Por MARTA TEIXEIRA DO AMARAL

Docente da Universidade Estácio de Sá em Pedagogia. Mestre em Educação e Consultora em T&D.


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Hipermídia em Educação: um novo paradigma na construção do conhecimento?

 

A sociedade pós-industrial trouxe consigo as sementes das transformações, instituindo, portanto, um novo arranjo social. A intensidade das mudanças provocadas pelas novas tecnologias e pela proliferação da cultura da informática, nas sociedades, nos convida à reflexão e à identificação do novo modelo de aprendizagem tendo como recurso a tecnologia da informática. Nesse sentido o processo de informatização da sociedade assume dimensões globais transformando-se num processo cultural e tecnológico em expansão.

A grande disseminação da informática, em segmentos importantes da sociedade, revoluciona formas tradicionais de equilíbrio e institui um novo paradigma que alcança e modifica a comunicação, os modos de aprendizagem, as relações humanas e as organizacionais.

Durante vários séculos a tecnologia da escrita foi o livro impresso que dominou os coletivos sociais instituindo a forma linear e seqüencial de leitura e aprendizado. O século XX marcado pelas inovações oportunizou o surgimento de vários inventos, teorias, descobertas revolucionárias, recursos tecnológicos, dentre eles, o computador. Este possibilitou a criação de uma nova tecnologia da escrita: o Hipertexto.  Termo que já em 1960 era definido como “escrita não-seqüencial que permite ao leitor escolher múltiplos caminhos e acessar informações em cadeia através da tela do computador em tempo real” (SNYDER apud PEREIRA, 2000:69).

Não é necessária muita perspicácia para constatar as dimensões atingidas pela informática e as mudanças causadas por ela, em qualquer ambiente. Percebe-se que a informática conquistou espaço importante e inigualável no seio das sociedades. A ausência da informática pode significar atraso ou subdesenvolvimento, enquanto, a sua presença traduz ascensão social e desenvolvimento:

 “Isto porque nenhuma revolução apresentou um poder de impacto social similar aquele que o desenvolvimento e a difusão maciça de computadores promovem. Não existe praticamente um dia sem que setores de governo, entidades científico-culturais, órgãos de imprensa, etc. não organizem ou promovam encontros destinados à discussão de temas ligados à informatização da sociedade, o que cada vez mais solicita a atenção de todos para a urgência de se assegurar uma participação ativa em tal processo”. (BRANDÃO, 1998: 45)

Essa espetacular invenção veio mudar definitivamente os rumos da sociedade e do conhecimento. As informações seqüenciais e lineares cedem, gradativamente, lugar aos sistemas hipermídia: uma coleção de arquivos interconectados em uma rede.

 Está decretada a mudança! As relações sociais e as relações de aprendizado nunca mais serão as mesmas. Essa nova forma de captação de informação e inserção de instrumentos informáticos em nossas atividades cotidianas rompe com o velho paradigma do currículo e do ensino tradicionais onde o professor transmite os conhecimentos e o aluno, passivamente, o recebe e o reproduz.Os ventos da mudança e a liberdade provocada pela informática e suas possibilidades inauguram novas formas de aquisição de conhecimento e de administração das informações por vários caminhos distintos e não seqüenciais. O processo ensino-aprendizagem e os atores sociais da educação tomam novas posições diante do estabelecido.

Mas, pensar em inovações tecnológicas educacionais é antes de tudo repensar os ambientes de aprendizagem e a capacitação dos profissionais da educação e não apenas a aplicação da técnica pela técnica. Ambientes de aprendizagem abertos e motivadores através da multimídia devem contribuir para promover a competências nos alunos de aprender a aprender.

A substituição do quadro-negro pela tela do computador deve estar acompanhada de uma proposta pedagógica consciente das exigências de uma educação transformadora que priorize a criatividade, a pró-ação, a pesquisa e a formação do aluno cidadão, ciente de si, da sua historicidade, da sociedade e do meio ambiente. A mera reprodução de conteúdos não tem mais espaço na educação, nem no mercado de trabalho atual.

A tecnologia da informática deverá ser instrumento para desenvolver competências nos alunos, de forma que, os conteúdos trabalhados na escola sejam significativos socialmente e provoquem mudanças individuais e coletivas. Deverá promover a democratização do ensino no Brasil e instituir a formação de cidadãos participativos para a construção de uma sociedade mais justa e melhor.

 

 

BIBLIOGRAFIA CITADA:

BRANDÃO, E. J. R. Informática e Educação: uma difícil aliança. Passo Fundo: EDIUPF, 1995.

SNYDER, I apud PEREIRA, M. H. (2000). Hipertexto – o labirinto eletrônico. Tese de doutorado – Faculdade de Educação - UNICAMP.

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