Falar
sobre revoluções, em geral, é relativamente fácil,
especialmente aquelas ocorridas ao longo do século passado.
Há uma farta documentação - escrita e registrada em som e
imagem - sobre todas elas. O difícil é falar algo que
valha a pena, que consiga avançar além do óbvio e já
conhecido.
Valério
Arcary consegue fazer isso, por uma razão muito simples:
ele combina saber acadêmico e militância
comprometida com a revolução. Sua perspectiva, por
isso, está tão distante do pedantismo professoral quanto
da paixão cega e sectária não raro construída pela adesão
partidária. Por saber, na prática, como é difícil avançar
um centímetro que seja na compreensão dos fatos e na
construção de alternativas, Arcary não se deixa seduzir
por generalizações simplificadoras que fazem a delícia
dos sábios de gabinete; tampouco se comporta como um
"idiota da objetividade", já que sua alma e seus
afetos estão totalmente mergulhados no objeto de sua
reflexão, e ele é plenamente consciente disso.
Finalmente,
se concordamos com a idéia de que toda história é
contemporânea, já que elaborada com o olhar possível
em dada época (isto é: o próprio historiador é
condicionado pelo mundo em que vive), então o balanço aqui
feito por Arcary incorpora, com grande competência, a
experiência dos movimentos revolucionários do século 20,
ajudando por isso a amadurecer uma compreensão sobre
os novos desafios para aqueles que querem mudar o mundo,
quase 160 anos após a publicação do Manifesto Comunista.
João
Machado, professor de Economia na PUC/SP
A
leitura do livro de Valério Arcary é uma excelente maneira
de lembrar que revoluções, ou pelo menos revoluções
políticas — entendidas como “irrupção da
mobilização popular, sejam quais forem seus métodos de
luta, que
colocam o poder em questão” — continuam
acontecendo todo o tempo. Ainda que ultimamente não tenham
podido desencadear processos de construção do socialismo,
isto é, não tenham triunfado como revoluções sociais.
Valério trata do tema com paixão, como convém a um
militante marxista, sem perder com isso a objetividade.
Combina conhecimento histórico e capacidade analítica.
Numa época em que muitos antigos socialistas deixam de lado
os sonhos de juventude em nome de um realismo cada vez mais
cínico, o livro não poderia ser mais oportuno. Podemos não
concordar com todos os seus pontos de vista; não importa:
terminamos a leitura mais convencidos de que a luta vale a
pena.
Ricardo
Antunes, professor de sociologia da Unicamp
O
livro que o leitor encontra a seguir é um denso estudo
sobre os caminhos (e descaminhos) da esquerda no século XX.
Ele é resultado (reelaborado sob a forma de livro) de sua
tese de doutorado defendida na USP com desprendimento e
competência.
Nele,
o autor demonstra, sobejamente, muitos méritos: é forte sua
qualidade teórica e analítica, onde se destaca o seu
conhecimento acerca da teoria marxista desenvolvida neste século
que se foi. Os debates entre o que de melhor esse pensamento
nos pode oferecer - e foi muito - são exaustivamente
apresentados no estudo. É sólida também sua familiaridade
com o palco onde os acontecimentos históricos floresceram.
E,
por fim, deve-se ressaltar que o autor soube mergulhar no
tema sem se deixar aprisionar por pressupostos,
empreendimento difícil para aqueles, como valério Arcary,
que corajosamente, articulam reflexão e práxis política,
elaboração e luta social.
O
resultado é um belo livro, com um sugestivo título - As
Esquinas Perigosas da História - nestes tempos de
conformismo, acomodação e servilismo. Contribuição
positiva, especialmente para aqueles e aquelas que não
aceitam a barbárie dominante e teimam em buscar
alternativas fora da ordem e de seu ideário
dominante.
João
Quartim de Moraes,Professor de filosofia na Unicamp
Festejado
marxólogo da praça de São Paulo justificava a prudente e
preguiçosa distância que mantinha perante o combate político
argumentando (sob risos aprobativos de epígonos e fâmulos)
que a militância emburrece. Nem sempre. Mas o cinismo
sempre envilece. Desmentindo os áulicos da esquerda bem
comportada e abúlica, este livro de Valério Arcary
confirmaria, se preciso fosse, que é possível juntar, em
bela sinergia, paixão revolucionária, rigor analítico e
elucidação crítica para compreender em profundidade a
decisiva questão do bloqueio de longo termo da revolução
nas "fortalezas históricas do capitalismo".