|
Por ADILSON LUIZ GONÇALVES Engenheiro
Civil, com especializações no "Institut Supérieur du Béton
Armé", de Marselha-França, e no IBAPE - Instituto
Brasileiro de Avaliações e Perícias em Engenharia. Professor do
Curso de Engenharia, da UNISANTOS - Universidade Católica de
Santos e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da UNISANTA -
Universidade Santa Cecília. Cronista e Articulista
|
|
Personalidade
o’culta
Uma pesquisa de alto nível -
realizada pelo "Centro de Altos Estudos em Psicologia", de
Pisser-sur-les-Alpes, na Suíça, sob a coordenação do Prof. Dr.
Malin Foudepierre e publicada na conceituada revista científica “Empiricist”,
-estudou o efeito que a aquisição de cultura provoca numa amostra
aleatória de pessoas identificadas como cultas ou que se
apresentaram como tal. Eis algumas conclusões do estudo, relativas
a maioria dos entrevistados:
-
A aquisição de cultura é considerada um ato de
prazer, altamente estimulante. Não restringem seus
conhecimentos e freqüência aos âmbitos exclusivamente
eruditos. São cosmopolitas;
-
São bem-humorados e, algumas vezes, irônicos,
mas não menosprezam seus interlocutores;
-
Tendem a ser mais tolerantes e aptos ao diálogo
e conciliação. Não praticam discriminação social ou racial.
Os conhecimentos adquiridos são utilizados para ilustrar situações
e posições. São atentos e críticos a qualquer opinião
concordante ou discordante, tratando-as e questionando-as de
forma articulada e objetiva, sem inibir o interlocutor com seu
currículo pessoal;
-
Não apresentam diferenciação física ou social
da média da população. Salvo ocasiões sociais e festivas,
vestem-se normalmente, comem o trivial e trabalham. Têm restrições
quanto a modismos e convenções. Falam de si próprias somente
quando solicitadas e não se consideram diferentes ou
superiores.
Embora os resultados demonstrem que
a aquisição de cultura tem efeito altamente positivo na
personalidade dos indivíduos, alguns dados, apesar de
percentualmente pouco significativos, apontaram para a existência
de grupos de risco, formados por pessoas que tendem a apresentar
alterações de comportamento durante a evolução do processo. Os
distúrbios identificados foram os seguintes:
-
Megalomania;
-
Afetação de gestos e fala;
-
Incoerência entre opiniões e a práticas;
-
Necessidade de demonstrar seus conhecimentos,
mesmo em situações inadequadas;
-
Incapacidade de expressar opiniões pessoais;
-
Discriminação social e cultural;
-
Gosto por estereótipos;
-
Dificuldade em participar de atividades das quais
não sejam líderes, pois nessas condições apresentam
comportamento pouco cooperativo e pontuado por manifestações
explícitas de discordância e enfado;
-
Instabilidade emocional perante adversidades.
Uma leitura atenta da introdução
permite concluir que esse estudo não passa de uma invenção. Até
a cidade, bem como seu coordenador e veículo de divulgação, são
fictícios e esdrúxulos! Esse, aliás, é um recurso muito
utilizado para iludir incautos, crédulos e discípulos. Mas a
maioria das conclusões relacionadas pode ser comprovada sem grandes
pesquisas ou dificuldades.
É essa nefasta e, ao que parece,
intencional associação da cultura ao estereótipo da afetação,
arrogância, sofisticação e elitização, que impede a
acessibilidade e democratização da cultura erudita!
_________________
Home Page: http://www.algbr.hpg.com.br/artigos.htm
|
|

|