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Por HUMBERTO COSTA Ministro
da Saúde
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Por
uma política de saúde bucal
A Saúde Bucal, parte integrante e
inseparável da saúde geral do indivíduo, está diretamente
relacionada às condições de alimentação, moradia, trabalho,
renda, meio ambiente, transporte, lazer, liberdade, acesso e posse
da terra, acesso aos serviços de saúde e à informação.
A luta pela saúde bucal está
intimamente vinculada à luta pela melhoria de fatores
condicionantes sociais, políticos e econômicos, o que caracteriza
a responsabilidade e dever do Estado em sua manutenção.
A
saúde integral de cada indivíduo representa um fator para o
desenvolvimento da nação em seu processo histórico. É impossível
haver uma nação forte, se os indivíduos estão enfraquecidos.
Portanto, há a necessidade do Estado assumir uma política de saúde
conseqüente e integrada às demais políticas econômicas e
sociais, garantindo os meios que permitam efetivá-las.
Este conceito é o eixo
determinante da nova Política Nacional de Saúde Bucal, o “BRASIL
SORRIDENTE”, apresentada pelo Ministério da Saúde para o debate
público. O “BRASIL SORRIDENTE” é um conjunto de ações que
compõem o projeto estratégico do Governo Lula para a saúde bucal
e que estão articuladas às políticas de saúde e às demais políticas
públicas, de acordo com os princípios e diretrizes do SUS. É
relevante destacar a debilidade que marcou a área de saúde bucal
no Ministério da Saúde na última década. Tal fragilidade não
corresponde à visibilidade que deve ter uma política que diz
respeito à cerca de 242 mil trabalhadores, nos setores público e
privado, a uma significativa capacidade instalada em todo o país, e
em cujo âmbito movimentam-se anualmente expressivos recursos.
Estamos colocando a Saúde Bucal, pela primeira vez na história
desse país, como prioridade nacional. É justamente por isso que
também pela primeira vez na nossa história um Presidente da República
fez, pessoalmente, o lançamento da Política Nacional de Saúde
Bucal. O dia 17 de março de 2004 entra para a história da
odontologia brasileira, pois nesse dia, na cidade de Sobral-CE, o
Presidente Lula, lançou o “BRASIL SORRIDENTE”. O Levantamento
Nacional de Saúde Bucal que finalizamos agora, mostrou que estamos
avançando no controle da cárie dentária na idade de 12 anos.
Entretanto, 3/5 dos dentes atacados por cárie estão sem
tratamento. Além disso, mais de 13% dos adolescentes nunca foram ao
dentista. Entre a população adulta esse número chega a 3% e nos
idosos, aproximadamente 5,8%. A Política Nacional de Saúde Bucal,
que está sendo apresentada para enfrentar estes problemas aponta
para a reorientação do modelo assistencial. Além disso, pela
primeira vez na história desse país, o Governo Federal irá
investir em Saúde Bucal mais de R$ 1,5 bilhão. Nos 15 primeiros
meses de nosso governo já investimos R$ 140 milhões, contra algo
em torno de R$ 54 milhões que foram aplicados em Saúde Bucal em
2002. Esse investimento não tem precedente na história do Ministério
da Saúde. Visando a prevenção, estamos expandindo a fluoretação
das águas de abastecimento público para 100% dos municípios que
disponham de sistemas de saneamento, uma vez que esta medida só é
aplicada em 40 % dos municípios na atualidade. Mesmo sendo lei
federal desde 1974, hoje não passa de 70 milhões de brasileiros
que tem acesso a água fluoretada. Estamos também incluindo insumos
odontológicos nas farmácias do Saúde da Família. Até nosso
governo, o Ministério da Saúde repassava apenas insumos para as
equipes de saúde da família e não para as equipes de saúde
bucal. Um dos eixos
estruturantes do “BRASIL SORRIDENTE” é à busca do acesso
universal à assistência odontológica, com a adoção de ações
voltadas para todas as faixas etárias. Embora tenhamos o maior número
de dentistas do mundo, 29,6 milhões de brasileiros nunca haviam
consultado um dentista em 1998, segundo o IBGE. Por isso, já nos
primeiros 4 meses de nosso governo reajustamos os incentivos
financeiros pagos aos municípios para a inclusão da saúde bucal
na Estratégia de Saúde da Família em 20%. Para aumentar o número
de equipes de Saúde Bucal, publicamos a Portaria MS nº 673/03, que
possibilita igualar o número de equipes de saúde bucal e saúde da
família. Além disso, duplicamos o repasse financeiro do Ministério
da Saúde para as equipes de Saúde Bucal. Em 2002 foi gasto R$ 56
milhões. Em 2003 investimos 46,17% a mais, passando para R$ 83 milhões.
Agora estamos anunciando mais um aumento dos incentivos da ordem de
37%, ou seja, em 2004 será investido R$ 166 milhões, aumento de
100,4%. Até o fim da gestão do Presidente Lula, o Ministério da
Saúde vai investir R$ 761 milhões. Assumimos o Ministério com
4.261 equipes de Saúde Bucal implantadas, fechamos os primeiros 15
meses de governo com 8000 equipes. Portanto, cresceram 67 %, até
agora. Já em 2003 superamos nossa própria meta que tínhamos
projetado para o fim do ano. Em janeiro tínhamos projetado 6000
equipes em 2003 e fechamos o ano com 6500 equipes de saúde bucal.
Especial atenção será dedicada ao enfrentamento do problema do câncer
bucal. Em 2003 o câncer bucal levou a óbito mais de 3000 pessoas,
esta doença será alvo de uma ação conjunta de vários órgãos
ministeriais e, em especial do INCA. Estamos instituindo o incentivo
financeiro para a criação de 400 Centros de Referência em Saúde
Bucal, com a oferta de serviços especializados como endodontia,
periodontia, odontopediatria, cirurgia e prótese. Com isso o Ministério
da Saúde rompe com a lógica de que a saúde bucal na área pública
deva se restringir à Atenção Básica. A prática odontológica
hegemônica reservou aos adultos e idosos apenas o acesso à mutilação
dental, resultando numa situação de extrema exclusão social. No
Brasil, aproximadamente 85% da população adulta e quase 99 % dos
idosos usam ou necessitam de algum tipo de prótese dentária.
Destes, mais de 36% necessitam de pelo menos uma dentadura. Para
assegurar a reabilitação oral, o Governo Lula assume o compromisso
de ofertar próteses dentárias aos brasileiros, a exemplo do que já
é feito com o fornecimento de óculos, aparelhos auditivos, órteses
e próteses, dentre outros. Porém, sabemos que reduzir a nova Política
Nacional de Saúde Bucal à entrega de dentaduras é um grave equívoco.
O que propomos são várias ações intersetoriais, envolvendo
diversas áreas de Governo. O ensino odontológico, particularmente
os cursos de graduação, tem merecido nossa atenção. Seria
inadmissível continuarmos com a política do governo anterior, de
abertura indiscriminada de abertura de faculdades de odontologia em
nosso país. Nos propomos estabelecer um marco histórico na Saúde
Bucal do Brasil. Esperamos que na III Conferência Nacional de Saúde
Bucal, que ocorrerá entre os dias 29 de Julho a 01 de agosto em
Brasília, esta Política possa ser amplamente debatida na sociedade
e se consubstanciar num importante instrumento para o resgate da dívida
social neste campo.
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