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O
quê deve mudar no Ensino do Turismo?
Os alunos; os professores; o projeto pedagógico do curso; os donos
das instituições de ensino ou a política educacional brasileira.
Caro leitor, todos são
responsáveis pela situação difícil em que se encontra o ensino
universitário do turismo no Brasil.
Alunos querendo
aprender e alunos obstruindo o aprendizado, alunos interessados e
alunos desligados, alunos comprometidos com o saber e alunos
descomprometidos, uma verdadeira mescla de interesses que
ultrapassam o estudante e se explicitam por meio das questões
sociais, políticas e econômicas. Todas as explicações passam pela
dimensão da sociedade, como ela entende ideologicamente a educação
formal e defende a escola pública e enxerga o ensino privado.
Professores, mal
remunerados que se constituem em força de trabalho barata para os
donos dos meios de produção, professores titulados são preteridos
por professores não titulados, professores com péssima formação
refletem a situação da educação no Brasil. Todos passaram ou irão
passar por processos de humilhação: demissão de professores, segundo
os interesses pessoais para indicar parentes, amigos, patrulhamento
ideológico e redução salarial.
O projeto
pedagógico do curso não é muitas vezes respeitado, a instituição
aplica-o como instrumento para demonstrar a qualidade do curso
naqueles momentos em que a comissão do Inep surge para autorizar ou
reconhecer o mesmo. É neste período que as instituições de ensino
particulares contratam mestres e doutores, criam e maquiam os
laboratórios, liberam verbas para ajuda de custo para projetos de
extensão, participação em eventos científicos e tantas outras
atitudes que possam caracterizar uma preocupação com o ensino,
pesquisa e extensão. Mas na verdade é uma farsa muito bem planejada,
em que os donos destas unidades educacionais estão preocupados com a
acumulação de Capital, pois após a saída dos consultores do Inep,
desmontam-se as bibliotecas que eram emprestadas de outras unidades,
demitem-se os doutores e mestres para contratarem graduados. Impõe a
lei do “pegar ou largar”, na qual se instala a redução salarial
durante o ano letivo e o professor nesse período esta
impossibilitado de conseguir aulas em outro lugar.
Senhores
leitores, existem casos em que o projeto pedagógico é completamente
modificado segundo interesses pessoais de “coordenadores” deixado se
levar pelo tecnicismo vulgar. Percebam senhores, que em seus cursos
muitas vezes os laboratórios criados não correspondem às ênfases
oferecidas pelo curso. Professores com senso critico contratados
pelo curso tem vida curta, porque são dispensados e substituídos por
outros com menor titulação.
Os donos das
instituições de ensino, não admitem serem questionados quanto à
qualidade do curso, muitos exigem que o professor e alunos cultivem
os ensinamentos do empreendedorismo como a formula mágica para
driblar a crise da sociedade neoliberal. Obrigam-nos a desenvolver
uma leitura do real via a “economia política” de Adam Smith e
Ricardo, aconselhando os alunos que o mercado se auto-acomoda e
atende a todos.
Com relação à
política implementada sobre a educação brasileira é lastimável
constatar que a lógica do Capital privilegia o ensino privado e
sucateia o ensino público. O golpe se constata nas amplias medidas
do governo em dar isenção fiscal às faculdades privadas em troca da
compra de vagas, o chamado “Universidade para Todos”, que se resume
na transferência de verbas públicas para universidades pagas.
A reforma
universitária proposta pelo governo sinaliza a privatização do
ensino público e prepara-o para seguir a lógica da política economia
mundial que enxerga a atividade pública e privada coexistindo em
harmonia e dependência, ou seja, uma reedição nova do Estado do Bem
Estar Social as avessas, agora sob o controle de um Estado
determinado pelas classes dominantes em que o estatal deve ser
organizado e administrado pela iniciativa privada.
Na verdade pouco
sobra para o aluno e professor, pois a lógica Neoliberal é
extremamente humilhante para ambos, os mesmos sofrem abusos de toda
espécie: são impedidos de organizar-se politicamente dentro da
escola e ameaçados de expulsão ou demissão.
Caro leitor cabe
a nós estudantes de turismo (turismólogos) e professores que
trabalham no ensino do fenômeno turístico, nos opor a esse processo
de tecnificação do curso e à política para educação proposta pelo
governo Federal, alertando que educação não deve ser entendida como
mercadoria e sim como investimento para a cidadania. Lutar pelo
ensino do turismo no Brasil é exigir um país mais democrático, mais
igualitário e capaz de entender que o turismo deve ser o centro das
políticas públicas.
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