra ócio tem
um significado de oposição à vida de ação, pois deve estar livre da
necessidade de estar ocupado.
" El ocio no
puede estar relacionado com ninguna ocupación", (De Grazia,
p.40).
Para Aristóteles a capacidade e o uso do ócio é à
base de toda a vida do homem libre. Neste homem, localiza-se toda a
potencialidade de uma vida capaz de estar liberta de toda a
ingerência de qualquer grupo social e ser prazerosa pela liberdade e
igualdade que a mesma navega diante do outro.
A SAGRADA FAMÍLIA
A primeira obra elaborada em comum entre
Marx e Engels para os jovens Hegelianos de Berlim, como base para
criticar a filosofia especulativa. Esse escrito tem imenso valor
para o materialismo histórico e dialético, pois permite marcar as
bases ontológicas que delimitam o pensamento materialista. E para
nós turismólogos é de fundamental relevância, pois é daí que os
autores oferecem ao mundo científico os axiomas do materialismo,
possíveis de permitir uma análise oposta à historiografia oficial.
Entendendo que a lógica do pensamento
histórico materialista tem como categoria explicativa da existência
o ser humano como elemento que atua, modifica, retifica, destrói e
constrói a realidade e a si mesmo. Por meio da categoria trabalho,
entendemos que a noção de não trabalho (tempo livre) surja de forma
concomitante, portanto, a leitura do ócio, lazer e turismo adquirem
uma dimensão impar dentro da visão materialista, pois contrapõe
integralmente os agora velhos e limitados paradigmas que explicam o
surgimento do turismo.
A luta é contra o idealismo metafísico
que construiu um mundo em que a realidade é puro fetiche e somente a
abstração fundada na materialidade é capaz de ter na razão o
elemento intermediário para se chegar ao concreto, que permitiria
entender o fenômeno do lazer e turismo em outra base epistemológica.
Como sabiamente coloca Marx e Engels no
prefácio do livro em questão:
Na Alemanha, o humanismo real tem
como seu inimigo o espiritualismo ou o idealismo especulativo que
substitui o homem individual real pela << Consciência em si
>> ou pelo <<Espírito>> e que afirma, à semelhança do Evangelista:
<< É o espírito que vivifica, a carne a nada monta.>> Escusado será
dizer que este Espírito desencarnado apenas é espírito imaginário.
Marx esta pontuando sua crítica a Hegel,
principalmente na concepção de história que o mesmo desenvolve, em
que a materialidade inexiste como base concreta, pois o que
prevalece é a noção de espírito absoluto, onde se nega toda a
substância e abolição da natureza.
Essa concepção de mundo sustenta a
maioria dos estudos sobre o fenômeno do turismo, em que prevalece a
análise reducionista do fenômeno, quando fazemos uma leitura, por
exemplo, econômica do turismo, como explicitado de forma brilhante
no texto de Karl Marx; "O método da economia política" e trabalhado
de forma avançada pela pesquisadora Marutschka Martini Moesch em sua
obra "A produção do saber turístico", quando comenta:
O turismo passa a ser um valor de troca.
Se as informações estatísticas e os
estudos de tendências realizados pela Organização Mundial do turismo
e demais agências continuam a mostrar a aparência do turismo,
corroborando a vertente pragmática, que o apresenta como uma
atividade de forte apelo econômico, reduzir sua compreensão a ela é
desconhecer a essência de um fenômeno que exerce uma pressão
crescente sobre a produção da subjetividade social, o ecossistema, o
modo estético e a herança cultural das localidades visitadas.
Superar tal compreensão reducionista só será possível por meio de
uma teorização mais complexa, em que a categoria econômica seja
articulada às demais categorias...
Os destaques que podemos apontar como
relevantes na relevância total desta obra no campo do fenômeno do
turismo estão explicitas na descrição que os autores fazem da
situação concreta dos trabalhadores nas fabricas inglesas:
A crítica decreta que, nas fábricas
inglesas, se trabalha dezasseis horas, se bem que as legislações
inglesas, ingênuas e sem espírito crítico, tenha disposto que não se
trabalhe mais do que doze horas diárias. Decreta que a Inglaterra
deverá tornar-se numa imensa oficina mundial, se bem que, massivos e
sem qualquer espírito crítico, os americanos, os alemães e os belgas
estejam a arruinar, pouco a pouco, pela concorrência, todos os
mercados ingleses
O importante dessa obra é que seus
autores fazem no plano empírico uma descrição detalhada das
condições de vida dos trabalhadores, junto a uma reflexão
epistemológica em que as bases são o combate persistente ao
idealismo. Isso fortalece as visões materialistas, históricas e
dialéticas, desmistificado o real e aprimorando a visão de
totalidade, capaz de entender o objeto em sua dimensão histórica de
verdade científica.
