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Por ANTÔNIO INÁCIO ANDRIOLI
Bolsista do EED e doutorando em Ciências Sociais na
Universidade de Osnabrück – Alemanha
Antônio
Inácio Andrioli ist Brasilianer und EED-Stipendiat. Zur Zeit
promoviert er im Bereich Sozialwissenschaften an der Universität
Osnabrück
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Desenvolvimento
e cooperação internacional: a solidariedade alemã com base
na realidade brasileira
A
compreensão de política de desenvolvimento de uma instituição
e o seu engajamento pressupõem um conceito de
desenvolvimento, cujos princípios definem as alternativas e
os métodos a serem introduzidos em determinado contexto, com
o objetivo de modificar uma situação. De acordo com o EED
– Serviço das Igrejas Evangélicas Alemãs para o
Desenvolvimento – desenvolvimento é concebido como um
processo de superação da fome, da pobreza, de doenças e de
estruturas de poder que violam a dignidade e os direitos dos
seres humanos e que impedem o seu controle sobre os recursos
necessários à sua sobrevivência. Está claro que se trata
de modificar a estrutura social, onde pobres, desfavorecidos e
oprimidos devem ser apoiados. A pergunta fundamental,
entretanto, é como
ajudar os “subdesenvolvidos” no seu desenvolvimento? Um
aspecto importante no conceito de desenvolvimento do EED é a
busca da participação das pessoas envolvidas nos processos
decisórios, de forma que sejam capacitadas a melhorar suas
condições de vida com responsabilidade e a partir de suas próprias
forças. Nesta perspectiva, os objetivos, exemplos e visões
do ponto de vista dos países do sul constituem parte
integrante dessa concepção e, por isso, eu, como bolsista
brasileiro do EED, tentarei expressar neste texto alguns
comentários baseados na experiência do Brasil e que podem
evidenciar alguns elementos importantes do ponto de vista do
sul.
Há
pouco tempo atrás, muitos acreditavam convictamente que
desenvolvimento seria uma conseqüência do crescimento econômico.
O objetivo de uma efetiva política de desenvolvimento deveria
ser o crescimento do PIB – Produto Interno Bruto – sendo
que a distribuição da renda sequer era questionada. A
industrialização, alicerçada no modelo dos países
industrializados, geraria maior riqueza e conseguiria
impulsionar a saída de um país do contexto de
“subdesenvolvimento”. A idéia parece muito simples:
primeiro é necessário que o “bolo” cresca, para que, em
seguida, possa ser distribuído. Países passaram a ser
caracterizados como “em desenvolvimento” na expectativa de
que venham a se desenvolver de acordo com o modelo dos
“desenvolvidos”. E nisso os países desenvolvidos deveriam
ajudar os “subdesenvolvidos”, indicando-lhes o melhor
caminho para o sucesso.
O
caso do Brasil ilustra muito bem o equívoco dessa concepção:
enquanto o país ocupa a décima primeira posição mundial
entre os países industrializados, em nenhum outro lugar do
mundo o abismo entre ricos e pobres é tão grande. O
crescimento econômico e do PIB de um país, portanto, não
significam, automaticamente, maior desenvolvimento: o Brasil não
é um país pobre, e sim um país injusto. No que se refere à
política de desenvolvimento dos países industrializados (os
quais indicariam o caminho), foi constatado que, por exemplo,
o fim do protecionismo e dos subsídios agrícolas traria três
vezes mais receitas para o país do que a soma de todos os
recursos recebidos como ajuda ao desenvolvimento.
Em
contraposição à concepção anterior, mais tarde surgiu o
entendimento de que o desenvolvimento está relacionado à
melhoria da qualidade de vida de um povo, um processo que, em
tese, nunca será concluído, pois os seres humanos se
desenvolvem constantemente e, com isso, suas condições de
vida podem ser sempre melhoradas. Assim como o conceito de
democracia, desenvolvimento é uma idéia regulativa, em cuja
concretização a humanidade vai alcançando um maior nível
de humanização. Essa compreensão está de acordo com a
concepção de desenvolvimento do EED e apresenta como
objetivo a emancipação dos seres humanos das estruturas de
desigualdade, injustiça e alienação que os impedem de serem
humanamente livres, no amplo sentido do termo. Com isso fica
evidente a necessidade de mudanças tanto nos países
industrializados como nos países “subdesenvolvidos” e que
a unilateralidade nas relações da assim chamada ajuda ao
desenvolvimento precisa ser superada mutuamente. O
lema: “pensar globalmente e agir localmente” pôde ser
superado, de forma que uma ação global se tornou possível,
o que alterou a visão de mundo e os limites de tempo e espaço.
