Por HENRIQUE SAMET

Professor da Faculdade de Letras da UFRJ; mestre em História pela UERJ, Doutorando pela UFRJ.

 

 

Non Passaran olvidados:

Judeus do Brasil na Guerra Civil Espanhola e Resistência Francesa

 

Judeus no BrasilA Guerra Civil Espanhola (1936-1939) atrai a atenção de historiadores de nacionalidades diversas não só por ter sido a antevéspera de uma conflagração maior mas porque envolveu cidadãos de muitas origens, agrupados nas famosas Brigadas Internacionais, um chamado e recrutamento de voluntários patrocinados pela esquerda, principalmente, a comunista, para combater ao lado das forças republicanas em luta contra o franquismo.

Já existem trabalhos acadêmicos, teses, artigos, e memórias, abordando a específica participação de brasileiros nesta empreitada perdida que mobilizou sonhadores idealistas, românticos, aventureiros e revolucionários.

No entanto, como seria de se esperar, a ênfase temática é dada ao grupo majoritário, basicamente 14 militares e dois civis brasileiros, que, reprimido o levante de 35, ameaçados de cadeia, com penas a cumprir e sem uma perspectiva breve de mudança de rumos na política nacional, optaram e foram incentivados a transportar o ardor de seus ideais para outras paragens. En passant, mencionam, sem agregá-los a conta de brasileiros (16), um número ainda não especificado de judeus, então residentes no Brasil, (talvez mais que 6 e certamente 4), que, expulsos do país, ou achando conveniente dele se retirarem, após o levante de 35 e prisões, também fizeram esta opção e foram levados a se defrontar diretamente não só com o franquismo espanhol mas, posteriormente com os nazistas em terras francesas. De certa forma, junto com o grupo maior de nacionais foram os pré-pracinhas brasileiros mas com três “agravantes”: eram comunistas, judeus e partisans.

Este artigo não pretende, de forma alguma, esgotar o assunto. Apenas tenta singularizar as informações sobre estes judeus “brasileiros”, disponíveis em arquivos, livros e sites da Internet.

Em conseqüência do levante de  27 de novembro de 1935 no Rio de Janeiro efetuou-se a mais rigorosa caçada à organizações e suspeitos de simpatia ao comunismo até então realizada no Brasil.”Procurava-se Prestes e outros elementos comunistas nos meios judaicos”.[1]

O levante incitou uma radicalização da postura governamental frente ao grupo étnico judaico como um todo. Abarcava judeus vinculados diretamente ao levante, desbordava quando atingia os suspeitos de simpatias ao Partido Comunista e extrapolava ao reprimir sociais-democratas, simpatizantes da Aliança Nacional Libertadora, e todo humanista com algum tipo de atividade ou pensamento libertário. Chegava ao absurdo  ao suspeitar e prender qualquer um, pelo simples “indício inicial” de ser judeu. Enfim, estendeu-se à judeus e organizações judaicas com uma margem imensa de indistinção. Pessoas e organizações, de origens judaicas, desligadas de atividades políticas e de qualquer intenção revolucionária, foram, sistematicamente, incomodadas ou presas. Virou anti-semitismo. Falava-se em depurar desintoxicar e sanear o Brasil de comunistas a planta exótica, e as toxinas que envenenavam-no. [2] Absurdos foram executados como invadir no Rio de Janeiro o estabelecimento de um magarefe que executava o abate de animais conforme o ritual religioso judaico e considerar um pequeno quartinho onde tradicionalmente, no âmbito religioso judaico, começava a iniciação escolar das crianças (cheder) e considerá-lo local de doutrinação comunista. O magarefe ficou preso dois dias.

O acirramento drástico de repressão aos judeus se deu na noite de 26 para 27 de novembro de 1935, quando atenta ao desencadeamento do movimento comunista no Nordeste, “com irradiação para esta capital”, foi efetuada pela Seção de Segurança Social  dirigida por Serafim Braga uma “batida” na Organização Revolucionária Israelita “Brazkor” (Brazilianer Tzentral Komitet Far Di Idishe Ibervonderer In Rotfarband) na qual  foram presas de 18 a 25 pessoas.

Uma versão aponta que foram todos (naquela noite 18) surpreendidos no Arbeter Kich (Cozinha dos Trabalhadores) quando realizavam uma refeição. Para efeitos publicitários, as investigações das suspeitas foram remetidas para dois meses anteriores, isto é setembro.

“(...) entidade que de certo tempo vinha sendo observada por esta seção, dados seguros informes do nosso “serviço secreto” de que alli era um poderoso núcleo filiado ao Partido Comunista do Brasil - Cozinha Proletária Comunista - rua Visconde de Itaúna n0 151.”[3]

A versão mais simplista do Brazkor o resumia ao Arbeter Kich (Cozinha dos Trabalhadores), entidade sem fins lucrativos, dirigida, entre outros, por Waldemar “Welvul” Gutnik e sua esposa Rifka Gutnick, aberta a pessoas recém-chegadas no país e sem família, trabalhadoras em fábricas de bolsas, em costura e que se mantinha com empreendimentos diversos como bailes, noites culturais, teatros e rifas para cobrir as despesas. [4] Entrando na seara política, um memorialista da coletividade judaica afirmou que o “Brasker”, corruptela idish de Braskor, era uma espécie de Socorro Vermelho para angariar recursos e para contratar advogados de colegas perseguidos pela polícia. [5] Na verdade era as duas coisas e mais um aparato étnico judaico dentro do PCB, montado a partir da necessidade de auxiliar a colonização de uma região na Rússia, Birubidjan, onde os judeus seriam reassentados, após a Revolução de Outubro, mas que se transformou em instrumento de ação partidária no âmbito da comunidade judaica.

