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Por
LUIS MILMAN
Doutor em Filosofia, professor da UFRGS. |
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O Holocausto:
verdade e preconceito
Desde 15 de setembro de 1935, quando foram decretadas a Lei de
Cidadania do Reich, a Lei de Proteção do Sangue e da Honra
Alemãs e o Primeiro Regulamento para a Lei de Cidadania do
Reich - este em 14 de novembro de 1935 (o conjunto dos três
ficou conhecido como as Leis de Nuremberg)-, a condição
judaica foi transformada numa sub-condição humana na Alemanha e os
judeus foram desprovidos de qualquer vestígio de direitos civis. A
definição de "judeu" consta do Primeiro Regulamento,
Artigo V:
1. Um
judeu é um indivíduo que descende de pelo menos três avós que eram
judeus racialmente puros. O Artigo II, parágrafo, alínea linha 2
será aplicado. (Art. II, alínea 2: um indivíduo de sangue misto
judeu é aquele que descende de um ou dois avós que eram judeus
racialmente puros, mesmo que não seja um judeu de acordo com a seção
2 do Artigo V. Avós com 100 por cento de sangue judeu são aqueles
que pertenciam a comunidade religiosa judaica).
2. Um
judeu é também um indivíduo que descende de dois avós puramente
judeus:
(a) se
era membro de uma comunidade religiosa judaica quando esta lei foi
editada, ou se integrou a uma, após a edição desta;
(b) quando
a lei foi editada, era casado com uma pessoa judia ou foi
subseqüentemente casada com um indivíduo judeu;
(c) é
descendente de um casamento no qual um dos cônjuges é judeu, no
sentido da seção 1, contraído após a entrada em vigor da Lei para
Proteção do Sangue e da Honra Alemã, de 15 de setembro de 1935;
(d) é
descendente de uma relação extraconjugal que envolveu um judeu, de
acordo com a Seção 1, e nasceu ou é filho ilegítimo nascido depois
de 31 de julho de 1936.
Não era possível a qualquer pessoa tipificada pelo regulamento,
abdicar da sua condição judaica; por conseqüência, conversos ao
cristianismo, que se enquadrassem na categoria regulamentar
eram considerados judeus. Assim definidos pelos nazistas,
inicialmente banidos da vida social e civil da Alemanha e depois dos
territórios que caíram sob seu domínio ou influência, depois
confinados e exterminados, não importava, se entre eles, houvesse
quem se considerava ateu, agnóstico, protestante, católico,
comunista, anarquista ou qualquer outra coisa.
No livro Mirrors of destruction.
War, Genocide and Modern Identity,
o historiador Omer Bartov refere um dos inúmeros casos vividos por
pessoas que retornaram, por imposição das Leis de Nuremberg, a uma
condição judaica que lhes era estranha e distante antes da chegada
de Hitler ao poder:
Bauchwitz, um prisioneiro do campo de trabalho de
Stettin, fora batizado quando criança. Quando o comandante do campo
decidiu enforcá-lo, ele exigiu ser executado por um pelotão de
fuzilamento, em reconhecimento à sua condição de oficial alemão
durante a 1ª Guerra, na qual recebeu a Cruz de Ferro de Primeira
Classe. O comandante respondeu. "Para mim você é um judeu fedorento
e será enforcado como tal". Ao ser colocado no patíbulo, Bauchwitz,
pediu aos demais prisioneiros, "Se vou morrer como judeu, peço a
vocês judeus que digam o Kadish depois de mim" (Bartov,
2000:144).
Os nazistas
enfrentaram problemas técnico-jurídicos com aqueles que tinham o
status de "terceira-raça", os mischlinge, muitos dos quais
pertenciam a uma '"primeira classe" e estavam integrados a famílias
alemãs "puras", logo pretendiam ser quase arianos. Houve doze
decretos posteriores editados para tratar desse assunto - objeto de
discussão também em Wannsee (ver abaixo), nos quais foram
introduzidas as categorias de mischlinge de ordem 1
(descendentes de um avô judeu) e 2 (descendente de dois avós judeus,
não pertencente à religião judaica e não casado com um judeu até 15
de setembro de 1935). Para a quase totalidade desta terceira raça, a
solução foi o isolamento civil, depois o aprisionamento em asilos e,
ao fim a deportação e o extermínio. Houve milhares de mischilinge,
por decretos conhecidos como normas de libertação, que foram
arianizados e alguns chegaram mesmo a exercer cargos na alta
burocracia nazista, além de milhares terem servido no exército e
mesmo nas SS.
