Por ANTONIO MENDES DA SILVA FILHO

Professor do DIN/UEM. Doutor em Ciência da Computação

 


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O Papel da Diversidade Humana no Design de Interfaces

 

O século XX constituiu um grande marco para toda a Humanidade. Não apenas em fatos históricos que ficaram gravados em nossas memórias, mas também pela variedade de avanços tecnológicos que vieram em sua grande maioria beneficiar o ser humano. Cabe salientar que todo avanço tecnológico traz sempre com ele motivações que podem ser as mais variadas. Dentre elas, pode-se destacar a redução do esforço humano na realização de atividades (geralmente de natureza repetitiva ou mecânica), implicando em menor tempo para execução destas e resultando em maior tempo para outras atividades que exigem mais de seu intelecto bem como proporcionar mais tempo para o lazer. Além disso, há sempre o lado econômico que visa um aumento de produtividade e de lucro.

No entanto, se o foco de interesse restringir-se às últimas duas décadas e à atual, pode-se afirmar que a década de 80 foi a do computador pessoal, enquanto que a década de 90 foi a da Internet. Já essa primeira década do século XXI tem sido chamada como da computação e comércio móvel (m-commerce). É importante observar que m-commerce compreende as atividades de comércio eletrônico realizadas com dispositivos móveis, tais como telefone celular ou PDA (Personal Digital Assistant).

Nesse universo de dispositivos dos mais variados tipos e objetivos, um aspecto determinante na aceitabilidade (leia-se também adoção) e uso deles é o design de suas interfaces. Dentro deste contexto, a usabilidade de uma interface envolve vários fatores como a facilidade de uso e aprendizagem por parte do usuário bem como maior desempenho e satisfação do usuário na realização de tarefas.

Todavia, enquanto a diversidade humana é um aspecto positivo no que tange ao enriquecimento sócio-cultural e troca de experiências dos seres humanos, ela constitui-se num desafio aos designers de interface. Nesse sentido, um conjunto de características é considerado:

  • habilidades de percepção e cognição: capacidade de memorização, atenção e solução de problemas;

  • fatores que afetam o desempenho motor e perceptivo: fadiga, ansiedade, medo, envelhecimento;

  • diferenças culturais: descrição de datas, horário, peso (e outras medidas), endereços bem como significado de cores e ícones.

  • deficiências nos usuários de equipamentos: auditiva, motora, cognitiva e de fala.

Se considerarmos o design de interfaces para aplicações m-commerce, então o projetista deve atentar para os seguintes aspectos:

  • Características da comunicação: objetivos da comunicação, quantidade de pessoas participantes na comunicação.

  • Tipo de mobilidade: viagem, visita, passeio.

  • Tecnologia usada: capacidade de rede e detalhes da interface.

  • Perfil de usuários: idade, origem cultural, experiência de uso de dispositivos com características similares.

  • Contexto de uso: quantidade de usuários do dispositivo, serviços disponíveis, fatores sócio-econômicos.

Os aspectos apresentados acima constituem elementos determinantes na aceitabilidade e uso de dispositivos móveis como telefone celular. Entretanto, vale ressaltar que limitações na capacidade de rede bem como restrições físicas e de desempenho desses dispositivos compreendem fatores que têm limitado sua adoção para atividades de comércio móvel ou m-commerce. Em 1998, haviam projeções de que as receitas das empresas atuantes no setor de m-commerce seriam de US$ 2 bilhões. No entanto, tais projeções não se concretizaram e a Bolsa Nasdaq registrou apenas receitas de aproximadamente US$ 500 milhões. Vide mais informações em www.ecommercetimes.com/perl/story/20019.html.

Por que as projeções as projeções acima não se concretizaram? Simples, uma pequena parcela da população alvo dos dispositivos móveis não adotaram essa tecnologia para as tarefas concebidas. Parte do motivo desse resultado deve-se a não consideração dos fatores mencionados acima e, dentre eles, um de suma importância é o design de interface desses dispositivos móveis.

O design de interface tem sido uma atividade que requer cada vez mais o conhecimento da população usuária. Portanto, torna-se imperativo conhecer o perfil de usuário de um dispositivo a fim de que as características dos dispositivos e sua interface ‘casem’ com sua população de usuários. Desconsiderar esta simples regra significa conduzir um produto ao insucesso ou mesmo à frustração de expectativas.

Aprender a lidar com diversidade humana é uma das primeiras lições de um projetista ou designer de interface. Um outro aspecto da diversidade humana diz respeito às pessoas portadoras de algum tipo deficiência e para as quais todo projetista deve estar atento. Nesse sentido, o World Wide Web Consortium ou W3C têm definido diretrizes e fornecidos informações sobre como pode-se oferecer acessibilidade a esse grupo de usuários. Esse será um tópico a ser desenvolvido num artigo futuro. No entanto, os leitores interessados podem visitar o site www.w3.org/WAI a fim de obter informações sobre o assunto.

 

 

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