De uma conferência do capitão Delegado da DESPS Afonso Henriques Miranda com o Chefe de Polícia Filinto Muller teria saído a decisão de expulsar os 18 elementos do Brazkor do Brasil que estavam recolhidos na Casa de Detenção.

 

Nome

Nacionalidade

Profissão

decreto expulsão

Navio

Embarque

1

Abrahão Rosemberg

polonês

alfaiate

janeiro de 1936

 

ignorado

2

Sojer Kaplansy

 

 

 

 

 

3

Jacob Gria

lituano

alfaiate

22 de abril de 1936

Comandante Riper”

em 10  de Julho de 1937

4

Armando Guelman

 

 

13/1/36

 

ignorado

5

Jayme Sterneberg

polonês

 

22 de abril de 1936

Comandante Riper”

em 10  de Julho de 1937

6

Waldemar Roiteberg

rumeno

 

13/1/36

Almirante Alexandrino

Outubro de 1938

7

Josef Fridman

polonês

marceneiro

janeiro de 1936

Bagé

15 de julho de 1936

8

José Weiss

russo

padeiro

 

 

janeiro de 1936

9

Moisi Lipes

romeno

 

janeiro de 1936

Almirante Alexandrino

Outubro de 1938

10

David Lerer

polonês

marceneiro

janeiro de 1936

Bagé

15 de julho de 1936

11

Moyses Kava

polonês

 

13/1/36,

revogado

revogado

12

João Schachter

 

 

22/4/36

Comandante Riper”

em 10  de Julho de 1937

13

Jayme Gardelaran

rumeno

comerciante

13/1/36

revogado 1954

revogado 1954

14

Waldemar Gutnik

rumeno

prestamista

10/02/36

Bagé

15 de julho de 1936

15

Rubens Goldberg

polonês

passador

janeiro de 1936

Bagé

15 de julho de 1936

16

Henrique Jvinblaski

polonês

 

janeiro de 1936

Bagé

 

17

José Hachternwacker

rumeno

 

06/01/36

 

 

18

Nicolao Marinof

 

 

 

 

 

19

Carlos Garfunkel

rumeno

 

13/1/36

 

 

20

Matis Janovsai

polonês

hoteleiro

Dezembro 1935

Comandante Riper”

em 10  de Julho de 1937

21

César Zibenberk

rumeno

 

13/01/36

 

 

22

Sgulin Seko Vrabel

polonês

vendedor ambulante

6/1/36

Comandante Riper”

em 10  de Julho de 1937

23

Nute Goifman

Rússia

padeiro

13 de junho de 1932

revogado

revogado em 30 de agosto de 1937

24

Baruch Zell

Polônia

operário e garçom

12 de março de 1934

revogado por decreto de13 de agosto de 1947

revogado por decreto de 13 de agosto de 1947

Arquivo Nacional Caixa s n0171, 226, 227,228 e prontuários DESPS do APERJ

 

Neste artigo, no entanto, só abordaremos a trajetória daqueles que supomos batalharam na Espanha e posteriormente na França. Depoimentos de participantes diretos e indiretos sobre os eventos  do caso Brazkor são muito inespecíficos e são citados viajantes, irmãos, como combatentes mortos na Espanha sem a menção sequer de nomes.

Daqueles diretamente envolvidos com as prisões do Brazkor e/ou luta na Espanha temos algumas informação sobre:

Moises Lipes ou Moisi Lipes, nascido em data que ignorava, na România, em Novasubis, filho de Egoes ou Iossf Lipes e Neuman ou Nhma Lipes; casado; estofador; residente na rua General Caldwel n0 188-fundos, remetido, junto com outros 22 presos do Brazkor, para a Casa de Detenção, onde ficaria até ser expulso do país, através do processo à cargo da 2a Delegacia Auxiliar, dirigida pelo Dr. Dulcídio Gonçalves, por perigoso à ordem pública e nocivo aos interesses do país, de acordo com o art. n0 113 parágrafo 15 da Constituição de 1934. O Decreto de expulsão data de 13 de janeiro de 1936 [6] Foi embarcado no navio Almirante Alexandrino em 15 de maio ou em outubro de 1936.[7] Existe só um único registro memorial de parte de Abraham Josef Schneider, afirmando que Moises Lipes combateu e morreu na guerra civil espanhola. É caso de comprovação pendente.  [8]

Mas, nas rodadas de expulsão e embarque, misturavam-se aos expulsos do caso Brazkor, judeus presos e condenados à deportação pelo Estado de São Paulo, como se fossem parte de uma mesma causa. Por exemplo, seguiram para a Polônia no vapor “Bagé”, via Hamburgo, em 15 de julho de 1936, Rubens Goldenberg, Joseph Fridman, David Lerer, Motel Gleizer, Nicolau Smoritchersky, Waldemar Gutnik e Henoch Zwirblanaky. [9]. Nicolau Smoritchersky, romeno, aparentemente, nada tinha a ver com as prisões do Brazkor pois foi preso em São Paulo, provavelmente com o nome de Nicolau Smor e expulso através do decreto de 30 de março juntamente, com: Alexander Wanstein; russo, Sabina Krichner; rumena, Rubens Gotlib; polonês, Moysés Kabinas ou Kalinos; rumeno e João Gratz; iugoslavo. [10]

