Produzir
e exportar software: necessidades do Brasil
Informação
é qualquer coisa que pode ser codificada como um fluxo de
bits, i.e, qualquer conteúdo que pode ser digitalizado. Por
exemplo, livros, revistas, filmes, páginas da Web ou cotações
de ações compreendem o que é denominado de bens da informação.
Dentro deste contexto, a informação pode ser vista sob dois
aspectos: o informativo e o tecnológico. Se voltarmos nossa
atenção para o lado tecnológico, devemos considerar a
infra-estrutura que permite armazenar, buscar, recuperar,
filtrar, bem como transmitir e receber informações.
Hoje
em dia, a economia global tem sido ditada pelos avanços da
tecnologia da informação. Assim, para que o Brasil possa ser
considerado importante ator neste cenário, é imprescindível
não apenas ser um produtor, mas também um exportador desse
produto. Neste sentido, observa-se que o mercado de tecnologia
da informação brasileiro tem crescido rapidamente. Segundo
dados do Ministério da Ciência e Tecnologia (www.mct.gov.br),
o setor de tecnologia da informação (TI) brasileiro é
responsável por mais de US$ 14 bilhões do produto interno
bruto brasileiro. Cabe salientar que esta cifra corresponde a
2.4% do PIB nacional.
Adicionalmente,
segundo pesquisa conduzida pelo Massachussets Institute of
Tecnology (web.mit.edu),
o Brasil tem o 7º (sétimo) maior mercado do mundo
em vendas de software, tendo atingido o total de US$ 7.7 bilhões
no ano de 2001. Ainda segundo esse mesmo estudo do MIT, a
qualidade e grau de sofisticação do produtos desenvolvidos
no Brasil são similares aqueles produzidos na Índia
(US$ 8.2 bilhões) e China (US$ 7.9 bilhões).
Entretanto, embora haja expressiva produção de software em
nosso país, a cifra de software brasileiro exportado é ainda
muito pequena, para não dizer insignificante. A exportação
de software brasileiro é apenas responsável pela quantia de
US$ 100 milhões (dados de 2000), o que corresponde aos meros
0.002% do total de exportações do Brasil. Só para comparar,
no ano de 2000, a China e Índia exportaram US$ 400 milhões e
US$ 4 bilhões em software, respectivamente.
Então
surge a pergunta: por que o Brasil tem um insignificante
percentual exportado de software?
Antes
de responder a essa pergunta, talvez fosse interessante saber
como os produtos brasileiros são conhecidos lá fora. Segundo
pesquisa realizada nos Estados Unidos no ano de 2000 pelo
Ministério das Relações Exteriores brasileiro:
- 7% dos
americanos sabem que o Brasil é grande exportador de
soja;
- 14% dos
americanos sabem que o Brasil é produtor de café;
- 89% dos
americanos consideram o Brasil um país de grande beleza
natural;
- 68% dos
americanos consideram o Brasil um país tropical;
- 36% dos americanos sabem que o Brasil está entre as
maiores economias.
Perceba
que nosso potencial é pouco conhecido no exterior. Assim,
respondendo a questão formulada, é preciso tornar o produto
brasileiro mais conhecido no mercado externo. Por exemplo,
embora o café brasileiro seja de excelente qualidade, na América
do Norte e, especificamente, nos EUA e Canadá, o café
colombiano é bem mais conhecido, sem desmerecer a qualidade
desse café.
Agora,
se voltarmos nossa atenção para o setor de tecnologia da
informação e, especificamente, para indústria de software,
segundo o mesmo estudo do MIT mencionado anteriormente, os
profissionais e empresas brasileiras são citados entre
aqueles que fornecem soluções de software para o segmento de
bancos, órgão públicos e comércio eletrônico. Esse estudo
ainda aponta características diferenciais dos produtos
brasileiros que compreende a criatividade dos profissionais,
capacidade de inovação e flexibilidade das companhias.
Apesar
de visualizarmos avanços, ainda há entraves a serem
vencidos. Um exemplo é o pequeno grau de transformação de
resultados de pesquisas em produtos de mercado. No mesmo
estudo do MIT, verificou-se que maioria dos produtos dos
fabricantes brasileiros de software são desenvolvidos e
produzidos internamente pela próprias empresas, sendo feito
muito pouco uso de tecnologias desenvolvidas nas
universidades.
Pergunta-se:
é possível aumentar nossa capacidade de produção e exportação
de software?
Vejo
como algo factível. Todavia, isto depende de haver um tripé
formado por Estado, Empresas e Universidades. Para tanto, é
preciso uma ação coordenada envolvendo o governo, a nível
federal, estadual e municipal bem como participação efetiva
da iniciativa privada juntamente com as universidades. Um
exemplo é o Cesar - Centro de Estudos e Sistemas Avançados
do Recife (www.cesar.org.br)
- o qual tem sido responsável pela geração de 66 empresas.
A ação do Cesar juntamente com o Porto Digital do Recife (www.portodigital.org)
apresenta-se como um modelo que poderia ser replicado em todo
o país. Eis aqui uma solução que governo brasileiro poderia
adotar a fim de ter uma ação
mais agressiva quanto a exportação de software.
Complementando,
torna-se importante manter os profissionais e pesquisadores no
país e para tanto, é imprescindível uma remuneração
adequada às qualificações destes, sob a pena de nos
depararmos com a diáspora de talentos brasileiros (www.espacoacademico.com.br/008/08mendes.htm).
Para
saber um pouco mais sobre a experiência do Porto Digital do
Recife, você poderia ler a matéria intitulada “Ilha da
Fantasia” publicada na edição 1778 da Revista Isto É de
29/10/2003 ou consultar o site www.terra.com.br/istoe/1778/ciencia/1778_ilha_da_fantasia.htm.