Um
acordo para ser lembrado
[de
Genebra, por YOSSI BEILIN e YASSER ABED
RABBO*
publicado em 01/12/03 pelo New York Times]
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traduzido pela Lista PAZ AGORA/BR
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Hoje,
líderes civis através dos espectros políticos
israelense e palestino, estão se reunindo aqui
para publicar o que se tornou conhecido como o
Acordo de Genebra - um quadro negociado mas
extra-oficial para o alcance de uma paz
permanente entre nossos dois povos, após anos
de derramamento de sangue e perdas de vidas
preciosas.
O
acordo exibe, pela primeira vez, o que um
tratado de paz credível e negociável entre
israelenses e palestinos pode parecer. No
processo, ele se reporta a todas principais
diferenças entre as parte, incluindo arranjos
de segurança, a forma das fronteiras
permanentes, o status de Jerusalém, o futuro
dos assentamentos da Cisjordânia, os direitos
dos refugiados e acesso aos lugares santos.
A
iniciativa data de janeiro de 2001, quando as últimas
conversações entre Israel e os palestinos
terminaram em Taba. Como participantes nessas
negociações, nós dois restamos com o
sentimento de que poderíamos ter chegado a um
entendimento se tivéssemos recebido algumas
semanas mais.
Infelizmente,
nossos colegas israelenses e palestinos nas
negociações achavam que as diferenças eram
muito grandes para serem superadas. Após as
eleições israelenses de 2001, quando Ehud
Barak perdeu para Ariel Sharon, nós dois
resolvemos tentar completar o trabalho de Tava -
como cidadãos privados. Desejávamos achar um
campo comum e demonstrar a tanto
israelenses como palestinos que apesar de
toda a frustração, desapontamento e, mais do
que tudo, violência, poderíamos manter discussões
significativas em andamento.
Nosso
caminho foi cheio de obstáculos. Durante esse
período, israelenses foram proibidos de entrar
nos territórios palestinos. Os palestinos,
enquanto isso, tinham dificuldade de entrar em
Israel e viajar para o exterior. Assim, algumas
vezes nos encontramos em postos de controle,
onde conversávamos dentro de um automóvel. Em
outras ocasiões, o governo suíço nos tornou
possível encontrar-nos no exterior.
Para
apoiar nosso esforço, construímos amplas
coalizões. No lado israelense havia pessoas
identificadas com os partidos Likud, Shinui,
Trabalhista e Meretz, assim como altos oficiais
aposentados, economistas e intelectuais. Do lado
palestino havia oficiais da facção Fatah de
Yasser Arafat, parlamentares e líderes acadêmicos.
Finalmente
em outubro fomos capazes de por sobre a mesa um
entendimento de 50 laudas, incluindo mapas
detalhadas. O documento é complexo e portanto
difícil de resumir, mas sua idéia central é
que em troca da paz com Israel, os palestinos
iriam afinal ganhar um Estado desmilitarizado .
Os palestinos também ganhariam soberania sobre
o Monte do Templo, enquanto o acesso judeu ao
seu lugar sagrado seria garantido por uma força
de segurança internacional. Além disso,
Israel teria a possibilidade de manter alguns
assentamentos na Cisjordânia, inclusive muitos
dos novos bairros judeus construídos no lado árabe
de Jerusalém.
Sabemos
que nosso acordo não é universalmente popular
no Oriente Médio. Na verdade, oposição ao
acordo começou a crescer ainda antes de nosso
documento conjunto se ter tornado público. Os
linha-dura em Israel criticaram os detalhes do
acordo, assim como o processo diplomático
privado que usamos para alcançá-lo. Enquanto
isso, na Cisjordânia e Gaza, rejeccionistas do
Hamas e da Jihad Islâmica fizeram raivosas
passeatas atacando a iniciativa e os que a
modelaram.
Ainda
assim, a despeitos dessa oposição, temos o
prazer de constatar que o acordo está tendo um
impacto positivo no ambiente de negociações. Cópias
de nosso documento foram enviadas para cada
domicílio israelense e publicadas nos
principais jornais palestinos. Mais
significativo, uma recente pesquisa do Instituto
James A. Baker III para Políticas Públicas da
Universidade Rice e do International Crisis
Group de Washington mostrou que mais de 50%
dos palestinos e dos israelenses apóiam os
princípios fundamentais contidos no documento.
É
importante que este interesse seja sentido também
fortemente na comunidade internacional. Temos o
prazer de contar o apoio explícito à
iniciativa pelo primeiro-ministro Tony Blair da
Grã-bretanha, de Kofi Annan, secretário-geral
da ONU, e de Igor Ivanov, ministro do exterior
russo. É ainda mais importante, na nossa visão,
que a administração Bush e o Congresso
americano apóie nossos esforços e se reengaje
no processo de paz. A simpatia do Secretário de
Estado Colin Powell ao acordo foi gratificante,
mas mais vozes norte-americanas são necessárias
para assegurar que o progresso continue.
Afinal,
entretanto, o Acordo de Genebra é apenas um
acordo "virtual". Os tomadores de
decisão - no governo israelense e na Autoridade
Palestina, em Washington e quaisquer lugares -
podem usá-lo, modificá-lo ou ignorá-lo. Como
cidadãos privados, fizemos perto de tudo que
alguém poderia fazer numa situação que se
tem tornado totalmente insuportável. Agora
depende de nossos líderes.
(*)
Yossi Beilin foi Ministro da Justiça de Israel.
Yasser Abed Rabbo foi Ministro da Informação
da Autoridade Palestina. Ambos dirigiram a redação
do Acordo de Genebra.