Segundo o comandante do navio “Bagé”. Amaury de Bustamante Fontoura. a estiva do porto de Havre, quando este atracou, de passagem para Hamburgo, avisada por membros do PCB, estava mobilizada para dar liberdade aos expulsos e por precaução o dito comandante pediu garantias à polícia do porto. Ao saber disso os estivadores declararam greve. O comandante comunicou-se com o cônsul brasileiro e este repassou a informação ao embaixador em Paris Souza Dantas. Do contato das autoridades brasileiras e francesas foi resolvido o desembarque dos comunistas sob a responsabilidade das autoridades locais, que seriam encaminhados por terra à fronteira da Suíça. Saíram do navio transportados pela polícia local e acompanhados pelos estivadores. [11]

A referência mais objetiva à participação de Nicolau Smoritchersky na Guerra Civil é a citação de seu nome em uma  “Relação de brasileiros que fizeram parte das Brigadas Internacionais à serviço da Espanha Republicana”, um dossiê datado de 17 de março de 1939 produzido ou recebido pela Delegacia Especial de Segurança Política de Social (DESP). [12]/

Rifka Gutnik, esposa de um dos expulsos, tem uma descrição mais vivaz não só do incidente em La Havre e de como as famílias dos afetados negociaram a libertação de uns e outros também condenados a expulsão:

E levou meses assim, até que começaram a exportar. Exportaram uma turma, parece que de sete de uma vez e depois tinha mais uma turma para ser exportada. E a polícia, cá entre nós, engoliu o dinheiro das passagens, chamou eles de noite e disse: “olha, nós vamos soltar vocês, mas com a condição que vocês sumam daqui.” Mas sem documentação, sem nada. Alguns preferiram sair, outras não queriam e disseram: “olhe, ou você solta a gente com documentação legal, ou então, que garantia eu tenho se saio daqui até o portão e depois atiram atrás de mim dizendo que eu fugi?” Aí levaram aqueles que não queriam aceitar até a fronteira de Goiânia e soltaram no meio do mato. Os que aceitaram, soltaram pela porta dos fundos e eles se salvaram de certo.. Desses, eu acho que não vivem mais ninguém. Tinha dois ou três aqui no Brasil, em São Paulo, mas os três já não vivem mais. Os outros se perderam pelos caminhos, um ou dois chegaram a voltar. E um voltou, estava com febre amarela e faleceu logo e o outro ainda viveu um pouco aqui. Um era de Niterói e tinha família, que mandaram buscar e quando chegaram ele já estava preso. [13]

“Acho que oito meses depois mandaram uma turma de uns sete, e ele foi. Mandaram eles num navio de brasileiros mas daqui avisaram para a Europa, para a França, para os outros países, que iam presos políticos, que naturalmente não tinha nada que ver. Então quando chegaram na França, em Havre, o pessoal lá arranjou um jeito de tirar eles. Então, os operários do cais fizeram greve e assaltaram o navio exigindo os presos do Brasil. Aí o pessoal do navio pegou eles, fechou num portão e fecharam as janelas para não serem vistos por ninguém. Quando chegou a hora do almoço, os operários do cais se retiraram. Nesse ínterim, eles, do navio, aproveitaram, entraram e transferiram todos eles para a polícia da França. Quando o pessoal voltou do almoço, começaram a exigir os presos. O capitão disse que não tinha mais nada com eles porque eles já tinham sido transferidos para a polícia. Aí fizeram a greve, tudo quanto é pessoal do cais e tudo quanto é de... Não havia mais condução, nem ônibus, nem bonde, nem táxi no Havre. Todos fizeram greve: todo mundo assaltou a polícia exigindo os presos; então soltaram eles com a condição que se retirassem antes que o navio saísse do cais. Aí os operários arranjaram uma comissão para acompanhar eles até Paris. E eles ficaram em Paris. Desses, depois, dois irmãos foram lutar na Espanha e pereceram lá”.  [14]

“A história do navio foi em junho de 36. Eles foram presos em 35, em novembro, e deportados em 36. Uma turma daqui de São Paulo foi antes dele, não sei em que navio e ficaram na Espanha. Foi antes da Guerra Civil da Espanha, no tempo da Frente Popular. Dentre esses que foram deportados, um tinha um irmão e uma irmã que estavam aqui e eram inclusive parentes do meu marido. Não sei quantos foram, uns três ou quatro que soltaram na Espanha no tempo da Frente Popular. Eram uns sete ídiches”. [15]

No entanto, outros fatores que não os descritos por Rifka Gutnik, interferiram na libertação de alguns presos do caso Brazkor. Em maio de 1937, meses após deixar o Ministério das Relações Exteriores, assumiu o cargo de Ministro da Justiça José Carlos de Macedo Soares. Após assumir o novo posto, em 3 de junho de 1937, José Carlos de Macedo Soares, ao final do Estado de Guerra, sucessivamente prorrogado pelo governo federal desde março de 1936, decretou a libertação de 308 a 400 presos políticos contra os quais nada fora ainda  imputado, sem processo formado ou ainda não condenados, detidos na Casa de Detenção, desde final de 1935 e todo o ano de 1936.. Este episódio, conhecido como a "Macedada", deu uma certa impressão de liberalização do regime, as voltas com a possibilidade de eleições presidenciais. Contudo, esta expectativa pouco durou já que, ainda no fim de outubro de 1937, o Estado de Guerra voltaria a vigorar, com o apoio de Macedo Soares, após a divulgação, pelo governo, do Plano Cohen. A "Macedada", então, foi usada com propósitos de despertar um alarmismo social e justificar as medidas de repressão institucional que antecederam ao golpe de 10 de novembro daquele ano.