Nesse
contexto, a organização em rede é fundamental e a mobilização
contra o desmonte social na Alemanha também pode contribuir
com os povos dos países “subdesenvolvidos”. Muitas ações
que procuram atingir o núcleo da injustiça no mundo precisam
ser implementadas em caráter internacional, como:
-
contra a dominação do capital financeiro;
-
o pagamento da dívida externa, que já foi paga
várias vezes;
-
contra a concentração no setor alimentar, através de
modificações no consumo e da influência sobre a política
internacional;
-
pela afirmação dos direitos humanos;
-
pelo fortalecimento da cooperação e da solidariedade
internacional.
Mas
relações de cooperação internacional, é importante que
sejam preservados os princípios da igualdade e de
solidariedade, para impedir que se repitam as estruturas de
dependência, típicas no diálogo entre norte e sul. A
cooperação é, em última instância, um intercâmbio, no
qual ambos os lados têm muito a aprender mutuamente. Quando
algumas instituições alemãs expressam, por exemplo, que a
Alemanha têm ajudado o Brasil, é importante lembrar que o
Brasil também ajuda muito a Alemanha, como, por exemplo,
através da remessa de lucros da Volkswagen, Mercedes, Bayer,
BASF, etc, pois em torno de 1.200 empresas alemãs estão
instaladas em território brasileiro e a região metropolitana
de São Paulo é considerada como o maior parque industrial da
Alemanha no exterior.
O
desenvolvimento nos países industrializados se dá às custas
dos “subdesenvolvidos”, onde a externalização dos custos
de produção cumpre um papel importante, pois padrões
sociais e ambientais, na maioria dos casos, não são mantidos nos países
“subdesenvolvidos” da mesma forma como ocorre nos países
de origem das empresas. A dependência está alicerçada numa
estrutura colonial e em estruturas de poder que, muitas vezes,
impedem a autosuficiência dos povos do assim chamado Terceiro
Mundo. No caso do Brasil, é importante lembrar que o modelo
de desenvolvimento baseado no crescimento econômico elevou a
dívida externa ao patamar de 300 bilhões de dólares e que a
industrialização é responsável por parte da diminuição
da biodiversidade e dos recursos naturais do país. Por isso,
é importante que se tenha na Alemanha uma clara posição
acerca dos problemas do desenvolvimento, que pode ser expressa
através de:
-
uma intensa publicação da problemática, através do
trabalho de publicidade;
-
uma forte pressão pela modificação das estruturas
injustas;
-
uma efetiva influência sobre a política de
desenvolvimento alemã;
-
um amplo apoio a iniciativas internas.
Por
outro lado, é importante agir e pensar localmente, pois as
necessidades das pessoas precisam ser supridas onde elas
vivem, a problemática fica mais evidente no nível local e,
por isso, é decisiva a participação de todos os envolvidos
no processo de desenvolvimento. As estruturas de desigualdade
e de poder também existem no interior dos próprios países
“subdesenvolvidos”. Se no Brasil vivem 50 milhões de
pessoas em estado de extrema pobreza (especialmente no meio
rural) isso não ocorre somente em função da globalização
e da política neoliberal em nível internacional, mas é uma
conseqüência da concentração da propriedade da terra, da
qual principalmente 27.600 latifundiários se beneficiam. A
sociedade brasileira é marcada por uma estrutura elitista, na
qual apenas 5% aumentam sua riqueza e onde o mercado interno
contempla o acesso de apenas 40% da população. Nessa situação,
importantes mudanças na injusta estrutura do mercado agrícola,
por exemplo (como recentemente foram defendidas na Conferência
da OMC em Cancún, no México), vêm a beneficiar, em maior
parte, os grandes proprietários rurais,
que produzem soja, cana-de-açúcar, café, algodão e
cacau para fins de exportação, e não os pequenos
agricultores, que produzem prioritariamente alimentos para o
consumo próprio e o mercado interno. Este é um bom exemplo
para mostrar que a eliminação de estruturas injustas entre
os países, por si só, não elimina as estruturas injustas
internas aos países. Maiores exportações agrícolas
contribuem, em última instância,
para que o Brasil possa continuar pagando os juros da dívida
externa e têm grandes impactos sociais e ambientais dentro do
país.