Agora passemos aos números. Há um certo momento em que a discussão
sobre o Holocausto é colocada em escala numérica. A primeira
constatação a ser feita sobre esse tipo de parâmetro analítico é que
não há um número exato de vítimas, e a razão para tanto é simples: o
genocídio foi praticado em escala total. Jamais houve condições para
estabelecer um número definitivo porque é impossível identificar
individualmente todas as vítimas do Holocausto. A metodologia de
escala, pode, por isso, oscilar. O número levado ao tribunal de
Nuremberg foi de 6 milhões de judeus. Mas, depois de iniciado com
políticas de segregação e isolamento, a matança fez, segundo as
menores estimativas, com que entre 5,1 e 5,7 milhões de judeus
fossem dizimados na Europa. Destes, foram exterminados em "campos de
morte" entre 2,7 e 3 milhões (1 milhão em Auschwitz-Birkenau, entre
750 mil a 800 em Treblinka, 550 mil em Belzec, 200 a 300 mil em
Sobibor, 150 mil em Kulmhof e 50 mil em Lublin); 150 a 200 mil em
campos de trânsito ou de concentração (trabalho escravo) e 150 mil
em campos na Romênia e na Croácia; cerca de 1 milhão e 300 mil, em
matanças executadas por "tropas especiais" e aproximadamente 800 mil
assassinados por isolamento (fome e doenças) em guetos. Em 1939, por
exemplo, havia cerca de 3 milhões de judeus na Polônia. Depois de
1945, restaram alguns milhares de sobreviventes.
Em pouco menos
de 4 anos, foi assassinada metade dos judeus europeus e mais de um
terço de toda população judaica mundial na época.
Jamais houve um genocídio deliberada e calculadamente executado de
um povo como o que foi praticado contra os judeus europeus.
Obviamente, nessa compreensão em escala da II Guerra, é preciso
acautelar-se quanto a comparações entre o número de judeus
exterminados e o total das vítimas da guerra. 50 milhões de pessoas,
entre civis e combatentes, forma mortos durante o conflito, número
por si mesmo suficientemente estonteante. Mas apenas os judeus e os
ciganos (em escala comparativamente menor) - cerca de 10 por cento
deste total-, foram assassinados por uma política genocida. Por si
só é trágico constar que cerca de 20 milhões de russos, bielo-russos
e ucranianos foram mortos no enfrentamento e em massacres cometidos
pelos nazistas. Somente uma viseira ideológica pode fazer com que
alguém desconheça a proporção dessa catástrofe e as marcas que ela
deixou nesses povos. Assim, é preciso estar atento para
revisionismos inocentes, matizados por motivações
distintas, que incidem sobre uma matéria carregada de sofrimento
humano, para a qual a precisão e o senso de moralidade são, antes de
qualquer coisa, impositivos.
O crime e a
barbárie
No Julgamento de Nuremberg, (20 de novembro de 1945 a 01 de outubro
de 1946), foi usado pela primeira vez, pela acusação, e consolidado
pelas sentenças impostas aos hierarcas nazistas condenados, o termo
"genocídio", cunhado pelo jurista polonês Raphael Lemkin, que morreu
em 1959. Lemkin, judeu, na faixa dos 30 anos, fugiu da Polônia
quando seu país foi ocupado, após combater na resistência polonesa
durante seis meses.
Ferido, escapou para a Suécia, onde afirmou uma carreira
universitária na área de direito e relações internacionais, iniciada
ainda na Polônia. Em 1941, foi convidado a lecionar nos Estados
Unidos, onde continuou a trabalhar em estudos sobre a tipificação
jurídica e a responsabilização criminal de assassinatos em massa
perpetrados por estados contra populações civis. Lemkin decidira,
nos anos 30, estudar o assunto devido ao genocídio armênio. Por suas
pesquisas, e então um respeitado jurista e professor da Duke
University e da Yale University, foi designado
conselheiro legal de Robert Jackson, Promotor-Chefe dos
Estados Unidos, na Direção Para Persecução Criminal do
Tribunal Militar de Nuremberg. Lemkin também teve participação
destacada na redação da Convenção sobre Genocídio, aprovada
pela Assembléia Geral da ONU, em 8 de dezembro de 1948, dois antes
da aprovação da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Lemkin cunhou o termo "genocídio", num estudo realizado em 1943 e
publicado como livro em 1944:
Novas concepções
solicitam novos termos. Por "genocídio" queremos significar a
destruição de uma nação ou de um grupo étnico. Essa nova palavra,
cunhada pelo autor para denotar uma antiga prática em seu moderno
desenvolvimento, é formada pela antiga palavra grega genos
(raça, tribo) e a palavra latina cide (assassinato), assim
correspondendo, em sua formação a palavras tais como tiranicídio,
homicídio, infanticídio, etc. Falando genericamente, o genocídio não
significa necessariamente a destruição imediata de uma nação, exceto
quando acompanhada de assassinatos em massa de todos os membros de
uma nação. Ela pretende antes significar um plano coordenado, com
distintas ações, que possui a intenção de destruir as fundações
essenciais da vida de grupos nacionais, com o propósito de
aniquilação desses grupos. Os objetivos de um plano desse tipo seria
a desintegração das instituições políticas e sociais, da cultura, da
linguagem, dos sentimentos nacionais, da religião e da existência
econômica de grupos nacionais, e a destruição a segurança pessoal,
da liberdade, da saúde, da dignidade e mesmo da vida dos indivíduos
que pertencem a tais grupos. O genocídio é direcionado contra o
grupo nacional como entidade, e as ações envolvidas são dirigidas
contra indivíduos, não em sua capacidade individual, mas enquanto
membros de um grupo nacional (Lemkin, 1944:79).