Para nossa intenção, o relevante é ressaltar que esta libertação coletiva de presos atingiu parte dos quadros militares da ANL e do PCB, assim como numerosos civis, dentre eles, alguns dos judeus detidos no caso Brazkor. [16] Foi o caso de Jayme Gardelsman, nascido em 30 de novembro de 1899, na Romênia, Bessarábia, filho de Zeida  e Sara Gandelsman, solteiro, comerciante, residente na rua São Francisco Xavier n0 910 que figurava nos arquivos da antiga 4a Delegacia Auxiliar desde quando chegara ao Distrito Federal, procedente da Rússia em 9 de julho de 1927, suspeito de professar “o credo predominante naquele país”.[17] Em 27 de novembro de 1935, fora preso junto com os componentes do Brazcor e remetido, a Casa de Detenção para ser  expulso do país. No seu caso foi apresentada defesa que foi desconsiderada, sendo o decreto de expulsão do país assinado em 13 de janeiro de 1936. Da Casa de Detenção Jayme Gardelsman, segundo sua própria declaração, foi liberto em 16 de junho de 1937 provavelmente em decorrência da “Macedada”.  [18] Alguns do  militares e civis libertos embarcaram então para a Espanha.

Mais embasado e consolidado em citações  memórias e fontes  é a figura de Wolf Reutberg ou Waldemar Roitberg ou Waldemar Roitemberg, ou Reutemberg, romeno que imigrou para o Brasil quando criança. Trabalhou na Light Power em São Paulo, filiou-se ao PCB na década de 30 e foi militante da ALN. [19] Foi preso em janeiro de 1936, acusado de fazer parte de  célula comunista na dita Light Power. Remetido de São Paulo para o Rio de Janeiro, ficou na Casa de Detenção, junto com outros 22 judeus presos da Organização “Brazkor”. O processo, à cargo da 2o Delegacia Auxiliar Dr. Dulcídio Gonçalves cita-o, como era praxe nos trâmites sumários, como perigoso à ordem pública e nocivo aos interesses do país de acordo com o art. n0 113 parágrafo 15 da Constituição de 1934. [20] O decreto de expulsão foi assinado em 13.01.1936. [21] Embarcado no navio Almirante Alexandrino em 15 de maio ou outubro de 1936. [22]

Expulso do Brasil, Reutberg se dirigiu à Espanha, participando dos combates nas fileiras das Brigadas Internacionais. [23] Permaneceu um ano e meio em terras espanholas e obteve o posto de capitão. .[24] Com a derrota republicana e retirada para a França, ainda baixo governo da 3a República Francesa, os brigadistas foram internados em centros precários que se situavam próximo ao Mediterrâneo (Argelès, Saint-Cyprien, Les Milles, etc.). No campo de Saint Cyprien, por exemplo, localizado a beira mar, os homens ficavam ao léu sem abrigo contra sol, vento e chuva, aliado a uma severa vigilância exercida por soldados mercenários vindos do Senegal. [25] No de Argelès, os franceces encurralaram os internados na praia, vinte quilômetros de mar, e os cercaram com arame farpado, também ao ar livre, na chuva, em pleno inverno, de um vento terrível que levantava a areia. [26] No Saint Cyprian, também localizado numa praia mediterrânea, nada havia onde os prisioneiros pudessem se abrigar: nem casas, nem barracões, nem tendas, nem uma simples árvore. Os prisioneiros cavaram buracos na areia úmida e se aconchegavam para poder suportar o vento, a neve e o frio. [27]

Na primeira quinzena de fevereiro de 1939, Reutberg foi recolhido a um desses locais - provavelmente o campo de Vernet - próximo de Toulouse no Departamento de Ariège, que se situava, no sul da França no Pirineus Oriental. [28]

Em abril de 1939, os estrangeiros das Brigadas Internacionais foram separados dos espanhóis e enviado para o campo de concentração de Gurs, também nos Pirineus Oriental. Lá, em 1939, Wolf Reutberg, conviveu, certamente, com o revolucionário brasileiro de 1935, o militar  Hermenegildo de Assis Brasil. [29] Neste período o embaixador do Brasil na França Souza Dantas, por ordem do governo brasileiro, foi visitá-los e sugerir a repatriação, o que para alguns significava somente trocar de prisão pois tinham penas a cumprir no Brasil, por participação no levante de 1935. Dirigindo-se a Hermenegildo, o representante diplomático teria dito:

“ - Vocês vão morrer aí nesses buracos...

A resposta, rápida e firme, parecia brotar de uma velha convicção arraigada à qual de dava oportunidade de manifestar-se mais uma vez:

- Aqui nós não estamos condenados; de um momento para outro poderemos usar a liberdade para prosseguir na luta. [30]

Os combatentes resolveram que os não condenados pelo Tribunal de Segurança Nacional deviam aceitar a repatriação, enquanto os condenados não. [31]

A partir de fevereiro de 1940, iniciada a 2a Guerra Mundial, os franceses deslocaram, transportados em vagões de gado, os internados de Gurs, como trabalhadores forçados, para a construção de  fortificações e bloqueios na fronteira franco-belgo-luxemburguesa, no prolongamento noroeste da indigitada Linha Marginot. Nesta altura, Wolf Reutberg estava junto aos brasileiros Dinarco Reis, Hermenegildo de Assis Brasil e Joaquim Silveira. Nestes momentos de privações e disciplina coercitiva foi descrito como um indivíduo alegre, extrovertido, utilizando sua voz para cantar canções de escola de samba com voz de barítono (ou tenor conforme o memorialista)  nas barracas dos latinos. [32]

A França foi invadida a partir de 10 de maio de 1940. Uma ordem do governo providenciou para que os trabalhadores prisioneiros fossem retirados em marchas forçadas para um novo campo ao sul, na Bretanha, nas proximidades do porto de Vannes. Com a queda de Paris e a rendição francesa em quatorze de junho, os campos de internação passam para a administração alemã ou do regime de Vichy depois dos acordos efetuados ainda em 1940 entre o Marechal Pertain e Hitler. Vannes ficou na zona de ocupação direta alemã.