As
estruturas injustas precisam ser, portanto, eliminadas, ao
mesmo tempo, em nível global e local e uma reforma agrária
massiva e qualificada é decisiva para impulsionar mudanças
em benefício da maioria da população brasileira. Se a eleição
de Lula despertou enormes esperanças de mudanças sociais e
políticas no país e se teve o apoio de inúmeros movimentos
sociais, é exatamente agora o momento decisivo de apoio à
formação e à organização da sociedade civil, pois a
participação da população na política nacional ainda é
embrionária e deve constituir o centro do apoio da
solidariedade internacional. Nessa perspectiva, são
importantes as seguintes ações:
-
apoiar os movimentos sociais;
-
aprofundar a solidariedade com movimentos de sem-terra
e de pequenos agricultores;
-
apoiar as campanhas pela implementação da reforma agrária;
-
criticar o modelo de reforma agrária de mercado;
-
influenciar o BMZ (Ministério Alemão de Cooperação
Econômica e Desenvolvimento);
-
apoiar a agricultura ecológica e campanhas contra as
criações intensivas de animais;
-
influenciar a política mundial de comércio em benefício
dos pequenos agricultores;
-
apoiar campanhas da ATTAC (Ação
pela Tributação das Transações Financeiras em Apoio aos
Cidadãos) e
contra a OMC (Organização
Mundial do Comércio).
Quando
se trata de projetos nos países “subdesenvolvidos”, o
desenvolvimento deve ser entendido como um processo endógeno,
no qual a forma como se concebe a construção do conhecimento
é um elemento importante. Como nosso famoso Paulo Freire
constatou em suas pesquisas, a transferência ou transmissão
de conhecimento não é possível, pois ou se trata de
apropriação do conhecimento ou haverá um processo de dominação
em curso: sem pesquisa própria, sem práxis, os seres humanos
não podem ser verdadeiramente humanos. O apoio internacional
na área do conhecimento é, no entanto, importante para a
formação de saberes competentes e o desenvolvimento de
tecnologias apropriadas. Além disso, a cooperação
internacional dá ânimo e energia às organizações e pode
contribuir para que mais pessoas sejam capacitadas a
participar de decisões que afetam suas próprias
necessidades. Com base no exemplo da reforma agrária, isso
pode ser expresso de forma ainda mais concreta, como apoio à
organização nos assentamentos através:
-
de
projetos de formação, assistência técnica, pesquisa em
agricultura ecológica e na construção do conhecimento (com
vistas à superação do “latifúndio do conhecimento”);
-
do
apoio à construção da agroindústria cooperativa e da
estrutura de comercialização da produção agrícola, que
permita aos agricultores uma maior independência das grandes
empresas que dominam o complexo agroindustrial.
Para
concluir, é importante reforçar que, com exceção das
diferenças culturais, sociais e políticas, há interesses
comuns e necessidades de mudança em todo o mundo, o que
evidencia que a própria cooperação internacional é um
processo educativo, no qual concepções, objetivos e visões
são modificadas mutuamente. O Fórum Social Mundial, que foi
realizado três vezes em Porto Alegre (e neste ano aconteceu
na Índia), demonstrou a importância de preservar a
diversidade na organização em rede e, apesar disso, apontar
objetivos comuns. Na política internacional de apoio ao
desenvolvimento também parece ser muito importante que se
constitua uma rede internacional de diferentes organizações
com os mesmos objetivos, de maneira que a ação global e
local seja alcançada. Para isso, o mútuo diálogo entre
organizações parceiras do norte e do sul não deveria ser
somente um meio de fortalecimento da cooperação, mas a base
para a formulação das concepções, dos objetivos, métodos
e visões de desenvolvimento.
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Entwicklung
aus der Sicht des Südens: Bemerkung zur internationalen
Zusammenarbeit am Beispiel Brasiliens
Das
entwicklungspolitische Selbstverständnis und Engagement einer
Institution setzt ein Konzept von Entwicklung voraus, nach dessen
Prinzipien Alternativen und Methoden festgelegt werden, die in einen
bestimmten Kontext eingesetzt werden, um eine Situation zu verändern.
