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Por MICHEL
JUSTAMAND
Docente da
Universidade Bandeirante de São Paulo – UNIBAN das disciplinas de
Antropologia e Ciências Sociais. |
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As pinturas
rupestres do Brasil:
educação para a
vida até hoje
Diferentemente
do que sabemos por meio dos grandes manuais e ou enciclopédias
mundiais de arte, história, cultura e outros espaços acadêmicos. Ou
ainda nos manuais didáticos do Brasil. Aqui no Brasil também se fez
pinturas rupestres – são pinturas feitas nas rochas, usando-se do
ocre para executá-las (gordura vegetal e animal) na maioria das
vezes. E ficaram registradas ao longo de muitos anos. Há muito tempo
atrás, podendo chegar até a 50 mil anos antes do presente, no
Brasil, mas não somente.
As pinturas
rupestres foram produzidas pelos primeiros habitantes do Brasil. E
estes habitantes deixaram nas pinturas registradas, muito
provavelmente segundo nosso entender, suas ações sociais neste
registro visual. Uma das ações sociais seriam as educativas.
As
transmitiram por meios educativos, acreditamos nesta tese, pois as
pinturas repetem-se por extensões enormes e também porque foram
identificados vários estilos de pintar os mesmos signos. Mostrando
desta maneira que houve trocas culturais e de aprendizado entre os
grupos ou mesmo dentro dos grupos que aqui viviam.
Como afirma
Anne-Marie Pessis, que “Durante o período inicial do estilo Serra
da Capivara, a região era pouco habitada. Sabemos que outros grupos,
minoritários, partilharam o mesmo espaço junto às comunidades
culturais de Serra da Capivara. Grupos que não tinham o domínio da
técnica gráfica, mas que incorporaram às suas culturas esta prática
rupestre das comunidades dominantes. Estas populações seriam
responsáveis por outra tradição de pintura rupestre existente no
Nordeste do Brasil, a tradição Agreste”. (PESSIS, 1989: 14/15).
As tradições
de rupestres pinturas em São Raimundo Nonato permitiram incorporarem
idéias, técnicas e práticas nas sociedades que não as tivessem ,
como era o caso da tradição Agreste, que surge por influência da
tradição Nordeste¸ representada em sua subtradição Serra da
Capivara.
As pinturas
rupestres seriam o registro da história social dos habitantes
daquele período. Onde lhes era possível afixarem seus costumes e
práticas cotidianas. Costumes que permitiriam outros grupos ou
futuras gerações de seus próprios grupos utilizassem-se destas
informações registradas.
Estas ações
sociais que retratariam, então, a nosso ver, parte do cotidiano da
época como caca, danças, rituais, lutas territoriais, animais que
viviam naquele momento – um cotidiano muito parecido com o nosso
atualmente, onde precisamos lutar para garantir o que nos pertence
por direito – dos grafismos puros (que não temos condições de
interpretar), cenas de sexo e cenas de brincadeiras, entre outras.
Com certeza,
estes locais são, em grande parte, reocupados, pois estão carregados
de informações sobre o entorno que foram passadas e/ou estão ali
representadas, conseqüentemente os novos ocupantes poderiam
decodificá-las. Como aponta Pedro I. Schmitz, assim: Os
principais sítios localizam-se em abrigos rochosos, grutas e
cavernas e indicam certa estabilidade de (re) ocupação, tanto nas
camadas sedimentares quanto nas pinturas das paredes.(SCHMITZ,
1999: 57).
Era de uma
necessidade sem precedentes deter os conhecimentos a respeito dos
meios de subsistência, pois não se poderia perder tempo diariamente
em busca da caça, pesca e/ou coleta de frutas. Por este motivo às
pinturas teriam o papel de retratar com precisão os locais onde
foram desenhadas informando o que havia naquele meio. Assim Niéde
Guidon afirma que A base econômica continuava sendo a caça, a
coleta e a pesca: as pinturas rupestres retratavam com detalhes a
evolução sociocultural desses grupos durante pelo menos 6 mil anos,
o que constitui um dos mais longos e importantes arquivos visuais
sobre a Humanidade disponível, hoje, no mundo.(GUIDON, 1998:
43/44).
Para E.
Adamson Hoebel quase todas as inter-relações sociais são
dominadas pela cultura existente. Não temos notícia de nenhum grupo
humano sem cultura. ..., uma sociedade humana é mais do que mero
agregado expressando comportamento instintivo. A sociedade humana é
uma população permanentemente organizada de acordo com sua cultura.(HOEBEL,
1982: 222/223).
Ao julgar que
as comunidades humanas são compostas por grupos intercambiantes
(inclusive como nós hoje, veja a globalização), cujos membros fazem
parte de um todo mestiço nas relações existentes entre si,
principalmente no caso da cultura, cuja produção executada por esses
homens/mulheres é um material exemplar para as pinturas rupestres.
Se todos os
grupos humanos têm sua própria cultura e interagem significa que,
além de se manifestarem culturalmente, ainda transmitem seus
conhecimentos. Por meio da cultura produzida por estes grupos
humanos das mais diferentes formas estéticas, e por meios
educativos.
A partir
destas cenas podemos, então, depreender que houve sim no território
brasileiro, como em outros locais do mundo, história e educação
muito antes de 1500. O Brasil com sua imensa extensão territorial
teria também uma grande complexidade de formas, estilos de pinturas
e locais pintados. Auxiliando a comprovar que as escolas rupestres
teriam se disseminado.
Entendemos as
pinturas rupestres foi uma das mais importantes, (senão a mais),
formas sociais de garantir a transmissão cultural e pedagógica da
época. E que contribuiu para a interação e a relação entre humanos e
destes com a natureza. E sobreviveu até hoje para nos prestando o
testemunho do que foi a sociedade de ontem no Brasil.
As pinturas
nos mostram, desde muito tempo, que devemos lutar e muito para que a
nossa sobrevivência garanta-se. E que sem esta nada conseguimos. E,
ainda, que por meio da educação social esta luta torna-se mais fácil
de ser vencida.
O humano só se
faz em sua plenitude por meio de lutas. E os primeiros habitantes do
Brasil já sabiam disto – assim como também nos sabemos. Para que
possamos compreender melhor a nossa própria historia antiga e ver
nela um reflexo para o nosso cotidiano. Façamos em nossas vidas
muitas lutas políticas, sociais, culturais e para a sobrevivência.
Como já fazemos em nossas praticas cotidianas de educadores sociais
que todos somos. Façamos, também, nossas festas, viagens e passeios,
entre outras praticas sociais em nome de nossos prazeres. Como nos
mostram os antigos habitantes de nosso Brasil que viveram muito bem,
relacionando-se entre si, com o meio ambiente e com os outros grupos
humanos que aqui viveram. Diferentemente o que pensamos!!! |
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A presença das pinturas rupestres
nos livros didáticos de História no Brasil – de 1960 a 2000

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