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Por ANGELO
MARIANO NUNES CAMPOS
Bacharel em Turismo (UFPA,
2004) e Estudante de Pós-Graduação na Especialização. Docente do
Curso de Turismo e Hospitalidade. Docência e
Metodologia de Pesquisa em Turismo (UFPA, 2004 - 2005). |
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O ecoturismo como alternativa de
desenvolvimento sustentável
INTRODUÇÃO
O mundo vê hoje o
ecoturismo como uma forma de se alcançar altos lucros.
Entretanto, tal
concepção gera preocupação de não se ter a sustentabilidade tanto
cultural, social, natural e econômica do local onde se vai
desenvolver a atividade. Pois sem um planejamento adequado, às
conseqüências serão impactos negativos para a comunidade receptora e
para o ecossistema local. A atividade ecoturística, deve levar em
consideração um planejamento adequado para o local, que contribuirá
para a diminuição dos impactos ambientais causados na fauna e
flora..
O crescimento do
ecoturismo no Estado do Pará provoca a necessidade de levar ao
conhecimento dos paraenses e do Brasil, a necessidade de se
conservar a natureza, onde não apenas aqueles que estão envolvidos
no Turismo se preocupam com o seu futuro, pois a cada dia muitos se
envolvem com a questão e precisam conhecer um pouco mais o que a
atividade ecoturística deve fazer para utilizar os recursos naturais
e culturais de maneira sustentável.
Assim o objetivo
deste artigo, é apresentar a todas as pessoas que estão envolvidas
no contexto do ecoturismo, a relação de preservação versus
desenvolvimento, através de atividades ecoturísticas. A metodologia
será a qualitativa, pois a observação dos fenômenos sociais, implica
a participação do pesquisador no universo onde ocorre o fenômeno
escolhido (DENCKER, 1998, p.97). Neste trabalho, usou-se
levantamento bibliográfico referente a desenvolvimento sustentável e
ecoturismo.
Com isso,
através do levantamento bibliográfico e sua interpretação, foi
possível elaborar este artigo: "O ecoturismo como alternativa de
desenvolvimento sustentável", pois tivemos a base teórica necessária
para propiciar uma visão daquilo que pode ser benéfico para a
sociedade em relação às atividades ecoturísticas.
O artigo após
iniciar com a Introdução, aborda em seguida no Desenvolvimento do
Tema com dois tópicos, são eles: Os conceitos de ecoturismo X
Desenvolvimento sustentável, onde se desenvolvem os conceitos dos
mesmos; e Atividades ecoturísticas que utilizam a alternativa do
desenvolvimento sustentável, que além de mostrar as características
dos projetos, também coloca a relação deles com o desenvolvimento
sustentável. E na conclusão do artigo, estão as Considerações
Finais, descritas pelo autor, que busca acima de tudo contribuir
para o debate acadêmico sobre o ecoturismo e o desenvolvimento
sustentável.
Os conceitos
de ecoturismo X Desenvolvimento sustentável
O termo
"ecoturismo" teve sua origem na década de 60 do século passado, pois
foi usado para "explicar o intricado relacionamento entre turistas e
o meio ambiente e culturas nos quais eles interagem" (HETZER, 1965
apud FENNELL, 2002, p. 42). Hetzer ainda identificou quatro
características fundamentais a serem seguidas pelo ecoturismo, são
elas: "(1) impacto ambiental mínimo; (2) impacto mínimo às culturas
anfitriãs; (3) máximos benefícios econômicos para as comunidades do
país anfitrião; e (4) satisfação "recreacional" máxima para os
turistas participantes" (apud FENNELL, 2002, p.42). Com isso, o
conceito de ecoturismo se desenvolveu, pois as sociedades passaram a
se preocupar com os impactos negativos que praticavam ao meio
ambiente, colocando em discussão novas formas de se praticar uma
forma mais responsável de Turismo, por exemplo, o turismo
relacionado ao meio ambiente e culturas de uma sociedade.
