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Uma análise do
fenômeno turístico tratado com seriedade científica
S6XTO -
Congresso Internacional de Turismo da rede Mercocidades
A história da
humanidade não volta atrás e quando isso ocorre é de forma
artificial e puramente idealista, portanto, segundo Karl Marx
ressurge como comédia ou tragédia. Para aqueles que perderam
seu poder secular de dominação material e simbólico sobre a
sociedade, o entendimento do mundo, é visto como uma enorme desgraça
para sua existência. Para os que surgiram ou ascenderam política e
socialmente em decorrência desse processo histórico, a sociedade
deveria permanecer congelada e imutável na perspectiva de preservar
seu status quo.
Tanto um como
o outro são produtos da luta de classes que movimenta a história em
busca do reino da liberdade por meio do entendimento de que a
categoria explicativa do homem – o trabalho e o lazer vão se
aprimorando tecnologicamente na resolução de seus problemas, porque
a mesma não surge separada do lazer. Por isso, “um outro turismo é
possível” e se transforma em um instrumento de “integração pela
paz”.
Nada pode
desviar o processo da civilização do lazer ou do ócio como queria
Paul Lafargue em seu panfleto revolucionário “O Direito à preguiça”,
escrito 1880 e publicado pelo movimento socialista francês.
Assim,
acontecimentos como o IV e VI Congresso Internacional de Turismo da
rede Mercocidades realizados respectivamente em 2002 e 2004 na
cidade de Porto Alegre permitiram que o campo do turismo no Brasil
sedimentasse bases para os estudiosos desse objeto.
Portanto,
alunos e professores hoje sabem distinguir entre os inúmeros
congressos e vários tipos de encontros na área.
O Mercocidades
de Porto Alegre trouxe a idéia e desenvolveu na prática a verdadeira
práxis pedagógica para pensar o saber turístico. Devemos entendê-lo
como uma ciência e na riqueza de sua interdisciplinaridade mediantes
aos componentes que resguardam estes princípios.
Os guardiões
desta persistência tiveram de lutar contra os dragões do mal,
enfrentar o preconceito de uma “academia” acostumada com o senso
comum e a leitura linear economicista e empírica do fenômeno
turístico. Estes nos combateram pela frente e por trás, sem perdão,
perdemos muitos espaços, mas cristalizamos outras unidades
totalizantes do pensar, conquistamos amigos fiéis, mudamos a leitura
do fenômeno turístico dentro das universidades, unimo-nos aos
diversos quadrantes do mundo e temos tentáculos em vários cantos do
planeta pensando o turismo.
Fomos
preteridos de pensar uma política nacional para o turismo,
subvertemos os grandes interesses, somos críticos, pois somos seres
que pensam no coletivo, na justiça, na democracia com o fervor
latino. Esses são brasileiros que acreditam na felicidade no amor e
numa forma de fazer política voltada para a realidade
latino-americana que lute contra o turismo apartheid, a miséria a
fome e o medo de ser feliz.
Pessoas com
proposta crítica semelhante, têm hoje onde pedir abrigo para seus
pensamentos. Conseguimos agregar identidades de princípios no vasto
campo do saber turístico junto a uma estrutura física exemplar o
chamado Porto Alegre Turismo – Escritório Municipal. É obvio
que a questão não se resume a nenhuma estrutura pública para
resolver o problema do turismo nacional, mas sim, na linha política
pedagógica dada por quem a ocupa. Neste caso estamos nos referindo à
professora, educadora, amiga e intelectual Marutschka Martini Moesch
e sua equipe.
Vejamos alguns
nomes que hoje conseguimos agregar entorno do estudo do fenômeno
turístico no Brasil Jafar Jafari, John Swarbrooke, Sergio Molina,
Jost Krippendorf, Michel Maffesoli e Hugo Romero. Com muitos
aprendemos e assimilamos seus ensinamentos, mas uma coisa hoje se
tem certeza, nada ficamos a dever a eles, nos associamos e
complementamos saberes, por esse motivo somos referencia mundial na
produção literária do turismo.
Aos estudiosos
do turismo brasileiro devemos uma homenagem nos referimos a todos
que de forma persistente se debruçaram no estudo epistemológico do
turismo. Assim, a verdadeira base para que pudéssemos demonstrar uma
intelectualidade crítica autóctone e desvinculada das diferentes
historiografias dominantes, foi dada por esses pesquisadores com
diferentes formações cientificas.
Terminamos com
uma fala do saudoso Darcy Ribeiro que sabiamente ao perceber um tom
deboche em uma de suas muitas falas sobre sua busca incansável em
prol da integração dos latinos – americanos, nos conta que:
Certa vez,
respondendo a uma inglesa malcriada, que duvidava que existisse uma
América Latina, argumentei largamente para demonstrar que, graças a
Deus, existimos. Veementemente. Existimos como uma gente que até
pode fazer o bem, porque não quer nem precisa tirar nada de ninguém,
porque foi feita de homens e mulheres vindos de todas as latitudes e
de todas as raças.
Retomamos para
afirmar que há muito tempo bons ventos vindos do Rio Grande do Sul
refrescam nossas mentes e alimentam a “produção do saber turístico
no Brasil” para o mundo. |