As esquinas perigosas da História. Situações revolucionárias em perspectiva marxista

Valério Arcary

240 pág.

Xamã VM Editora e Gráfica Ltda.

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João Pedro Stédile, da Coordenação Nacional do MST

Nosso querido Valério Arcary sempre muito polemista e contundente se revela nesse livro, um historiador de primeira linha.  Discorre com critério cientifico sobre as experiências revolucionarias do século XX.  Nos ajuda a entender os conceitos ao redor do tema.  Seja a partir dos clássicos, seja a partir do debate político contemporâneo. Nos ajuda a entender a diferença entre uma revolução política. Ato de tomar o poder.  E uma revolução social, que é na essência a mudança do modo de produção, das relações sociais e da vida de uma sociedade.

Mantendo a fluidez de um grande narrador, sem a chatice das teses de doutorado, Arcary, nos ajuda a entender como a historia da humanidade se move em torno das grandes revoluções.  E que, somente há revoluções se houver protagonismo das massas.

Um livro essencial e necessário, para toda militância social e partidária.  Para estudar e debater.  Ainda mais nesse período histórico que afloram as mazelas do capitalismo, e, embora vivamos num descenso do movimento de massas revolucionário, busquemos na historia da civilização a esperança, de que é possível e necessário mudar nossas sociedades.

Não deixe de aproveitar essa brilhante contribuição para os tempos modernos.


José Arbex, jornalista

Falar sobre revoluções, em geral, é relativamente fácil, especialmente aquelas ocorridas ao longo do século passado. Há uma farta documentação - escrita e registrada em som e imagem - sobre todas elas. O difícil é falar algo que valha a pena, que consiga avançar além do óbvio e já conhecido.

Valério Arcary consegue fazer isso, por uma razão muito simples: ele combina  saber acadêmico e militância comprometida com a revolução. Sua perspectiva, por isso, está tão distante do pedantismo professoral quanto da paixão cega e sectária não raro construída pela adesão partidária. Por saber, na prática, como é difícil avançar um centímetro que seja na compreensão dos fatos e na construção de alternativas, Arcary não se deixa seduzir por generalizações simplificadoras que fazem a delícia dos sábios de gabinete; tampouco se comporta como um "idiota da objetividade", já que sua alma e seus afetos estão totalmente mergulhados no objeto de sua reflexão, e ele é plenamente consciente disso.

Finalmente, se concordamos com a idéia de que toda história é contemporânea, já que elaborada com o olhar possível em dada época (isto é: o próprio historiador é condicionado pelo mundo em que vive), então o balanço aqui feito por Arcary incorpora, com grande competência, a experiência dos movimentos revolucionários do século 20, ajudando por isso a amadurecer uma compreensão sobre os novos desafios para aqueles que querem mudar o mundo, quase 160 anos após a publicação do Manifesto Comunista.


João Machado, professor de Economia na PUC/SP

A leitura do livro de Valério Arcary é uma excelente maneira de lembrar que revoluções, ou pelo menos revoluções políticas — entendidas como “irrupção da mobilização popular, sejam quais forem seus métodos de luta, que colocam o poder em questão” — continuam acontecendo todo o tempo. Ainda que ultimamente não tenham podido desencadear processos de construção do socialismo, isto é, não tenham triunfado como revoluções sociais. Valério trata do tema com paixão, como convém a um militante marxista, sem perder com isso a objetividade. Combina conhecimento histórico e capacidade analítica. Numa época em que muitos antigos socialistas deixam de lado os sonhos de juventude em nome de um realismo cada vez mais cínico, o livro não poderia ser mais oportuno. Podemos não concordar com todos os seus pontos de vista; não importa: terminamos a leitura mais convencidos de que a luta vale a pena.


Ricardo Antunes, professor de sociologia da Unicamp

O livro que o leitor encontra a seguir é um denso estudo sobre os caminhos (e descaminhos) da esquerda no século XX. Ele é resultado (reelaborado sob a forma de livro) de sua tese de doutorado defendida na USP com desprendimento e competência.

Nele, o autor demonstra, sobejamente, muitos méritos: é forte sua qualidade teórica e analítica, onde se destaca o seu conhecimento acerca da teoria marxista desenvolvida neste século que se foi. Os debates entre o que de melhor esse pensamento nos pode oferecer - e foi muito - são exaustivamente apresentados no estudo. É sólida também sua familiaridade com o palco onde os acontecimentos históricos floresceram.

E, por fim, deve-se ressaltar que o autor soube mergulhar no tema sem se deixar aprisionar por pressupostos, empreendimento difícil para aqueles, como valério Arcary, que corajosamente, articulam reflexão e práxis política, elaboração e luta social.

O resultado é um belo livro, com um sugestivo título - As Esquinas Perigosas da História - nestes tempos de conformismo, acomodação e servilismo. Contribuição positiva, especialmente para aqueles e aquelas que não aceitam a barbárie dominante e teimam em buscar alternativas fora da ordem e de seu ideário dominante.


João Quartim de Moraes,Professor de filosofia na Unicamp

Festejado marxólogo da praça de São Paulo justificava a prudente e preguiçosa distância que mantinha perante o combate político argumentando (sob risos aprobativos de epígonos e fâmulos) que a militância emburrece. Nem sempre. Mas o cinismo sempre envilece. Desmentindo os áulicos da esquerda bem comportada e abúlica, este livro de Valério Arcary confirmaria, se preciso fosse, que é possível juntar, em bela sinergia, paixão revolucionária, rigor analítico e elucidação crítica para compreender em profundidade a decisiva questão do bloqueio de longo termo da revolução nas "fortalezas históricas do capitalismo".

 

 

 

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