Artigo: Crescimento eleitoral e positivismo petista

Autor: Antonio Ozaí da Silva

Comentário: Ivan Luiz Colossi de Arruda

Data: 08.10.04

 

Mesmo sendo incontestável o crescimento eleitoral do PT, creio não ser correta a análise que tenta explicar esse fenômeno apenas pelas qualidades ou pragmatismo desse partido.

O PT capitaliza muitos votos úteis - vota-se no menos pior ou no aparentemente mais honesto - em função da desconfiança que o eleitor tem para com os candidatos pertencentes a outros partidos tradicionais. Por isso julgo ser precipitada qualquer afirmação ou presunção de que esse crescimento do PT se tenha dado como fruto de seus méritos, apenas. Até porque, como percebemos hoje o PT está jogando da mesma forma como jogam os outros, apenas com um discurso diferente. Exemplo disso é a afirmação do ministro José Dirceu para quem o caso da VASP deverá ter uma solução. Mas uma solução de mercado disse enfático com os seus olhos azuis brilhando. Seja da esquerda ou da direita, sabemos muito bem que solução será dada e para quem ficará a conta.

Creio não ser só em São Paulo que se comprova que, qualquer candidato de passado limpo - ou nem tanto - que surja, com algumas qualidades, seja de que partido for, leva. O PT não está com essa bola toda. Infelizmente. 

Ivan


Artigo: Crescimento eleitoral e positivismo petista

Autor: Antonio Ozaí da Silva

Comentário: Silvia Beatriz Adoue

Sent: Wednesday, October 20, 2004 4:28 PM

 
Li seu artigo no último número, sobre o crescimento do PT. Justo acabava de ler um livro de Gilberto Velho, "Desvio e Divergência", que fala da "anomie" y "anomia" a que você se refere para contradizer o positivismo petista. Achei uma abordagem original e produtiva da transformação social-democrática do partido. Quero lhe fazer um comentário sobre os resultados eleitorais: o crescimento numérico global nas eleições municipais creio que tem mais a ver com um efeito habitual. Após eleições para o executivo e legislativo nacional e estadual, os resultados das seguintes eleições municipais tendem a acompanhar os da eleição anterior, por razões orçamentárias. É significativa, em troca, a baixa dos votos nos grandes centros onde governou fazendo, justamente, uma administração social-democrática.
 

Artigo: O que eu tenho a ver com isto?

Autor: Antonio Inácio Andrioli

Comentário: Dulce Eleonora

Data: 11.10.04

 

Estou fazendo o Mestrado em Administração e com Linha de pesquisa em Marketing. Procurando entender melhor a questão "competitividade" me deparei com seu artigo. Parabéns, muito bom. Despertou em mim uma visão mais aprofundada dão processo de criação da "Competitividade".
Gostaria de receber artigo seus...

Artigo: O que eu tenho a ver com isto?

Autor: Antonio Inácio Andrioli

Comentário: Wander Luiz Pio de Sena

Data: 13.10.04

 

Prezado Andrioli,

Recebi seu artigo  "O que eu tenho a ver com isto?", através da Revista Espaço acadêmico e pretendo utilizá-lo no fechamento de um trabalho dos meus alunos do curso de administração na FADOM - Faculdades Integradas do Oeste de Minas.

Trata-se de um trabalho em que oito temas: O Homem, As Organizações, A Ética, A Dialética, A Ideologia, A Alienação, A Política e o Capitalismo são pesquisados para constituir uma base crítica (mínima) para o próximo estudo, que é a ética empresarial.

Peço sua autorização para distribuir o texto e é claro, com a devida citação da autoria e fonte.

Grato,

Wander Luiz Pio de Sena

Artigo: O governo Lula e a exaltação da auto-estima do povo brasileiro

Autor: Maria José de Rezende

Comentário: Paulo Roberto de Almeida

Data: 24.10.04

 

Ozaí,

Veja a revista citada na importante coluna do Merval Pereira, abaixo transcrita, da qual destaco este trecho (mas tem mais):
“Esse tipo de abordagem recebeu várias críticas, entre elas a da professora Maria José Rezende, doutora em sociologia pela USP, que em artigo deste mês na “Revista Espaço Acadêmico”, diz que “no Brasil, historicamente, o Estado nunca resolveu inúmeros problemas que lhe competia resolver, e não o fez em razão de um modo de administrar a coisa pública, que sempre favoreceu um amplo processo gerador de desigualdades e exclusões sociais”.

Meus parabéns à Professora Maria José Rezende por seu excelente ensaio.

Os cumprimentos do
--
Paulo Roberto de Almeida
pralmeida@mac.com 
www.pralmeida.org

O Globo- 22/Outubro/2004

A parabólica de Lula/Merval Pereira
 

O presidente Lula se encarregou ontem de fazer uma revisão histórica e dar o aval do governo petista a um dos grandes escândalos políticos recentes, ao defender em público a teoria do ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero, segundo a qual “o que é bom a gente conta, o que é ruim a gente esconde”. A frase, dita em conversa informal, mas captada por uma antena parabólica, causou um verdadeiro furor nas hostes petistas na campanha presidencial de 94, a ponto de o então presidente Itamar Franco, para não colocar em risco a eleição de Fernando Henrique contra Lula, desautorizar Ricupero e demiti-lo.

