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Por
que sabotam a regulamentação da profissão de Turismólogo?
"Quem
tem medo desse profissional?"
Caros
turismólogos será que somos descartáveis, insignificantes
enquanto força de trabalho, não possuímos nenhuma representação
política e qual a razão de professores fazerem campanha contra
nossa representação sindical, afinal quem somos e a quem
incomodamos dentro do trade turístico? Tenho a convicção que não
nos enquadramos em nada disso, mas quem nos rejeita? O mercado, a
incompetência profissional, os curiosos do turismo, a recessão
econômica ou quem sabe a falta da disciplina "salvadora"
de todos os cursos; o milagre do empreendedorismo que caminha em
conjunto com as palestras de auto-ajuda lideradas pelo místico da
literatura Paulo Coelho. Obviamente essas indagações não podem
ser respondidas como definitivas, pois de tudo há um pouco, como em
qualquer outra atividade profissional, pois o mercado está crivado
desses ensinamentos decorrentes da lógica neoliberal.
Os
nossos inimigos estão presentes no interior da própria lógica
capitalista ditada pela atual vertente econômica do neoliberalismo,
a qual não admite que qualquer força de trabalho atue de forma
sindicalizada, implantando a lógica da desagregação ou da
desregulamentação, não percebendo que a questão política está
presente no cotidiano acadêmico e prático da ação do turismólogo.
E que nossa presença no território nacional em termos quantitativo
e teórico está aumentando e ganhando terreno no campo da produção
cientifica.
Somos
mais de 546 cursos de turismo no Brasil, lutando no mercado de
trabalho para exercer uma profissão que segundo economistas e
cientistas políticos e a atividade de trabalho mais promissora para
os próximos 10 anos. Considerados os novos elementos dinamizadores
para tirar os países capitalismo da linha de recessão e
esgotamento da qual ele padece.
O
turismo abre a perspectiva de ser o tônico que dará ao Capital seu
saudoso desempenho de criação da riqueza, bem como, demonstra que
o mesmo permanece com o entendimento que sempre o caracterizou, como
produtor de divisas. Essa visão reducionista, simplista e linear de
entender o mundo é própria dos arautos do capital, traduzindo-se
no discurso dos ventrículos que mandam no turismo e continuam a
desenvolver a política continuísta do turismo de décadas
passadas.
Será
que nossos inimigos são produtos do imaginário, ou de perseguições
reais? . Há um lobby que permanece premente nesse setor do culto às
dinastias do comando turístico nacional. Entra governo, sai governo
o turismo apresenta a mesma lógica, nada muda, existe uma adoração
às políticas formulada por curiosos que permaneceram por décadas
nas estruturas de poder.
Existe
um poder paralelo que está articulado junto aos órgãos de poder
do turismo que desenvolvem uma política elitista e de exclusão,
apesar de estarmos num governo sindicalista e de participação
popular que infelizmente não possui tradição e militantes nesse
campo, bem como, entende o turismo como uma política secundária.
Contra
quem devemos lutar? Entendemos que com ninguém que esteja ocupando
os cargos máximos do turismo, pois independente de quem esteja como
Ministro do turismo e de presidente da Embratur, todos querem
acertar, mas não podemos nos esquivar de mostrar os erros e os equívocos
da ação dos mesmos em algumas medidas.
A
quem nos referimos
1.
A toda estrutura administrativa e política que foi montada
para organizar o turismo desde 1966 com a criação da Embratur, que
a princípio surgiu em virtude da necessidade de vender e montar uma
imagem de Brasil no exterior e não somente para organizar o turismo
nacional. Na base dessa lógica está a necessidade de combater a idéia
de ditadura militar instalada em 1964, pois “o regime militar e
sua radicalização comprometeram a imagem do país no exterior,
subtraindo credibilidade à sua ação" (Luiz Cervo, Amado.
História da Política exterior do Brasil. 1992 pg.336). Assim nada
mais vantajoso para o estado militar criar um órgão como a
Embratur para cuidar da imagem do país no exterior que por sinal
acabou divulgando a idéia de país erótico, exótico, carnavalesco
e onde o prazer da companhia feminina que habita à hospitalidade
brasileira vai além do bem receber.
A
idéia inicial era de mostrar um país da paz, harmonia, católico,
multiracial, onde se localizava o paraíso das liberdades democráticas
garantidas pelo combate eficaz contra o perigo comunista.
Portanto,
a Embratur nasceu de forma abortiva e sempre foi comandada por políticos
de carreira, que erraram muito mais do que acertaram, apesar de ter
desenvolvido um aparato de normativas e regulamentos que deram ao país
certa funcionalidade organizacional ao turismo.
A
Embratur sempre foi reticente ao nosso projeto de regulamentação
profissional, entra presidente sai presidente o discurso permanece o
mesmo, adquire adjetivos novos e tonalidades muitas vezes
populistas, porém, sempre finaliza por não nos apoiar em nossa
luta sindical.
2.