Nach dem EED – Evangelischer Entwicklungsdienst - wird Entwicklung
so verstanden als „ein Prozess der Befreiung von Hunger, Armut,
Krankheit, von ungerechten Machtstrukturen, die Menschen in ihrer Würde
und ihrem Recht verletzen und ihnen die Kontrolle über
lebensnotwendige Ressourcen verwehren“. Es ist also klar, dass es
sich um Veränderungen der sozialen Struktur handelt, indem arme,
benachteiligte und unterdrückte Menschen unterstützt werden sollen.
Die entscheidende Frage lautet: Wie kann den „Unterentwickelten“
bei ihrer Entwicklung geholfen werden?
Ein sehr wichtiger Punkt des EED-Entwicklungskonzepts ist die
Beteiligung der betroffenen Menschen an den Entscheidungsprozessen,
damit sie dazu befähigt werden, „aus eigener Kraft und in eigener
Verantwortung ihre Lebenssituation zu verbessern“. In dieser
Hinsicht stellen die Ziele, Beispiele und Visionen aus der Sicht des
Südens einen Bestandteil dieses Konzepts dar: Als brasilianischer
Stipendiat des EED werde ich daher in diesem Text versuchen, Anmerkungen
zu machen, die basiert auf Brasilien, Schwerpunkte aus Sicht
des Südens deutlich machen können.
Es
ist noch nicht lange her, da glaubten viele fest daran, Entwicklung
sei eine Folge wirtschaftlichen Wachstums. Ziel einer wirksamen
Entwicklungspolitik sollte daher das Wachstum des Bruttosozialproduktes
(BSP) sein, wobei die Verteilung
von Mitteln überhaupt nicht in Frage gestellt wurde. Man glaubte,
Industrialisierung nach dem Modell der Industrieländer würde mehr
Reichtum schaffen und ein Land aus
der „Unterentwicklung“ heraus bringen. Die Idee war ganz einfach:
Zuerst sollte der „Kuchen“ vergrößert werden, um ihn danach zu
verteilen. Entwicklungsländer
werden auch so genannt, weil sie sich nach dem Vorbild der „Entwickelten“
entwickeln sollten. Und dabei sollten die „Entwickelten“ den „Unterentwickelten“
helfen und ihnen den erfolgreichsten Weg zeigen.
Am
Beispiel Brasiliens wird der Fehler dieses Konzepts deutlich: Während
das Land die elftgrößte Industrienation der Welt ist, gibt es
nirgendwo eine tiefere Kluft zwischen den extrem Reichen und den
Allerärmsten. Man hat festgestellt, dass z.B. die Abschaffung des
Protektionismus und der Agrarsubventionen der Industrieländer 3 mal
mehr Einnahmen für das Land bedeuten würde als die gesamte
Entwicklungshilfe zusammen. Wirtschaftliches Wachstum und der
BSP-Index eines Landes dürfen nicht mit Entwicklung verwechselt
werden: Brasilien ist kein armes, sondern ein ungerechtes Land.
Im
Gegensatz zum früheren Konzept, wurde später Entwicklung als
Verbesserung der Lebensqualität eines Volkes verstanden, als ein
Prozess, der eigentlich nie zu Ende geht, weil Menschen sich immer
weiter entwickeln und ihre Lebensgrundlagen von daher auch immer
weiter verbessert werden können. So wie der Begriff der Demokratie
ist Entwicklung eine regulative Idee, bei deren Umsetzung die
Menschheit kontinuierlich ein zunehmendes Niveau an Menschlichkeit
erreicht. Diese Vision stimmt mit dem EED-Entwicklungskonzept überein
und setzt sich zum Ziel die Befreiung aller Menschen von
Ungleichheits-, Ungerechtigkeits- und Entfremdungsstrukturen, die
sie daran hindern, in vollem Sinne
menschlich frei zu sein. Hier wird klar, dass Veränderungen
sowohl in den Industrieländern als auch in den Entwicklungsländern
durchgeführt werden müssen und die Einseitigkeit der sogenannten
Entwicklungshilfe gemeinsam überwunden werden muss. Das
Motto: „Global denken und lokal handeln“ konnte schon überwunden
werden, so dass ein globales Handeln auch möglich geworden ist, was
das Weltbild und die Grenzen von Raum und Zeit veränderte.