O tribunal determinou que "os acusados conduziram um genocídio
sistemático e deliberado – o extermínio de grupos raciais e
nacionais - contra poloneses, populações civis de certos territórios
ocupados, com o propósito da destruição de raças particulares e
classes de pessoas e grupos nacionais, raciais ou religiosos,
particularmente judeus, poloneses, ciganos e outros".
O termo cunhado por Lemkin foi, pela primeira vez, usado nessa
sentença. Mas o que deve ser compreendido, para além dessa
tipificação, são as características singulares do genocídio
praticado contra os judeus. Para tanto, é fundamental fazer uma
observação: o Holocausto não diz respeito apenas aos judeus. Ele é
parte da história humana e seu incidência na história demanda uma
capacidade de análise crítica sobre os alicerces da própria
civilização moderna e seus valores.
O termo Holocausto traduz, por tradição, embora erroneamente,
a palavra hebraica Shoah, (literalmente catástrofe ou
hecatombe). Perceber as características singulares da Shoah e
de suas conseqüências para a própria existência dos judeus como povo
é uma coisa. Afirmar que os judeus foram as únicas vítimas de
genocídio cometido pela Alemanha nazista não passa de uma infeliz
fabulação e não sei de ninguém que tenha sustentado tamanho
disparate. Não esqueçamos: houve genocídios anteriores, no século
XX, praticados pelos curdos, persas e turcos contra os assírios
(entre 1914 e 1918), pelos turcos contra os armênios (entre 1915 e
1923) e pelos belgas no Congo (entre 1885 e 1920), assim como
matanças de ocupação, como a praticada por Mussolini na Etiópia.
Os nazistas tiveram predecessores, sem dúvida. Mas se especializaram
nessa atrocidade, porque a tornaram essencial para sua geopolítica
racial, fundamentada na agressão militar, numa obstinada
determinação de eliminar um povo inteiro e na conquista e "arianização"
territorial. Dizimaram massivamente, além de judeus, pessoas de
"raças" que consideravam inferiores.
Quanto aos ciganos, a outra raça a ser eliminada da Europa, muito se
tem estudado e pesquisado. Em Auschwitz-Birkenau havia três
crematórios funcionando diariamente, capazes de incinerar 10 mil
seres humanos por dia. Parte das vítimas entre os ciganos foi
assassinada nesse campo de morte, outra parte em fuzilamentos,
enforcamentos, e atrocidades, como as cometidas contra pessoas
(crianças, sobretudo) transformadas em cobaias do staff da
ciência médica do 3º Reich, em suas "pesquisas e experiências".
Cerca de 250 a 500 mil ciganos foram mortos na Europa ocupada pelos
nazistas.
Também os poloneses foram vítimas diferenciadas de extermínio. 4
milhões deles foram dizimados, a imensa maioria de civis. A
intelectualidade polonesa foi exterminada, em assassinatos que se
seguiram à ocupação do país, em campos de concentração e, depois,
nos campos de morte, que começaram a operar na no final de 1941.
Centenas de milhares morreram ao serem deslocados, quando seu país
foi conquistado e dividido em duas partes - a ocidental, incorporada
ao Reich, e a oriental, rebatizada como Governo Geral. A parte
ocidental foi despolonizada, e destinada à colonização
ariana. Poloneses do território incorporado ao Reich foram
progressivamente transferidos para o Governo Geral, onde morreram
aos milhares em condições sub-humanas.
Outros grupos humanos foram alvos dessas matanças de proporções
inimagináveis. Milhares de Testemunhas de Jeová, por convicção
ideológica, homossexuais, prisioneiros políticos e opositores do
nazismo, doentes mentais. membros da resistência dos países
ocupados; milhões de civis russos e ucranianos – afora os soldados
em confrontos militares -, prisioneiros de guerra, em campos de
trabalho e de extermínio, além de dezenas de milhares de sérvios,
após a invasão da Iugoslávia.
Na Europa Ocidental, onde a ocupação alemã tinha características
distintas, a política de extermínio foi praticada apenas contra os
judeus e membros da resistência. A hecatombe provocada pelo nazismo
- cujo único instrumento de ação política eram o terror e a matança
-, sem dúvida, abalou os alicerces da humanidade. Na guerra do
Pacífico, o expansionismo japonês foi marcado pela insanidade
assassina, causando a morte de 15 milhões de chineses.