Após a
publicação do Relatório de Brundtland em 1987, que teve como
finalidades fazer um balanço do desenvolvimento econômico em nível
mundial, destacar as principais conseqüências sócio-ambientais desse
modelo de desenvolvimento, e propor algumas estratégias ambientais
de longo prazo visando um desenvolvimento sustentável (CMMAD, 1991
apud SOUZA, 1994), o mundo tem buscado novas alternativas de
enfatizar o desenvolvimento sustentável, pois tanto sua teoria
quanto sua prática ainda estão em processo nas várias áreas do
conhecimento. No Turismo umas das alternativas de desenvolvimento
sustentável têm sido buscadas através do ecoturismo. Segundo Wearing
e Neil, o ecoturismo surgiu, "[...] para oferecer uma opção de
desenvolvimento sustentável a [...] comunidades [...],
proporcionando um incentivo para conservar e administrar as regiões
naturais [...] pode ser uma alternativa à extração voraz de recursos
florestais [...]" (2001, p. VII - VIII).
Os autores
caracterizam o ecoturismo como sendo a resposta aos problemas
causados pela falta de um desenvolvimento sustentável, mostrando
assim ser a alternativa possível. Isto porque os autores consideram
que o ecoturismo pode vir a diminuir a exploração dos recursos
florestais, gerar lucro e receita para administrar as áreas de
proteção, e dessa forma, efetivar o discurso do desenvolvimento
sustentável.
Para Lindberg e
Hawkins ecoturismo, "é satisfazer o desejo que temos de estar em
contato com a natureza, é explorar potencial turístico visando à
conservação e desenvolvimento, é evitar o impacto negativo sobre a
ecologia, a cultura e a estética" (1999, p. 18). Os autores tentam
explicar que o contato do ser humano com a natureza, causa impactos
de várias formas e por isso o ecoturismo deve centralizar seus
esforços na conservação e desenvolvimento do meio ambiente. Mas é
claro que alcançar esse objetivo não é fácil, pois o impacto
negativo provocado pela exploração turística pode, por exemplo,
extinguir algumas espécies de animais silvestres.
Mas para Molina
o autêntico ecoturismo, "não é um produto a mais no mercado [...]
sim [...] um turismo de nova geração, regido por um conjunto de
condições que superam a prática do turismo convencional de massas"
(2001, p. 160). O autor destaca que o ecoturismo é uma nova
concepção de Turismo que supera as práticas convencionais,
considerando-o como novo, devido às características que apresenta de
conservação e educacional. Isto não quer dizer que o mesmo deixe de
precisar dos serviços básicos existentes no Turismo de massas.
Entretanto, tais serviços devem ter funções diferentes, ou seja, um
planejamento que esteja adequado às condições da realidade local.
Wearing e Neil
(2001), afirmam que o ecoturismo envolve quatro elementos
fundamentais, 1) noções de movimento ou viagem (a área deve ser o
mais natural possível); 2) baseia-se na natureza; 3) induz à
conservação; 4) tem papel educativo. Esses fundamentos priorizam a
idéia de mitigar impactos ao meio ambiente e conscientização
ambiental. Os princípios básicos que esses autores colocam são
vários, tais como estimular a compreensão dos impactos do Turismo
sobre o meio natural, cultural e humano. Entretanto o que se pode
destacar é a busca por tomada de decisões planejadas em todos os
segmentos da sociedade, inclusive com o envolvimento das populações
locais, de modo que o Turismo e outros usuários dos recursos
naturais e culturais possam utiliza-los considerando que eles têm
uma finitude.
Em se tratando
de ecoturismo, Ruschmann considera como sendo estruturais para o
desenvolvimento sustentável dos recursos ou localidades turísticas,
as seguintes medidas, "[...] determinar restrições de acesso e
desenvolvimento; impor cotas ou custos extras que limitem a
instalação de equipamentos receptivos; delegar poder de decisão às
autoridades competentes, responsabilizando-as [...] pelas decisões
que envolvem o desenvolvimento" (1994, p. 35). Essas medidas
colocadas por Ruschmann, buscam dar uma base para se formar um
desenvolvimento sério do ecoturismo, pois somente através de
critérios técnicos - científicos não surgirão planos de
desenvolvimento, como ocorreu na década de 60 do século passado na
Amazônia, impostos pelo Governo Federal e portanto sem o
envolvimento das comunidades.