Die
Mobilisierung zur Verhinderung des Sozialabbaus in Deutschland kann
auch der Bevölkerung in Entwicklungsländern helfen. Viele Aktionen,
die auf den Kern der weltweiten Ungerechtigkeit gerichtet werden
sollen, müssen international durchgeführt werden:
-
Gegen
die Herrschaft des Finanzkapitals
-
Gegen
die Zahlung
der schon mehrfach zurückgezahlten Außenschulden
-
Gegen
die Konzentration im Ernährungsbereich, durch Konsumveränderungen
und Beeinflussung der internationalen Politik
-
Für
die Durchsetzung der Menschenrechte
-
Zur
Verstärkung der politischen Zusammenarbeit und der
internationalen Solidarität.
Wichtig
für die internationale Zusammenarbeit ist die Bewahrung des
Gleichheits- und Solidaritätsprinzips, um nicht Abhängigkeitsstrukturen
zu wiederholen, die im Nord-Süd Dialog typisch sind. Die
internationale Zusammenarbeit ist letztendlich ein Austausch, in dem
beide Seiten viel voneinander zu lernen haben. Wenn deutsche Institutionen z.B. äußern, Deutschland helfe Brasilien,
ist es wichtig zu betonen, dass Brasilien auch Deutschland sehr
hilft, z.B. durch Profitübertragung von Volkswagen, Mercedes,
Bayer, BASF usw. 1.200 deutsche Betriebe haben sich in Brasilien
angesiedelt, wobei die Region um São
Paulo für den größten deutschen Industriestandort gehalten wird.
Die
Entwicklung in den Industrieländern geschieht auf Kosten der „Unterentwickelten“,
wobei die Externalisierung von Kosten eine wichtige Rolle spielt,
denn Sozial- und Umweltstandards werden meist in den Entwicklungsländern
nicht so eingehalten wie im Heimatland. Die Abhängigkeit basiert
auf Kolonialwirtschaft und auf Machtstrukturen, die es den Menschen
in der sogenannten Dritten Welt unmöglich machen, für sich selbst
zu sorgen. Am Beispiel Brasiliens sollte man nicht vergessen, dass
das auf wirtschaftlichem Wachstum basierende Model Außenschulden in
Höhe von 300 Milliarden US-Dollar verursachte,
und dass die Industrialisierung teilweise für den Verlust an
Biodiversität und den Naturressourcen des Landes
verantwortlich ist. Deshalb ist es in Deutschland sehr wichtig, dass
eine klare Position
in der Entwicklungsfrage bezogen wird, durch:
-
Intensive
Veröffentlichung der Problematik durch die politische Öffentlichkeitsarbeit;
-
Starken
Druck zur Veränderung ungerechter Strukturen;
-
Effektiven
Einfluss auf die deutsche Entwicklungspolitik;
-
Breite
Unterstützung von Initiativen im Inland.
Anderseits
ist es wichtig, lokal zu denken und zu handeln: Die Bedürfnisse von
Menschen sind vor Ort zu erfüllen, die Problematik
wird am Standort klarer und deshalb ist auch die Selbstbestimmung im
Entwicklungsprozess entscheidend. Ungerechtigkeits- und
Machtstrukturen, die das Verhältnis der 1. zur 3. Welt prägen,
sind auch in den Entwicklungsländern selbst zu finden. Wenn in
Brasilien rund 50 Millionen Menschen in extremer Armut leben (die
Meisten auf dem Land), liegt dies nicht nur an der Globalisierung
und der weltweiten neoliberalen Wirtschaftspolitik, sondern ist auch
ein Resultat der Konzentration des Grundeigentums, wovon besonders
27.600 Großgrundbesitzer profitieren. Die brasilianische
Gesellschaft ist von einer elitären Struktur geprägt, in der
lediglich 5 Prozent der Bevölkerung ihren Reichtum vermehren und
ein Binnenmarkt für nur 40 Prozent der Bevölkerung geschaffen
wurde. In einer solchen Situation kommen wichtige Veränderungen der
ungerechten Struktur des Agrarhandels (wie sie vor kurzem auf der
WTO-Ministerkonferenz in Cancun/Mexiko gefordert wurden) zum größten
Teil den Großgrundbesitzern zu Gute, die Sojabohnen, Zuckerrohr,
Kaffee, Baumwolle und Kakao für den Export anbauen, und nicht den
Kleinbauern, die zumeist Nahrungsmittel zur Selbstversorgung und für
den Binnenmarkt produzieren. Hier zeigt sich deutlich, dass die
Abschaffung ungerechter Strukturen zwischen Ländern allein nicht
die ungerechten Strukturen im Inland aufhebt. Höhere Agrarexporte
tragen dazu bei, dass Brasilien die Zinsen der Außenschulden weiter
bezahlen kann, und haben große Umwelt- und Sozialauswirkungen im
Land.