Singularidade
O que torna, afinal, o Holocausto, uma catástrofe singular.
Responder a essa questão não é tarefa difícil, à primeira vista. No
entanto, é preciso fixar limites para a compreensão da categoria da
singularidade, quando aplicada a matanças em larga escala, dos quais
os judeus, no século XX, não foram as únicas vítimas. Logo,
singularidade se distingue de unicidade ou exclusividade. Armênios e
assírios foram exterminados no início do século. Bósnios foram alvos
de matança coletiva na década de 90. Tutsis de Ruanda e cristãos e
animistas do Sudão, da mesma forma, foram exterminados aos milhões
pela elite muçulmana sudanesa. O extermínio de chineses na era de
Mao e de russos, ucranianos, georgeanos na era de Stalin são hoje
suficientemente conhecidos.
É justamente
nesse contexto que o genocídio judeu se singulariza. Primeiro,
porque contra os judeus foram aplicados os métodos jamais imaginados
de extermínio; segundo, porque os judeus foram destinados a
desaparecer completamente como povo;
terceiro; porque contra os judeus, os nazistas travaram uma guerra
racial, sem qualquer outro objetivo que não fosse o de exterminá-los
completamente; quarto, porque nunca se configurou uma burocracia e
uma indústria voltada para a matança de seres humanos tal como a
construída pelos nazistas; quinto: não havia salvação dessa matança,
que ocorreu em fases distintas e foi sendo paradoxalmente
incrementada na medida em que os alemães percebiam que não tinham
mais qualquer chance de vencer a guerra.
Em menos de quatro anos, quase 6 de cerca de 12 milhões de pessoas
pertencentes a um grupo étnico-cultural simplesmente foram
assassinadas em massa. 4.110 por dia, em média, sem distinção entre
homens, mulheres, jovens crianças e velhos. Discute-se, entre
historiadores, quando a eliminação total da população judaica foi
decidida e tudo indica que Hitler e seus hierarcas tomaram essa
decisão logo após a ocupação da Polônia. O genocídio foi iniciado na
segunda metade de 1941 e sua implementação foi tema de deliberação
específica, como demonstra o documento classificado como Geheime
Reichssache (assunto secreto do Reich), descoberto por
assistentes da Promotoria dos EUA, em março de 1947, e utilizado
como prova nos julgamentos de criminosos de guerra que se seguiram
ao Julgamento de Nuremberg, inclusive no julgamento de Adolf
Eichmann.
O documento ficou conhecido como o "Protocolo de Wanssee" e
integrava um conjunto de 18 atas (as demais 17 jamais foram
recuperadas) lavradas durante uma reunião de 15 altos funcionários
do Reich - entre eles Adolf Eichmann, que o secretariou - com
Reinhard Heydrich, então o segundo em comando no
Sicherheitspiolizei (RSHA - Serviço de Segurança
Nacional) e também encarregado dos territórios tchecos ocupados.
Heydrich só era subordinado a Heinrich Himmler, Chefe das SS (a
Schutztaffel), que se reportava apenas a Hitler.
A reunião foi
realizada em 20 de janeiro de 1942, num castelo às margens de um
lago Wanssee, a sudoeste de Berlim.
O assunto: operacionalizar, em todos os níveis administrativos e
logísticos, a solução final para a questão judaica, que já havia
iniciado com a construção dos campos de extermínio em Chelmno e
Belzec. Em Chelmno, em dezembro de 1941 foram mortos por gás os
primeiros judeus. O genocídio tomaria as proporções que hoje
conhecemos quando os alemães invadiram a União Soviética, com o
propósito de varrer do mundo o bolchevismo e o judaísmo, que eles
tinham como irmãos políticos.
Patologia
reatualizada
Negar o Holocausto é
impossível, embora os esforços da indústria negacionista que opera
há 30 anos, metódica e regularmente, nos principais países do mundo.
Mas não é apenas no negacionismo que se percebe o renascimento do
anti-semitismo.
O investimento simultâneo na humanização de Hitler (e de seu regime)
e na satanização dos judeus são os extremos da heterofobia
anti-semita. Entre tais extremos, há sentimentos mais ou menos
intensos, que podem ir da antipatia à aversão, do embaraçado
pré-conceito ao preconceito aberto, que não se restringem a
fanáticos. Por isto a indústria da mentira gera frutos e não são
poucas as pessoas que continuam acreditando que, de alguma forma, os
judeus estão no centro causal dos problemas do mundo.
