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Por JOSÉ APÓSTOLO NETTO
Historiador
e doutorando em História (UNESP - Campus de Assis, SP)
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Globalismo
e Terrorismo:
O
Fim do Outro na História
Globalismo
e terrorismo não possuem diferenças fundamentais, como quer nos
convencer a intelligentsia da mass media mundial. São
formações de poder totalizantes e, como tais, são autoritárias.
É por isso que vivem se massacrando e violentando, o tempo todo, a alteridade;
atualmente a única força capaz de questionar esses poderes de
todos os lados.
Num de
seus discursos pela paz no Oriente Médio, Yitzhak Rabin,
primeiro-ministro de Israel, assassinado, em 1992, por militante
judeu de extrema direita, asseverou que mais do que defender o
direito de igualdade era necessário criar as condições para o
exercício da diferença.
Palavras
sábias, mas preocupantes, pois esse homem também sabia que não
estava no horizonte de expectativa, quer do Ocidente quer do
Oriente, quer dos países ricos quer dos países pobres, o esforço
necessário para a consecução de tal projeto de democratização
universal.
Chegamos
ao terceiro do milênio e constatamos que não aprendemos com a História
a lição de visualizar o lugar do Outro entre nós. Prever o
espaço do Diferente na nossa tribo é a única forma de
existência de uma cultura inclusiva e tolerante.
O
globalismo e o terrorismo, cada qual com o seu fundamentalismo, que
se resume no princípio “do que é bom para mim... é bom para
mim mesmo”, fazem senão abolir as diferenças existentes, bem
como destruir as condições do seu vir a ser.
O
globalismo, com o seu megalomaníaco projeto de transformar cada
ponto do planeta num super gueto de capitalismo exacerbado, e
o terrorismo, com a sua lógica autocentrada de fechamento e
emudecimento político, étnico, sexual e religioso, acabam abolindo
a dimensão histórica e existencial do ser no mundo, em nome da
promessa de um paraíso de consumo desenfreado, no caso do primeiro,
ou de salvação espiritual, no caso do segundo. Projetos assim são
inviáveis, pois inviabilizam os possíveis da vida.
Projetos
desse tipo devem, portanto, ser combatidos por todos que acreditam e
defendem a polissemia do ser humano, ou que sustentam a dialogia das
relações sociais, ou que sabem ouvir as vocalizações das
culturas, ou ainda por todo aquele que vê a vida como um
compromisso ou comunhão com o Outro.
É
apenas na afirmação da diferença que resplandecerá um mundo de
paz e vida. É impossível florescer vida na unicidade, no monólogo,
na superfície cinza. É na relação que está a condição de
existência do Eu; é apenas na interação com O de Dentro
e com O de Fora que o ser pode existir. Tudo mais é
superficial. Existe, mas na condição de simulacro, ou de máscara,
ou de promessa. Temos que estar vacinados contra essas idéias de
paraísos globais de consumo ou de salvação imediata e demais ficções
que o globalismo e o terrorismo não cessam de secretar o tempo
todo.
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