Os campos de internamento mudaram então sua natureza e finalidade. Formaram a rede do sistema repressivo político e racial,instituído na França. Transformam-se nos locais de internamento de judeus estrangeiros, a partir já de 1940. Tornaram-se as “reservas”, a partir de 1942, para as deportações aos campos de morte organizados pelo Ministério do Interior francês, em colaboração com os nazistas.

Na região de Toulouse estendeu-se uma rede densa de campos de concentração. Em junho de 1941 dos 20 000 estrangeiros internados na região 12 000 eram judeus compartilhando espaço com  milhares de espanhóis brigadistas confinados  desde fevereiro de 1939. Mais de dois terços dos judeus presos estavam no sudoeste da França (5. 000 em Gurs, 2. 000 em Rivesaltes, 800 em Le Récébédou, 700 em Noé, 1.000 em Le Vernet). Na Zona de Vichy, os campos de Les Milles e de Nexon eram os únicos grandes campos situados fora da região de  Toulouse.[33]

Entre os prisioneiros internados em Vannes, em maio de 1940, foram elaborados planos de fuga por nacionalidades, na tentativa de aproveitar a desestruturação do exército francês derrotado nas frentes de combate e pelo temor de caírem prisioneiros dos nazistas.

Os quatros brasileiros, Dinarco Reis, Hermenegildo de Assis Brasil. Joaquim, Silveira e Wolf Reutberg ficaram juntos em um grupo mais amplo. A fuga deveria ser realizada à noite, entre um posto e outro de sentinelas, através da cerca eletrificada de arame farpado. A passagem deveria realizar-se, um a um, tendo sido combinado um ponto de reunião fora do campo. Só cinco deste grupo, sob fogo de metralha, alcançaram fugir. Nos cinco primeiros dias após a evasão, andaram os fugitivos mais de 120 quilômetros, dormindo de dia, ao ar livre, e marchando à noite, e em 28 de junho de 1940 chegaram a Paris.  [34]

Paris, nos primeiros tempos de ocupação alemã, era a área em que todos os tipos de indesejáveis ao comando nazista ficavam mais expostos, pois vigorava um estatuto e rigor repressivo similar ao território alemão. Em fins de maio de 1941, estes três brasileiros, certamente já orientados pelas incipientes forças de resistência organizadas pelo Partido Comunista Francês resolveram fugir da zona ocupada em direção a área dominada pelo governo de Vichy. Em dois de junho, atingiram a linha demarcatória mas Hermenegildo de Assis Brasil foi atacado por um processo infeccioso generalizado, o que levou o grupo a retomar o caminho de volta em busca de recursos médicos. No dia quatro de julho de 1941 morreu de septicemia. [35]

Wolf Reutberg, ao que se sabe, depois destes acontecimentos integrou-se nas fileiras da Resistência Francesa. Em março de 1942 o Partido Comunista Francês organizara as FTP, “Les Francs-tireurs et partisans”, compostas por organizações paramilitares, organizações especiais, sindicais, juventude comunista e ‘Main d’œuvre immigrée-MOI’, mão de obra de imigrantes, na verdade a junção dos brigadistas internados na França com uma série de grupos estrangeiros, poloneses, italianos e uma significativa presença judaica. [36]

Não temos uma descrição detalhada de sua atuação na resistência francesa mas provavelmente era em um grupo nas redondezas de Paris contra o qual no final de 1943 foi organizada uma brigada francesa especial a fim de capturá-los sob pretexto de serem terroristas. Segundo Apolônio de Carvalho e outros foi preso quase ao final do conflito e fuzilado em Paris  em 1944. [37]

Ernest Yosk, judeu alemão nascido em 1898, militante social democrata na Alemanha aos dezenove anos, segundo Apolônio Carvalho foi secretário do presidente Friedrich Ebert da República de Weimar pós 1a Guerra Mundial de 1919 até 1925 e o protegeu fisicamente em um atentado político, sofrendo ferimentos leves. [38]

Emigrou nos fins dos anos 20 para São Paulo e trabalhou como agricultor e contador e membro do sindicato dos bancários. [39]. Engajou-se na militância comunista, apesar dos insistentes apelos da mulher a fim de demovê-lo deste intento. Filiou-se ao Socorro Vermelho Internacional e posteriormente a Aliança Nacional Libertadora. Ernest Yoske era amigo do casal Jayme ou Chaim Rubim Narocki e Aida Glicker Narowsky ou Narocki, ele polonês, alfaiate do Bom Retiro, São Paulo, ela, romena, costureira, ambos israelitas e comunistas. [40] Aida Glicker Narocki e o marido eram elementos atuantes entre os alfaiates e costureiras do Bom Retiro. [41] Foram processados pela Lei de Segurança, por Leite de Barros, Secretário de Segurança Pública de São Paulo e expulsos pelo decreto de 2 de março de 1936, embarcando no porto de Santos no vapor francês “Aurigny” em 14 de Abril de 1936. Não se menciona, a não ser a Europa, como o destino dos dois. [42]

Outro amigo de Yoske era Rubens Gotlib ou Gotlieb Ruwin que saíra de Pinsk, Polônia em 22 de fevereiro de 1928, chegara ao Brasil, provavelmente em 23 de julho de 1928; e tivera seu passaporte carimbado pelo Consulado Brasileiro em Varsóvia, pela Sociedade Beneficente Israelita Ezra de Proteção aos Imigrantes e pela Agência Oficial de Colocação do Departamento Estadual de Trabalho de São Paulo em 1 de agosto de 1930.