Também por isto, mais fortalecida fica a idéia anti-semita a ponto
de ser integrada em programas políticos radicais, de direita,
esquerda ou fundamentalistas religiosos, como de fato tem ocorrido
na Europa, EUA, Argentina e Brasil, assim como na maior parte dos
países do Leste Europeu e nas nações muçulmanas. Os negacionistas
repetem que, na década de 40, a Alemanha foi levada à guerra pelos
judeus; os campos de extermínio não existiram e o regime hitlerista
jamais cometeu as atrocidades que lhe são atribuídas.
Para alguém razoavelmente esclarecido, tais argumentos não passam de
chicana repulsiva, mas convém lembrar do alerta de Hannah Arendt:
não é a estupidez da idéia ou a desfaçatez dos argumentos, mas sua
existência política e o fato dela ser acreditada por muitos que deve
nos preocupar. O anti-semitismo, em si mesmo, é um tipo de
reducionismo persecutório e racista, mas isso não impediu que se
estabilizasse como modalidade amplamente difundida de preconceito ou
se materializasse na política, mesmo antes que qualquer coisa
parecida com o Holocausto fosse sequer imaginada.
O anti-semita
extrovertido e ideologicamente ativo crê na força persuasiva de uma
aparição projetiva de sua ideologia. Aparição que usa para tentar
convencer ou persuadir pela repetição. Nos anos 50, Hannah Arendt
escreveu que o anti-semitismo era uma ofensa ao bom senso, devido à
sua condição paradoxal de motivo mistificador insignificante em meio
a tantas questões políticas vitais (Arendt: 1998:23). A constatação,
sem dúvida válida também hoje, diz respeito a uma ideologia que
depende exclusivamente da aparência que seus propagadores produzem,
sejam eles demagogos simplesmente ou demagogos fanatizados, que
crêem nas mentiras que divulgam. Os anti-semitas autênticos
cristalizam a fraude como verdade e fazem dela um "pensamento
estereotipado", que dá início à heterofobia ou antagonismo
irracional, a que se referiram
Marie Jahoda e
Nathan W. Ackerman. (1969:26-7).
Por essas discrepâncias que existem na sociedade, muito se sabe e
muito ainda se descobre sobre o Holocausto, ao nível da pesquisa
sociológica, historiográfica e da reflexão filosófica. O assunto é
muito investigado nas universidades e centros de pesquisa da Europa,
EUA e Israel. Entretanto, as pessoas em geral são ignorantes sobre o
tema, inclusive no meio universitário.
A indiferença intelectual e acadêmica quanto ao negacionismo e,
pior, uma certa complacência desses meios com respeito a formas de
anti-semitismo que freqüentam meios políticos mais à esquerda é
sintomática. Há exceções, mas a regra é esta. Como conseqüência
ainda que indireta desse desprezo e dessa complacência, atualmente
não se estranha mais que, dependendo da situação e do lugar, não
seja difícil dizer que os judeus desejam se apropriar da condição de
vítimas do morticínio ou que o número de judeus assassinados é
comparativamente exagerado quando confrontado com o número de
vítimas das atrocidades cometidas pelos nazistas. Esse tipo de
falsidade não é raro e, atualmente, tem sido requisitado por um cada
vez mais aceitável anti-sionismo.
Assim, a singularidade do negacionismo reprisa a singularidade do
anti-semitismo e se configura como um dogmatismo sociológico. Em
vista da ignorância média das pessoas sobre o Holocausto, esse
dogmatismo ocupa as margens da institucionalidade
acadêmico-científica, como pretensa versão da História, reveladora
de "questionamentos e fatos novos" e, desse modo, chega a ser vista
como plausível por muitos, como demonstram o crescimento de uma
direita radical na Europa e, obviamente, a sua recepção por setores
ideologicamente extremistas de esquerda.
Melanie Philips, colunista do Daily Mail,
em artigo publicado em 1988 no The Jewish Quarterly (citado
por Zygmunt Bauman),
expressou o sentimento que recai sobre indivíduos que afirmam seu
judaísmo nos meios políticos da esquerda atual, menos instruídos no
que diz respeito à condição judaica e seus traços culturais ou
nacionais: "Tenho grande prazer em dizer aos meus amigos e
conhecidos socialistas" – afirmou ela – "que 'sou de uma minoria
étnica' e vê-los se enrolando, histéricos. Como pode ser? Sou
poderosa. E a impressão dos socialistas é de que os judeus estão em
posição de poder. Eles estão no governo, não estão? Eles dirigem
coisas, comandam a indústria, são proprietários de terras" (Phiilips,
apud Bauman, 1998: 256, n. 12).
A impressão a que Melanie Philips se referia não é apenas de certos
tipos de socialistas, ou de quem têm a tendência histórica de ver os
judeus como estamento econômico. O sentimento possui características
de um fenômeno multicausal, é socialmente espalhado e, em certa
medida, chega a ser até "aceitável". Aqueles que sustentam a negação
do Holocausto inegavelmente contam com a eficácia deste preconceito,
ainda que subjacente e de difícil detecção, quando não estimulado
por alguma ideologia específica.
