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Hipermídia
em Educação: um novo paradigma na construção do conhecimento?
A
sociedade pós-industrial trouxe consigo as sementes das transformações,
instituindo, portanto, um novo arranjo social. A intensidade das
mudanças provocadas pelas novas tecnologias e pela proliferação
da cultura da informática, nas sociedades, nos convida à reflexão
e à identificação do novo modelo de aprendizagem tendo como
recurso a tecnologia da informática. Nesse sentido o processo de
informatização da sociedade assume dimensões globais
transformando-se num processo cultural e tecnológico em expansão.
A grande disseminação da informática, em segmentos
importantes da sociedade, revoluciona formas tradicionais de equilíbrio
e institui um novo paradigma que alcança e modifica a comunicação,
os modos de aprendizagem, as relações humanas e as
organizacionais.
Durante vários séculos a tecnologia da escrita foi o livro
impresso que dominou os coletivos sociais instituindo a forma linear
e seqüencial de leitura e aprendizado. O século XX marcado pelas
inovações oportunizou o surgimento de vários inventos, teorias,
descobertas revolucionárias, recursos tecnológicos, dentre eles, o
computador. Este possibilitou a criação de uma nova tecnologia da
escrita: o Hipertexto. Termo
que já em 1960 era definido como “escrita não-seqüencial que
permite ao leitor escolher múltiplos caminhos e acessar informações
em cadeia através da tela do computador em tempo real” (SNYDER
apud PEREIRA, 2000:69).
Não é necessária muita perspicácia para constatar as
dimensões atingidas pela informática e as mudanças causadas por
ela, em qualquer ambiente. Percebe-se que a informática conquistou
espaço importante e inigualável no seio das sociedades. A ausência
da informática pode significar atraso ou subdesenvolvimento,
enquanto, a sua presença traduz ascensão social e desenvolvimento:
“Isto
porque nenhuma revolução apresentou um poder de impacto social
similar aquele que o desenvolvimento e a difusão maciça de
computadores promovem. Não existe praticamente um dia sem que
setores de governo, entidades científico-culturais, órgãos de
imprensa, etc. não organizem ou promovam encontros destinados à
discussão de temas ligados à informatização da sociedade, o
que cada vez mais solicita a atenção de todos para a urgência
de se assegurar uma participação ativa em tal processo”.
(BRANDÃO, 1998: 45)
Essa espetacular invenção veio mudar definitivamente os
rumos da sociedade e do conhecimento. As informações seqüenciais
e lineares cedem, gradativamente, lugar aos sistemas hipermídia:
uma coleção de arquivos interconectados em uma rede.
Está decretada
a mudança! As relações sociais e as relações de aprendizado
nunca mais serão as mesmas. Essa nova forma de captação de
informação e inserção de instrumentos informáticos em nossas
atividades cotidianas rompe com o velho paradigma do currículo e do
ensino tradicionais onde o professor transmite os conhecimentos e o
aluno, passivamente, o recebe e o reproduz.Os ventos da mudança e a
liberdade provocada pela informática e suas possibilidades
inauguram novas formas de aquisição de conhecimento e de
administração das informações por vários caminhos distintos e não
seqüenciais. O processo ensino-aprendizagem e os atores sociais da
educação tomam novas posições diante do estabelecido.
Mas, pensar em inovações tecnológicas educacionais é
antes de tudo repensar os ambientes de aprendizagem e a capacitação
dos profissionais da educação e não apenas a aplicação da técnica
pela técnica. Ambientes de aprendizagem abertos e motivadores através
da multimídia devem contribuir para promover a competências nos
alunos de aprender a aprender.
A substituição do quadro-negro pela tela do computador deve
estar acompanhada de uma proposta pedagógica consciente das exigências
de uma educação transformadora que priorize a criatividade, a pró-ação,
a pesquisa e a formação do aluno cidadão, ciente de si, da sua
historicidade, da sociedade e do meio ambiente. A mera reprodução
de conteúdos não tem mais espaço na educação, nem no mercado de
trabalho atual.
A tecnologia da informática deverá ser instrumento para
desenvolver competências nos alunos, de forma que, os conteúdos
trabalhados na escola sejam significativos socialmente e provoquem
mudanças individuais e coletivas. Deverá promover a democratização
do ensino no Brasil e instituir a formação de cidadãos
participativos para a construção de uma sociedade mais justa e
melhor.
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