O
Papel da Diversidade Humana no Design de Interfaces
O
século XX constituiu um grande marco para toda a Humanidade. Não
apenas em fatos históricos que ficaram gravados em nossas memórias,
mas também pela variedade de avanços tecnológicos que vieram
em sua grande maioria beneficiar o ser humano. Cabe salientar
que todo avanço tecnológico traz sempre com ele motivações
que podem ser as mais variadas. Dentre elas, pode-se destacar a
redução do esforço humano na realização de atividades
(geralmente de natureza repetitiva ou mecânica), implicando em
menor tempo para execução destas e resultando em maior tempo
para outras atividades que exigem mais de seu intelecto bem como
proporcionar mais tempo para o lazer. Além disso, há sempre o
lado econômico que visa um aumento de produtividade e de lucro.
No
entanto, se o foco de interesse restringir-se às últimas duas
décadas e à atual, pode-se afirmar que a década de 80 foi a
do computador pessoal, enquanto que a década de 90 foi a da
Internet. Já essa primeira década do século XXI tem sido
chamada como da computação e comércio móvel (m-commerce). É
importante observar que m-commerce compreende as atividades de
comércio eletrônico realizadas com dispositivos móveis, tais
como telefone celular ou PDA (Personal Digital Assistant).
Nesse
universo de dispositivos dos mais variados tipos e objetivos, um
aspecto determinante na aceitabilidade (leia-se também adoção)
e uso deles é o design de suas interfaces. Dentro deste
contexto, a usabilidade de uma interface envolve vários fatores
como a facilidade de uso e aprendizagem por parte do usuário
bem como maior desempenho e satisfação do usuário na realização
de tarefas.
Todavia,
enquanto a diversidade humana é um aspecto positivo no que
tange ao enriquecimento sócio-cultural e troca de experiências
dos seres humanos, ela constitui-se num desafio aos designers de
interface. Nesse sentido, um conjunto de características é
considerado:
-
habilidades de percepção e cognição: capacidade de
memorização, atenção e solução de problemas;
-
fatores que afetam o desempenho motor e perceptivo:
fadiga, ansiedade, medo, envelhecimento;
-
diferenças culturais: descrição de datas, horário,
peso (e outras medidas), endereços bem como significado de
cores e ícones.
-
deficiências nos usuários de equipamentos: auditiva,
motora, cognitiva e de fala.
Se
considerarmos o design de interfaces para aplicações
m-commerce, então o projetista deve atentar para os seguintes
aspectos:
-
Características da
comunicação: objetivos da comunicação, quantidade de
pessoas participantes na comunicação.
-
Tipo de mobilidade:
viagem, visita, passeio.
-
Tecnologia usada:
capacidade de rede e detalhes da interface.
-
Perfil de usuários:
idade, origem cultural, experiência de uso de dispositivos com
características similares.
-
Contexto de uso:
quantidade de usuários do dispositivo, serviços disponíveis,
fatores sócio-econômicos.
Os
aspectos apresentados acima constituem elementos determinantes
na aceitabilidade e uso de dispositivos móveis como telefone
celular. Entretanto, vale ressaltar que limitações na
capacidade de rede bem como restrições físicas e de
desempenho desses dispositivos compreendem fatores que têm
limitado sua adoção para atividades de comércio móvel ou
m-commerce. Em 1998, haviam projeções de que as receitas das
empresas atuantes no setor de m-commerce seriam de US$ 2 bilhões.
No entanto, tais projeções não se concretizaram e a Bolsa
Nasdaq registrou apenas receitas de aproximadamente US$ 500 milhões.
Vide mais informações em www.ecommercetimes.com/perl/story/20019.html.
Por
que as projeções as projeções acima não se concretizaram?
Simples, uma pequena parcela da população alvo dos
dispositivos móveis não adotaram essa tecnologia para as
tarefas concebidas. Parte do motivo desse resultado deve-se a não
consideração dos fatores mencionados acima e, dentre eles, um
de suma importância é o design de interface desses
dispositivos móveis.
O
design de interface tem sido uma atividade que requer cada vez
mais o conhecimento da população usuária. Portanto, torna-se
imperativo conhecer o perfil de usuário de um dispositivo a fim
de que as características dos dispositivos e sua interface
‘casem’ com sua população de usuários. Desconsiderar esta
simples regra significa conduzir um produto ao insucesso ou
mesmo à frustração de expectativas.
Aprender
a lidar com diversidade humana é uma das primeiras lições de
um projetista ou designer de interface. Um outro aspecto da
diversidade humana diz respeito às pessoas portadoras de algum
tipo deficiência e para as quais todo projetista deve estar
atento. Nesse sentido, o World Wide Web Consortium ou W3C têm
definido diretrizes e fornecidos informações sobre como
pode-se oferecer acessibilidade a esse grupo de usuários. Esse
será um tópico a ser desenvolvido num artigo futuro. No
entanto, os leitores interessados podem visitar o site www.w3.org/WAI
a fim de obter informações sobre o assunto.