Pois Lula não precisou de parabólica, dez anos depois, para validar a tese. Ontem, ele voltou ao tema da elevação da auto-estima do brasileiro em uma reunião com agentes de viagem, e aproveitou para criticar indiretamente os meios de comunicação, outra obsessão presidencial.

Segundo o presidente, em sua peculiar visão do papel que os meios de comunicação deveriam exercer, “o que não serve para ajudar na promoção do turismo, não deve ser tornado público com displicência”.

O presidente acha que é preciso saber como tratar nossas mazelas em público, e que deveríamos ter vergonha de “mostrar fatos que afetam a essência do país”. O que seria a “essência” do país não fica muito claro no improviso presidencial, mas fica clara uma preocupação recorrente, esta, sim, perigosa: não devemos ter vergonha dos fatos em si, mas de exibi-los.

Segundo o presidente, “ninguém respeita um país que não se respeita”. A receita dele é simples: devemos falar bem de nós mesmos, e resolver os problemas internamente. Para ele, o Brasil dá mais importância às ações negativas do que à valorização nacional.

O tema já havia sido abordado pelo ministro Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação de Governo) em encontro, há algum tempo, com jornalistas no Palácio do Planalto. Na ocasião, Gushiken se queixou da imprensa que, segundo ele, gostava de “explorar o contraditório” para fomentar “discórdia e disputa de egos”. E, na mesma linha usada pelo presidente ontem, defendeu a tese de que os meios de comunicação deveriam dar mais espaço para o “lado positivo das coisas”: “Esse país está cheio de coisas boas”, exclamou.

Depois desse encontro, duas medidas foram tomadas pelo Palácio do Planalto: o envio do projeto do Conselho Federal de Jornalismo para “fiscalizar” o exercício da profissão de jornalista, e publicar no Diário Oficial da União um decreto presidencial criando um comitê gestor, com representantes dos três Poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário) para “elaborar uma proposta de implantação de uma emissora de televisão com programação voltada para o exterior”.

Ao mesmo tempo, surgiu a campanha “O melhor do Brasil é o brasileiro”, promovida pela Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), com o incentivo de Gushiken, exatamente para elevar nossa auto-estima, dando como exemplos ídolos como Ronaldinho e Herbert Vianna.

A associação citou dados do Instituto Latino Barômetro, que mostram que o povo com a mais baixa auto-estima da América Latina é o brasileiro. Enquanto o índice de confiança vai a 64% entre os uruguaios, a 52% entre os chilenos, o do brasileiro fica em apenas 22%.

No lançamento da campanha, o presidente Lula voltou a falar num tema que também o obceca, a família: “O Estado pode resolver uma parte dos problemas ou pode ser o indutor para resolver parte dos problemas. Mas uma outra parte é a sociedade que tem que resolver, sobretudo as famílias”.

Esse tipo de abordagem recebeu várias críticas, entre elas a da professora Maria José Rezende, doutora em sociologia pela USP, que em artigo deste mês na “Revista Espaço Acadêmico”, diz que “no Brasil, historicamente, o Estado nunca resolveu inúmeros problemas que lhe competia resolver, e não o fez em razão de um modo de administrar a coisa pública, que sempre favoreceu um amplo processo gerador de desigualdades e exclusões sociais”.

A professora também criticou o comentário feito pelo chefe da Casa Civil, José Dirceu, sobre o maratonista brasileiro que ganhou a medalha de prata nas Olimpíadas. “O Vanderlei sempre nos emociona, pois representa o esforço de todos nós para melhorar o Brasil”, disse Dirceu.

Para a professora “uma afirmação dessa natureza é extremamente vaga, visto que trata como semelhante algo completamente distinto. O esforço empreendido para obter uma boa classificação nas Olimpíadas é completamente distinto de um empenho político para mudar o país”.

Maria José Rezende questiona se “quando o presidente exalta em seus pronunciamentos alguns jogadores como pessoas que saíram da condição de pobreza e venceram na vida, sendo estes, então, exemplo para o Brasil”, ele não estaria fazendo a população interpretar “tais falas como uma alusão à própria trajetória de Lula, um vencedor de todas as dificuldades que caíram em seu caminho”.

Nesse caso, os pronunciamentos seriam, segundo a professora, “um desserviço à busca de democratização do país, pois escondem que o desenvolvimento da trajetória de Lula envolve não somente esforço pessoal, mas um amplo esforço social”. Ela ressalta que quando o presidente diz que a população deve acreditar em sua própria capacidade, “ele não está, então, falando em capacidade de organizar-se socialmente, de pressionar os governantes, de reivindicar melhorias, de condenar as práticas políticas viciadas em ações clientelistas, etc., ele está se referindo à capacidade de cada um arranjar-se por conta própria”.

O Globo- 22/Outubro/2004

 
 
 

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