|
Por ANTÔNIO
MENDES DA SILVA FILHO
Professor
do DIN/UEM. Doutor em Ciência da Computação |
|
Segurança da Informação e
Disponibilidade de Serviços na Era da Internet
A Internet foi, sem
sombras de dúvidas, uma das principais inovações do século passado.
Ela surgiu na década de 70 com uma rede do Departamento de Defesa
dos Estados Unidos e, na época, era denominada de ARPAnet.
Tratava-se de uma rede experimental projetada para resistir a
inatividade parcial e suportar comunicação da defesa. Atualmente, a
Internet é uma coleção de redes de computadores conectados por
diferentes meios. Ela conecta várias redes comerciais,
governamentais, de universidades, dentre outras.
A Internet possibilitou que pessoas e
empresas cruzassem fronteiras de modo fácil e rápido, como nunca
visto antes, criando um mundo virtual globalizado. Ela foi logo
incorporada pelas pessoas e empresas por oferecer uma forma nova e
ágil de comunicação. O correio eletrônico tornou-se ferramenta
indispensável às empresas e as pessoas, não apenas para comunicação,
mas também para o marketing pessoal e comercial.
Embora a Internet tenha e tem dados bons
frutos até então, logo surgiram as pragas. Exemplos delas são
vírus, spams, worms e spywares. Os
vírus compreendem programas que têm a capacidade de,
facilmente, multiplicar-se e invadir outros programas (como Word da
Microsoft) e sistemas, podendo ser de natureza destrutiva. Já os
worms são similares aos vírus com a capacidade de fazer
cópias deles mesmos, sem a necessidade de outros programas para se
multiplicarem. Os spywares compreendem programas que
espionam os hábitos de navegação dos usuários a fim de instanciar
janelas (do tipo pop-up) que exibem conteúdos de interesse
dos usuários. Por outro lado, os spams, também
conhecidos como UCE (Unsolicited Commercial Email), compreendem as
mensagens eletrônicas indesejáveis que têm natureza comercial e são
enviadas a uma quantidade enorme de pessoas que possuem correio
eletrônico. Pode-se dizer que a idéia central do spam é
mascatear, i.e., ir de um lugar para outro vendendo coisas sem
importância como, por exemplo, produtos de valor duvidoso como
remédios ou até fazendo oferta de empréstimos.
Dentre as pragas supracitadas, o spam
tem merecido atenção especial por parte das empresas e autoridades
em diversos países. Dados estatísticos indicam que o problema do
spam ainda está longe de ser resolvido. Segundo a ITU (International
Telecommunication Union), os spams representam
aproximadamente 80% de todos os emails que circulam pela Internet
hoje em dia o que corresponde a um custo de US$ 25 bilhões,
anualmente, a nível global. Esses mesmos dados apontam que hoje,
aproximadamente, 200 bilhões de mensagens eletrônicas ou emails
estariam circulando pela Internet. Portanto, apenas 40 bilhões
seriam mensagens com algum valor, enquanto que outros 160 bilhões
não passariam de spams.
O pior é que produtores de spams ou
spammers parecem estar um passo a frente das tecnologias
preventivas. Em razão disto, uma indústria que desenvolve e
comercializa filtros de spams tem sido criada a fim de banir
ou minimizar seus efeitos. Os criadores dessas pragas da Internet
têm gerado emails e desenvolvidos sites da Web que são,
praticamente, idênticos aos originais que eles estão imitando,
seduzindo e enganando usuários de computadores tidos como prevenidos
e informados. Além disso, vírus têm sido utilizados para fazer com
que os computadores dos usuários sejam usados para enviar spams, o
que compromete a reputação do usuário bem como dificulta determinar
qual a real origem da mensagem.
Para entender melhor o problema,
considere um pouco mais de história e dados. Olhando para trás, um
sistema computacional tinha um pequeno número de usuários, da ordem
de dezena. Todos, geralmente, pertenciam a mesma instituição. Hoje
em dia, há quase 600 milhões de usuários com correio eletrônico
conectados a Internet e as projeções apontam que até o final de
2008, teremos quase 800 milhões. A Internet tornou a segurança dos
sistemas computacionais mais difícil. Qualquer pessoa pode atacar
seu computador ou sistema e, uma vez esse esteja infectado, os
demais conectados em rede podem ser, automaticamente, infectados
também. As pragas da Internet exploram as vulnerabilidades dos
sistemas, procuram atacar alvos específicos a fim de roubar
informações, corromper dados e danificar sistemas.