Provavelmente existia algum elo ligando Rubens Gotlib a Nicolau Smoritchersky, e Ernest Yoske pois o segundo foi preso em São Paulo, e expulso através do decreto de 30 de março juntamente, entre outros, com Gotlib. [43] Segundo depoimento de José Rodrigues Cró Filho à polícia paulista, em 14 de maio de 1936, Ernest Yoske freqüentava reuniões realizadas na casa de Rubens Gotlib. Na prisão, Yoske, teria sofrido torturas. [44]

Foi expulso no navio Bagé, saído do Brasil em 15 de julho de 1936, com a idade de 38 anos para a Alemanha nazista (Hamburgo) onde seria provavelmente preso por ser comunista e judeu. Foi salvo no porto de Havre, no mesmo incidente descrito no caso de Rubens Goldenberg, Joseph Fridman, David Lerer, Motel Gleizer, Nicolau Smoritchersky, Waldemar Gutnik e Henoch Zwirblanaky .quando os operários franceses, avisados do Brasil, por militantes comunistas, retiraram, a força, após ruidosa manifestação, os expulsos brasileiros, do navio. Battibugli atribui a Yoske, neste episódio, a remessa pela escotilha do navio de um pedido de socorro vazado nos seguintes termos: “Eu sou um prisioneiro político vindo do Brasil. Vou ser entregue a Hitler. Me ajudem, eu imploro”.[45] De lá, da França, foi combater na guerra civil espanhola, onde se integrou às Brigadas lá chegando ao final de maio de 1937.[46]

O Partido Comunista do Brasil e o aparato comunista na Espanha, porém, tinham dúvidas sobre as tendências ideológicas de Ernest Yoske.[47] Em 8 de agosto de 1937 o Partido Comunista da França comunicou ao Partido Comunista Espanhol o endereço de Ioske em Albacete, pedindo para que se fizesse tudo para ajudar camaradas brasileiros, exceto Ioske, e Ebjerv Bajnerman,um barbeiro polonês, que fora residente em São Paulo, suspeitos de simpatias e atividades trotskistas, embora houvessem feito autocrítica, pois supostamente tentaram viajar para o México (lugar do exílio final de Trotsky) o que demonstraria persistência ideológica anteriores. Yoske parece que teve êxito em superar estas restrições pois segundo documentação dos arquivos em Moscou, no início de 1938, o Comissariado de Guerra das Brigadas Internacionais em Barcelona nada reportou a não ser sua intenção de se estabelecer no Chile ou México. [48] Esta ficha de repatriação foi o último parecer oficial do PCE sobre a conduta dos voluntários estrangeiros e demonstra a importância dada, entre os brigadistas, ao trabalho político, além da atuação militar,. A análise do combatente militar era menos detalhada que a biografia de militância, mas tinha o mesmo objetivo: analisar a conduta política dos voluntários. [49]

Na retirada para a França, já quarentão, Yoske foi internado com os demais brigadistas no campo de Argelès sur Mer e mais tarde de Gurs nos Baixos Pirineus; mais tarde, ele veio a fugir, mas permaneceu na França, onde se incorporou aos grupos de resistência antinazista. composto por estrangeiros  intitulado Main-d'oeuvre immigrée, mão de obra imigrada (FTP-MOI) que na realidade se compunha de antigos combatentes brigadistas da Espanha, evadidos dos campos de internamento franceses e muitos judeus originários da Polônia, e mais, húngaros, romenos, e pessoal proveniente da Europa Central.  Dos jovens judeus destes grupos muitos estavam distanciados de seus laços  familiares pois tinham se deslocado a Paris para estudar em virtude do numerus-clausus existentes em seus países de origem e após a invasão alemã, se engajaram na resistência  antinazista.  [50]

Em 4 de abril de 1944, o governo de Vichy, além de promover fuzilamentos de militantes FTP-MOI, presos ou ainda internados desde o fim da guerra civil espanhola em seus campos, encetou a deportação de 900 outros para os campos de concentração e de morte nazistas, sob pretexto xenófobo e racista de que a Resistência seria ato de estrangeiros comunistas. Esta última ou uma das últimas levas foi embarcada, em 2 de julho de 1944, a partir de Toulouse e pelo sul da França, enviados a Dachau no chamado trem fantasma, “Train fantôme”, o último comboio da morte, citado por Apolônio de Carvalho e que poderia ter sido detido pelas forças aliadas, segundo testemunhos de época. [51]

Apolônio Carvalho, baseado em relatos dos sobreviventes judeus Charles Michalak e os irmãos Claude e Raymon Levy, cita que, preso no sudoeste da França, Yoske foi trasladado em vagões de gado, os “comboios da morte”, rumo aos campos de extermínio do leste europeu. Na viagem, colegas de infortúnio, elaboraram planos de fuga deixando-se deslizar através das frestas abertas no piso de madeira do vagão nos trilhos da ferrovia. Alguns se salvaram mas Ernest, ajudando os fugitivos, não se incorporou a empreitada final, fato lamentado e estranhado, visto a audácia e racionalidade positiva que ressalta em Yoske [52]. Yoske veio a morrer no campo de concentração alemão, Dachau, em circunstâncias não elucidadas. [53]

Mencionado no pequeno histórico de Ernest Yoske temos a referência ao barbeiro polonês Ejber Bajnerman, como combatente na Espanha e suspeito de trotskismo, citado como residente em São Paulo e também preso e expulso  em  13 de junho de 1936, .com destino à Varsóvia após o levante de 1935. [54]

