O Curso
Universitário de turismo sobre as conseqüências da política
neoliberal
Luta em favor
da regulamentação profissional
A lógica com que
o sistema capitalista movimenta-se em sua face neoliberal acaba
impondo às Universidades e Faculdades públicas e privadas no
Brasil uma paralisia no campo do ensino, pesquisa e extensão estas
atitudes são nefastas e trágicas para o todo da educação
brasileira.
Os alunos em
casos diversos e cíclicos são objetos de uma prática pedagógica
separada da reflexão e do pensamento crítico, padecendo da
presença de professores melhor qualificados e dignamente
remunerados, bem como, de uma infra-estrutura básica de apoio para
que tenhamos a formação de profissionais com competência
reconhecida e que garantam a segurança da própria sociedade.
O ensino
oferecido apresenta o vício secular da tradicionalidade kantiana
em que o discente desde o processo de alfabetização até a
universidade vai sendo empurrado por etapas, perdendo o sentido da
totalidade. A necessidade social de qualificar-se da forma que for
possível rumo ao primeiro e segundo grau alcança o terceiro muitas
vezes na posição de não saber ler e interpretar textos, portanto,
não sabe ouvir e nem se expressar.
O nosso aluno
em sua grande maioria trabalha, ganha mal, não tem tempo e
disposição para estudar, entende o centro educacional como mais um
dos muitos sacrifícios descolados de sua vida pessoal, vive num
país em que a desigualdade foi naturalizada, a cultura é algo da
elite e o direito de deslocamento para de fato desenvolver o
turismo é possível para quem tem dinheiro.
A
insensibilidade de governos para com a educação em adotar
políticas públicas de inclusão é uma constante, em muitos casos
tornam-se catastróficas, falta material de laboratórios,
professores, infra-estrutura, papel higiênico, giz e dinheiro para
pagar luz e água. Luta-se em favor da pesquisa por insistência de
professores e pesquisadores que muitas vezes se vêem na obrigação
de improvisar meios para conseguir os resultados de seus árduos
experimentos.
Existe um
plano dado pela expansão e lógica do Capital para desmoralizar o
ensino público, pois o mesmo para se alastrar necessita extrair a
mais-valia de setores antes governados pelos Estados do “bem estar
social” e um destes é a educação, como coloca Mészáros:
A persistente
e crescente intensidade da crise da educação nos principais países
capitalistas, sem uma única exceção, sugere, porém, uma conclusão
muito diferente. Resumindo-a numa frase: a crise de hoje não é
simplesmente a de uma instituição educacional, mas a crise
estrutural de todo o sistema da “interiorização” capitalista (...)
.
A ânsia
desenfreada apresentada pelos Estados Nacionais na busca de
privatizar áreas estatais, demonstra o desenvolver de um processo
de alienação que facilita o domínio do Estado pelas classes
dominantes e marca a expansão capitalista da globalização. Nada
passa despercebido, tudo converge para um processo de
cristalização e reificação nas relações capitalistas de poder.
Divulga-se a
idéia da eficiência e qualidade total, em que a educação deve ser
vista como mercadoria destinada a dar lucro e não como
investimentos sociais, por isso, estão sucateando a instituição
pública de ensino no que se refere a classificá-la como
burocrática, ineficiente, custosa e mal administrada, portanto, as
mesmas pedem a “competência” da iniciativa privada.
Assim, o
estado capitalista desfila seus ataques à educação pública como
deficiente, onerosa, tradicional e limitada para as necessidades
de mercado, colocando a decadência ao processo educacional. Esta
observação reduz o entendimento das causas primeiras, pois julga
que as questões da crise da educação se explicam por ela mesma,
negando qualquer visão de totalidade e descartando que a crise
esta localizada no Capital.
No campo das
instituições de ensino público e privado as mesmas questões
mencionadas surgem também, porém, a diferença entre elas se
localiza na luta democrática que se dá no interior destas unidades
educacionais. Nas públicas a representatividade discente e docente
existe e possui uma história especifica, com isso, queremos dizer
que em seu movimento existem infinitas maneiras de configurar a
luta política que só não funcionam quando as representações
sindicais estão desarticuladas ou comandadas por lideranças
estranhas à categoria.
Na grande
parte das escolas privadas o controle ideológico é extremamente
devastador, principalmente quando o formalismo burocrático
suplanta os interesses pedagógicos. A liberdade de pensamento
ou a universalidade de idéias estão quase sempre presas a um
estilo tacanho e weberiano de encarar a realidade, em que o pensar
e o agir devem seguir os princípios do podre economicismo, clone
dos acordos MEC-USAID.
Para os alunos
sobra a opção de pedir transferência para outra instituição de
ensino, enfrentando o desprezo dos diretores para com sua pessoa,
humilhados pela direção que fazem de suas reivindicações motivos
de piada.
Para os
professores a imposição fiscalizadora de caminhar os seus
conteúdos programáticos dentro da ideologia do empreendedorismo,
iludindo-os quanto ao mercado afirmando que hoje tem que ser
empreendedor. Não é por mera coincidência que surgem no interior
das instituições educacionais funcionários da rede bancária
oferecendo linhas de empréstimos e a possibilidade do aluno obter
cartões de crédito.
Paralelo a
este processo, as inteligências donas dos meios de produção
educacionais constatam por meio do censo comum e do pragmatismo
vulgar, que falta ao curso estimulo pavloviano ao aluno. Sendo que
a solução adotada seria tornar os cursos mais técnicos e para
isso, processa-se uma limpeza em sua grade curricular retirando
disciplinas ou professores mais críticos que levam o aluno a
pensar o fenômeno turístico. Esse processo vai se configurando
durante um longo tempo no conjunto das medidas administrativas
feitas pelas entidades educacionais:
1.
Demissão dos professores doutores e contratação de mestres e
especialistas, com o objetivo de diminuir os custos da
instituição;
2. Contratação
de pessoas ligadas ao trade que desempenham cargos políticos para
exercerem o papel de professores;
3.
Informação ao corpo docente que por questões de custos os salários
sofrerão um corte substancial em seu valor;
4. Eliminação
dos professores mais engajados e críticos, por meio do
rebaixamento salarial de mais de 80%;
5. Palestras
de auto-ajuda no início e meio do ano letivo, como forma de
desviar as causas da crise dos cursos;
6. Reuniões
pedagógicas para comunicar ao corpo docente que os cursos de
turismo deverão ser coordenados por profissionais de outras áreas;
7.
Alteração da grade curricular incorporando a disciplina de
empreendedorismo e batizando os professores e alunos de
empreendedores.
Entendemos que
este processo de decadência dos cursos de turismo se deve aos
interesses econômicos que rondam as instituições privadas de
educação, bem como, a idéia atrasada e ultrapassada advinda da
política neoliberal de tratar a crise do sistema capitalista por
meio do empreendedorismo. Forçando professores e alunos a
comungarem dessa proposta como solução para manter acumulação de
capital das instituições de educacionais, que vem apresentando
sinais profundos de inadimplência e crise de demanda.
Cabem a nós
estudantes e professores lutar contra este processo nefasto de
desqualificação educacional que atinge a totalidade da educação
nacional como cidadão brasileiro. E como turismólogo lutar em
favor da regulamentação profissional para que possamos criar nosso
“Conselho Regional” que tem por finalidade observar legalmente o
desenvolvimento pedagógico dos cursos de turismo e coibir os
abusos contra professores e alunos.