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Por
CELUY ROBERTA HUNDZINSKI DAMÁSIO
Doutoranda
no Institut Catholique de Paris e Université Marne-la-Vallée
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Aborto: trinta anos de legalização
Apesar de toda
evolução e campanha de métodos contraceptivos, o número de abortos
praticados no território francês não diminuiu.
Depois de uma longa e difícil discussão,
em 21 de dezembro de 1974, a lei "Veil"
sobre a interrupção voluntária da gravidez (IVG – Interruption
Volontaire de la Grossesse) foi adotada pelo Parlamento Francês. Seu
intuito primordial era de diminuir o número de abortos, sobretudo os
clandestinos, que colocavam em risco a vida de mulheres (mais de
200.000 por ano).
Entretanto, trinta anos mais tarde, o
número continua o mesmo: um aborto para cada três nascimentos. Essa
situação provoca questionamentos com respostas pouco evidentes, pois
a lei Neuwirth, de 1967, que legalizou a contracepção, foi
largamente difundida no país.
A lei "Veil" permitiu, ao menos, o
controle da fecundidade. Em 1975, o número de gravidezes não
planejadas representava 46% da totalidade de gravidezes; hoje, esse
número abaixou para 33%. Porém, a propensão ao aborto nesses casos,
apesar de apresentar uma leve estabilidade desde 1980, aumentou: em
1975, 41% dessas gravidezes eram interrompidas, sendo que, em nossos
dias, temos 60% de interrupções. Na Europa, os países em que o
número de abortos diminuiu foram aqueles em que a esterilização foi
promovida.
Os motivos de uma gravidez indesejada
são os mais variados, mas, os principais, ainda são a má informação
dos jovens e a dificuldade de adaptação do método contraceptivo com
relação ao modo de vida. Quanto ao aborto, explica-se pela
liberdade, que permite o trânsito da maternidade submetida à
maternidade escolhida, onde o filho é programado para nascer em
contextos afetivo e profissional estáveis.
Segundo o Ministério do Emprego e da
Solidariedade, em 1996, 46% das mulheres que praticaram a IVG tinham
entre 20 e 30 anos; 35% entre 30 e 40 anos; 11% menos de 20 anos e
4% menos de 18. Para esse último caso, nesse mesmo ano, houve 6.709
abortos para 2.653 nascimentos. Após os 40 anos, a cada duas
gravidezes, uma termina pela IVG.
Por isso, há muita prática da IVG entre
jovens com menos de 25 anos, quando a chegada de uma criança pode
atrapalhar a escolaridade ou a inserção profissional. Após 25 anos,
o que determina o aborto é a estabilidade afetiva. Finalmente, após
35 anos, são as estabilidades afetiva e profissional que contam.
Raramente, no entanto, a opção demonstra uma negação total à escolha
de procriação.
A metade das mulheres que recorrem ao
aborto não vive só e em 3/4 delas trata-se de um primeiro aborto,
somente 5% teve dois ou mais. Três IVG sobre quatro são realizadas
antes da oitava semana de concepção e 19% antes da quinta semana. A
maioria é praticada por aspiração e com anestesia geral. O aborto
por medicamentos aumenta pouco a pouco - em média 20% dos casos no
ano de 1997.
Desde julho de 2001, o período legal
para a prática passou de 10 para 12 semanas e a autorização parental
deixou de ser obrigatória. No leste da Noruega, na Dinamarca, Itália
e Grécia, o período permitido é de 10 semanas; na Bélgica, Alemanha,
Áustria e Suíça é de 12 semanas; no oeste da Noruega é de 16
semanas; na Grã-Bretanha, Países-Baixos e Espanha é de 22 semanas.
Em comemoração aos trinta anos de
legalização do aborto, a França discute, novamente, esta delicada e
surpreendente questão que afeta todo seu povo, considerando-se que,
em média, uma mulher a cada duas teria exercido essa prática durante
sua vida. O objetivo, não é de se revogar a lei, mas de encontrar um
meio de aperfeiçoamento da prevenção da gravidez. A eficácia da lei
está no alcance de seu objetivo. Acredita-se, ainda, que é de grande
valor o velho ditado: "melhor prevenir do que remediar".
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