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Por SECRETARIA
NACIONAL DO MST
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Estimados
amigos e amigas do MST,
Como
sempre, queremos compartilhar com vocês a luta pela Reforma Agrária
no Brasil. Nesta quinzena analisamos alguns elementos da
conjuntura agrária envolvidos no agronegócio e na CPMI da Terra.
Nosso
movimento luta incansavelmente contra a concentração da
propriedade da terra. Achamos que somente com a democratização da
propriedade da terra, que ocorre com um processo de Reforma Agrária,
podemos enfrentar a pobreza e a desigualdade social.
Para
tanto, bastaria aplicar a Constituição brasileira, que determina
que todas as grandes propriedades, os latifúndios, que não cumprem
a função social, devem ser desapropriados, indenizados seus
proprietários e distribuídos aos trabalhadores rurais sem terra.
Segundo
os cálculos do Plano Nacional de Reforma Agrária, elaborado no
final do ano passado, existem, aproximadamente, 55 mil imóveis
rurais classificados como grandes propriedades improdutivas, que
controlam 116 milhões de hectares. Eles são apenas 1% de todos os
proprietários rurais do Brasil.
O
MST sempre colocou em sua luta política que nosso inimigo principal
é o latifúndio. Por isso, nossa luta é para que esses 116 milhões
de hectares sejam desapropriados para a Reforma Agrária.
Nos
últimos meses, no entanto, estamos assistindo a construção de uma
nova aliança, entre o capital estrangeiro, representado pelas
transnacionais da agricultura (Monsanto, Sygenta, Cargill, Bunge
etc) e os grandes capitalistas brasileiros do agronegócio com os
latifundiários atrasados. Essa mesma aliança aconteceu em 1964 e
resultou num golpe militar para impedir as reformas democráticas,
entre elas, a Reforma Agrária.
Com
essa aliança, as elites brasileiras vieram em defesa do latifúndio,
atacando o MST. Porque fazem isso?
Primeiro,
por questões práticas, pois muitos dos capitalistas e das
transnacionais são também donos dos latifúndios. Segundo, por
interesse de classe. Por mais que digamos que lutamos contra o latifúndio,
eles se unem, para defender seus interesses de classe dominante.
Terceiro, porque eles defendem para a agricultura brasileira o
modelo do agronegócio, de grandes propriedades monocultoras para
exportação, apenas para ganhar dinheiro. E, por tanto, olham para
o latifúndio e enxergam nele sua fronteira agrícola para expandir
o capital. E se o governo desapropria esses latifúndios e entrega
para o povo, eles perdem a área de expansão de seus negócios.
Quarto, por razões políticas, que temem que o governo Lula honre
seus compromissos de campanha e faça realmente a Reforma Agrária.
Então atacam o MST, para manter o governo constrangido e acuado. E
quinto, por razões ideológicas. A classe dominante brasileira
jamais admite que os pobres possam se desenvolver, ter suas organizações
autônomas, enfim, partilhem da riqueza produzida nesse país.
Afinal, só existem tantos privilegiados, porque existem milhões de
pobres sustentando-os.
Nesse
contexto, é que as elites acionaram todo seu poderio econômico,
político e ideológico na defesa do latifúndio e atacam a todos
que lutam pela Reforma Agrária. Atacam e manipulam todos os dias,
usando seu poder de monopólio dos meios de comunicação. A
manipulação das informações na mídia é uma vergonha nacional.
Atacam
no parlamento e, por isso, agora os ruralistas e seus parlamentares,
coordenados pelo Deputado Lupion (PFL/PR), Dep. Caiado (PFL/GO) e
pelo Senador Álvaro Dias (PSDB/PR) - todos defensores dos
interesses do latifúndio na CPMI - querem transformar a CPMI da
terra, em uma arma contra os que lutam pela Reforma Agrária.
Entretanto, o objetivo da CPMI é analisar e dar respostas
à violência e pobreza no campo e à concentração fundiária.
Eles
partem de uma falsa acusação, de que o MST estaria usando recursos
públicos para organizar ocupações. Eles não entendem nada de
povo, de pobres e de seus movimentos sociais. Os pobres, os
trabalhadores, se mobilizam por necessidade. Por ser sem terra, e não
porque alguém esteja pagando para eles lutar.
As
entidades que realizam trabalhos de assistência social,
educacional, cultural e de qualificação profissional em áreas de
assentamento conquistadas pela luta do MST e de outros movimentos
sociais do campo, por meio de convênios com recursos públicos,
passaram a ser vítimas dos deputados e senadores da UDR, levando
informações inverídicas sobre as mesmas para conseguir a quebra
do sigilo bancário.
Porém,
no momento em que se exige que as entidades dos grandes fazendeiros
tenham também suas contas investigadas, eles não admitem. É
escandalosa a parcialidade dessas decisões, demonstrando seu caráter
e objetivo político-eleitoral. Buscam, na verdade, desgastar as
entidades que apóiam as milhares de famílias Sem Terra em seu
processo de conquista da cidadania, para então, tentar estigmatizar
a luta pela Reforma Agrária. De outro lado, protegem as contas da
CNA (Confederação Nacional da Agricultura), OCB (Organização das
Cooperativas Brasileiras), UDR (União Democrática Ruralista), por
medo do que o povo brasileiro pode descobrir.
Porque
eles não pedem para o Ministério da Agricultura informações de
como são gastos os recursos públicos destinados, em convênios,
para organizações de fazendeiros, para organizar exposições de
gado?
É
estranho que esses mesmos que querem quebrar sigilos bancários de
organizações que apóiam atividades sociais dos movimentos,
escondem a quebra de sigilo, das contas de CC-5. Escondem quem são
os dez mil brasileiros ricos, que segundo a receita federal têm 82
bilhões de dólares depositadas em contas no exterior.
A
Reforma Agrária é uma necessidade, para toda sociedade brasileira.
Ela é um instrumento importantíssimo, para democratizar nossa
sociedade e a propriedade da terra. Para gerar trabalho no meio
rural e combater a pobreza e a desigualdade social.
Por
mais que os poderosos, as elites, defendam com unhas e dentes seus
privilégios seculares, o povo vai continuar se organizando e
lutando, por seus direitos.
O
MST continuará organizando os trabalhadores para que lutem por seus
direitos. Não nos assusta o latido dos privilegiados.
Secretaria
Nacional do MST
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