Ao descrever as condições de trabalho
Marx e Engels estão na verdade sinalizando que as condições para o
não trabalho e tempo livre vão se tornando objeto de luta dos
movimentos sindicais e socialistas que movimentaram o mundo do
trabalho. Nesse processo, o ócio, lazer e o turismo aparecem
concomitante com a categoria trabalho, na luta contra a opressão e o
tipo de trabalho escravo que a população no século XVIII e XIX estão
submetidas.
IDEOLOGIA ALEMÃ
Obra de Marx e Engels, "A Ideologia
Alemã“, redigida em 1847, expõe de forma sistemática os princípios
do materialismo histórico e do socialismo científico, faz uma
crítica geral à filosofia especulativa, porém, só foi publicada em
1932 na União Soviética”.
Alguns fragmentos importantes existentes
na obra poderão sinalizar novos campos de pesquisa, para o turismo e
o lazer, pois o importante é aprofundar estudos dentro de outros
patamares teóricos, que tragam para o interior da academia a
discussão e o debate sobre o fenômeno turístico.
A obra "A Ideologia Alemã”, por ela
expressar como os homens criam os meios necessários para a criação
de novos instrumentos de produção e como conseqüência buscam
diminuir a jornada de trabalho na busca do descanso, via o ócio,
lazer ou turismo.
...A existência de um primeiro
pressuposto de toda a existência humana e, portanto, de toda a
história, a saber, que os homens devem estar em condições de poder
viver a fim de <<fazer história>>. Mas, para viver, é necessário
antes de mais beber, comer, ter um tecto onde se abrigar, vestir-se,
etc. O primeiro facto histórico é, pois a produção dos meios que
permitem satisfazer essas necessidades, a produção da própria vida
material; trata-se de um facto histórico, de umas condições
fundamentais de toda história, que é necessário, tanto hoje como há
milhares de anos, executar dia a dia, hora a hora, a fim de manter
os homens vivos
.
Para os homens se manterem vivos,
necessitam satisfazer as necessidades primárias e secundárias e
dentre elas necessariamente estará o lazer e como forma
contemporânea o turismo. Esses são pontos que apesar de não constar
na literatura de Marx, foram de uma forma ou outra por ele
sinalizado.
Uma das passagens mais brilhantes desse
livro se localiza no momento quando ao abordar a sociedade
comunista, comenta da necessária liberdade de escolha pelas
atividades de trabalho e atividades de lazer.
Na sociedade comunista, porém, onde cada
indivíduo pode aperfeiçoar-se no campo que lhe aprouver, não tendo
por isso uma esfera de actividade exclusiva é a sociedade que regula
a produção geral e me possibilita fazer hoje uma coisa, amanhã
outra, caçar de manhã, pescar à tarde, pastorear a noite, fazer
crítica depois da refeição, e tudo isto a meu bel-prazer, sem por
isso me tornar exclusivamente caçador, pescador ou crítico.
A sociedade capitalista possui uma
tendência em universalizar seus pensamentos segundo o interesse da
classe dominante, nesse sentido, Marx delimita de formar concreta o
seguinte pensamento.
Os pensamentos da classe dominante são
também, em todas as épocas, os pensamentos dominantes, ou seja, a
classe que tem o poder material dominante numa sociedade é
também a potência dominante espiritual. A classe que dispõe
dos meios de produção material dispõe igualmente dos meios de
produção intelectual; de tal modo que o pensamento daqueles a quem é
recusado os meios de produção intelectual está submetido igualmente
à classe dominante. Os pensamentos dominantes são apenas a expressão
ideal das relações materiais dominantes concebidas sob a forma de
idéias e, portanto, a expressão das relações que fazem de uma classe
a classe dominante; dizendo de outro modo, são as idéias e,
portanto, a expressão das relações que fazem de uma classe a classe
dominante; dizendo de outro modo, são as idéias do seu domínio.
Esses argumentos auxiliam no estudo dos
parques temáticos e sua ideologia, que de infantil não tem nada, mas
sim, demonstra uma estrutura composta de suaves elementos
doutrinadores que são expressos por meio do lúdico, o fantástico, o
irreal, o ilusório e o pior de todos o idiotizante. A realidade é a
marcada pela falsidade e trabalha no campo do fetiche.
Outro ponto deveras interessante é a
noção de padronização, um desrespeito total às particularidades em
que uma imensa força centrifuga nos coloca diante da globalização
que o Lênin chamou de imperialismo. E Marx assim se refere;
Criou por todo lado as mesmas relações
entre as classes da sociedade, destruindo por isso o caráter
particular das diferentes nacionalidades. E finalmente, enquanto a
burguesia de cada nação conserva ainda interesses nacionais
particulares, a grande burguesia surge com uma classe cujos
interesses são os mesmos em todas as nações e para qual a
nacionalidade deixa de existir; esta classe desembaraça-se
verdadeiramente do mundo antigo e entra simultaneamente em oposição
com ele.