Pela vertente feminina apresenta-se a singular figura de Ida Sasam, (talvez Ida Sasson ou Ida Sazan), codinome Elena Chazanaite, que  em 1909, já era membro do PC lituano..[55] Imigrou para o Brasil na década de 30, época em que se filiou ao PCB. Trabalhava como operária costureira numa indústria têxtil e era filiada ao sindicato dos alfaiates e costureiros. Segundo a própria Sasam, possuía instrução primária e instrução política mediana. Conhecia os idiomas lituano, russo, alemão, polaco, letão, iídiche e português. Militava no Socorro Vermelho Internacional. [56] Não participou da frente de batalha na Guerra Civil espanhola. mas deu sua contribuição, trabalhando em hospitais na retaguarda. Na Espanha, filiou-se também ao PCE. [57]

Podem existir, fora os aqui mencionados, soldados ainda desconhecidos, judeus saídos do Brasil que participaram e morreram na luta antifascista  na Espanha e na França dos quais ainda sequer sabemos os nomes. Como conclusão fica a sugestão de retirá-los do anonimato, de suas possíveis covas rasas e mesmo resgatar suas cinzas e dar-lhes como lápide definitiva, uma memória.


[1] Pedro Rocha delegado comercial para Jorge Latour encarregado dos negócios do Brasil em Varsóvia In:Carneiro, Maria Luiza Tucci - O Anti-semitismo na Era Vargas (1930-1945); São Paulo; Editora Brasiliense; 1988; p.118

[2] Hilton, Stanley - A Rebelião Vermelha; Rio de Janeiro; Editora Record; 1986; pp. 96-97.

[3] APERJ; Fundo DGIE; Série Prontuários e Anexo ao Prontuário; Prontuário n0 15.833 referente à Baruch Zell; Comunicação do Chefe da Seção de Segurança Social da DESPS Serafim Braga ao Delegado Especial Afonso Henrique Miranda Correa; 27 de novembro de 1935; p. 3-4.

[4] BLAY, Eva Alterman. “Inquisição, Inquisições: Aspectos da Participação dos judeus na vida sócio-política brasileiro nos anos 30”,  Tempo Social, São Paulo, pp. 114-119, apud Avraham Milgram, “O ‘Milleu’ judeu comunista do Rio de Janeiro nos anos 30” In Judaica Latino Americana, Estudios Históricos-Sociales.IV, Jerusalém, Editorial Universitária Magnes, Universidad Hebrea, 2001.

[5] Schneider, Abraham Josef - “Histórias da Bibsa - O Delator” In: Asa - Judaísmo e Progressismo Ano IX; n0 51; março/abril 1998; p.9.

[6] Arquivo Nacional ; Caixa n0 227

[7] APERJ; Fundo DGIE; Série Prontuários;; Prontuário n020.973 referente à Moisi Lipes e e Arquivo Nacional ; Caixa n0 170 e 228.

[8] Schneider, Abraham Josef - “Histórias da Bibsa - O Delator” In: Asa - Judaísmo e Progressismo Ano IX; n0 51; março/abril 1998; p.9.

[9] APERJ; Fundo DGIE; Série Prontuários; Prontuário n0 20.983 referente à Joseph Fridman e Arquivo Nacional ; Caixa n0 171;

[10] “O Globo”; Expulsos do território Nacional; 10 de abril de 1936

[11] APERJ; Fundo DGIE; Série Prontuários;; Prontuário n0 20.079 refrente à Jenny Gleser; Anexo ao Prontuário n0 20.079; Caixa n0 144; “Morra o Comandante do Bagé!; Jornal “O Globo”; 19 de setembro de 1936 e Prontuário referente à Nicolau Simaricovischi.

[12] APERJ; Fundo DGIE; Série Diversos. Pasta n0 5; “Relação de brasileiros que fizeram parte das Brigadas Internacionais à serviço da Espanha republicana em 17 de março de 1939; pp. 23 e 24.

[13] http://www.fflch.usp.br/sociologia/revistas/tempo-social/v1-1/blay.html. Tempo Social; Rev. Social. USP, S. Paulo, 1(1): 105-130, 1. sem. 1989 Inquisição, inquisições; aspectos da participação dos judeus na vida sócio-política brasileira nos anos 30. EVA ALTERMAN BLAY. Apresentado no Congresso “América Latina e Europa em Diálogo”da Westfalische Wilhems-Universität; 28/09 a 30/10 de 1987; Münster, República Federal da Alemanha. Professora Titular do Departamento de Sociologia - FFLCH-USP.

[14] http://www.fflch.usp.br/sociologia/revistas/tempo-social/v1-1/blay.html. Tempo Social; Rev. Sociol. USP, S. Paulo, 1(1): 105-130, 1. sem. 1989 Inquisição, inquisições; aspectos da participação dos judeus na vida sócio-política brasileira nos anos 30. EVA ALTERMAN BLAY. Apresentado no Congresso “América Latina e Europa em Diálogo”da Westfalische Wilhems-Universität; 28/09 a 30/10 de 1987; Münster, República Federal da Alemanha. Professora Titular do Departamento de Sociologia - FFLCH-USP.

[15] http://www.fflch.usp.br/sociologia/revistas/tempo-social/v1-1/blay.html. Tempo Social; Rev. Sociol. USP, S. Paulo, 1(1): 105-130, 1. sem. 1989 Inquisição, inquisições; aspectos da participação dos judeus na vida sócio-política brasileira nos anos 30. EVA ALTERMAN BLAY. Apresentado no Congresso “América Latina e Europa em Diálogo”da Westfalische Wilhems-Universität; 28/09 a 30/10 de 1987; Münster, República Federal da Alemanha. Professora Titular do Departamento de Sociologia - FFLCH-USP.