Essa multicausalidade é própria da condição judaica na modernidade,
que se revestiu de relevância política despropositada e assumiu
contornos de estereótipo persistente, de uma nova tipologia de
discriminação intelectual, ideológica e racial, ativa tanto à
direita como à esquerda do espectro político, desde o século XIX.
Os comunistas, por exemplo: historicamente, desde os primeiros
teóricos do socialismo da metade do século XIX, tiveram problemas
conceituais com os judeus (inclusive muitos comunistas judeus). Não
é preciso recorrer ao anti-semitismo da era stalinista para chegar a
essa conclusão. Ser de esquerda e ser anti-semita não são
propriedades incompatíveis, desde Proudhon. Não foi Marx que, em seu
período de juventude, escreveu "A Questão Judaica", no qual
sustentou uma teoria de afinidade entre o judaísmo e o capitalismo?
De modo geral, a "questão judaica" foi utilizada tanto pela esquerda
como pela direita: foi álibi no último período do czarismo russo,
dividiu a França no Caso Dreyfus (final do século XIX), foi o centro
do anti-semitismo de massas na Áustria e na Alemanha (ligado ao
pangermanismo) e até incidiu no fraudulento Plano Cohen, utilizado
como um dos pretextos para a implantação do Estado Novo no Brasil.
Atualmente, nos países da Europa Oriental, ex-comunistas, o
anti-semitismo se reproduz como mutação da antiga tradição
antijudaica clerical, como demonstrou Paul Hockenos (1988). No mundo
ocidental do pós-guerra, rearticulou-se o preconceito hostil,
amoldando-se a populismos e sistemas de crenças que pretendem
explicar problemas complexos, como o conflito entre israelenses e
palestinos, por meio de esquematismos irracionais. Em certos casos,
quando acentuadamente rígidos e associados a uma causa determinada,
tais sistemas acorrem à paranóia da conspiração judaica.
Das novas racionalizações anti-semitas, a mais difundida é o
anti-sionismo, agasalhado oficialmente pela esquerda comunista
ocidental. No Brasil, introduziu-se em um estrato
esquerdista-fundamentalista, ativo no PSTU e no PCO, assim como em
tendências ultra-radicais do PT e do MST, onde uma esquerda
monástica cumpre papel importante na conformação ideológica de uma
revolução campesina e na hostilidade a tudo que representa (estou
falando de estereótipo) o capitalismo que escraviza o Terceiro
Mundo.
O anti-sionismo
é uma fórmula excêntrica, presente nesses meios esquerdistas, como
nos setores direitistas e integristas; e - é claro - um motivo
preferencial, exaustivamente difundido pelos negacionistas. A
fórmula é excêntrica pelas razões expostas com clareza e
simplicidade por Yehuda Bauer,
numa conferência feita nos EUA:
O conflito árabe-israelense, e agora a confrontação entre
israelenses e palestinos, fornece amplo material para o
anti-semitismo que se vê como anti-sionista e não antijudaico.
Certamente, alguém pode ser anti-sionista sem ser anti-semita, mas
somente se disser que todos os movimentos nacionais são malignos, e
todos os estados nacionais devem ser abolidos. Mas, se alguém diz
que o povo das Ilhas Fiji têm o direito de independência, e da mesma
forma os malaios ou os bolivianos, mas os judeus não possuem tal
direito, então esse alguém é anti-semita e na medida em que exclui
os judeus por razões nacionalistas, é anti-semita e sobre ele recai
uma forte suspeição de ser racista (Bauer, 2003:2).
A crença na ilegitimidade do Estado de Israel atualiza, no campo do
discurso político radical, uma retórica agressiva e mistificatória
quando se expressa por meio de seus representantes mais
descontrolados. Nesses casos, reúne seu habitual panfletarismo com
clichês que busca no negacionismo. Da fusão resultam acusações
perturbadas, tais como as que financistas judeus levaram Hitler ao
poder, que os sionistas foram aliados do nazismo ou que Göering era
judeu.
Melanie Philips, em outro artigo, desta feita publicado no Daily
Mail de Londres, em 22 de março de 2003, procurou penetrar mais
fundo na caracterização do novo anti-semitismo que se vê legitimado
por ser anti-sionista. Para ela, tal fenômeno tem relação com a
mentalidade política européia com respeito a Israel:
A Europa estava aguardando, por mais de meio século, um modo de
culpar os judeus por sua própria destruição. Assim, ao invés de soar
o alarme devido ao ódio genocida islâmico contra os judeus, os
europeus têm avidamente adotado a nazificação dos judeus, um
processo que de fato teve início com a desastrosa invasão israelense
do Líbano, em 1982. Esse fato marcou o início de uma sistemática
inversão que faz da autodefesa de Israel uma agressão, juntamente
com critérios duplos e fabricações maliciosas que nada têm a ver com
a legítima (e necessária) crítica à Israel e tudo a ver com a
deslegitimação do estado judeu, juntamente com a disposição pelos
seu desmantelamento (Philips, 2003).
