Por ADILSON LUIZ GONÇALVES

Engenheiro Civil, com especializações no "Institut Supérieur du Béton Armé", de Marselha-França, e no IBAPE - Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias em Engenharia. Professor do Curso de Engenharia, da UNISANTOS - Universidade Católica de Santos e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da UNISANTA - Universidade Santa Cecília. Cronista e Articulista

 

Personalidade o’culta

 

Uma pesquisa de alto nível - realizada pelo "Centro de Altos Estudos em Psicologia", de Pisser-sur-les-Alpes, na Suíça, sob a coordenação do Prof. Dr. Malin Foudepierre e publicada na conceituada revista científica “Empiricist”, -estudou o efeito que a aquisição de cultura provoca numa amostra aleatória de pessoas identificadas como cultas ou que se apresentaram como tal. Eis algumas conclusões do estudo, relativas a maioria dos entrevistados:

  1. A aquisição de cultura é considerada um ato de prazer, altamente estimulante. Não restringem seus conhecimentos e freqüência aos âmbitos exclusivamente eruditos. São cosmopolitas;

  2. São bem-humorados e, algumas vezes, irônicos, mas não menosprezam seus interlocutores;

  3. Tendem a ser mais tolerantes e aptos ao diálogo e conciliação. Não praticam discriminação social ou racial. Os conhecimentos adquiridos são utilizados para ilustrar situações e posições. São atentos e críticos a qualquer opinião concordante ou discordante, tratando-as e questionando-as de forma articulada e objetiva, sem inibir o interlocutor com seu currículo pessoal;

  4. Não apresentam diferenciação física ou social da média da população. Salvo ocasiões sociais e festivas, vestem-se normalmente, comem o trivial e trabalham. Têm restrições quanto a modismos e convenções. Falam de si próprias somente quando solicitadas e não se consideram diferentes ou superiores.

Embora os resultados demonstrem que a aquisição de cultura tem efeito altamente positivo na personalidade dos indivíduos, alguns dados, apesar de percentualmente pouco significativos, apontaram para a existência de grupos de risco, formados por pessoas que tendem a apresentar alterações de comportamento durante a evolução do processo. Os distúrbios identificados foram os seguintes:

  1. Megalomania;

  2. Afetação de gestos e fala;

  3. Incoerência entre opiniões e a práticas;

  4. Necessidade de demonstrar seus conhecimentos, mesmo em situações inadequadas;

  5. Incapacidade de expressar opiniões pessoais;

  6. Discriminação social e cultural;

  7. Gosto por estereótipos;

  8. Dificuldade em participar de atividades das quais não sejam líderes, pois nessas condições apresentam comportamento pouco cooperativo e pontuado por manifestações explícitas de discordância e enfado;

  9. Instabilidade emocional perante adversidades.

 

Uma leitura atenta da introdução permite concluir que esse estudo não passa de uma invenção. Até a cidade, bem como seu coordenador e veículo de divulgação, são fictícios e esdrúxulos! Esse, aliás, é um recurso muito utilizado para iludir incautos, crédulos e discípulos. Mas a maioria das conclusões relacionadas pode ser comprovada sem grandes pesquisas ou dificuldades.

É essa nefasta e, ao que parece, intencional associação da cultura ao estereótipo da afetação, arrogância, sofisticação e elitização, que impede a acessibilidade e democratização da cultura erudita!

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