[16] John Dulles W.F. - O Comunismo no Brasil ;Rio de Janeiro;Editora Nova Fronteira; 1985; p.110-111.

[17] APERJ; Fundo DGIE; Série Prontuários; Prontuário n0 18.864 referente à Jayme Galdelsman.

[18] APERJ; Fundo DGIE; Série Prontuários; Prontuário n0 18.864 referente à Jayme Galdelsman; Solicitação de certidão de Jaime Gandelsman junto ao Delegado do DOPS do Distrito Federal ; 29 de dezembro de 1950. p.13.

[19] Thaís Battibugli  - A Solidariedade Antifascista – brasileiros na guerra civil espanhola (1936-1939) SP: Autores Associados, São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004, p. 141.

[20] Arquivo Nacional ; Caixa n0 170 e 228

[21] Arquivo Nacional ; Caixa n0 227

[22] Arquivo Nacional ; Caixa n0 170 e 228.

[23] John Dulles W.F. - O Comunismo no Brasil;Rio de Janeiro;Editora Nova Fronteira; 1985; p. 38 e 184 .

[24] John Dulles W.F. - O Comunismo no Brasil;Rio de Janeiro;Editora Nova Fronteira; 1985; p.174.

[26] Paulo Roberto de Almeida- “BRASILEIROS NA GUERRA CIVIL ESPANHOLA: COMBATENTES NA LUTA CONTRA O FASCISMO”In  REVISTA DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA No 12: 35-66 JUN. 1999 E CORREIA DE SÁ, 1979.

[28] Apolônio de Carvalho - Vale a Pena Sonhar; Rio de Janeiro; Editora Rocco; 1997; 2a edição; p. 167.

[32] Apolônio de Carvalho - Vale a Pena Sonhar; Rio de Janeiro; Editora Rocco; 1997; 2a edição; p. 167.

[37] Apolônio de Carvalho - Vale a Pena Sonhar; Rio de Janeiro; Editora Rocco; 1997; 2a edição; p. 167,  http://www.hispanista.com.br/revista/artigo37.htm, http://www.ceveh.com.br/biblioteca/teses/ta/ta-t-15.htm#fnB86  e DIAMANT, 1979:

[38] Apolônio de Carvalho - Vale a Pena Sonhar; Rio de Janeiro; Editora Rocco; 1997; 2a edição; pp. 86, 87, 125, 131, 168, 178.

[39] Thaís Battibugli  - A Solidariedade Antifascista – brasileiros na guerra civil espanhola (1936-1939), SP: Autores Associados, Editora da Universidade de São Paulo, 2004, p. 70.

[40] Arquivo Nacional ; Caixa n0 227

[41] APERJ; Fundo DGIE; Série Prontuários; Prontuário no 17.025  referente à Aida Glicker Narocki

[42] Arquivo Nacional; Caixas n0 171 e 225

[43]O Globo”; Expulsos do território Nacional; 10 de abril de 1936. Alexander Wanstein; russo, Sabina Krichner; rumena, Moysés Kabinas ou Kalinos; rumeno e João Gratz; Iuguslavo.

[44] Thaís Battibugli  - A Solidariedade Antifascista – brasileiros na guerra civil espanhola (1936-1939)SP: Autores Associados, São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004,  p. 71 e John Dulles W.F. - O Comunismo no Brasil;Rio de Janeiro;Editora Nova Fronteira; 1985; p.38 e 286 nota 5.

[45] Thaís Battibugli  - A Solidariedade Antifascista – brasileiros na guerra civil espanhola (1936-1939)SP: Autores Associados, São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004,  p. 71.

[47] Apolônio de Carvalho- Vale a Pena Sonhar; Rio de Janeiro; Editora Rocco; 1997; 2a edição; pp. 86, 87, 125, 131, 168, 178; http://www.mzes.uni-mannheim.de/projekte/JHK-news/Newsletter/INCS_16_ONLINE.pdf.

[50] Les F.T.P.- M.O.I. : la guérilla urbaine  http://www.memoire-net.org/etran/etrang7.html

[51] Apolônio de Carvalho - Vale a Pena Sonhar;Rio de Janeiro; Editora Rocco; 1997; 2a edição; p. 168 e L’odyssée du train fantôme de Jürg Altwegg http://barredavid.free.fr/chroniques.htm

[52] Apolônio de Carvalho - Vale a Pena Sonhar; Rio de Janeiro; Editora Rocco; 1997; 2a edição; pp. 87, 125, 131, 168, 178.

[53] Apolônio de Carvalho- Vale a Pena Sonhar; Rio de Janeiro; Editora Rocco; 1997; 2a edição; pp. 87, 125, 131, 168, 178.  http://www.hispanista.com.br/revista/artigo37.htm

[55] http://www.ceveh.com.br/biblioteca/teses/ta/ta-t-15.htm#fnB86. Thaís Batttibuglia Militância Antifascista: Comunistas Brasileiros na Guerra Civil Espanhola (1936-1939).Dissertação apresentada ao Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, para a obtenção do título de Mestre em História. Orientador: Orientador: Prof. Dr. José Carlos Sebe Bom Meihy, São Paulo, 2000.

[57] http://www.ceveh.com.br/biblioteca/teses/ta/ta-t-15.htm#fnB86. Thaís Batttibuglia  Militância Antifascista: Comunistas Brasileiros na Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Dissertação apresentada ao Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, para a obtenção do título de Mestre em História. Orientador: Prof. Dr. José Carlos Sebe Bom Meihy, São Paulo, 2000.

 

 
 

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