Nada, no caso desse anti-semitismo de rejeição à existência de
Israel pode ser confundido, como salientaram Bauer e Philips com
algum tipo de crítica às políticas israelenses. Essa é outra
confusão maliciosa, constantemente reiterada por anti-semitas. A
malícia chega a ser grosseira porque uma rápida observação revela
que a idéia de anti-sionismo não tem equivalente histórico,
especialmente depois da era colonial. Ele não expressa um sentimento
contra determinadas práticas ou políticas ou mesmo quanto à
hegemonia de um país. Ele em nada é semelhante ao sentimento
anti-americano, por exemplo. Você pode ser anti-americano por alguma
razão, mas você não pensa que a existência dos EUA é ilegítima.
Pessoas podem ter idéias contrárias, fundamentadas ou não, sobre as
políticas de qualquer país. Mas não são idéias sobre a legitimidade
da existência desse país, seja lá qual for. Ninguém jamais lançou
dúvidas sobre a legitimidade da existência da Alemanha ou de
Bengaladesh ou de qualquer outra nação.
A exceção é o anti-sionismo, que é permeado pelo preconceito
anti-semita. Como tal, suas críticas a Israel são sempre
existencialmente comprometidas, ou seja, sempre estão agregadas à
agenda da ilegitimidade sionista. Idéia que combina traços de
psicopolítica do ódio e conspiranóia, expressões que se
aplicam ao anti-semitismo concentrado na rejeição a um estado judeu.
Por ser uma deformação ideológica, explica-se porque, entre os
disparates já citados e outros, os praticantes desse anti-semitismo
de Estado, chegam a acusar os judeus de anti-semitas, de nazistas e
a propor comparações paranóides entre a situação atual dos
palestinos e a situação dos judeus europeus durante a 2ª Guerra.
Uma característica comum ao negacionismo e ao anti-semitismo de
Estado é o uso da malícia semântica. Os judeus são acusados de
semitas anti-semitas (sic) porque os palestinos também são
semitas (sic) e os territórios palestinos estão ocupados
militarmente por judeus. A imagem produzida não poderia ser mais
repugnante: judeus oprimindo semitas, como os nazistas faziam.
O
sofisma é duplamente pervertido, por causa da sua premissa (pois não
há semitas) e da sua desconexa conclusão, segundo a qual os
sionistas agem, com relação aos palestinos, como os nazistas. Quando
nos defrontamos com esse tipo de insanidade, lembro que fazer ou
falar uma bobagem é muito mais fácil do que desfazê-la ou
desmenti-la. Assim, tentemos desmontar essa confusão elaborada por
propagandistas profissionais.
Os territórios palestinos realmente estão ocupados desde 1967, mas
isto não faz dos israelenses anti-semitas e, muito menos, permite
que sejam comparados a nazistas, ou pior, ligados a nazistas. A
ocupação tem uma história, está inserida num contexto de disputa e
não será definitiva; mais ainda: os direitos nacionais do povo
palestino à autodeterminação são reconhecidos por todos, inclusive
por Israel. O problema é, no entanto, gravíssimo. Ele diz respeito
aos israelenses e aos palestinos, além de regionalmente envolver
jordanianos, egípcios, sírios e libaneses, assim como as potências
internacionais.
De todo modo, só quem não sabe o que foi o nazismo ou o que foi o
Holocausto é capaz de comparar a ocupação israelense às ocupações da
Alemanha nazista dos territórios que dominou. Para se ter a medida
desta comparação, basta constatar que se trata, mais uma vez, de uma
comparação em isolamento. Ninguém chama os chineses de nazistas por
terem anexado o Tibet, ou os ingleses por ocuparem a Irlanda do
Norte, ou os russos porque ocupam a Chechênia, ou os espanhóis
porque não concedem autodeterminação aos bascos, ou os turcos por
abafarem as pretensões nacionalistas dos curdos, ou os sírios, por
ocuparem militarmente parte do território libanês.
Da mesma forma, é absurda a alegação de que judeus sionistas oprimem
um povo semita (os palestinos). Do ponto de vista social, cultural
ou político, o termo semita não tem sentido, pois não há semitas, a
não ser que se deseje discutir lingüística, porque a língua árabe e
a língua hebraica (próximas entre si como o francês e o português),
pertencem ao mesmo tronco. Nesse sentido - o único coerente-, ser
semita é como ser falante de uma língua que pertence a um mesmo
tronco lingüístico. Seria o mesmo que ser anti-latinista ou
anti-swaili.