O ecoturismo
pode ser caracterizado também como sendo um meio para o aumento da
compreensão dos valores ambientais. Isto devido à mudança do modo
como a natureza é vista pela sociedade. Para se alcançar um
equilíbrio entre ser humano e natureza, é preciso verificar a
sustentabilidade, a conservação e o fortalecimento da comunidade
receptora de atuação do ecoturismo. Esses seriam alguns princípios
básicos a se seguir.
A demanda de
Turismo para áreas naturais e selvagens é grande, e continua a
crescer, porém, os empresários que exploram a atividade do Turismo
nessas áreas, não se preocupam em incluir no planejamento das
atividades, a comunidade local. O ideal seria que as comunidades dos
locais explorados, tivessem participação efetiva do desenvolvimento
da atividade. Isso devido na maioria das vezes, haver o perigo da
imposição cultural dos turistas que irão freqüentar o local das
atividades turísticas.
Para se buscar
uma nova abordagem da atividade turística, o ecoturismo é de
fundamental importância, já que oferece um meio alternativo às
práticas operacionais do Turismo. O ecoturismo não será uma nova
"indústria" praticada na natureza, mas sim uma forma de dar vivência
ao indivíduo ou grupo, afetando suas atitudes, valores e ações nesse
ambiente. Com isso, pretende-se conduzir as pessoas a manterem os
ambientes naturais e fortalecer as comunidades receptoras,
objetivando a sustentabilidade e conservação de ambos.
Contudo, apesar
do ecoturismo ser uma ferramenta a favor do desenvolvimento
sustentável, algumas comunidades não têm obtido os benefícios
esperados, pois o objetivo colocado em prática tem sido o lucro
imediato e não o desenvolvimento através dos princípios defendidos
pelo ecoturismo. Esse problema ocorre não apenas com empresários,
mas também com governos de países que vêem no ecoturismo uma solução
para os problemas de desenvolvimento, ou seja, usam-no para suprir a
falta de empregos e conseguir capital para infra-estrutura. Dessa
forma, se faz necessário elaborar novas estratégias de gestão, para
separar o ecoturismo do turismo de massa, pois esta é a visão que
alguns países têm sobre o mesmo, não observando a participação da
comunidade local nesses planos.
Sobre esta
questão Neiman critica o ecoturismo, pois "de nada adianta fazer
ecoturismo [...] se não há estudos de capacidade de suporte [...]
infra-estrutura adequada e não - impactante, [...] normas que
regulamentem e excluam empresas especializadas [...]" (2002, p.
178). Assim, entende-se que é preciso cumprir várias etapas antes de
se ter o ecoturismo funcionando de maneira correta e como
alternativa do desenvolvimento sustentável, pois os elementos
colocados pelo autor, ainda não estão vigorando e talvez demore de
acontecer, assim o ecoturismo não irá se desenvolver, pois enquanto
esses dilemas prevalecerem tudo permanecerá igual. Para alcançar
todos os aspectos levantados por Neiman, é preciso iniciar
estratégias de planejamento para poder alcança-los.
Pode-se perceber
que o desenvolvimento sustentável é o tipo de desenvolvimento que
pode se buscar no ecoturismo, pois são conceitos correlatos, visto
que a definição e o fim de ambos estão interligados, propiciando
desde então mecanismos para o desenvolvimento das comunidades. Esses
mecanismos seriam as estratégias e planos elaborados pelos
empresários e governos, baseados na sustentabilidade e conservação
utilizados no ecoturismo, que tem por objetivo a participação das
comunidades locais nesse processo, causando assim o desenvolvimento
sustentável para todos os envolvidos.
Atividades
ecoturísticas que utilizam a alternativa do desenvolvimento
sustentável
Podemos citar
assim, como exemplo de uma atividade ecoturística voltada para o
desenvolvimento sustentável, o Projeto Mamirauá onde a
sustentabilidade tem dado certo com o desenvolvimento da economia
local. Pois a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá foi a
primeira unidade de conservação desta categoria implantada no
Brasil, em 1997, sendo fundada pelo biólogo José Márcio Ayres, mas
seu início se deu em 1990 como uma Reserva Ecológica. Agora a mesma
é um Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (2004),
devido decreto de 7 de julho de 1999, tendo como dois de seus
principais objetivos promover o desenvolvimento sustentável em
articulação com a população local e também conservar e preservar o
meio ambiente Amazônico na Região do médio Solimões, onde está
localizado o projeto.
