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Por
CELUY ROBERTA HUNDZINSKI DAMÁSIO
Doutoranda
no Institut Catholique de Paris e Université Marne-la-Vallée
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Início do ano
letivo superior francês
O ano letivo
superior na França começa em setembro ou outubro, dependendo da
instituição. Neste ano, segundo a estatística do Ministério da
Educação, 2.282.000 alunos iniciarão o período de 2004/05 em 3.500
estabelecimentos, sendo que, mais da metade (1.475.500) estará nas
85 universidades do país, desses, 113.500 entrarão em institutos
universitários de tecnologia.
O aumento,
comparado ao ano passado, foi de 1,2%, ou seja, 27.000. Entretanto,
houve 2.000 estudantes a menos no primeiro ciclo (licence –
equivalente à graduação) – conseqüência de uma baixa demográfica,
enquanto que no segundo ciclo (maîtrise – equivalente a um ano de
mestrado) houve um aumento de 10.000, e no terceiro ciclo (master/DEA
e doctorat – equivalente ao doutorado) o aumento foi de 7.000
alunos.
As “classes
supérieures des lycées” (salas superiores dos liceus) contarão com
316.000 estudantes, 500 a mais que o ano anterior. 243.500 em
“section de téchniciens supérieur” - seção de técnicos superior e
72 500 nas chamadas “Grandes Ecoles” - Grandes Escolas. Enfim,
490.500 estarão inscritos fora de universidades, em escolas de
engenheiros ou de comércio, institutos preparatórios para
educadores, escolas de arte, arquitetura ou estabelecimentos
paramedicais.
Para esse ano, as
estatísticas por área ainda não estão prontas, mas a tendência é a
mesma que em 2003/2004, que contou com 233.500 estudantes na área de
ciências humanas, 175.000 em direito, 146.000 em medicina e
farmácia, 130.000 em línguas, 122.000 em ciências econômicas,
120.000 em letras, 104.000 em ciências e tecnologia, 99.000 em
ciências da matéria, 80.000 em ciências da natureza e da vida,
53.000 em economia e 46.000 em educação física e esportiva.
As Universidades
Francesas não selecionam os estudantes na entrada, como nas
universidades brasileiras. No final do segundo grau, chamado “Lycée”,
há uma prova (Bac) que os classifica, segundo as notas, para as
universidades. Porém, nos dois primeiros anos de ensino superior, o
aluno ainda é selecionado para continuar ou não os estudos.
A preocupação,
hoje em dia, está começando a voltar-se para a avaliação,
querendo-se exigir um pouco mais dos futuros profissionais; além
disso, há um interesse em priorizar a pesquisa nas universidades.
Quanto ao
orçamento do ensino superior, o próximo ano contará com o aumento de
3%, sendo duas vezes mais que o conjunto do orçamento do Estado. A
idéia é que essa escala persista a cada ano, alargando as fontes de
financiamento privado para a pesquisa universitária.
Os sindicatos
denunciam o aumento das taxas de inscrição instigando o Ministério
da Educação Nacional a uniformizar os montantes exigidos: 150 euros
para a “lience”, 190 euros para o “master” e 290 euros para o “doctorat”;
entretanto, de acordo com a opinião da UNEF (Union Nationale d’Etudiants
Français – União Nacional de Estudantes Franceses), é uma decisão
incoerente, pois se de um lado diminuíram a taxa de inscrição nas
universidades profissionalizantes, de outro, aumentaram em algumas
instituições não profissionalizantes, podendo, tal acréscimo,
atingir até 35%, conforme a instituição.
Outra questão
inquietante é o alojamento. Os jovens costumam, sobretudo nas
grandes cidades francesas, a deixar a casa dos pais quando chegam à
idade de estarem em curso superior. Desta forma, o ingresso nessa
vida implica na procura de uma nova habitação.
Normalmente, eles
alugam um “studio”, espécie de kitinet; ainda assim, o preço do
aluguel em Paris está em média 20 euros por metro quadrado. Com o
direito a somente 20 horas de trabalho por semana, essa situação os
leva ao aluguel partilhado com outro estudante ou, até mesmo, a
dependência dos pais por mais tempo que de costume, além da procura
pelo trabalho clandestino (noir).
Todos os anos,
as preocupações se renovam em cima do antigo e mesmo problema,
fazendo com que o início das aulas seja coroado de inquietudes sem
muitas opções de resolução, o que, sem dúvida, não faz do hexágono,
um país menos culto. |
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