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Para: Antonio Ozaí da Silva Comentário: Vinícius Simões Data: 14.06.04
Caro Ozaí. O artigo inteiro é muito interessante. Eu realmente nunca tinha pensado nesse aspecto "institucional" da intolerância. Afinal, não é mesmo apenas mais um mecanismo que "os poderosos" usam para garantir seus privilégios? Geralmente eu busco reduzir a mecanismo, para evidenciar o aspecto funcional da ideologia. Às vezes eu acabo reduzindo demais, o Eliel já notou isso. Eu fui chorar um ponto e meio de uma determinada questão por que ele não achou muito apropriado dizer que a insegurança era usada como mecanismo de exploração dos trabalhadores, na era industrial. rs Brincadeiras à parte, o artigo é rico na questão ideológica, mas eu acredito que ficou devendo, nem que seja um pouco, na questão documental. No velho estilo citação mesmo, com documentos de época. Considerando o que diziam os autores e intelectuais da época, os principais meios de comunicação, qual era o verdadeiro consenso a respeito. Principalmente no que concebe à evolução do conceito de intolerância. Tudo bem que a sua intenção não era produzir um livro, mas sim um artigo, mas eu acho que você deveria ter nos dado o gostinho de conhecer o fato e não só a interpretação do autor que fez o estudo do fato, capisce? Várias, várias considerações... Eu gostei da sua linguagem também. Seria capaz de jurar que beira ao poético. Vou dar exemplos: "Deuses encarnados em homens e mulheres" ou "Mais do que tratados filosóficos, sociológicos etc,, a literatura tem a vantagem de trabalhar sobre a matéria bruta, os personagens criados em toda a sua plenitude e fragilidade que caracterizam o humano. Nestes, o racional e o irracional mesclam-se em atitudes e contextos que ilustram as nossas contradições e dilemas." Aparentemente suas discussões partem de um pressuposto que seria uma fé fundada em um mesmo Deus, de religiões igualmente válidas e etc. Pressupostos não necessariamente válidos. E só essa questão permite por si só que façamos toda uma reconsideração a respeito religião-em-si e suas relações com o Estado. Por exemplo: Se as escrituras sagradas foram mesmo manipuladas por responsabilidade do Império Romano, não estaria a Religião Católica inextricavelmente ligada ao poder? São as doutrinas das Igrejas coerentes com as Doutrinas da Bíblia? Não seriam as religiões protestantes meras corruptelas da católica nascidas com o intuito de dar suporte à classe burguesa? Não seria portanto a religião outro mero instrumento de poder? Isso inspira outra questão, vou reproduzir aqui a introdução aos "Analectos" de Confúcio feito por Simon Leys: Lu Xun (considerado com razão, o maior escritor da China moderna; morreu em 1936, e, aliás, odiava Confúcio pelas razões que serão sucintamente expostas a seguir) observou que, toda vez que um gênio realmente original aparecia neste mundo, as pessoas empenham-se imediatamente em livrar-se dele. Para tanto, elas dispõem de dois métodos. O primeiro é a supressão: elas o isolam, deixam-no minguar, enterram-no vivo. Quando isso não funciona, adotam o segundo método (muito mais radical e terrível): elas o exaltam - colocam-no num pedestal e transformam-no em um deus. ( A ironia, é claro, é que o próprio Lu Xun foi submetido a ambos os tratamentos: em vida, os comissários comunistas o maltrataram; uma vez morto, adoraram-no como seu ícone cultural mais sagrado -mas isso é uma outra história). Por
mais de dois mil anos, os imperadores estabeleceram e promoveram o culto
oficial a Confúcio, que se tornou uma espécie de religião oficial de
Estado. Agora os imperadores se foram, mas o culto ainda parece estar muito
vivo: recentemente, em outubro de 1994, as autoridades comunistas de Pequim
organizaram um enorme simpósio para celebrar o 2545 aniversário do
nascimento de Confúcio. Karl Marx certa vez advertiu alguns seguidores exageradamente entusiasmados de que ele não era Marxista. Com mais razão ainda, deveríamos dizer que Confúcio certamente não era Confucionista. O Confucionismo Imperial exaltava apenas as afirmações do Mestre que prescreviam submissão às autoridades estabelecidas , ao passo que noções essenciais eram convenientemente ignoradas - tais como os preceitos de justiça social, dissensão política e o dever moral dos intelectuais de criticar o dirigente (mesmo arriscando suas vidas) quando estivesse abusando de seu poder ou oprimindo o povo. Não seria portanto, razoável pensar que o mesmo pode ter acontecido em relação a Jesus Cristo? E por que não dizer que, de fato, aconteceu? Então, eu não diria que os intelectuais, propositadamente, defenderiam tais atitudes bárbaras, mas sim, os poderosos que a descontextualizam, ou se apossam do trabalho do intelectual. Como os velhos na coleira na analogia do Huxley. E a propaganda tem uma forte influência neste sentido. Apelando principalmente para a vaidade humana. Já ouvi falar que Reich discute isso. Que ele dizia, que em parte, o Nazismo era a verdadeira escolha feita pelo povo alemão, de propósito. Confúcio dizia que a principal causa de confusão, e logo, de engano, seria a falta de reflexão. Falta de reflexão essa que leva as pessoas a agirem inclusive contra os próprios interesses. Aparentemente isso não ocorre por acaso, e esse é outro ponto que Reich relevava. Nesse artigo que segue em anexo, "Considerações acerca do Freudo-Marxismo" o autor ressalta que a repressão sexual leva os indivíduos a exibirem comportamentos anômalos que levam a uma espécie de regressão em que se torna necessária a presença de uma entidade paternal, mesmo que essa entidade fosse abstrata (e me permita usar a mesma raiz Etimológica) como a "Pátria". Outra questão que aparentemente pretende responder "o porquê" dessa falta de reflexão, seria o aspecto imediatista da cultura moderna que prega como "padrão normativo" a busca da felicidade imediata. (Eu roubei o termo do filme "O Declínio do Império Americano").
