Presidente Lula,
por que temos que pagar ao estrangeiro para saber o que
eles pensam de nós?
A
fábula do turismo brasileiro - a volta de Brasilino...
A
Embratur, senhor presidente parece ter assumido de fato
sua função de "Convention & Visitors Bureau Nacional,
o responsável por essa pasta,
inacreditável, acabou decretando a longo prazo a
extinção desse órgão, pois reduziu suas funções administrativas
à captação de eventos e de sinalizador responsável pela
imagem do país no exterior, papel que era desempenhado de
forma eficiente pelas embaixadas do Brasil no exterior.
Nosso
espanto, como brasileiro e leitor de "um dia na vida
de Brasilino" não poderia deixar passar sem comentários
a carta procedente da assessoria de comunicação da Embratur, intitulada
" Embratur realiza estudo sobre a imagem do Brasil
no exterior". Seja por inocência política ou tentativa
marota de perpetuar dinastias, somos obrigados a protestar
contra mais um dos tantos despautério contra o turismo nacional.
Em
primeiro lugar, toda imagem que se tem do Brasil no exterior
é produto exclusivo daquilo que alimentamos as mentes e
representações de nossa forma de ser, junto aos meios de
comunicação. Nada é obra do acaso, mas sim, fonte de um
pensamento tautológico, em que mostramos nossa idiossincrasia,
em que a dimensão cultural do país que a recebeu irá formata-la
segundo conceitos, normas, regras e preconceitos vigentes
naquela sociedade.
Obviamente,
que a imagem do Brasil no exterior não é fruto de geração
espontânea, mas resultado daquilo que queremos mostrar em
nossas mensagens, país de belas mulheres, em que a plástica nacional
é imbatível e a sedução dos trópicos enfeitiça qualquer
estrangeiro. Quem sempre foi a grande responsável pela propaganda
do Brasil no exterior foi a própria Embratur isso desde
1966, num primeiro momento a mesma montou uma folheteria
exaltando a nudez da mulher brasileira na praia e no carnaval.
O resultado foi um desastre o Brasil ficou conhecido como
a rota do turismo sexual e só prestar a atenção na presença
dos agentes de turismo rufiões que habitam os aeroportos
internacionais brasileiros, combinando com o turista estrangeiro
os custos da mercadoria - mulher adulta ou criança.
Em
segundo lugar, a Embratur resolvia por conta de seus gênios
burocratas a implementação de propaganda e publicidade,
cultuando uma imagem do Brasil, exaltando a mulher brasileira
com toda a justiça, porém, nunca fez um acompanhamento de
opinião pública junto aos países estrangeiros como essa
representação era entendida. Essa falha produziu seqüelas
que sofremos até hoje, em que há pacotes destinados ao turismo
sexual. Ou decidem desenvolver uma propaganda nos horríveis
taxis ingleses, com o amadorismo próprio de comandar o turismo
brasileiro.
Em
terceiro lugar, cultuaram o estrangeirismo adquirindo programas
falidos de experiências desastrosas, que só sobreviveram
pelo estrago que realizaram junto as prefeituras e comunidade
apoiada pela mídia ufanista
e da inocência de voluntários dentro do território nacional.
A vaidade pessoal acabou determinando à sociedade programas
de cima para baixo desrespeitando as particularidades da
população brasileira.
Em
quarto lugar, podemos afirmar que o Brasil não pode se dar
ao disparate de vir a utilizar os serviços de uma empresa
estrangeira de assessoria de imprensa e relações públicas,
pois as nossas são tão competentes quanto elas e o Brasil
é reconhecido mundialmente nesse campo por sua criatividade
e capacidade profissional de seus trabalhos.
Presidente
as vezes indago se perdemos o direito de defender nossa
maturidade política e cidadã, que pudemos sentir com a presença
do Partido dos Trabalhadores no Governo Federal, enganos
ocorrem, mas usar do nosso dinheiro para pagar serviços
para "saber o que os estrangeiros pensam de nós"
e algo extremamente grave para não dizer bizarro.
Como
sociólogo, turismólogo e cidadão brasileiro eu e o povo,
temos o direito de saber mais sobre o referido estudo, bem
como, o valor do contrato e metodologia a ser utilizada
para a pesquisa. E qual a razão que levou um órgão federal
decidir pela contratação de uma empresa estrangeira.