Há estudiosos do turismo que entendem o fenômeno turístico
como descolado das questões políticas maiores, como se o turismólogo
fosse uma simples força de trabalho submissa às leis do Capital. Não
o enxergam como uma categoria politizada e preocupada com seus
deveres profissionais.
3.
Aos neoliberais de plantão que insistem em se travestir de
guardiões do Estado, protegendo seu equilíbrio e cultuando o
processo de despolitização por meio do processo de inculcação
contra a regulamentação em nossos alunos.
4.
Há aqueles que insistem em afirmar que a regulamentação irá
restringir o campo de trabalho do bacharel em turismo, pois entende,
o fenômeno turístico como algo acidental e impossível de ser
delimitado.
5.
Aos que temem nossa organização política em volta de um
sindicato forte e não patronal.
6.
Os que nos chamam de radicais e até de comunistas, quando
observamos que deveria haver uma sindicância na Embratur para
apurar quais estados foram mais beneficiados com as verbas desse órgão,
nos governos anteriores.
7.
Os voluntaristas e políticos que estão envolvidos com o
PNMT que apoiaram esse programa sem saber o crime que estavam
cometendo junto às populações folk.
8.
A disputa política para preencher os cargos das representações
dos escritórios da Embratur no exterior, vale tudo desde a existência
de capachos profissionais até os velhos e persistentes coronéis da
política nacional fazendo lobby.
9.
Os que fazem uma leitura linear e funcional do fenômeno turístico
enquadrando seu entendimento no campo do econômico.
10.
Aos "chicagos boys" como certamente diria Darcy
Ribeiro que invadiram setores da política nacional e tentam
imprimir ao turismo a lógica de que devemos vender o Brasil para
que aumente o fluxo do turismo estrangeiro, bem como, criar e
aprimorar uma infra-estrutura ao gosto deles.
O
que devemos fazer?
Em
primeiro lugar, entender que o sistema capitalista se alimenta em
decorrência do processo de movimentação das classes sociais,
requerendo que a força de trabalho a qual nos referimos, bacharéis
de turismo (turismólogo) possam ter poder de barganha no jogo político
e que estejam integrados em volta de seu sindicato. Portanto urge a
necessidade da regulamentação da profissão.
Em
segundo lugar, entender que o processo político não esta descolado
do mundo da educação na luta para a formação de um indivíduo crítico,
defensor de seus direitos e consciente de sua existência social. O
que nos obriga entender a educação como um processo que só é
completo quando atua e participa com ações extra-classe,
combinando o cotidiano à sua formação integral.
Em
terceiro lugar, temos o direito de lutar pela organização política
de nossa categoria e para isso a etapa inicial é exigir com todas
nossas forças a regulamentação profissional. Fomos vítimas de
categorias profissionais que nos quiseram paternalizar em razão do
imposto sindical.
Em
quarto lugar, entendemos que só por meio de uma organização política
sindical forte poderemos ser respeitados e ouvidos perante o trade
turístico, deixemos de lado as visões ingênuas de roupagem
liberal, que o sistema acaba alimentando.
Em
quinto lugar, devemos fazer uma corrente com nossos pares para que
em todos os eventos de turismo que ocorrerem em nossas faculdades ou
universidades o assunto regulamentação será abordado, convidando
pessoas para um debate sobre esse assunto.
Em
sexto lugar, exigir que o Ministro do Turismo e principalmente o
presidente da Embratur se posicionem publicamente com referência a
regulamentação da profissão.
Em
sétimo lugar, pressionar para que o CBTUR faça lobby para que o
assunto regulamentação da profissão seja um dos temas desse
encontro, pois projetos no senado existem, o que necessitamos é
vontade política do trade e dos órgãos públicos federais.
Em
oitavo lugar, pressionar para que a Embratur se manifeste sobre
nossa regulamentação, anos atrás, a mesma se posicionou contra.
Esse parecer existe e deve ser colocado ao conhecimento público.
Em
nono lugar, utilizar o site "estudos turísticos" para
escrevermos sobre esse assunto como brilhantemente fez Valéria Mônaco
com seu artigo "Por que a regulamentação de bacharel em
turismo não sai...”. Ou como sempre o faz em seus preciosos
escritos, o também amigo de site Marcelo Veloso.
Em
décimo lugar, integrar as ABBTUR'S na luta pela regulamentação,
formando grupos para pensar formas de pressionar os políticos de
suas regiões (Os Conselhos Municipais de Turismo, vereadores,
deputados estaduais e federais, senadores e governadores) para que
assumam como meta de seus compromissos com o povo a defesa de nossa
regulamentação profissional.
E,
finalmente esclarecer aos turismólogos que esse governo tem uma
história e tradição que se formou no campo da organização
sindical devendo portanto, a nós bacharéis de turismo um apoio
definitivo para que consigamos nossa tão sofrida regulamentação
profissional.
A
todas que lerem esse artigo, gostaria de receber sugestões para que
juntos possamos ampliar nossa luta por nossos interesses
profissionais. Por esse motivo deixo meu e-mail. Joaofilho@onda.com.br
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