Globale
und lokale Ungerechtigkeitsstrukturen müssen also gleichzeitig
abgeschafft werden. Eine massive und qualifizierte Agrarreform ist
entscheidend für eine Veränderung zugunsten der Mehrheit in
Brasilien. Weil der Wahlsieg
von Präsident Lula enorme Hoffnungen nach politischen und sozialen
Veränderungen im Land geweckt hat und vor allem von zahlreichen
sozialen Bewegungen getragen wurde, ist es gerade jetzt entscheidend,
bei der Bildung und Organisation der Zivilgesellschaft zu helfen.
Die Teilnahme der Bevölkerung an der nationalen Politik ist in
Brasilien immer noch marginal und sollte daher im Mittelpunkt der
Unterstützung durch internationale Hilfe stehen.
In
dieser Hinsicht sind folgende Aktionen in Deutschland wichtig:
-
Unterstützung
der sozialen Bewegungen;
-
Vertiefung
der Solidarität mit Kleinbauern- und Landlosenbewegungen;
-
Unterstützung
von Kampagnen zur Agrarreform;
-
Kritik
am Modell der marktgestützten Agrarreform;
-
Beeinflussung
des BMZ (Bundesministerium für wirtschaftliche Zusammenarbeit
und Entwicklung);
-
Unterstützung
der ökologischen Landwirtschaft und von Kampagnen zur Ablehnung
der Massentierhaltung;
-
Beeinflussung
der Welthandelspolitik zugunsten von Kleinbauern;
-
Unterstützung
von Kampagnen zur Besteuerung von Finanztransaktionen im
Interesse der BürgerInnen
und gegen die Welthandelsorganisation (WTO).
Wenn
es um Projekte in den Entwicklungsländern geht, sollte Entwicklung
als ein endogener Prozess verstanden werden, wobei der Umgang mit
Wissen ein wichtiges Element darstellt. Wie unser berühmter
Bildungsexperte Paulo Freire in seinen Forschungen feststellte, ist
eine Übermittlung von Wissen überhaupt nicht möglich, denn es
geht entweder um Aneignung von Wissen oder es besteht ein
Herrschaftsprozess: „Ohne selbst zu forschen, ohne Praxis, können
Menschen nicht wahrhaft menschlich sein“. Die internationale
Unterstützung im Wissensbereich ist dennoch wichtig zur Ausbildung
von Fachkräften und Entwicklung geeigneter Technologien. Am
Beispiel der Agrarreform hieße das konkret:
-
Einrichtung
von Projekten zur Bildung, Agrarberatung, Forschung ökologischer
Landwirtschaft und der Ausbildung von Fachkräften (zur Überwindung
des „Wissenslatifundiums“);
-
Hilfe
beim Aufbau der genossenschaftlichen Agrarindustrie und der
Vermarktungsstruktur landwirtschaftlicher Produktion, damit die
angesiedelten Bauern unabhängiger von den großen
Agrarkonzernen werden.
Schließlich
ist es wichtig zu betonen, dass abgesehen von den kulturellen,
sozialen und politischen Unterschieden gemeinsame Interessen und Veränderungsbedürfnisse
weltweit entstehen, was wiederum klar macht, dass die internationale
Zusammenarbeit selbst einen Lernprozess darstellt, in dem Konzepte,
Ziele und Visionen gemeinsam verändert werden. Das Weltsozialforum,
das drei mal im brasilianischen Porto Alegre stattfand (und nun im
indischen Mumbai tagte), hat gezeigt, wie wichtig es ist, die
Vielfalt in der Netzwerkarbeit zu bewahren und trotzdem gemeinsame
Ziele zu haben. Auch in der internationalen Entwicklungspolitik ist
es wichtig, eine weltweite Vernetzung verschiedener Organisationen
zu gleichen Zielen zu schaffen, damit ein globales und lokales
Handeln erreicht wird. Dafür sollte der gemeinsame Dialog zwischen
Nord und Süd nicht nur ein Mittel zur Verstärkung der
Zusammenarbeit sein, sondern auch die Grundlage zur Formulierung von
Konzepten, Zielen, Methoden und Visionen.
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Antônio Inácio Andrioli ist Brasilianer und EED-Stipendiat.
Zur Zeit promoviert er im Bereich Sozialwissenschaften an der
Universität Osnabrück.
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