Sim, eu concordo que a forma como encaramos o diferente é um fator determinante da intolerância. Mas aqui cabe uma questão: Até que ponto essa atitude é uma característica inata, e até que ponto ela é socialmente condicionada? Até que ponto "esta atitude" não é encorajada em detrimento de "outra atitude" propositadamente pelo Estado na forma de Ideologia? Tem um filme interessante que lida com essa questão do outro. Não é necessariamente a crítica central do filme, mas mesmo assim é bem presente: Chocolate. Ele tem um exemplo interessante de intolerância baseado nos costumes, apresentado de uma maneira quase cômica.
Sim, o estado aceita, o Agente Smith assimila, sempre na busca incessante de ter o controle em mãos. Como "o seu oposto" tentando rebalancear a equação, conforme a teoria da incomplitude de Gödel. Assim como Mao e outros imperadores Chineses se "apossaram" de Confúcio. Assim como muitos políticos se apossam das escrituras, assim como a Igreja se apossou de Deus. Concorda? A meu ver, a abertura para discussão por si só já é um meio salutar de lidar com a questão. Afinal, não estamos lidando com valores absolutos, e sim relativos, que tem significações diferentes conforme a época em que se vive. Significações que muito provavelmente não se esgotam em si mesmas, muito pelo contrário, são inspiradas por outras áreas, assim como inspiram essas outras áreas que as influenciam. E aqui eu concordo com Rudolf Von Ihering: O direito, a busca pela justiça, não pode ser concebido sem a luta, sem o embate. Um filme que possui um cenário distópico e que discute essa questão é "Os Doze Macacos": Eu extraí esses diálogos abaixo, para fazer um comentário do filme e disponibilizá-lo no meu blog. Note como ele lida com a questão da razão, e suas relações com a "ditadura do status quo".
Note que interessante.
Talvez essa seja a origem: a busca humana pela satisfação pelas necessidades. Mas isso também não se esgota aí, por que não podemos deixar de levar em consideração a negligência, quando não a culpa, da Igreja nessa época. Quando a Igreja declarava que negros não tinham alma, elas não estavam abalizando a atitude de torturar, escravizar e matar negros? E essa "capacidade de se reconhecer no outro". Até que ponto ela também não é socialmente condicionada? Não foi o que Hitler alienou quando da criação da Ideologia de uma suposta "Supremacia Ariana"? Não foi um estímulo a isso o estabelecimento de um inimigo claro e objetivo: Os Judeus?
Eu não entendi muito bem. Por que o Senhor diz que o "Projeto Iluminista" fracassou? O que é isso que se entende por "Projeto Iluminista"? Como e por que fracassou?
