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Por
CELUY ROBERTA HUNDZINSKI DAMÁSIO
Doutoranda
no Institut Catholique de Paris e Université Marne-la-Vallée
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Georges
Pompidou e a pós-modernidade
Georges
Pompidou governou a França entre 1969 e seu falecimento em exercício
da função em 02 de abril de 1974. Amador da Arte e fino conhecedor
das Letras (autor de uma “Antologia da Poesia Francesa”), tem,
ainda hoje, o respeito dos franceses que todos os anos comemoram sua
morte com uma missa celebrada na Igreja “Saint-Louis-en-l’Ile”,
em Paris.
Seu
governo foi tido como um dos momentos em que o país respira melhor
sem grandes preocupações com o amanhã. Em 1970 aumentou o SMIC
(salário mínimo francês) e o reembolso da Previdência Social. A
partir daí, o comércio prosperou, o problema de moradia diminuiu
com a implantação dos HLM (correspondente ao BNH brasileiro), e
foram construídos muitos colégios. O consumo de eletrodomésticos
e de automóveis aumentou, devendo-se destacar a televisão, que
continha melhor qualidade com relação às publicidades e dando
vivacidade à cultura de massa.
A
qualidade de vida melhorou, programas culturais coletivos foram
estimulados em nome de uma velha “arte de viver juntos” que
procurava harmonizar-se com a “modernidade ambiente”; 67% da
população partia em férias e nos finais de semanas prolongados. A
trilogia trabalho-família-lazer soava fortemente impulsionando o
otimismo.
Esse
presidente que julgava as sociedades industriais ameaçadas a termo
pela tentação autoritária havia decidido empreender todos os
esforços pela modernização da França. Era considerado um
intelectual autentico, audacioso, pragmático, flexível, pouco
ideológico, e destacava-se pela paixão e conhecimento da arte.
Deixou
traços marcantes na sociedade e arquitetura francesas, tentando
conciliar a tradição cultural com a arte moderna. Um dos
monumentos mais marcantes, erguido pelo presidente, foi o “Centre
Georges Pompidou”, conhecido como “Beaubourg”, aos pés da
Igreja Saint-Merri em Paris, que abriga um museu, uma grande
mediateca, salas de cinemas, teatro, etc.
A
idéia surgiu em 1970 sendo inaugurado em 1977. Sua estrutura é em
aço e vidro, contrastando com a arquitetura existente ao seu redor.
As inúmeras salas são consagradas à Arte Moderna, mas sobretudo
à Contemporânea, passando pelo fovismo, dadaísmo, até as abstrações
francesas e americanas. Considerado um grande eixo de pesquisa da
Arte Moderna sobre a cor, a forma, o assunto, a “des-construção”
da forma levando à abstração, o modelo interno, a anti-pintura e
a nostalgia da tradição, é um dos lugares mais visitados da
capital francesa pelos amantes e profissionais da área.
A
historia do cubismo é destacada pelos mestres de uma nova análise
da forma, Braque e Picasso. A abstração geométrica é marcada
pela radicalidade espiritual e serial de Brancusi, Malevich,
Mondrian e Theo Van Doesburg.
O
Instituto de Pesquisa Musical está associado ao Centro e oferece vários
cursos, entre os quais o doutorado em musica e musicologia do século
XX e em acústica, tratamento do sinal e informática aplicada à
musica.
Um
novo mundo passou, desde a época de Pompidou, a contrastar e a
encontrar seu espaço físico e cultural no velho mundo. O Grande
Arco em “La Defense”, e a Pirâmide do Louvre também cooperam
para essa nova tendência que embeleza a Cidade Luz. A precursora
Torre Eiffel, que em sua inauguração, foi tida como fruto de um
grande mau gosto, garante o sucesso de uma inovação que,
inicialmente, fere o tradicionalismo, mas, pouco a pouco, conquista
uma posição de destaque e reconhecimento, provando que tudo tem
seu tempo, seu valor e fazer a diferença pode enriquecer a
humanidade.
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