Para lidar com o problema da segurança,
é preciso dispor de princípios que possam nortear as pessoas e
instituições que tem a necessidade de prover segurança a informação.
Esses princípios compreendem:
-
Sigilo – Controlar os indivíduos que
têm acesso a informações.
-
Responsabilidade – Conhecer e
gerenciar as pessoas que têm acesso a informações e recursos.
-
Integridade – Gerenciar a forma na
qual mudanças de informações e recursos são feitas.
-
Disponibilidade – Prover de maneira
ininterrupta acesso a informações e recursos.
A falta de segurança implica em diversos
danos como, por exemplo, roubo de informações, perda de privacidade,
roubo de dinheiro, interrupção de serviços e corrupção da
informação. Assim, para lidar com tais problemas, torna-se
necessário implementar os três seguintes mecanismos de segurança:
-
Responsabilidade de autenticação –
Capacidade de determinar quem faz a solicitação. A
responsabilidade de autenticação pode recair sobre pessoas, grupos
ou programas.
-
Acesso de autorização – Capacidade de
determinar quais usuários são seguros e podem realizar operações
sobre recursos específicos.
-
Verificação das decisões de proteção –
Capacidade de determinar, posteriormente, o que aconteceu e sob
quais circunstâncias.
Agora, se considerarmos apenas o
problema do spam, a única forma de eliminar tal problema é
tornar economicamente inviável o custo de enviá-lo. Dentro de um
universo de 160 bilhões de mensagens, qualquer percentual ínfimo de
respostas dadas por usuários desinformados a essas solicitações já é
o suficiente para os spammers terem lucro. Assim, se os
usuários de email parassem de responder a infinidade de mensagens de
ofertas de receitas de remédios e financiamentos, por exemplo, já
contribuiria o bastante para reduzir e acabar com os spams.
Uma forma vislumbrada pela indústria
para atacar o problema de spams é requisitar a autenticação
do emitente da mensagem eletrônica, permitindo assim o usuário
receptor verificar a origem da mensagem. Note que a autenticação do
emitente de email constitui mais uma barreira a ser passada. Com
isto, ao se verificar a origem da mensagem, identifica-se o domínio
do qual a mensagem foi enviada. Isto, então, fecharia a brecha
deixada pelo SMTP (Simple Mail Transfer Protocol) que possibilita
mensagens na Internet serem anônimas. Tal brecha existe porque a
Internet como foi originalmente concebida não havia previsto a
necessidade desse tipo de salvaguarda, uma vez que a comunidade de
usuários era tida como confiável. Entretanto, hoje em dia, esse
mecanismo é visto como uma solução.
Por outro lado, os ‘puritanos’
argumentam que exigir autenticação de emitentes de emails modifica
com a essência da Internet, a qual havia sido concebida como meio de
comunicação livre. Todavia, se considerarmos o lado pragmático, toda
liberdade deve vir acompanhada de uma dose de responsabilidade, sem
a qual impera o caos.
Considero a Internet uma das maravilhas
criadas pelo homem, pois ela oferece a seus usuários a capacidade de
transpor quaisquer tipos de barreiras, sejam elas de natureza
geográfica, econômica ou cultural. Ela pode e deve ser explorada por
quaisquer indivíduos ou instituições, mas explorada com
responsabilidade.
Para evitar as pragas da Internet, você
deveria dispor de algum programa de proteção (firewall) e antivírus.
Você pode encontrar informações deles em
www.symantec.com.br ou
www.trendmicro.com.br. No Brasil, há sites que trazem
informações sobre spam. Visite
www.antispam.org.br e
www.brasilantispam.org.
Aos leitores interessados no tópico,
recomendo a leitura dos textos abaixo:
A. M. Silva Filho.
Entendendo e Evitando a Engenharia Social: Protegendo Sistemas e
Informações. Revista Espaço Acadêmico, nº 43,
dezembro de 2004.
________.
Segurança da Informação: Sobre a Necessidade de Proteção de Sistemas
de Informações. Revista Espaço Acadêmico, nº
42, novembro de 2004.
J. H. Saltzer,
The Protection of Information in Computer Systems.
|
|

|