O
anti-semitismo é um preconceito e o que define o termo o é o seu uso
social, político e cultural. "'Anti-semitismo' representa o
ressentimento contra os judeus.e refere-se à concepção dos judeus
como um grupo estranho, hostil e indesejável e às práticas que
derivam dessa concepção e a sustentam" (Bauman, 1988:54).
Anti-semitismo é sinônimo de antijudaísmo. Utilizá-lo em qualquer
outro sentido é fazer o jogo de palavras dos anti-semitas, que
acusam os judeus enquanto povo ou os sionistas (isoladamente há
obviamente indivíduos judeus anti-semitas e anti-sionistas) de
anti-semitismo. Na época em que foi concebido, o termo "anti-semita"
foi circunscrito pela especificidade anti-judaica, como Bauer
elucida:
O
termo "anti-semitismo" é, como muitos de nós percebemos, o termo
errado para aquilo que tentamos descrever e analisar. Ele foi
cunhado, paradoxalmente, por um anti-semita, Wilhelm Marr, em 1879,
porque ele necessitava de um novo termo para [designar] o ódio aos
judeus. O antigo, Judenhass, era identificado como um termo
de apelo cristão, basicamente teológico, e Marr era anticristão,
porque o cristianismo fora, e nisso ele estava correto, uma invenção
judaica. O novo termo soava científico, não mencionava judeus, mas
todos sabiam o que ele significava e a quem era dirigido: ele
descrevia um fenômeno recentemente desenvolvido, de abordagem
nacionalista e bio-racial. Anti-semitismo, especialmente tal como
pronunciado, é um absurdo vazio, porque não existe semitismo contra
o qual você possa ser. Existem linguagens semíticas e dificilmente
você pode ser contra linguagens semíticas. Passamos a usar
"anti-semitismo" para descrever a aversão aos judeus desde os dias
de Manetho, o sacerdote egípcio de cerca de 300 A.C., cujos
comentários sobre os judeus formavam uma combinação de desprezo e
ódio, provavelmente motivado pelo assentamento dos judeus em
Alexandria. Não há diferenciação no [uso do] termo anti-semitismo,
entre um ódio leve, moderado ou radical contra os judeus, ou um
fenômeno que pode ser facilmente explicado por uma aversão geral a
estrangeiros ou ainda um ódio ou aversão concentrados nos judeus.
O
termo é apropriado apenas ao ódio aos judeus
לאשי תאנש,
desde aproximadamente a metade do século XIX. Mesmo então, a mistura
da oposição cristã e muçulmana aos judeus, da inveja econômica e à
competitividade tradicional e dos motivos bio-raciais e
nacionalistas ideológicos, torna difícil incluir tudo isso nesse
termo essencialmente errôneo. Ele traz confusão a programas de
pesquisa, assim como interfere com objetivos de diferenciação. De
qualquer modo, todos o usamos, simplesmente porque não elaboramos
uma terminologia apropriada. Assim, mesmo sabendo que estamos
falando de um absurdo quando usamos o termo, que o usemos, faute
de mieux. (Bauer, 2003:1).
O anti-semitismo é
um fenômeno da modernidade e tal como é hoje praticado, expressa
confusa e cumulativamente tanto o antigo ódio ou desprezo aos judeus
como o preconceito que deixou de ser motivado por uma apologética
religiosa e entrou para a política por meio de uma modalidade
"científica". O jargão negacionista e anti-semita reproduz
intencionalmente atavismos discriminatórios e faz uso de simulações
semânticas esdrúxulas, que servem a extremistas, de direita e de
esquerda. Como propaganda continua alimentando uma retórica que se
mostra especialmente exacerbada e fantasiosa junto aos grupos
radicais e fundamentalistas, desde o Irã até os conhecidos Hamas,
Hezbolá e Jihad Islâmica.
O anti-sionismo é
uma heterofobia de Estado, movido pela crença na ilegitimidade de
Israel, que assim personifica um judeu coletivo. Esse desvio de
compreensão política se faz ouvir por vozes de intelectuais de uma
esquerda supersticiosa e por seu chamado jornalismo de tendência
– o melhor exemplo, no Brasil é a revista Caros Amigos; e
quando não é insinuado, é defendido abertamente por uma
intelectualidade orgânica ligada a esta esquerda emburrada (nos dois
sentidos), que se imagina fortalecida, quando, em verdade, mostra
apenas que está empanturrada do velho e pernicioso anti-semitismo.
Autor de uma vasta obra sobre o Holocausto e o anti-semitismo,
Yehuda Bauer escreveu, entre outros, Antisemitism today: Myth and
Reality.
Jerusalem: Hebrew University. Institute of Contemporary Jewry, 1985;
A history of the Holocaust. New York: Franklin Watts, 1982;
Jews for sale?: Nazi-Jewish negotiations, 1933-1945. New
Haven: Yale University Press, 1994 e Rethinking the Holocaust,New
Haven, Yale University.
2001.
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