Sim, concordo. Ela só não potencializa, como é potencializada pela intolerância. Afinal, a Intolerância é uma ferramenta muitas vezes interessante para os poderosos. Não é nisso que a propaganda de guerra insiste? Quanto maior for a crença no inimigo, mais o indivíduo fica disposto a sacrificar sua liberdade em nome da segurança: Será que é coincidência os EUA terem um inimigo de tempos em tempos? Pareceu muito oportuna essa queda das torres logo após a eleição do Bush. E toda essa discussão também influi e é influenciada por outra discussão: Da função do oposto do bem: O Demônio. Só o estudo do Demônio daria pano para muito estudo em relação a alienação e formas de opressão. Mas como eu disse no começo, nós não estamos interessados em escrever um livro, estamos? Atenciosamente, |
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Para: Antonio Ozaí da Silva Comentário: Sandra Rosi Data: 22.06.04
Boa Tarde Professor, Em primeiro lugar gostaria de
parabenizá-lo pelo artigo publicado no Espaço acadêmico n.º 28 na data
de 28/09/2003, numa pesquisa sobre a situação atual do Lorenzo, visto que
sou uma admiradora de tão dedicada família, li por acaso seu artigo e o
achei de muita valia para o projeto que estou desenvolvendo no curso de
Direito sobre Transfusão de Sangue nas Testemunhas de Jeová contra a sua
vontade, sempre achei q. o filme O Óleo de Lorenzo tem uma certa
semelhança no sentido de que existe uma luta como o seu artigo mencionou
não contra um ou outro médico, mas contra toda uma comunidade médica, sem
mencionar as outras pessoas. No caso das T.J., muitos médicos
apesar do seu código de ética dizer que devem estar "continuamente
aprimorando seus conhecimentos" não se atualizam no que tange às
alternativas, que são amplamente conhecidas em todo o mundo e muitos
hospitais já não usam o sangue p/ transfundir nas pessoas, mas
alternativas c/ dextran, salina, eritropoitina, etc.. Com relação ao fato de muitos
médicos se julgarem deuses a arbitrariamente desrespeitarem a autonomia do
paciente, a Dra Maria Helena Diniz disse no seu livro Bioética do Direito
que a "ciência é poderoso auxiliar para que a vida do homem
seja cada vez mais digna de ser vivida. Logo, nem tudo que é
cientificamente possível é moral e juridicamente admissível. realmente,
de Hipócrates à época atual, com as Ordens de Médicos e os Conselhos de
Medicina, consagrou-se a concepção válida para toda ciência: o
conhecimento deve estar sempre a serviço da humanidade". Deve existir o
principio da beneficiência respeitando a dignidade humana da pessoa.
Atenciosamente, Sandra Rosí |
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Para: Antonio Ozaí da Silva Comentário: Keine Cleber Costa Data: 10.06.04
Ola SR. Antonio, estive vendo sua matéria sobre a periferia pobre de Diadema e Santo Amaro, infelizmente faço parte dessa elite, q mal consegue comer, pois nosso governo não nos oferece nem mesmo uma forma de trabalho q seja digno para o próprio sustento. Moro em Diadema, tenho 29 anos, e com muito anseio e interesse em vencer na vida, voltei aos estudos q tinha abandonado, e agora q estou concluindo o ensino médio, estou sedento de mais conhecimento, o qual gostaria de buscar em ensino superior,mas a carência de ensino superior gratuito, pode me deixar um pouco mais distante do sonho de ser um brasileiro com um nível de educação mais refinado. Sou de família humilde, e moro com uma companheira, onde passamos por muitas dificuldades financeiras, pagando aluguel, água, luz, e a tal cesta básica q mal da para o mês. Mas com todas as dificuldades
estou tentando entrar em uma universidade onde eu possa contar com o auxilio
de bolsa integral, mas ate isso e muito concorrido nos dias de hoje, tenho
conhecimento do bolsa escola, que seria uma ótima opção, para uma realização
pessoal e profissional, mas esbarro, na dificuldade de que preciso estar
matriculado na faculdade par poder fazer desfrutar de tal beneficio, sendo q
só concluo meu ensino médio no dia 7 de julho. E mesmo q passasse em uma universidade
conveniada com o bolsa escola, não teria condições financeiras para pagar
nem mesmo a matricula, qto mais a Nem por isso deixarei de lutar pelos meus objetivos, vou lutar com unhas e dentes para me formar, e poder passar todo o meu conhecimento para outras pessoas q como eu desejam vencer na vida. Atualmente estou desempregado, sempre trabalhei como autônomo e fica difícil entrar para o mercado de trabalho com a idade q tenho, já fiz de tudo um pouco, já trabalhei na roça, fui ajudante geral, servente de pedreiro, pedreiro, encarregado geral, mestre de obras, e atualmente me dedico na área de informática, tenho conhecimento de Windows, Word, Power Point, Access, Excel,montagem e configuração de rede de dados faço manutenção e montagem de micros na minha residência o q garante o meu sustento, mas mal da pra passar o mês. não sei o q fazer para poder realizar o sonho de uma vida, sei q enquanto não puder realizar meus sonhos vou tentando realizar de outras pessoas humilde q desejam ao menos ter o conhecimento em informática q tenho, e para suprir a necessidade dessas pessoas faço um pequeno trabalho voluntário na associação amigos de bairro de Santa Terezinha, (periferia de Santo amaro),onde tenho o privilégio de passar meus conhecimentos para pessoas interessadas em aprender, e isso e gratificante. Agora desejo muito lutar por meus objetivos, e não sei se meu caso tem a possibilidade de ser encaminhada as autoridades competentes, se ha um meio de fazer com q a classe menos favorecida tenha acesso a faculdade. Se tiver algum conselho eu agradeço, ou idéia de como incentivar as pessoas q existe possibilidades de ter um bom conhecimento, e direitos de melhores condições de vida, algo q eu possa passar aos mais carentes porem interessados, q desejam ter maior sabedoria. Atenciosamente: Keine Cleber
Costa |
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Para: REA Comentário: Laura Venslavicius Data: 14.06.04
Sou argentina, estudo e ensino português há muitos anos e encontrei nesta página uma excelente fonte.
Parabéns ! Laura Venslavicius. |
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