Segundo Lemos
(1996, p. 151), o ecoturismo é "[...] a rede de serviços e
facilidades oferecidas para a realização do turismo em áreas com
recursos turísticos naturais, sendo considerado também um modelo
para o desenvolvimento sustentável da região". Mas é preciso levar
em consideração vários aspectos importantes no desenvolvimento do
ecoturismo, como por exemplo, integrar o turismo ao meio ambiente
mediante uma arquitetura adaptada; preservar e valorizar o
patrimônio natural, histórico e cultural das comunidades no qual a
atividade seja desenvolvida; deve haver a participação das
comunidades locais e a conscientização das populações locais,
empreendedores turísticos e dos turistas da necessidade de proteger
o patrimônio como um todo.
O potencial de
uma atividade ecoturística, também pode ser visto no Estado do
Amazonas, pois o ecoturismo como meio de sustentação da comunidade
do município de Silves está sendo beneficiada desde 1994, com a
construção de um hotel através da Associação de Silves pela
Preservação Ambiental e Cultural (ASPAC) e a World Wildlife Fund
(WWF), chamado de Aldeia dos Lagos, que se tornou auto-sustentável
gerando um lucro de R$ 25 mil, causando assim investimentos no
manejo e fiscalização da reserva dos lagos que compõem a região.
Este projeto visou dessa forma, recuperar e conservar os estoques de
peixe que estava ameaçada pela pesca comercial (WWF, 2004). Essa
iniciativa, somente reforça a idéia que projetos de ecoturismo bem
planejados, executados e monitorados, com o apoio de Organizações
Não - Governamentais (ONG), empresários conscientes de seu papel na
sociedade e o envolvimento da comunidade, proporcionam realmente a
estratégia de desenvolvimento sustentável.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Na atualidade o
Turismo é uma das atividades econômicas mais importantes, onde se
destaca o segmento do ecoturismo. Este por sua vez torna-se uma
atividade que tem direta relação com o desenvolvimento sustentável,
haja vista que ele tem interdependência com os setores econômicos,
sociais, ambientais e culturais, objetivando a preservação dos
recursos naturais e culturais, com vista a garantir a
sustentabilidade da comunidade local onde é desenvolvido.
Com base nas
colocações acima mencionadas, este artigo apresentou através dos
dois exemplos das atividades ecoturísticas, como o Projeto Mamirauá
e a Associação de Silves pela Preservação Ambiental e Cultural (ASPAC),
a visão de que estes projetos contribuem com a sustentabilidade da
sociedade em que atuam, pois buscam utilizar os princípios do
ecoturismo como uma alternativa do verdadeiro desenvolvimento
sustentável, caracterizado em suas ações como: recuperar e conservar
os estoques de peixe que estavam ameaçados e também conservar e
preservar o meio ambiente das comunidades locais do seu entorno.
REFERÊNCIAS
DENCKER, Ada de Freitas Maneti. Métodos e técnicas de pesquisa em
turismo. São Paulo: Futura, 1998.
FENNELL, David A. Ecoturismo: Uma introdução. São Paulo:
Contexto, 2002.
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Mamirauá: reserva de desenvolvimento sustentável. Tefé.
Disponível em: <http://www.mamiraua.org.br/ecoturismo>. Acesso em:
20 jun. 2004.
LEMOS, Amália Inês. Turismo: impactos sócio-ambientais. São
Paulo: Hucitec, 1996.
LINDBERG, Kreg; HAWKINS, Donald E. (Ed).
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MOLINA E, Sergio. Turismo e ecologia.
Bauru: EDUSC, 2001.
NEIMAN, Zysman (Org).
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Barueri: Manole, 2002.
RUSCHMANN, Doris. O planejamento do turismo e a proteção do meio
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WEARING, Stephen; NEIL, John.
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Barueri, SP: Manole, 2001.
WORLD
WILDLIFE FUND.
Ecoturismo integrado ao manejo de várzea em Silves.
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