|
Por ANTONIO MENDES DA SILVA FILHO
Professor
do DIN/UEM. Doutor em Ciência da Computação
|
|
Segurança da Informação: Sobre a
Necessidade de Proteção de Sistemas de Informações
Informação
compreende qualquer conteúdo que possa ser armazenado ou transferido
de algum modo, servindo a determinado propósito e sendo de utilidade
ao ser humano. Trata-se de tudo aquilo que permite a aquisição de
conhecimento. Nesse sentido, a informação digital é um dos
principais, senão o mais importante, produto da era atual. Ela pode
ser manipulada e visualizada de diversas maneiras. Assim, à medida
que a informação digital circula pelos mais variados ambientes,
percorrendo diversos fluxos de trabalho, ela pode ser armazenada
para os mais variados fins, possibilitando ela ser lida, modificada
ou até mesmo apagada.
Desde a
inserção do computador, na década de 40, como dispositivo auxiliar
nas mais variadas atividades, até os dias atuais, temos observado
uma evolução nos modelos computacionais e tecnologias usadas para
manipular, armazenar e apresentar informações. Temos testemunhado
uma migração de grandes centros de processamento de dados para
ambientes de computação distribuída.

Figura 1: Evolução de tecnologias.
Considerando o
cenário apresentado acima, há uma necessidade de oferecer suporte à
colaboração de múltiplas organizações e comunidades que muitas vezes
têm interesses sobrepostos. Em tal situação, o controle de acesso às
informações é um requisito fundamental nos sistemas atuais. Vale
ressaltar que, atualmente, a grande maioria das informações
disponíveis nas organizações encontra-se armazenadas e são trocadas
entre os mais variados sistemas automatizados. Dessa forma, inúmeras
vezes decisões e ações tomadas decorrem das informações manipuladas
por esses sistemas. Dentro deste contexto, toda e qualquer
informação deve ser correta, precisa e estar disponível, a fim de
ser armazenada, recuperada, manipulada ou processada, além de poder
ser trocada de forma segura e confiável. É oportuno salientar que,
nos dias atuais, a informação constitui uma mercadoria, ou até mesmo
uma commodity, de suma importância para as organizações dos
diversos segmentos. Por esta razão, segurança da informação tem sido
uma questão de elevada prioridade nas organizações.
Segurança da
informação compreende um conjunto de medidas que visam proteger e
preservar informações e sistemas de informações, assegurando-lhes
integridade, disponibilidade, não repúdio,
autenticidade e confidencialidade. Esses elementos
constituem os cinco pilares da segurança da informação e, portanto,
são essenciais para assegurar a integridade e confiabilidade em
sistemas de informações. Nesse sentido, esses pilares, juntamente
com mecanismos de proteção têm por objetivo prover suporte a
restauração de sistemas informações, adicionando-lhes capacidades
detecção, reação e proteção. Os componentes criptográficos da
segurança da informação tratam da confidencialidade, integridade,
não repúdio e autenticidade. Vale, no entanto, ressaltar que o uso
desses pilares é feito em conformidade com as necessidades
específicas de cada organização. Assim, o uso desses pilares pode
ser determinado pela suscetibilidade das informações ou sistemas de
informações, pelo nível de ameaças ou por quaisquer outras decisões
de gestão de riscos. Perceba que esses pilares são essenciais no
mundo atual, onde se tem ambientes de natureza pública e privada
conectados a nível global. Dessa forma, torna-se necessário dispor
de uma estratégia, levando em conta os pilares acima mencionados, a
fim de compor uma arquitetura de segurança que venha unificar os
propósitos dos cinco pilares. Neste contexto, as organizações e,
mais amplamente, os países incluem em suas metas:
-
Forte uso de
criptografia;
-
Incentivo a
educação em questões de segurança;
-
Disponibilidade de tecnologia da informação com suporte a
segurança;
-
Infra-estrutura de gestão de segurança;
-
Disponibilidade de mecanismos de monitoramento de ataques,
capacidade de alerta e ações coordenadas.
Atualmente,
numa era onde conhecimento e informação são fatores de suma
importância para qualquer organização ou nação, segurança da
informação é um pré-requisito para todo e qualquer sistema de
informações. Nesse sentido, há uma relação de dependência entre a
segurança da informação e seus pilares, como ilustrado na Figura 2.
Dentro desse
contexto, a confidencialidade oferece suporte a prevenção de
revelação não autorizada de informações, além de manter dados e
recursos ocultos a usuários sem privilégio de acesso. Já a
integridade previne a modificação não autorizada de informações.
Por outro lado, a disponibilidade prover suporte a um acesso
confiável e prontamente disponível a informações. Isto implica em
dados e sistemas prontamente disponíveis e confiáveis.
Adicionalmente, o não repúdio e autenticidade
compreendem o que poderia ser denominado de responsabilidade final
e, dessa forma, busca-se fazer a verificação da identidade e
autenticidade de uma pessoa ou agente externo de um sistema a fim de
assegurar a integridade de origem.

Figura 2: Pilares da segurança da Informação.
Os pilares
acima visam prover os sistemas de informações contra os mais
variados tipos de ameaças como, por exemplo:
-
Revelação de
informações – em casos de espionagem;
-
Fraude – não
reconhecimento da origem, modificação de informações ou mesmo caso
de espionagem;
-
Interrupção
– modificação de informações;
-
Usurpação –
modificação de informações, negação de serviços ou espionagem.
Vale ressaltar
que as ameaças acima podem ser de diversas naturezas e, nesse
sentido, as ameaças são, geralmente, classificadas como passiva,
ativa, maliciosa, não maliciosa. Para lidar com essas ameaças,
torna-se necessário a definição de políticas e mecanismos de
segurança, visando dar suporte a:
-
Prevenção –
evitar que invasores violem os mecanismos de segurança;
-
Detecção –
habilidade de detectar invasão aos mecanismos de segurança;
-
Recuperação
– mecanismo para interromper a ameaça, avaliar e reparar danos,
além de manter a operacionalidade do sistema caso ocorra invasão
ao sistema.
Algumas
questões de natureza operacional surgem em decorrência da
necessidade de prover suporte a segurança de sistemas de
informações, tais como:
-
É menos
dispendioso prevenir ou corrigir danos?
-
Qual o grau
de segurança a ser imposto aos sistemas de informações?
-
Qual o nível
de legalidade das medidas de segurança desejadas?
Essas e outras
questões não abordadas neste texto serão tratadas no próximo texto
sobre o assunto. Aos leitores interessados no tópico, recomendo a
leitura dos textos abaixo:
E. Amoroso, Fundamentals of Computer Security Technology,
Prentice Hall,1994.
M. Bishop, Computer Security: Art and Science, Addison
Wesley, 2003.
J. H. Saltzer, The Protection of Information in Computer Systems,
http://web.mit.edu/Saltzer/www/publications/protection/index.html
|
|

|