Esse processo de homogeneização da
cultura, em que o regional, local e o Folk sofrem uma pasteurização
das relações sociais e dos costumes, afeta exclusivamente o turismo,
pois a pressão que o estilo Fast-Food de viver faz surgir à idéia de
aldeia global, onde o padrão de vida é ditado segundo os interesses
da classe dominante e dos dirigentes que detêm o monopólio do "bem
servir". Esse processo funciona dentro dos padrões de qualidade
segundo os interesses do turista estrangeiro que busca satisfazer
sua necessidade sexual, pois segundo agentes constróem a imagem de
um país exótico e de mulher fácil.
O Brasil deve lutar por manter suas
peculiaridades em todos os campos; na culinária, na hospitalidade,
no padrão de atendimento e no respeito as suas crianças e adultos no
que se refere aos direitos humanos. Nada deve, tirar do brasileiro
sua brasilidade, mas sim, colocá-la a mostra, demonstrando orgulho
pela população africana, européia e o nativo da terra.
CONSIDERAÇÕES
PRELIMINARES
O presente texto se constitui em um dos poucos
escritos existentes, sobre as questões relativas ao estudo
epistemológico do fenômeno turístico dentro do materialismo
histórico dialético, buscando resgatar nas obras de Karl Marx e Paul
Lafargue as sinalizações sobre o turismo e lazer. E de forma
contemporânea nos escritos dos filósofos marxianos George Lukács e
István Mészáros, com isso, ousamos contribuir para enriquecer o
arcabouço teórico-filosófico de uma epistemologia do turismo.
Por sua exclusividade de investigação e
pelo compromisso que nós intelectuais devemos ter com a produção
científica que deve ser de acesso irrestrito a todos que dela
necessitem, colocamos a disposição da academia este trabalho que não
está concluído, mas sem dúvida será polemico e contribuirá para a
reflexão do turismo no Brasil.
Cabe ressaltar que em ciência não há posições
“erradas”, mas sim, outras interpretações que enriquecem o
conhecimento já adquirido e avançam a racionalidade humana.
Nosso esforço foi demonstrar que o materialismo
histórico e dialético é dotado de um instrumental de leitura do
concreto, extremamente revelador das causas que compõem o fenômeno
turístico abrindo a possibilidade para outros entendimentos. Essa
qualidade torna-o importante no mundo acadêmico e cientifico
qualificando-o como capaz de fazer uma leitura ontológica do
fenômeno turístico.
O pressuposto que sustenta nossa leitura
entende que não existe uma interpretação ideológica do fenômeno, mas
sim, todo e qualquer discurso é ideológico, com isso, queremos dizer
que não há ideologia inocente. Não adianta contrapor o nosso
discurso como ideológico, pois aquele que assim nós qualifica também
o é.
Com esse entendimento, nossa
contribuição para o estudo do turismo, exige um repensar de
conceitos e categorias tidas como consagradas no campo da ciência do
turismo, incorporando novos elementos teóricos e empíricos que
exigem uma releitura para uma nova acomodação episteme.
Nossa intenção foi agrupar uma serie de
conteúdos, buscando dar uma lógica histórica e permitir que novos
pesquisadores avancem no estudo cientifico do turismo, contribuindo
assim para que o mesmo incorpore de vez a qualidade de ciência.
MARX, K e ENGELS, A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia
Alemã mais recente na pessoa. Dos seus representantes Feuerbach,
B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão na dosseus.
Diferentes profetas.
Portugal: Editoral Presença, p.36, 1976.
MARX, Karl e ENGELS, Friedrich.
A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia Alemã mais recente na
pessoa. Dos seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e
do socialismo alemão na dos seus. Diferentes profetas.
Portugal: Editorial Presença, 1976,
p.33.
MARX, Karl e ENGELS, Friedrich.
A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia Alemã mais recente na
pessoa. Dos seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e
do socialismo alemão na dos seus. Diferentes profetas.
Portugal: Editorial Presença, 1976,
p.18.
MARX, Karl e ENGELS, Friedrich.
A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia Alemã mais recente na
pessoa. Dos seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e
do socialismo alemão na dos seus. Diferentes profetas.
Portugal: Editorial Presença, 1976,
p.44.
MARX, Karl e ENGELS, Friedrich.
A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia Alemã mais recente na
pessoa. Dos seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e
do socialismo alemão na dos seus. Diferentes profetas.
Portugal: Editorial Presença, 1976,
p.35.
MARX, Karl e ENGELS, Friedrich.
A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia Alemã mais recente na
pessoa. Dos seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e
do socialismo alemão na dos seus. Diferentes profetas.
Portugal: Editorial Presença, 1976,
p.19.
MARX, Karl e ENGELS, Friedrich.
A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia Alemã mais recente na
pessoa. Dos seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e
do socialismo alemão na dos seus. Diferentes profetas.
Portugal: Editorial Presença, 1976,
p.21.
MARX, Karl e ENGELS, Friedrich.
A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia Alemã mais recente na
pessoa. Dos seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e
do socialismo alemão na dos seus. Diferentes profetas.
Portugal: Editorial Presença, 1976,
p.33.
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